{"id":252537,"date":"2018-08-05T06:18:30","date_gmt":"2018-08-05T09:18:30","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=252537"},"modified":"2018-08-05T06:18:30","modified_gmt":"2018-08-05T09:18:30","slug":"quem-foi-o-embaixador-brasileiro-que-contrariou-hitler-e-vargas-para-ajudar-fugitivos-do-nazismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/quem-foi-o-embaixador-brasileiro-que-contrariou-hitler-e-vargas-para-ajudar-fugitivos-do-nazismo\/","title":{"rendered":"Quem foi o embaixador brasileiro que contrariou Hitler e Vargas para ajudar fugitivos do nazismo"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"byline\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"byline__name\">Luiz Ant\u00f4nio Araujo<\/span><\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/BBB4\/production\/_102825084_78cc51078ce4a9c8fd1a3bec137b87b7.jpg\" alt=\"O embaixador Souza Dantas, ao centro, conversando com Oswaldo Aranha (esq.) e Get\u00falio Vargas (dir.)\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span>O embaixador Souza Dantas, ao centro, conversando com Oswaldo Aranha (esq.) e Get\u00falio Vargas (dir.)<\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\" style=\"text-align: justify;\">Raphael Zimetbaum guarda na mem\u00f3ria os detalhes do dia em que seu pai viajou de Marselha, cidade portu\u00e1ria do sul da Fran\u00e7a, com destino a Vichy. Corria o ano de 1940, e os Zimetbaum, oriundos de Antu\u00e9rpia, na B\u00e9lgica, compartilhavam com milh\u00f5es de outros europeus a condi\u00e7\u00e3o de refugiados num continente mergulhado na Segunda Guerra Mundial. Entre os indesej\u00e1veis pelo ditador nazista da Alemanha, Adolf Hitler, a fam\u00edlia de Raphael tinha um agravante contra si: eram judeus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a Fran\u00e7a foi invadida pela m\u00e1quina de guerra do Terceiro Reich, e o governo local trocou a capital francesa de Paris para Vichy, a \u00fanica esperan\u00e7a de salva\u00e7\u00e3o para os judeus em solo franc\u00eas passou a ser a imigra\u00e7\u00e3o. Poucos pa\u00edses, por\u00e9m, permitiam-se acolher os fugitivos, concedendo-lhes vistos de entrada. O Brasil, sob a ditadura do Estado Novo, encabe\u00e7ada por Get\u00falio Vargas, n\u00e3o era exce\u00e7\u00e3o. Ainda assim, a viagem do pai de Raphael tinha o objetivo de fazer contato com o embaixador brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Meu pai e meu tio foram de Marselha para Vichy de trem. Foram recebidos pelo embaixador no hotel. Ele disse: &#8216;N\u00e3o h\u00e1 muito que eu possa fazer&#8217;, e mostrou o telegrama que o proibia de dar vistos. Meu pai insistiu. Ao final da conversa, o embaixador disse: &#8220;J\u00e1 \u00e9 tarde. Por que voc\u00eas n\u00e3o se hospedam num hotel aqui perto e voltam amanh\u00e3 de amanh\u00e3, que eu vou pensar?&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao retornar no dia seguinte, os Zimetbaum receberam um papel timbrado da embaixada do Brasil. O documento, redigido em franc\u00eas, dizia: &#8220;Bom para entrar no Brasil&#8221;. Era o visto que salvaria a vida da fam\u00edlia, permitindo-lhe escapar pelo Atl\u00e2ntico da morte certa na Europa ocupada.