{"id":253357,"date":"2018-08-12T14:39:29","date_gmt":"2018-08-12T17:39:29","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=253357"},"modified":"2018-08-12T14:39:29","modified_gmt":"2018-08-12T17:39:29","slug":"amar-demais-nao-e-amar-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/amar-demais-nao-e-amar-2\/","title":{"rendered":"Amar demais n\u00e3o \u00e9 amar"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<\/div>\n<div class=\"firma firma--vertical\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Inmaculada Ruiz\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/inmaculada_ruiz\/a\/\">Inmaculada Ruiz<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<figure class=\"foto centro foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/07\/09\/eps\/1531129418_225784_1531151763_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/07\/09\/eps\/1531129418_225784_1531151763_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/07\/09\/eps\/1531129418_225784_1531151763_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/07\/09\/eps\/1531129418_225784_1531151763_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Amar demais n\u00e3o \u00e9 amar\" width=\"980\" height=\"602\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">ILUSTRA\u00c7\u00c3O: SR. GARC\u00cdA<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<div id=\"articulo-introduccion\" class=\"articulo-introduccion\">\n<p>Codependente \u00e9 a m\u00e3e do jogador compulsivo que paga as d\u00edvidas do filho. Ou a pessoa que volta v\u00e1rias vezes com o c\u00f4njuge que a humilha. Sente que quer ajudar o outro, mas s\u00f3 aumenta seus problemas.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Sin ti no soy nada<\/em>\u00a0[sem voc\u00ea n\u00e3o sou nada] \u00e9 uma conhecida can\u00e7\u00e3o da banda espanhola Amaral. Tamb\u00e9m seria um t\u00edtulo adequado para um livro que falasse sobre uma das maneiras mais destrutivas de se relacionar com o parceiro: a codepend\u00eancia emocional.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/06\/05\/estilo\/1433516639_018300.html\">Uma forma de se entregar ao outro<\/a>\u00a0que, no imagin\u00e1rio rom\u00e2ntico, \u00e9 entendida como o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/amor\">amor<\/a>mais grandioso. T\u00e3o grandioso que pressup\u00f5e autoimola\u00e7\u00e3o. Uma pessoa codependente se envolve em um tipo de sentimento que n\u00e3o corresponde ao amor, apesar de parecer que sim. Trata-se de um sentimento enorme e incontrol\u00e1vel, que n\u00e3o nasce de um afeto ou desejo sadios por algu\u00e9m, mas de uma car\u00eancia dolorosa: \u201cNecessito que voc\u00ea necessite de mim\u201d, como resume a psic\u00f3loga Cayetana Egusquiza.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|html\" class=\"sumario_html izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">Eliminar condutas de codepend\u00eancia n\u00e3o significa abandonar o outro. Implica distanciar-se para voltar a se unir<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">A especialista em terapia familiar sist\u00eamica destaca como um dos tra\u00e7os fundamentais dessas pessoas seu \u201caf\u00e3 por salvar, esquecendo-se de si mesmas e antepondo as necessidades e problemas do outro aos pr\u00f3prios\u201d. Os codependentes vivem uma vida que n\u00e3o \u00e9 deles, sacrificando suas necessidades e desejos, e isso lhes provoca um sofrimento e um estado de ansiedade que transtorna suas rotinas. Costumam chegar \u00e0 consulta com\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/trastornos_sueno\">problemas de sono<\/a>, ansiedade, dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o, altera\u00e7\u00f5es alimentares. Anulados como indiv\u00edduos com necessidades e desejos pessoais, tornam-se obsessivos. E acabam desenvolvendo condutas de controle em rela\u00e7\u00e3o a quem desejam manter-se ligados.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><a class=\"enlace\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; border-top: none; border-right: none; border-bottom: 0.25rem solid #fecb34; border-left: none; border-image: initial; font: inherit; vertical-align: baseline; box-sizing: border-box; background-color: transparent; text-decoration: none; color: inherit; touch-action: manipulation; position: relative; display: block; width: 610px;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/07\/09\/eps\/1531129418_225784_1531129717_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/07\/09\/eps\/1531129418_225784_1531129717_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/07\/09\/eps\/1531129418_225784_1531129717_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/07\/09\/eps\/1531129418_225784_1531129717_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Amar demais n\u00e3o \u00e9 amar\" width=\"980\" height=\"455\" \/><span class=\"boton_ampliar\">ampliar foto<\/span><\/a><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">SR. GARC\u00cdA<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 