{"id":252877,"date":"2018-08-08T06:20:38","date_gmt":"2018-08-08T09:20:38","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=252877"},"modified":"2018-08-08T06:20:38","modified_gmt":"2018-08-08T09:20:38","slug":"navios-portugueses-e-brasileiros-fizeram-mais-de-9-mil-viagens-com-escravos-da-africa-para-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/navios-portugueses-e-brasileiros-fizeram-mais-de-9-mil-viagens-com-escravos-da-africa-para-o-brasil\/","title":{"rendered":"Navios portugueses e brasileiros fizeram mais de 9 mil viagens com escravos da \u00c1frica para o Brasil"},"content":{"rendered":"<div class=\"story-body\">\n<h1 class=\"story-body__h1\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"byline\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"byline__name\">Amanda Rossi<\/span><\/div>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share-row\">\n<div class=\"share-tools--no-event-tag\">\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-twite\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/15DC9\/production\/_102854598_e69c5c9f-3d95-45a5-9ff2-b4fc54f4d914.jpg\" alt=\"Pintura mostra diversos negros escravizados amontoados em um por\u00e3o de navio negreiro\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span>4,8 milh\u00f5es de africanos foram transportados para o Brasil e vendidos como escravos, ao longo de mais de tr\u00eas s\u00e9culos. Outros 670 mil morreram no caminho.<\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\" style=\"text-align: justify;\">O Brasil ainda n\u00e3o estava no mapa do mundo quando, em 1482, uma d\u00fazia de embarca\u00e7\u00f5es portuguesas aportou no oeste da \u00c1frica com uma miss\u00e3o dada pelo rei dom Jo\u00e3o 2\u00ba: construir uma fortaleza militar para defender os interesses econ\u00f4micos de Portugal na regi\u00e3o. Os por\u00f5es dos navios estavam carregados de material de constru\u00e7\u00e3o e havia na tripula\u00e7\u00e3o dezenas de pedreiros e carpinteiros. Era uma empreitada pioneira, j\u00e1 que nenhuma outra na\u00e7\u00e3o europeia havia feito nada semelhante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meses depois, surgia o Castelo de S\u00e3o Jorge da Mina, na ent\u00e3o Costa do Ouro, hoje Gana. Primeiro, foi um local de com\u00e9rcio de ouro. Depois, de escravos &#8211; mais de 30 mil foram levados dali para o Brasil, em navios portugueses. O castelo existe at\u00e9 hoje e foi declarado Patrim\u00f4nio da Humanidade, um monumento &#8220;aos horrores do tr\u00e1fico de escravos&#8221;. \u00c9 um dos resqu\u00edcios mais antigos da presen\u00e7a dos portugueses na \u00c1frica e de sua participa\u00e7\u00e3o na\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/9062bf9d-2d07-4204-bf3b-1eb1bcbbc269\">escravid\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A constru\u00e7\u00e3o do castelo foi s\u00f3 o come\u00e7o da empreitada de Portugal na \u00c1frica. Em seguida, os portugueses se instalaram em diversos pontos do continente e fizeram do tr\u00e1fico de escravos a sua principal e mais lucrativa atividade econ\u00f4mica na regi\u00e3o. Ao longo de mais de tr\u00eas s\u00e9culos, navios portugueses ou brasileiros embarcaram escravos em quase 90 portos africanos, fazendo mais de 11,4 mil viagens negreiras. Dessas, 9,2 mil tiveram como destino o Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dados s\u00e3o da\u00a0<a class=\"story-body__link-external\" href=\"http:\/\/www.slavevoyages.org\/\">The Trans-Atlantic Slave Trade Database<\/a>, um esfor\u00e7o internacional de cataloga\u00e7\u00e3o de dados sobre o tr\u00e1fico de escravos &#8211; que inclui, entre outros, a Universidade de Harvard. O levantamento foi poss\u00edvel porque os escravos eram uma mercadoria, registrada na entrada e sa\u00edda dos portos, sobre a qual incidia cobran\u00e7a de impostos.