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/109D4\/production\/_102825086_queridoembaixador8.jpg\" alt=\"Norival Rizzo como Souza Dantas em uma cena do filme Querido Embaixador\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>No filme &#8220;Querido Embaixador&#8221;, dirigido Luiz Fernando Goulart, Souza Dantas \u00e9 vivido pelo ator Norival Rizzo<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">O homem que desafiou duas ditaduras para auxiliar pelo menos mil fugitivos do nazismo n\u00e3o era um jovem idealista e temer\u00e1rio. O embaixador Luiz Martins de Souza Dantas tinha 64 anos em 1940 e s\u00f3 n\u00e3o havia sido aposentado compulsoriamente por idade quatro anos antes em raz\u00e3o de uma exce\u00e7\u00e3o aberta por Get\u00falio Vargas, &#8220;tendo em vista os not\u00f3rios servi\u00e7os prestados ao governo brasileiro pelo seu atual embaixador na Fran\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-parrot\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nasceu em 1876 no Rio, ent\u00e3o capital imperial, numa fam\u00edlia carioca de origem baiana, e ingressara no servi\u00e7o diplom\u00e1tico aos 20 anos, menos de um m\u00eas depois da gradua\u00e7\u00e3o em Direito. Fez uma longa e exitosa carreira. Servira em Berna (Su\u00ed\u00e7a), S\u00e3o Petersburgo (R\u00fassia), Roma, Buenos Aires e novamente Roma, com uma passagem de alguns meses pelo comando do Itamaraty.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nomeado embaixador em 1919, na capital italiana, Souza Dantas era um diplomata da velha escola do Imp\u00e9rio, que recrutava servidores entre a elite e valorizava rela\u00e7\u00f5es pessoais. &#8220;Isso explica por que tinha um retrato de Mussolini pendurado na parede da embaixada&#8221;, escreveu Orlando de Barros, professor do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando Souza Dantas trocou a embaixada de Roma pela de Paris, em 1922, o ditador Benito Mussolini foi pessoalmente \u00e0 esta\u00e7\u00e3o de trem se despedir, tal era sua popularidade, revela Luiz Fernando Goulart, diretor da filme\u00a0<i>Querido embaixador<\/i>, uma cinebiografia com estreia prevista para este s\u00e1bado (5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A embaixada na Fran\u00e7a era o posto mais importante da diplomacia brasileira nos anos 1920. Paris era a capital pol\u00edtica e intelectual do mundo, e o franc\u00eas era a l\u00edngua franca da diplomacia, das ci\u00eancias e das artes. Na chamada Cidade Luz, Souza Dantas firmou reputa\u00e7\u00e3o de bon vivant. Gastava fortunas em jantares e recep\u00e7\u00f5es, colhendo, em contrapartida, um prest\u00edgio que lhe permitiu ficar no posto por quase um quarto de s\u00e9culo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da foto autografada de Mussolini, exibia na embaixada as imagens do rei da It\u00e1lia Vittorio Emmanuele; de Santos Dumont, do ex-presidente franc\u00eas Raymond Poincar\u00e9 e do poeta italiano Gabriele D&#8217;Annunzio (que o chamava de<i>&#8220;ambasciatore delle grazie<\/i>&#8221; &#8211; embaixador das gra\u00e7as).<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/157F4\/production\/_102825088_embaixador.jpg\" alt=\"grandes de arame farpado ante o c\u00e9u nublado\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Sob o dom\u00ednio nazista, um passaporte diplom\u00e1tico poderia representar a diferen\u00e7a entre a vida e a morte<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Relatos atribuem ao diplomata brasileiro um time de amantes, especialmente atrizes: Madeleine Carlier &#8211; a quem presenteou com uma casa de campo em Nantes -, Marie Bell e Arletty. Segundo um contempor\u00e2neo, &#8220;os colunistas mediam a import\u00e2ncia de qualquer reuni\u00e3o pela nota de sua presen\u00e7a&#8221;. Seu amigo Heitor Lyra contava que, um dia, convidado pelo embaixador para jantar no Ritz, viu a estilista Coco Chanel, que morava no hotel, abrir um &#8220;largo sorriso&#8221; e perguntar ao amigo se ele tinha ido visit\u00e1-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Solteiro at\u00e9 os 57 anos, o embaixador casou-se em 30 de setembro