{"id":253142,"date":"2018-08-10T07:55:20","date_gmt":"2018-08-10T10:55:20","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=253142"},"modified":"2018-08-10T07:55:20","modified_gmt":"2018-08-10T10:55:20","slug":"por-que-as-vezes-ficamos-tristes-apos-um-bom-sexo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/por-que-as-vezes-ficamos-tristes-apos-um-bom-sexo\/","title":{"rendered":"Por que \u00e0s vezes ficamos tristes ap\u00f3s um bom sexo?"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>Mesmo os encontros mais prazerosos podem trazer consigo um pouco de tristeza, vulnerabilidade ou vazio. E os estudos mais recentes demonstram que os homens tamb\u00e9m sofrem dessa s\u00edndrome<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Rita Abundancia\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/rita_abundancia\/a\/\">RITA ABUNDANCIA<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/09\/estilo\/1533841773_750512_1533842067_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/09\/estilo\/1533841773_750512_1533842067_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/09\/estilo\/1533841773_750512_1533842067_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/09\/estilo\/1533841773_750512_1533842067_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Embora a ci\u00eancia n\u00e3o tenha investigado suficientemente esse fen\u00f4meno, grande parte dos homens e mulheres dizem ficar tristes depois de uma rela\u00e7\u00e3o sexual. \" width=\"980\" height=\"549\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Embora a ci\u00eancia n\u00e3o tenha investigado suficientemente esse fen\u00f4meno, grande parte dos homens e mulheres dizem ficar tristes depois de uma rela\u00e7\u00e3o sexual.\u00a0<\/span><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-agencia\">GETTY<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos muitos clich\u00eas do imagin\u00e1rio p\u00f3s-sexo \u00e9 o da mulher sens\u00edvel e chorosa que verte algumas l\u00e1grimas depois do ato sexual, e agora mesmo me vem \u00e0 cabe\u00e7a a cena do\u00a0<em>after<\/em>\u00a0de\u00a0<em>As Pontes de Madison<\/em>\u00a0(1995), em que uma lagrimosa e triste dona de casa pede ao fot\u00f3grafo da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/national_geographic\"><em>National Geographic<\/em><\/a>\u00a0que lhe fale de algum lugar que ele tenha visitado, e ele escolhe a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/italia\">It\u00e1lia<\/a>, a p\u00e1tria da protagonista. Mas certamente estou me esquecendo de muitas outras cenas do cinema com o mesmo argumento. Ele fuma um cigarro ou grava uma nova marca na coronha do seu rev\u00f3lver (metaforicamente falando, claro); enquanto isso, a mulher verte l\u00e1grimas de felicidade, culpa, vergonha ou arrependimento. Talvez tenha descoberto o prazer e percebido quanto tempo perdeu at\u00e9 agora, ou ent\u00e3o os imperativos morais que lhe foram inculcados desde menina se fazem subitamente presentes, cobrando sua fatura. Ou pode ser que as expectativas tenham sido t\u00e3o altas em compara\u00e7\u00e3o com a dura realidade que o golpe doa, ou que se confirme a teoria de que os sentimentos n\u00e3o s\u00e3o correspondidos como se esperava. A tristeza p\u00f3s-sexo pode ter tantas explica\u00e7\u00f5es como indiv\u00edduos, embora n\u00e3o seja um assunto que tenha suscitado o interesse da ci\u00eancia e, portanto, n\u00e3o se saiba muito a respeito dela.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CKSZ6-2o4twCFVXF4QodbvwOGg\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/estilo\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/estilo\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/estilo\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas pelo menos ela j\u00e1 tem nome: disforia p\u00f3s-coital, que denomina essa onda de tristeza, frustra\u00e7\u00e3o, sensa\u00e7\u00e3o de vazio ou medo do abandono que inunda algumas pessoas depois de praticarem o sexo, mesmo que ele tenha sido altamente prazeroso e com o parceiro desejado. N\u00e3o dizem os franceses que o orgasmo \u00e9\u00a0<em>la petite mort<\/em>\u00a0(\u201ca pequena morte\u201d)? N\u00e3o \u00e9 verdade que cada morte, por menor que seja, exige seu funeral e suas l\u00e1grimas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recentemente, a revista\u00a0<em>The Journal of Sex &amp; Marital Therapy<\/em>\u00a0publicou um estudo feito pela Universidade Tecnol\u00f3gica de Queensland (Brisbane, Austr\u00e1lia) que revelou que\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/08\/25\/estilo\/1503661388_604454.html\">os homens tamb\u00e9m sofrem desse transtorno<\/a>. A pesquisa, que inclu\u00eda mais de 1.200 homens de diferentes pa\u00edses (EUA, Austr\u00e1lia, Reino Unido, R\u00fassia, Nova Zel\u00e2ndia e Alemanha), chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que 41% dos participantes haviam experimentado em algum momento de suas vidas essa tristeza passageira depois de transar; outros 20% admitiram que isso havia lhes ocorrido nas quatro semanas anteriores, e 4% declararam que isso lhes acontece com certa regularidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2015, a revista\u00a0<em>The Journal of Sexual Medicine<\/em>\u00a0havia publicado outro estudo sobre o tema, dessa vez focado exclusivamente nas mulheres, com resultados ainda mais expressivos. Nesse trabalho, 46% das mulheres admitiam ter sentido sintomas de disforia p\u00f3s-coital pelo menos uma vez na vida; 22% diziam sofr\u00ea-la de maneira mais habitual, e 5% a haviam experimentado v\u00e1rias vezes no m\u00eas anterior ao estudo.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">A explica\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns especialistas procuram uma explica\u00e7\u00e3o qu\u00edmica para esse fen\u00f4meno. Denise Knowles, terapeuta sexual e psic\u00f3loga de casais, por exemplo, relacionava num artigo no\u00a0<em>The Independent<\/em>\u00a0o estado de \u00e2nimo com\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/09\/19\/eps\/1505842171_292615.html\">a explos\u00e3o de horm\u00f4nios<\/a>\u00a0que inundam o organismo durante o sexo (endorfinas, oxitocina e prolactina). Segundo ela, o orgasmo libera uma grande quantidade de horm\u00f4nios que promovem o v\u00ednculo afetivo e a sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar. Mas seus n\u00edveis se reduzem depois do orgasmo, voltando aos patamares habituais, o que causa um pequeno desarranjo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outros v\u00e3o ainda al\u00e9m, como o psiquiatra Richard Friedman, que relaciona esse sentimento de tristeza e vulnerabilidade com a atividade da am\u00edgdala cerebral. Uma \u00e1rea do c\u00e9rebro que regula emo\u00e7\u00f5es como medo, ang\u00fastia e ansiedade. Friedman descobriu que sua atividade praticamente desaparece durante o sexo. Sua hip\u00f3tese \u00e9 que a reativa\u00e7\u00e3o dessa \u00e1rea ap\u00f3s o orgasmo traz de volta a ang\u00fastia. Ou seja, o sexo inibe o v\u00ednculo das pessoas com seus problemas e medos por alguns instantes. Algo como as f\u00e9rias e a s\u00edndrome p\u00f3s-f\u00e9rias que muitos experimentam depois de voltar ao trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 a sex\u00f3loga e psic\u00f3loga Gloria Arancibia Clavel enfatiza mais os aspectos psicol\u00f3gicos ao falar sobre esse fen\u00f4meno. \u201cDar nome a uma coisa j\u00e1 \u00e9 sin\u00f4nimo de patologiza\u00e7\u00e3o, e eu n\u00e3o acho que seja um problema que afete a maioria das pessoas. Muito poucas pessoas comentam sobre isso durante a consulta. Outra coisa que me incomoda \u00e9 o adjetivo p\u00f3s-coital, que coloca a penetra\u00e7\u00e3o como elemento central e j\u00e1 sabemos que uma rela\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o precisa necessariamente inclu\u00ed-la. Tamb\u00e9m n\u00e3o se sabe se os estudos levaram em considera\u00e7\u00e3o homossexuais e bissexuais; e, para terminar, experimentar certa tristeza ou emo\u00e7\u00e3o n\u00e3o precisa ser algo negativo. Pode induzir \u00e0 reflex\u00e3o ou introspec\u00e7\u00e3o. Pessoalmente, acredito que o lado hormonal, embora exista, afeta muito pouco e que as causas s\u00e3o mais culturais ou psicol\u00f3gicas. Com exce\u00e7\u00e3o, \u00e9 claro, de quem sofreu abuso sexual, mas isso seria porque j\u00e1 existe um trauma anterior.