{"id":252511,"date":"2018-08-05T05:37:11","date_gmt":"2018-08-05T08:37:11","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=252511"},"modified":"2018-08-05T05:37:11","modified_gmt":"2018-08-05T08:37:11","slug":"a-bomba-demografica-africana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-bomba-demografica-africana\/","title":{"rendered":"A \u2018bomba demogr\u00e1fica\u2019 africana"},"content":{"rendered":"<div class=\"cabecera__envoltorio\">\n<header id=\"cabecera\" class=\"cabecera\">\n<div id=\"cabecera__interior\" class=\"cabecera__interior\">\n<div class=\"cabecera-superior\">\n<div class=\"cabecera-superior__interior\">\n<div class=\"contenedor_derecha\">\n<div class=\"navegacion-sucripcion\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<\/div>\n<div class=\"articulo__envoltorio\">\n<article class=\"articulo\">\n<div id=\"articulo_interior\" class=\"articulo__interior\">\n<div class=\"articulo__apertura\" style=\"text-align: justify;\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<div class=\"articulo-subtitulos\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>O continente responde por quase metade do crescimento da popula\u00e7\u00e3o mundial, mas especialistas acreditam que esse movimento tende a se estabilizar<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/03\/internacional\/1533287402_271672_1533395014_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/03\/internacional\/1533287402_271672_1533395015_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/03\/internacional\/1533287402_271672_1533395015_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/03\/internacional\/1533287402_271672_1533395014_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"africa\" width=\"980\" height=\"549\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Uma crian\u00e7a da etnia samburu no Qu\u00eania<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">LUIS TATO<\/span>\u00a0<span class=\"foto-agencia\">FAO<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"firma firma--vertical\">\n<div class=\"autor\">\n<figure class=\"foto\"><\/figure>\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Carlos Laorden\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/carlos_laorden_zubimendi\/a\/\">CARLOS LAORDEN<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo-introduccion\" class=\"articulo-introduccion\">\n<p>\u201cO que faz falta na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/africa\"><strong>\u00c1frica<\/strong><\/a>\u00a0s\u00e3o mais camisinhas.\u201d \u201cPor que t\u00eam tantos filhos se n\u00e3o podem aliment\u00e1-los?\u201d \u201cCom tanta gente no mundo, n\u00e3o poderemos salvar o planeta.\u201d Pergunta e opini\u00f5es como essas proliferam nas redes sociais e nos coment\u00e1rios diante das not\u00edcias sobre o aumento da popula\u00e7\u00e3o (pa\u00edses como N\u00edger poderiam multiplicar seu n\u00famero de habitantes por quatro em 2030 e por 10 em 2050), a preval\u00eancia da fome (dois de cada dez africanos n\u00e3o comem o suficiente) e as\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/migracion\">migra\u00e7\u00f5es<\/a>\u00a0na \u2212 e principalmente a partir da \u2212 \u00c1frica subsaariana.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<section id=\"sumario_9|apoyos\" class=\"sumario_apoyos derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<div class=\"apoyos\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">As proje\u00e7\u00f5es demogr\u00e1ficas mundiais \u2212 prev\u00ea-se que em 2050 o n\u00famero de seres humanos supere os 9 bilh\u00f5es e se aproxime dos 10 bilh\u00f5es \u2212, particularmente impressionantes no caso africano, s\u00e3o vistas com preocupa\u00e7\u00e3o pelos pa\u00edses ricos, onde muitos j\u00e1 falam de uma\u00a0<em>bomba demogr\u00e1fica<\/em>\u00a0africana. Dos nove pa\u00edses que concentrar\u00e3o a metade do crescimento populacional at\u00e9 2050, cinco s\u00e3o africanos (Nig\u00e9ria, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, Eti\u00f3pia, Tanz\u00e2nia e Uganda). E outros, como Angola, Burundi, N\u00edger, Som\u00e1lia, Z\u00e2mbia e a pr\u00f3pria Tanz\u00e2nia, multiplicar\u00e3o por pelo menos cinco seu n\u00famero de cidad\u00e3os. Hoje h\u00e1 1,2 bilh\u00e3o de africanos, e para 2050 se prev\u00ea que sejam o dobro. Ou seja, o continente responde por quase metade do crescimento da popula\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CITe07TA1dwCFRAPhgodFVgHDQ\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/internacional\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/internacional\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/internacional\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO problema \u00e9 que n\u00e3o vemos as coisas em perspectiva: esse processo n\u00e3o \u00e9 nenhuma peculiaridade africana, e sim um ciclo pelo qual outros continentes j\u00e1 passaram antes\u201d, sustenta Julio P\u00e9rez D\u00edaz, especialista em demografia do Centro Superior de Investiga\u00e7\u00f5es Cient\u00edficas (CSIC) da Espanha. \u201cNa segunda metade do s\u00e9culo passado se falava com temor do crescimento da popula\u00e7\u00e3o na \u00c1sia, principalmente na China, e hoje as taxas de fecundidade por l\u00e1 s\u00e3o parecidas com as europeias\u201d, acrescenta.