{"id":253354,"date":"2018-08-12T14:36:11","date_gmt":"2018-08-12T17:36:11","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=253354"},"modified":"2018-08-12T14:36:11","modified_gmt":"2018-08-12T17:36:11","slug":"a-seducao-do-acucar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-seducao-do-acucar\/","title":{"rendered":"A sedu\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>O a\u00e7\u00facar nos d\u00e1 energia r\u00e1pida, por isso foi determinante na evolu\u00e7\u00e3o do ser humano. Agora est\u00e1 presente na maioria dos alimentos. O que pode ser letal a nossa sa\u00fade.<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-253356 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/acucar-620x344.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"344\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/acucar-620x344.jpg 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/acucar-300x166.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/acucar-768x426.jpg 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/acucar-160x89.jpg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/acucar-640x355.jpg 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/acucar.jpg 1960w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os antepassados evolutivos do Homo sapiens tiveram diferentes\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/dietas\">dietas<\/a>. Alguns se alimentavam predominantemente de vegetais, outros eram ca\u00e7adores, e alguns carniceiros que competiam com as hienas pelos restos do festim dos grandes predadores. Existem dois fatores fundamentais que ajudaram ao triunfo do g\u00eanero homo. Um \u00e9 o fato de cozinhar alimentos, algo que come\u00e7ou com o Homo erectus h\u00e1 quase dois milh\u00f5es de anos. Isso nos permitiu aproveitar melhor os nutrientes, encurtar as digest\u00f5es e possibilitou que o c\u00e9rebro crescesse e se desenvolvesse sem restri\u00e7\u00f5es energ\u00e9ticas. O c\u00e9rebro do Homo sapiens consome 25% da energia que ingerimos. Para colocar uma compara\u00e7\u00e3o, nosso primo gorila \u00e9 crudivegano (ou seja, se alimenta de verduras cruas), o que o obriga a passar 80% de seu tempo comendo e requer por volta de 20 quilos de alimento di\u00e1rio em m\u00e9dia.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|html\" class=\"sumario_html izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">Nos anos oitenta e noventa houve campanhas contra o excesso de gorduras. Os fabricantes apostaram em reduzi-las, mas aumentaram o n\u00edvel de a\u00e7\u00facar em seus alimentos<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que o g\u00eanero homo prosperasse e dominasse o mundo foi necess\u00e1rio adaptar-se a qualquer meio e qualquer dieta. Por isso contou com dois aliados muito especiais: a l\u00edngua e o nariz, que indicavam o que poderia ser comido e o que n\u00e3o. Dessa forma o sabor salgado e o \u00e1cido indicam que a comida pode ser segura, uma vez que o sal e \u00e1cidos como o vinagre s\u00e3o conservantes de alimentos. O sabor umami de carne assada indicava um alimento cozinhado e rico em prote\u00ednas, ou o que \u00e9 o mesmo, amino\u00e1cidos essenciais e aus\u00eancia de pat\u00f3genos, mortos pelo calor. Por sua vez a textura amarga nos indica a presen\u00e7a de mol\u00e9culas potencialmente t\u00f3xicas como os alcaloides, e nos alerta que \u00e9 melhor fugir. O olfato n\u00e3o fica atr\u00e1s. Os odores mais nauseabundos costumam conter mol\u00e9culas como enxofre e poliaminas, que s\u00e3o produtos t\u00edpicos da decomposi\u00e7\u00e3o, nos avisando de que a comida est\u00e1 estragada e \u00e9 melhor deix\u00e1-la.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|foto\" class=\"sumario_foto izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/07\/24\/eps\/1532448870_180449_1532532759_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/07\/24\/eps\/1532448870_180449_1532532760_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/07\/24\/eps\/1532448870_180449_1532532759_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"A sedu\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar\" width=\"360\" height=\"360\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">SE\u00d1OR SALME<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como o sabor doce. Provavelmente o mais importante. Se nossos antepassados tiveram que enfrentar alguma coisa foi o fato de que