dif\u00edcil para essas pessoas colocar limites, mesmo que o c\u00f4njuge o prejudique. \u00c9 a m\u00e3e do jogador compulsivo que paga as d\u00edvidas de jogo do filho, ou a pessoa que volta v\u00e1rias vezes\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/03\/30\/ciencia\/1490879725_914376.html\">com um parceiro que a submete a cont\u00ednuas humilha\u00e7\u00f5es para alimentar seu ego<\/a>. Essa eterna reca\u00edda no abuso, uma tend\u00eancia evidentemente prejudicial, tem um porqu\u00ea: \u201cO codependente tenta se sentir necess\u00e1rio e \u00fatil, e isso \u00e9 mais f\u00e1cil de conseguir ao lado de algu\u00e9m com problemas; esse tipo de personalidade tem dificuldade de se afastar de uma rela\u00e7\u00e3o problem\u00e1tica porque, mesmo que machuque, ativa sua fun\u00e7\u00e3o de salvador\u201d, explica Egusquiza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A simbiose \u00e9 perfeita: um codependente e algu\u00e9m com problemas ou transtornos psicol\u00f3gicos s\u00e3o duas pe\u00e7as de um quebra-cabe\u00e7as que se encaixam perfeitamente. Em vez de se beneficiar da uni\u00e3o, ambos alimentam suas disfun\u00e7\u00f5es. \u201cO codependente \u00e9 uma figura fundamental para alimentar a conduta problem\u00e1tica de seu protegido\u201d, ilustra a psic\u00f3loga. \u201cLonge de ajudar \u2014como \u00e9 sua inten\u00e7\u00e3o\u2014, mant\u00e9m o problema ativo.\u201d No caso da m\u00e3e que paga as d\u00edvidas do filho, ela acredita que est\u00e1 ajudando quando na verdade est\u00e1 favorecendo que o filho n\u00e3o assuma as consequ\u00eancias de seus atos e, portanto, n\u00e3o enfrente o problema. Ele precisa dela para que se encarregue material e emocionalmente de sua vida; ela necessita que ele continue necessitando&#8230; Um enredo perverso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No tratamento de pacientes com adi\u00e7\u00f5es, os psic\u00f3logos costumam atender seu entorno afetivo mais pr\u00f3ximo para detectar rela\u00e7\u00f5es com pessoas codependentes que entorpe\u00e7am, sem ter consci\u00eancia, a cura. Em alguns casos de maus-tratos repetidos no casal, sejam f\u00edsico, sejam psicol\u00f3gicos, tamb\u00e9m pode ocorrer essa situa\u00e7\u00e3o de codepend\u00eancia da v\u00edtima, quando esta \u00e9 incapaz de cortar o v\u00ednculo.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|html\" class=\"sumario_html izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">N\u00e3o se deve querer mudar o outro, mas modificar nossa forma de nos comunicar e de agir com ele<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, al\u00e9m desses casos graves, h\u00e1 muitas formas de permanecer envolvido em rela\u00e7\u00f5es abusivas por medo do abandono. \u00c9 o que a psicol\u00f3gica Silvia Congost chama de \u201cenganche t\u00f3xico\u201d. Ou seja, acreditar que n\u00e3o se pode viver sem a outra pessoa. Para a especialista, a codepend\u00eancia pressup\u00f5e \u201ca incapacidade de romper uma rela\u00e7\u00e3o quando se sabe que \u00e9 necess\u00e1rio fazer isso\u201d porque lhe provoca mais sofrimento do que bem-estar. Cayetana Egusquiza afirma que qualquer pessoa, em algum momento da vida, pode cair em um epis\u00f3dio de depend\u00eancia leve, mas diz que h\u00e1 um fator de risco em pessoas cuja inf\u00e2ncia se desenvolveu em uma fam\u00edlia com \u201cpadr\u00f5es disfuncionais: v\u00edcios, transtornos psicol\u00f3gicos, abusos ou neglig\u00eancia emocional&#8230; Ou pais que n\u00e3o puderam prestar a aten\u00e7\u00e3o adequada por alguma circunst\u00e2ncia\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sa\u00edda passa por enfrentar o problema. \u201cDeixar de racionalizar e de justificar; \u00e9 preciso entender de onde vem e o que mant\u00e9m ativa essa necessidade de ser necessitado e concentrar-se no autocuidado\u201d, explica Egusquiza. \u00c9 importante ter claro que eliminar condutas de codepend\u00eancia n\u00e3o significa abandonar o outro, muito pelo contr\u00e1rio. Implica saber impor dist\u00e2ncia, de forma que cada um comece a cuidar do que \u00e9 seu. Que se torne respons\u00e1vel pelos pr\u00f3prios atos e suas consequ\u00eancias. Para desativar a codepend\u00eancia n\u00e3o \u00e9 imprescind\u00edvel, portanto, romper a rela\u00e7\u00e3o: basta manter o foco em si mesmo. \u201cN\u00e3o se deve querer mudar o outro, mas modificar nossa forma de nos comunicar e de agir com ele; assim a rela\u00e7\u00e3o mudar\u00e1\u201d, assegura Egusquiza. At\u00e9 que ponto, se ver\u00e1. Mas que seja um lugar melhor, sem d\u00favida.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inmaculada Ruiz ILUSTRA\u00c7\u00c3O: SR. GARC\u00cdA Codependente \u00e9 a m\u00e3e do jogador compulsivo que paga as d\u00edvidas do filho. Ou a pessoa que volta v\u00e1rias vezes com o c\u00f4njuge que a humilha. Sente que quer ajudar o outro, mas s\u00f3 aumenta seus problemas. 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