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/B509\/production\/_102854364_gettyimages-516280753.jpg\" alt=\"Castelo de S\u00e3o Jorge da Mina, constru\u00eddo pelos portugueses na Costa do Ouro (hoje Gana) em 1482, de onde sa\u00edram mais de 30 mil escravos rumo ao Brasil, em navios portugueses\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Castelo de S\u00e3o Jorge da Mina, constru\u00eddo pelos portugueses na Costa do Ouro (hoje Gana) em 1482, de onde sa\u00edram mais de 30 mil escravos rumo ao Brasil, em navios portugueses<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Pol\u00eamica sobre a participa\u00e7\u00e3o de Portugal na escravid\u00e3o africana<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/03eb3674-6190-4cd7-8104-1a00991d67a3\">hist\u00f3ria<\/a>\u00a0de Portugal na \u00c1frica e seu papel na escravid\u00e3o entrou na pauta pol\u00edtica brasileira depois que o candidato \u00e0 Presid\u00eancia Jair Bolsonaro declarou que &#8220;o portugu\u00eas nem pisava na \u00c1frica&#8221; e responsabilizou os pr\u00f3prios africanos pela escravid\u00e3o, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura. A afirma\u00e7\u00e3o ocorreu ap\u00f3s uma pergunta sobre cotas raciais.<\/p>\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-parrot\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A ideia de que os portugueses nunca estiveram na \u00c1frica \u00e9 completamente falsa. Na verdade, foram os portugueses que abriram a \u00c1frica para o mundo Atl\u00e2ntico (Europa e Am\u00e9rica)&#8221;, afirma Christopher DeCorse, professor de antropologia da Universidade de Syracuse, nos Estados Unidos, e autor de livros sobre o Castelo de S\u00e3o Jorge da Mina e o tr\u00e1fico de escravos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Os portugueses s\u00e3o os primeiros a iniciar o com\u00e9rcio de escravos no Atl\u00e2ntico. Durante algumas d\u00e9cadas, s\u00e3o praticamente s\u00f3 eles que fazem esse tipo de com\u00e9rcio. N\u00e3o \u00e9 propriamente um pioneirismo honroso, mas \u00e9 um fato&#8221;, completa o historiador Arlindo Manuel Caldeira, investigador da Faculdade de Ci\u00eancias Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e autor do livro\u00a0<i>Escravos e Traficantes no Imp\u00e9rio Portugu\u00eas<\/i>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, \u00e9 fato que algumas sociedades africanas tiveram participa\u00e7\u00e3o fundamental no tr\u00e1fico de escravos, capturando outros povos e os vendendo conforme a demanda dos europeus. No entanto, historiadores ressaltam que foi a press\u00e3o dos europeus por escravos que exacerbou o tr\u00e1fico interno africano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Apesar de uma elite africana ter se beneficiado diretamente do com\u00e9rcio de escravos, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que, sem a press\u00e3o dos europeus, a escravid\u00e3o na \u00c1frica teria uma dimens\u00e3o imensamente menor. Foi o est\u00edmulo europeu que levou a um crescimento exponencial da escravid\u00e3o&#8221;, contrap\u00f5e Arlindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, independentemente de quem foram os culpados pela escravid\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que os 4,9 milh\u00f5es de africanos trazidos como escravos para o Brasil s\u00e3o as v\u00edtimas. Nenhum outro lugar do mundo recebeu tantos escravos. Em compara\u00e7\u00e3o, nos Estados Unidos, foram 389 mil.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption body-narrow-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/304\/cpsprodpb\/0D75\/production\/_102854430_nypl.digitalcollections.510d47df-9d3c-a3d9-e040-e00a18064a99.001.w.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o mostra europeus marcando uma mulher africana na costa da \u00c1frica, antes de ser trasportada por navios negreiros\" width=\"412\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"304\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-portrait has-caption body-narrow-width\" style=\"text-align: justify;\">Europeus marcam uma mulher africana na costa da \u00c1frica, antes de ser trasportada por navios negreiros<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Escravid\u00e3o existia na \u00c1frica antes do tr\u00e1fico europeu<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escravid\u00e3o existia na \u00c1frica antes mesmo da chegada dos europeus. Os perdedores de um conflito, por exemplo, poderiam se tornar escravos dos vencedores. No entanto, a dimens\u00e3o dessa pr\u00e1tica era limitada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando os portugueses chegaram \u00e0 \u00c1frica, seu interesse inicial n\u00e3o