a comida era irregular. Existiam \u00e9pocas de abund\u00e2ncia e outras de fome, por isso nossa fisiologia se adaptou a acumular o excesso de alimento em forma de gordura para ter uma reserva em \u00e9pocas de vacas magras. O doce nos indicava que a comida era rica em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/08\/18\/economia\/1503057146_487008.html\">a\u00e7\u00facares e, portanto, energia r\u00e1pida<\/a>\u00a0que deveria ser consumida rapidamente. De modo que estamos condicionados para ser gulosos. O Homo sapiens atual n\u00e3o vive nas savanas e em uma caverna. Agora nossas jornadas de ca\u00e7a ocorrem nas prateleiras do supermercado. Aqui est\u00e1 o problema. A obesidade e a diabetes s\u00e3o doen\u00e7as graves hoje em dia devido em grande parte a nossa avidez no a\u00e7\u00facar, e a sua generosa presen\u00e7a nos alimentos superprocessados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos anos cinquenta, o professor John Yudkin come\u00e7ou a alertar sobre os riscos do consumo elevado desse ingrediente b\u00e1sico. Um alimento rico em a\u00e7\u00facares r\u00e1pidos ser\u00e1 absorvido rapidamente pelo intestino, nos provocar\u00e1 um aumento de insulina e se n\u00e3o for queimado rapidamente (com exerc\u00edcio intenso) ser\u00e1 armazenado nos quadris e na cintura, talvez pelo resto de nossas vidas. Seu livro mais famoso \u00e9\u00a0<em>Puro, Branco e Mortal, como o a\u00e7\u00facar est\u00e1 nos matando e o que podemos fazer para evit\u00e1-lo<\/em>. Apesar do t\u00edtulo alarmista, Yudkin profetizava alguns dos problemas que estamos sofrendo atualmente.<\/p>\n<section id=\"sumario_5|apoyos\" class=\"sumario_apoyos izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<div class=\"apoyos\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi contempor\u00e2neo, entretanto, do fisiologista Ancel Keys,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/07\/05\/ciencia\/1499278653_525806.html\">inventor-descobridor da dieta mediterr\u00e2nea<\/a>, termo criado na universidade norte-americana de Minnesota. Keys foi uma figura muito influente, atribuiu todos os males das dietas ao excesso de gordura, discurso que foi acolhido com agrado entre os plantadores de milho, beterraba e cana de a\u00e7\u00facar. Nas d\u00e9cadas de oitenta e noventa foi lan\u00e7ada uma enorme campanha contra o colesterol e o excesso de gordura com a finalidade de reduzir os \u00edndices t\u00e3o altos de obesidade nos Estados Unidos e em outros pa\u00edses ocidentais. Os fabricantes, para que seus produtos n\u00e3o perdessem sabor, responderam aumentando o n\u00edvel de a\u00e7\u00facar, de modo que o resultado final foi exatamente o contr\u00e1rio do esperado. A obesidade e a diabetes dispararam. Agora a tend\u00eancia \u00e9 inocentar as gorduras e demonizar os a\u00e7\u00facares, mas em nutri\u00e7\u00e3o as solu\u00e7\u00f5es de tudo ou nada n\u00e3o funcionam. A solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 no equil\u00edbrio e na variedade.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|despiece\" class=\"sumario_despiece centro\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<header class=\"sumario-encabezado\">\n<h4 class=\"sumario-titulo\"><span class=\"sin_enlace\">N\u00e3o se engane, \u00e9 a\u00e7\u00facar<\/span><\/h4>\n<\/header>\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Renunciar a uma colherada de a\u00e7\u00facar no caf\u00e9 \u00e9 irrelevante. O problema \u00e9 que est\u00e1 presente na maioria das dietas. Faz parte de produtos elaborados. Por exemplo, uma lata de refrigerante cont\u00e9m 36 gramas de a\u00e7\u00facar. Os a\u00e7\u00facares r\u00e1pidos podem vir etiquetados com sacarose, glicose, dextrose, xarope de milho, frutose, mela\u00e7o de agave, etc. Os de origem natural tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o melhores. \u00c9 certo que o mel, o a\u00e7\u00facar mascavo e a rapadura, al\u00e9m de a\u00e7\u00facar, cont\u00eam vitaminas e antioxidantes em sua composi\u00e7\u00e3o, mas continuam sendo doces em sua maior parte. Adaptando o ditado popular: mesmo que o a\u00e7\u00facar se vista de natural, continuar\u00e1 sendo a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O a\u00e7\u00facar nos d\u00e1 energia r\u00e1pida, por isso foi determinante na evolu\u00e7\u00e3o do ser humano. Agora est\u00e1 presente na maioria dos alimentos. 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