<\/p>\n<div class=\"teads-inread\" style=\"text-align: justify;\">\n<div>\n<div id=\"teads0\" class=\"teads-player\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">A origem dessas tormentas demogr\u00e1ficas, segundo o pesquisador, \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o da mortalidade, sobretudo da infantil. Quando h\u00e1 um alto n\u00famero de nascimentos (por motivos religiosos, culturais ou puramente econ\u00f4micos) e de repente se multiplica a porcentagem de crian\u00e7as que chegam \u00e0 idade adulta, o crescimento populacional dispara. E, embora ainda falte muito por fazer, \u00e9 o que est\u00e1 acontecendo gra\u00e7as aos avan\u00e7os nos cuidados sanit\u00e1rios: as mortes de crian\u00e7as menores de cinco anos na \u00c1frica subsaariana ca\u00edram mais de 30% desde o in\u00edcio deste s\u00e9culo.<\/p>\n<section id=\"sumario_7|html\" class=\"sumario_html derecha\"><a name=\"sumario_7\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">\u201cEsse processo n\u00e3o \u00e9 nenhuma peculiaridade africana; outros j\u00e1 passaram por isso antes\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas esse crescimento populacional, segundo P\u00e9rez D\u00edaz, tende a se estabilizar. \u201cSe os beb\u00eas que voc\u00ea traz ao mundo n\u00e3o morrem e chegam a se reproduzir, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 preciso ter seis filhos por mulher para que a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o se extinga. \u00c9 a mesma tend\u00eancia que seguem todos os pa\u00edses menos desenvolvidos do mundo, n\u00e3o s\u00f3 os africanos\u201d, assinala. \u201cE quando se amplia a ideia de uma fam\u00edlia com poucos filhos dos quais se pode cuidar, as pessoas gostam dela e a adotam, porque para qualquer pessoa \u00e9 um drama a morte de um filho\u201d, acrescenta o dem\u00f3grafo do CSIC. A possibilidade (e a obrigatoriedade) de ir \u00e0 escola, os programas de alimenta\u00e7\u00e3o escolar, os cuidados sanit\u00e1rios&#8230; o especialista sustenta que, ao contr\u00e1rio do que poderia parecer, todas essas redes n\u00e3o incentivam a ter mais filhos, e sim a ter menos e a cuidar melhor deles. \u201cPortanto, nem bombas demogr\u00e1ficas nem nada parecido, \u00e9 uma consequ\u00eancia normal do desenvolvimento\u201d, aponta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O falecido m\u00e9dico e estat\u00edstico Hans Rosling, famoso por seu trabalho de divulga\u00e7\u00e3o sobre sa\u00fade e demografia, costumava dizer que a forma de deter o crescimento da popula\u00e7\u00e3o nesses pa\u00edses \u00e9 exatamente essa: melhorar as perspectivas de quem nasce. \u201cPor isso \u00e9 t\u00e3o importante investir na inf\u00e2ncia desses lugares, porque \u00e9 a \u00fanica forma de alcan\u00e7ar um tamanho populacional que seja sustent\u00e1vel\u201d, assinalava o sueco.<\/p>\n<section id=\"sumario_8|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_8\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/03\/planeta_futuro\/1533287402_271672_1533315721_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/03\/planeta_futuro\/1533287402_271672_1533315721_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/03\/planeta_futuro\/1533287402_271672_1533315721_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/03\/planeta_futuro\/1533287402_271672_1533315721_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Proje\u00e7\u00f5es de popula\u00e7\u00e3o na \u00c1frica. Fonte: UNDP\" width=\"980\" height=\"520\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Proje\u00e7\u00f5es de popula\u00e7\u00e3o na \u00c1frica. Fonte: UNDP<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ministro espanhol de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores e Coopera\u00e7\u00e3o, Josep Borrell, seguiu a mesma linha quando alertou em 4 de julho no Congresso sobre os desafios em mat\u00e9ria migrat\u00f3ria. \u201cA solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 levantar muros\u201d, disse o ministro. \u201c\u00c9 dar [\u00e0s pessoas] oportunidades em sua terra e controlar o crescimento da popula\u00e7\u00e3o para que o desenvolvimento possa chegar a todos.\u201d<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Como alimentar a todos<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">E isso \u2212 o desenvolvimento \u2212 passa necessariamente pela redu\u00e7\u00e3o dos \u00edndices de fome nos pa\u00edses do continente. H\u00e1 dois s\u00e9culos, o cl\u00e9rigo brit\u00e2nico Thomas Robert Malthus (1766-1834) disse que as fomes \u2212 a falta de comida \u2212 eram um mecanismo natural de regula\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. \u201cMas Malthus subestimou o engenho humano: no s\u00e9culo passado, vimos como a quantidade de alimentos produzidos duplicava uma e outra vez, gra\u00e7as a melhores variedades de sementes e animais, irriga\u00e7\u00e3o, fertilizantes, forragem e energia\u201d, aponta Josef Schmidhuber, da FAO (ag\u00eancia da ONU para a alimenta\u00e7\u00e3o e a agricultura).