de 1933 com Elise Meyer Stern, vi\u00fava americana residente em Paris. Era irm\u00e3 de Eugene Meyer, dono do jornal The Washington Post. Embora a noiva fosse judia, a cerim\u00f4nia seguiu o rito cat\u00f3lico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Informado como poucos, Souza Dantas teria comunicado o Itamaraty da queda de Paris em junho de 1940 antes do ex\u00e9rcito alem\u00e3o (chamado de\u00a0<i>Wehrmacht)<\/i>\u00a0entrar na cidade. Os nazistas suspeitaram at\u00e9 o final de que fizesse espionagem para os Aliados. Com a retirada do governo franc\u00eas para Bordeaux e, depois, para Vichy, e a capitula\u00e7\u00e3o final ao Reich, a Fran\u00e7a sofreu uma grave fratura pol\u00edtica. Os alem\u00e3es mantiveram autoridade sobre o Norte, incluindo Paris, enquanto a por\u00e7\u00e3o sulista, chamada de Zona Livre, era entregue ao governo colaboracionista do marechal Philippe P\u00e9tain.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Souza Dantas teria sido o primeiro embaixador a se transferir para Vichy, numa decis\u00e3o posteriormente seguida por outros representantes estrangeiros. Permitia, no entanto, que alguns de seus subordinados mantivessem contato com as autoridades alem\u00e3s em Paris, a fim de trocar informa\u00e7\u00f5es que repassava ao Itamaraty.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pouco antes de deixar a cidade ocupada, passou a expedir vistos diplom\u00e1ticos para quem os pedisse sem exigir nada em troca. A atitude era uma desobedi\u00eancia frontal \u00e0 pol\u00edtica migrat\u00f3ria de Vargas, que, na \u00e9poca, proibia a concess\u00e3o de vistos a &#8220;semitas e outros indesej\u00e1veis&#8221;. Antes mesmo da instaura\u00e7\u00e3o da ditadura do Estado Novo, em novembro de 1937, o governo Vargas tentara impedir o ingresso de judeus no pa\u00eds por meio das chamadas &#8220;circulares secretas&#8221; do Itamaraty &#8211; a primeira delas, sob o n\u00ba 1.127, fora editada em junho daquele ano.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/235C\/production\/_102825090_plaque_vcut_souza_dantas_paris_2.jpg\" alt=\"Placa com homenagem ao embaixador brasileiro Souza Dantas em Paris\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Esta placa comemorativa em Paris reconhece Souza Dantas como um &#8220;grande amigo da Fran\u00e7a&#8221;<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maioria dos chefes de miss\u00f5es brasileiras no Exterior cumpria \u00e0 risca a determina\u00e7\u00e3o. Em abril de 1938, menos de um ano depois da emiss\u00e3o da primeira circular, o c\u00f4nsul-geral em Budapeste, M\u00e1rio Moreira da Silva, comunicou ao ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Oswaldo Aranha, a recusa de visto de entrada no Brasil a 55 indiv\u00edduos, &#8220;todos declaradamente de origem semita&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Os refugiados est\u00e1vamos submetidos aos maiores esc\u00e1rnios, \u00e0s maiores torturas, os soldados franceses pegando ratos e enfiando no colo das mulheres, no peito, para espantar, coisa horrorosa. E, no meio disso, n\u00f3s ficamos, at\u00e9 que, de repente, se ouve que existia um Dom Quixote que se chamava&#8230; meu Deus do c\u00e9u, me escapa agora&#8230; o famoso embaixador Dantas, que disse o seguinte: &#8216;Abra as portas da embaixada que eu vou dar vistos diplom\u00e1ticos&#8217;. E deu&#8221;, conta o ator e diretor teatral polon\u00eas Ziembinski, um dos beneficiados pelo diplomata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A legisla\u00e7\u00e3o brasileira estabelecia que vistos s\u00f3 poderiam ser concedidos mediante apresenta\u00e7\u00e3o de documentos como certid\u00f5es negativas de antecedentes policiais e atestados de sa\u00fade, de profiss\u00e3o e de &#8220;origem \u00e9tnica&#8221;, inacess\u00edveis para refugiados naquelas condi\u00e7\u00f5es. A maioria dos que procuravam Souza Dantas era portadora dos chamados passaportes Nansen, fornecidos pela defunta Liga das Na\u00e7\u00f5es para ap\u00e1tridas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ele assinava vistos at\u00e9 em card\u00e1pios de restaurantes&#8221;, afirma Goulart.