era em escravos. Logo depois, no entanto, isso mudou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;As elites africanas facilitaram o com\u00e9rcio de escravos. Elas ficaram muito dependentes da importa\u00e7\u00e3o de mercadorias europeias &#8211; como armas, artigos de consumo e de luxo. O que tinham para dar em troca, e que os europeus aceitavam, era sobretudo mercadoria humana. Isso foi desastroso para a \u00c1frica, porque era uma troca altamente desigual &#8211; produtos manufaturados por pessoas&#8221;, afirma Arlindo Manuel Caldeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, por exemplo, ao comercializar na costa sudoeste da \u00c1frica no in\u00edcio do s\u00e9culo 16, os portugueses receberam escravos como pagamento. Depois, trocaram esses escravos por ouro na regi\u00e3o do Castelo de S\u00e3o Jorge da Mina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seguida, os portugueses foram pioneiros em adquirir escravos para vend\u00ea-los fora da \u00c1frica. Uma das primeiras viagens negreiras registradas, por exemplo, ocorreu em 1514, quando um navio portugu\u00eas partiu do Rio Congo com 400 escravos rumo a Lisboa. Posteriormente, Portugal passou a abastecer com escravos seus territ\u00f3rios de S\u00e3o Tom\u00e9 e Cabo Verde.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 1650, dois de cada tr\u00eas navios que comercializavam escravos no mundo eram portugueses.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/7EBD\/production\/_102854423_nypl.digitalcollections.510d47de-1c15-a3d9-e040-e00a18064a99.001.w.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o mostra africanos capturados por outros africanos e sendo transportados at\u00e9 a costa, onde seriam vendidos para traficantes europeus\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Ilustra\u00e7\u00e3o mostra africanos capturados por outros africanos, sendo transportados at\u00e9 a costa, onde seriam vendidos para traficantes europeus<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Portugal e Inglaterra controlaram o tr\u00e1fico de escravos<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O n\u00famero de viagens negreiras para o Brasil foi crescendo \u00e0 medida que a explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica baseada no trabalho escravo avan\u00e7ava &#8211; o a\u00e7\u00facar, no Nordeste, o ouro, em Minas Gerais, e o caf\u00e9, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O auge ocorreu de 1750 a 1850 (ano em que o tr\u00e1fico foi finalmente proibido): nesse per\u00edodo, aportaram no Brasil 7 mil navios portugueses ou brasileiros trazendo escravos da \u00c1frica &#8211; a partir da independ\u00eancia, em 1822, os brasileiros assumiram protagonismo no tr\u00e1fico de escravos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O com\u00e9rcio era altamente lucrativo. Traficantes portugueses fizeram fortunas e, em alguns casos, at\u00e9 ganharam t\u00edtulos de nobreza em Portugal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o caso do Conde Joaquim Ferreira dos Santos. No come\u00e7o do s\u00e9culo 19, ele montou postos de compra de escravos em Angola, que controlava a partir do Rio de Janeiro. Ele pr\u00f3prio foi \u00e0 \u00c1frica algumas vezes para carregar seus navios de escravos. Calcula-se que tenha vendido 10 mil africanos no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o Brasil se tornou independente, Ferreira dos Santos pediu nacionalidade brasileira e continuou traficando escravos.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/136B9\/production\/_102854597_17_joaquimferreiradossantos-condeferreira-vp.jpg\" alt=\"Retrato do Conde Joaquim Ferreira dos Santos, portugu\u00eas que transportou mais de 10 mil escravos para o Brasil\" width=\"600\" height=\"736\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-portrait has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\">Retrato do Conde Joaquim Ferreira dos Santos, portugu\u00eas que transportou mais de 10 mil escravos para o Brasil<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 \u00e9poca de sua morte, sua fortuna foi avaliada em cerca de 1500 contos, equivalente a muitas dezenas de milh\u00f5es de euros atuais, segundo Arlindo Manuel Caldeira, que pesquisou a hist\u00f3ria dos