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo produz hoje alimentos mais do que de sobra para todos. Se \u2212 segundo a pr\u00f3pria FAO \u2212\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/09\/05\/internacional\/1504624883_402058.html\">815 milh\u00f5es de pessoas passam fome<\/a>, n\u00e3o \u00e9 porque n\u00e3o haja comida, mas sim porque n\u00e3o conseguem obt\u00ea-la. Devido a conflitos, a desastres naturais ou, simplesmente, porque n\u00e3o podem compr\u00e1-la.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/03\/planeta_futuro\/1533287402_271672_1533289500_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/03\/planeta_futuro\/1533287402_271672_1533289500_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/03\/planeta_futuro\/1533287402_271672_1533289500_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/03\/planeta_futuro\/1533287402_271672_1533289500_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Agricultores trabalhando em Torit (Sud\u00e3o do Sul)\" width=\"980\" height=\"608\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Agricultores trabalhando em Torit (Sud\u00e3o do Sul)<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">\u00a9FAO\/STEFANIE GLINSKI<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos programas de desenvolvimento e coopera\u00e7\u00e3o internacional se concentram em melhorar a produtividade dos pequenos agricultores africanos \u2212 que s\u00e3o, paradoxalmente, aqueles que mais passam fome. \u201cMas o fato de produzir mais comida n\u00e3o resolver\u00e1 o problema dos pa\u00edses mais afetados. Essa inseguran\u00e7a alimentar surge de uma falta de produtividade dos pequenos agricultores, mas tamb\u00e9m de sua falta de acesso \u00e0 comida. \u00c0s vezes, de uma mistura de ambas\u201d, assinala Schmidhuber.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outras ag\u00eancias, em vez disso, promovem medidas de planejamento familiar nos lugares em que a popula\u00e7\u00e3o aumenta. D\u00e9cadas atr\u00e1s na \u00c1sia, hoje na \u00c1frica. \u201cMas, nas regi\u00f5es mais pobres do continente, as pessoas n\u00e3o usar\u00e3o anticoncepcionais enquanto continuarem vendo seus filhos morrerem, enquanto n\u00e3o houver escola em seu povoado, enquanto precisarem que seus filhos ajudem no trabalho\u201d, dizia Rosling.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/03\/planeta_futuro\/1533287402_271672_1533289356_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/03\/planeta_futuro\/1533287402_271672_1533289356_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/03\/planeta_futuro\/1533287402_271672_1533289356_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/03\/planeta_futuro\/1533287402_271672_1533289356_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Uma mulher amamenta seu filho no Burundi\" width=\"980\" height=\"616\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Uma mulher amamenta seu filho no Burundi<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">\u00a9FAO\/GIULIO NAPOLITANO<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 uma de cada quatro mulheres em idade reprodutiva utiliza meios contraceptivos no centro e no oeste da \u00c1frica (na Europa, Am\u00e9rica Latina e Am\u00e9rica do Norte, a m\u00e9dia \u00e9 de mais de 70%), e 20% dizem precisar de m\u00e9todos de planejamento familiar cujo custo n\u00e3o podem cobrir, segundo a Divis\u00e3o da Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em pa\u00edses como o pr\u00f3prio N\u00edger, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo ou Malaui, onde a imensa maioria vive do que produz, qualquer ajuda no campo ou com os animais \u00e9 bem-vinda: nas economias agr\u00e1rias, a prole sempre foi m\u00e3o de obra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A solu\u00e7\u00e3o para a fome e a necessidade, estima Schmidhuber, dever\u00e1 passar por uma mudan\u00e7a como a que ocorreu na \u00c1sia com a transforma\u00e7\u00e3o do setor agr\u00edcola: os camponeses que perdem seu cultivo no processo s\u00e3o absorvidos por uma incipiente ind\u00fastria manufatureira que se desenvolve paralelamente. Conseguem trabalhos menos incertos que geram novas fontes de ganho. Isso, complementado com programas de prote\u00e7\u00e3o social e acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, come\u00e7aria a gerar uma mudan\u00e7a nas din\u00e2micas econ\u00f4micas e demogr\u00e1ficas.