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 12 de dezembro de 1940, Oswaldo Aranha expediu a circular 1.498, pela qual era reiterada a proibi\u00e7\u00e3o de concess\u00e3o de vistos a judeus. Souza Dantas passou ent\u00e3o a assinar os documentos com datas anteriores \u00e0 da circular. Nem todos os que auxiliou se dirigiram ao Brasil. Em fins de 1941, depois de ter sido repreendido pelo governo brasileiro por sua prodigalidade no fornecimento de vistos, tornou-se alvo de inqu\u00e9rito administrativo. Na \u00e9poca, por\u00e9m, a press\u00e3o dos Estados Unidos fazia Vargas se inclinar em favor dos Aliados, e o Brasil romperia rela\u00e7\u00f5es com o Eixo em janeiro de 1942.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/717C\/production\/_102825092_embaixador3.jpg\" alt=\"Vista de pr\u00e9dio na Pra\u00e7a da \u00d3pera, em Paris\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>A Pra\u00e7a da \u00d3pera, em Paris, foi o \u00faltimo endere\u00e7o de Souza Dantas antes da sua morte, em 1954<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto as investiga\u00e7\u00f5es no Itamaraty prosseguiam, os nazistas invadiram a Zona Livre e bateram \u00e0 porta da embaixada brasileira em Vichy \u00e0 procura de arquivos. O conselheiro Trajano Medeiros do Pa\u00e7o, que vivera em Berlim e era fluente em alem\u00e3o, disse aos militares que os pap\u00e9is haviam sido queimados. Ao oficial da Gestapo que lhe perguntou a raz\u00e3o da medida, respondeu: &#8220;Porque n\u00f3s conhecemos voc\u00eas&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os policiais invadiram a embaixada. Chamado em sua resid\u00eancia, Souza Dantas, aos 66 anos, protestou energicamente: &#8220;Os senhores est\u00e3o violando as leis das conven\u00e7\u00f5es internacionais. Estamos aqui em solo brasileiro. Pe\u00e7o-lhes imediatamente que se afastem&#8221;. E ficou sob a mira das pistolas da Gestapo. Foi retido por 14 meses na Alemanha, sendo libertado em troca de prisioneiros alem\u00e3es detidos no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De volta ao Rio, soube que o inqu\u00e9rito do Itamaraty havia sido arquivado, mas foi relegado ao ostracismo at\u00e9 o final da Segunda Guerra. Afetada pela senilidade, a esposa, Elisa, foi levada pela fam\u00edlia para os Estados Unidos, onde morreu em 1952. Em abril de 1954, quase octogen\u00e1rio e com a sa\u00fade debilitada, foi a vez de Souza Dantas morrer em seu \u00faltimo endere\u00e7o parisiense, um quarto do Grand H\u00f4tel, na Pra\u00e7a da \u00d3pera. O invent\u00e1rio listava poucos bens. O corpo foi trasladado para o Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nome de Souza Dantas est\u00e1 inscrito no Jardim dos Justos entre as Na\u00e7\u00f5es, em Israel, como um dos que ajudaram a salvar judeus do Holocausto.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando a Fran\u00e7a foi invadida pela m\u00e1quina de guerra do Terceiro Reich, e o governo local trocou a capital francesa de Paris para Vichy, a \u00fanica esperan\u00e7a de salva\u00e7\u00e3o para os judeus em solo franc\u00eas passou a ser a imigra\u00e7\u00e3o. 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