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rosa, heterossexual, de 58 anos, Madri, reconhece ter derramado algumas l\u00e1grimas depois de um encontro. \u201cEspecialmente por causa da emo\u00e7\u00e3o. \u00c9 como quando voc\u00ea v\u00ea uma not\u00edcia ou um filme e chora, mas isso n\u00e3o me incomoda, pelo contr\u00e1rio.\u201d<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O &#8216;p\u00f3s-sexo&#8217; s\u00e3o as preliminares da pr\u00f3xima rela\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dos diferentes est\u00e1gios do ato sexual (desejo, excita\u00e7\u00e3o, plat\u00f4, orgasmo), o est\u00e1gio posterior \u00e9 o menos estudado pela ci\u00eancia e o menos cultivado entre os amantes. \u201cNo entanto\u201d, diz Arancibia, \u201ceu a trabalho muito, especialmente em casos de falta de desejo, porque o p\u00f3s-sexo s\u00e3o as preliminares da pr\u00f3xima rela\u00e7\u00e3o, e a falta de desejo tem muito a ver com experi\u00eancias anteriores. N\u00f3s n\u00e3o sabemos como terminar o jogo e cometemos muitos erros. Existem todas as constru\u00e7\u00f5es culturais em torno do sexo com suas falsas expectativas. Tamb\u00e9m temos medo de expressar ou sentir afeto, de sermos tachados de inseguros ou que pensem que \u201cficamos muito apegados\u201d. H\u00e1 tamb\u00e9m, neste aspecto, muita falta de auto-estima, \u201ceu n\u00e3o mere\u00e7o\u201d, e at\u00e9 mesmo ignor\u00e2ncia da fisiologia ou da resposta er\u00f3tica. Por exemplo, os homens tendem a adormecer mais cedo porque seu processo de excita\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente do das mulheres. Eles sobem muito r\u00e1pido e tamb\u00e9m caem de repente e isso os deixa sonolentos. A mulher volta mais devagar, o que tamb\u00e9m lhe d\u00e1 a capacidade de ser multiorg\u00e1smica. Portanto, se ele dorme antes, n\u00e3o \u00e9 porque ele \u00e9 ego\u00edsta e n\u00e3o se importa com sua parceira.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na opini\u00e3o dessa sex\u00f3loga,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/03\/04\/ciencia\/1520166205_918347.html\">uma das miss\u00f5es mais importantes do sexo \u00e9 a conex\u00e3o afetiva, que geralmente \u00e9 feita nesse est\u00e1gio<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maioria das experi\u00eancias de Rosa, ao longo da vida, com o p\u00f3s-sexo s\u00e3o traduzidas como \u201chomens correndo para ir embora\u201d. N\u00e3o pode ficar um pouco mais, para conversar? \u00c9 como se estivessem pensando \u201cvamos ver se vai acreditar em alguma coisa!\u201d Muitos est\u00e3o na defensiva e \u00e9 como colocar o esparadrapo antes da ferida. Talvez seja o t\u00edpico medo de compromisso que faz com que alguns sejam extremamente secos. N\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para ser assim. Nem mesmo com sexo casual. Voc\u00ea pode n\u00e3o ver a outra pessoa novamente, mas n\u00e3o h\u00e1 nada de errado em demonstrar algum afeto e adotar uma etiqueta sexual.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 tamb\u00e9m o vazio ap\u00f3s qualquer miss\u00e3o cumprida. E aqueles que concebem o sexo como uma competi\u00e7\u00e3o (homens e mulheres) na qual \u00e9 preciso fazer muitas performances com o maior n\u00famero poss\u00edvel de parceiros podem ser mais suscet\u00edveis a esse sentimento de vazio. O capitalismo sexual exige quantidade sobre qualidade, consumo e produtividade. \u00c9 como os acometidos pela febre consumista, nunca se sentem totalmente satisfeitos com suas compras. H\u00e1 sempre uma liquida\u00e7\u00e3o \u00e0 qual voc\u00ea tem que ir, uma nova loja que abriu, um novo item imprescind\u00edvel em suas vidas absurdas, mas caras.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo os encontros mais prazerosos podem trazer consigo um pouco de tristeza, vulnerabilidade ou vazio. 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