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_3\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/03\/planeta_futuro\/1533287402_271672_1533289612_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/03\/planeta_futuro\/1533287402_271672_1533289613_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/03\/planeta_futuro\/1533287402_271672_1533289613_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/03\/planeta_futuro\/1533287402_271672_1533289612_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Jovens com sacos de cebolas no mercado local de Meru (Qu\u00eania)\" width=\"980\" height=\"601\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Jovens com sacos de cebolas no mercado local de Meru (Qu\u00eania)<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">\u00a9FAO\/LUIS TATO<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra das solu\u00e7\u00f5es, como apontava Borrell e coincidem P\u00e9rez D\u00edaz e Schmidhuber, deve ser buscada no empoderamento feminino. Como exemplo, o Ir\u00e3: no final dos anos setenta, quando ocorreu a Revolu\u00e7\u00e3o Isl\u00e2mica, as iranianas tinham uma m\u00e9dia de 6,4 filhos. E, apesar da estrita doutrina religiosa, hoje t\u00eam 1,6. \u201cAs mulheres tiveram acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, e em vez de casar aos 15 anos, agora se dedicam a ampliar seus estudos e a criar seu pr\u00f3prio futuro trabalhista at\u00e9 os 30. Assim, logicamente, a fecundidade cai\u201d, observa o dem\u00f3grafo do CSIC.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o h\u00e1 planeta para tanta gente?<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro dos temores relacionados ao aumento da popula\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses africanos \u00e9 que ele ponha em xeque a luta contra a mudan\u00e7a clim\u00e1tica ou possa contribuir para esgotar recursos naturais como \u00e1gua, terras ou bosques. \u201cMas \u00e9 incr\u00edvel a diferen\u00e7a entre o que consome um indiv\u00edduo de classe m\u00e9dia ou alta de um pa\u00eds rico com o que consome a maioria dos habitantes de um pa\u00eds em desenvolvimento\u201d, comenta David Sattertwhaite, professor do Instituto Internacional para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diana Ivanova, pesquisadora da Universidade Norueguesa de Ci\u00eancia e Tecnologia, e seus colegas realizaram um estudo comparando as emiss\u00f5es de gases do efeito estufa (principais causadores do aquecimento global) com o consumo\u00a0<em>per capita<\/em>\u00a0de cada pa\u00eds. E descobriram que a pegada de carbono de uma fam\u00edlia de Luxemburgo (pa\u00eds com menos de 600.000 habitantes) \u00e9 seis vezes maior que a m\u00e9dia global. J\u00e1 o impacto de uma fam\u00edlia da \u00cdndia (com 1,3 bilh\u00e3o de habitantes) \u00e9 apenas um quarto dessa m\u00e9dia mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cObviamente, a quantidade de habitantes \u00e9 uma vari\u00e1vel relevante, porque todo mundo tem necessidades m\u00ednimas que causam impactos, mas o que realmente importa \u00e9 o consumo, o que voc\u00ea compra e gasta. E isso \u00e9 algo que depende basicamente da renda\u201d, afirma Ivanova. Os 10% mais ricos geram 36% da pegada de carbono das fam\u00edlias.<\/p>\n<section id=\"sumario_4|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_4\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/03\/planeta_futuro\/1533287402_271672_1533289713_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/03\/planeta_futuro\/1533287402_271672_1533289713_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/03\/planeta_futuro\/1533287402_271672_1533289713_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/03\/planeta_futuro\/1533287402_271672_1533289713_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Uma av\u00f3 com seus netos em um campo de amendoins em Gafati (N\u00edger)\" width=\"980\" height=\"629\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Uma av\u00f3 com seus netos em um campo de amendoins em Gafati (N\u00edger)<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">\u00a9FAO\/ANDREW ESIEBO<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada vez mais vozes apresentam o crescimento demogr\u00e1fico na \u00c1frica como o principal risco para a sustentabilidade do planeta. \u201cDe algum modo, a amea\u00e7a da superpopula\u00e7\u00e3o, que vem de pa\u00edses pobres, permite aos ricos desviar-se de sua parcela de responsabilidade\u201d, critica Satterthwhaite. \u201c\u00c9 uma forma de jogar a culpa nos outros em vez de procurar uma maneira inovadora de resolver o quebra-cabe\u00e7as\u201d, coincide Ivanova. \u201cEm vez de dizer aos outros que n\u00e3o tenham mais filhos, dever\u00edamos ser muito mais conscientes de nosso pr\u00f3prio impacto\u201d, acrescenta a acad\u00eamica.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O continente responde por quase metade do crescimento da popula\u00e7\u00e3o mundial, mas especialistas acreditam que esse movimento tende a se estabilizar<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":252512,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[2,6],"tags":[],"class_list":["post-252511","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/africanos-na-lavoura.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/252511","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=252511"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/252511\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/252512"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=252511"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=252511"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=252511"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}