traficantes portugueses. Parte da riqueza foi usada para criar obras de caridade, existentes at\u00e9 hoje em Portugal, como a rede de escolas p\u00fablicas Conde de Ferreira e o hospital psiqui\u00e1trico Conde de Ferreira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A for\u00e7a negreira de Portugal s\u00f3 foi abalada pela Inglaterra. Apesar de terem entrado no neg\u00f3cio meio s\u00e9culo depois dos portugueses, os ingleses fizeram o maior n\u00famero de viagens negreiras do mundo, 600 a mais que Portugal. O destino era, em primeiro lugar, as col\u00f4nias inglesas no Caribe e, em seguida, os Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 a partir do s\u00e9culo 17, a Inglaterra mudou de lado e passou a defender (e exigir) o fim do tr\u00e1fico de escravos no mundo. Foi por press\u00e3o inglesa que o Brasil aboliu o tr\u00e1fico de escravos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de Portugal e Inglaterra, outros pa\u00edses tamb\u00e9m traficaram escravos da \u00c1frica para as Am\u00e9ricas, como Holanda e Fran\u00e7a. Nenhum navio negreiro tinha a bandeira de uma na\u00e7\u00e3o africana.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape no-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/EAB6\/production\/_102868006_viagensnegreiraspaises.jpg\" alt=\"Gr\u00e1fico com dados do n\u00famero de viagens com escravos africanos feita por cada nacionalidade\" width=\"623\" height=\"423\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Demanda de escravos para as Am\u00e9ricas elevou conflitos na \u00c1frica<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do Brasil, outras col\u00f4nias americanas foram se tornando economias escravistas e demandando um n\u00famero cada vez maior de escravos africanos. Do ponto de vista econ\u00f4mico, quando a demanda cresce, a produ\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m aumenta. \u00c9 a lei da oferta e da procura. Foi o que ocorreu na \u00c1frica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;As elites africanas tentaram ter sempre o maior n\u00famero poss\u00edvel de escravizados para trocar por mercadorias europeias. S\u00e3o desenvolvidas diversas formas de obten\u00e7\u00e3o de escravizados, como medidas fiscais (cobran\u00e7a de impostos) e de car\u00e1ter judicial (julgamentos que condenavam o acusado \u00e0 escravid\u00e3o). Mas a principal vai ser por for\u00e7a, pela guerra&#8221;, explica Arlindo Manuel Caldeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, &#8220;o com\u00e9rcio negreiro motivou uma s\u00e9rie de guerras \u00e9tnicas e conflitos que tinham como objetivo obter escravos, para que pudessem ser vendidos para comerciantes europeus&#8221;, diz Christopher DeCorse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas mercadorias vendidas pelos europeus, como cavalos e armas, aumentaram o poder de conquista de algumas sociedades africanas &#8211; e reduziram a capacidade de resist\u00eancia de outras. As maiores v\u00edtimas foram comunidades camponesas, capturadas por sociedades vizinhas com maior poder b\u00e9lico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ent\u00e3o a culpa \u00e9 dos africanos? N\u00e3o, n\u00f3s devemos apontar o dedo diretamente para os europeus. Foram os europeus que moveram o mercado de escravos. Foram os europeus que foram para a costa africana e disseram para seus l\u00edderes: &#8216;nos deem escravos'&#8221;, diz Christopher DeCorse.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape no-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/5B95\/production\/_102854432_viagensnegreirasptbrasil.jpg\" alt=\"Gr\u00e1fico de barras mostra a evolu\u00e7\u00e3o ao longo do tempo do n\u00famero de viagens negreiras de Portugal para o Brasil - pico ocorreu nas d\u00e9cadas que antecedem a proibi\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico de escravos no Brasil, entre 1800 e 1850\" width=\"623\" height=\"452\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0 \u00e9poca de sua morte, sua fortuna foi avaliada em cerca de 1500 contos, equivalente a muitas dezenas de milh\u00f5es de euros atuais, segundo Arlindo Manuel Caldeira, que pesquisou a hist\u00f3ria dos traficantes portugueses. 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