{"id":254102,"date":"2018-08-19T08:01:39","date_gmt":"2018-08-19T11:01:39","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=254102"},"modified":"2018-08-19T08:01:39","modified_gmt":"2018-08-19T11:01:39","slug":"a-mulher-que-destruiu-centenas-de-bebes-para-salvar-suas-maes-dos-nazistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-mulher-que-destruiu-centenas-de-bebes-para-salvar-suas-maes-dos-nazistas\/","title":{"rendered":"A mulher que \u201cdestruiu\u201d centenas de beb\u00eas para salvar suas m\u00e3es dos nazistas"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>Gisella Perl, prisioneira em Auschwitz, interrompeu a gravidez de todas as suas colegas ao descobrir que as gr\u00e1vidas eram jogadas vivas no cremat\u00f3rio<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/16\/ciencia\/1534433283_583698_1534435900_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/16\/ciencia\/1534433283_583698_1534435900_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/16\/ciencia\/1534433283_583698_1534435900_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/16\/ciencia\/1534433283_583698_1534435900_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Mulheres judias posam com seus beb\u00eas depois da libera\u00e7\u00e3o do campo de Dachau (Alemanha), em 1945.\" width=\"980\" height=\"760\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Mulheres judias posam com seus beb\u00eas depois da libera\u00e7\u00e3o do campo de Dachau (Alemanha), em 1945.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">USHMM<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Manuel Ansede\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/manuel_ansede_vazquez\/a\/\">MANUEL ANSEDE<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>E uma cena quase inconceb\u00edvel. Nos barrac\u00f5es sem \u00e1gua usados como latrina no maior centro de exterm\u00ednio nazista, os judeus se encontravam para fazer sexo, rodeados de excrementos e do cheiro de carne queimada que sa\u00edda das chamin\u00e9s dos cremat\u00f3rios. \u201cA latrina funcionava como um local de encontros. Era ali que prisioneiras e prisioneiros se encontravam para ter rela\u00e7\u00f5es sexuais furtivas e sem alegria, nas quais o corpo era utilizado como uma mercadoria com a qual pagar os produtos de que tanto se necessitava e que os homens eram capazes de roubar dos armaz\u00e9ns\u201d, recorda a ginecologista romena Gisella Perl em seu livro\u00a0<em>Eu fui uma m\u00e9dica em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/auschwitz\">Auschwitz<\/a><\/em>, publicado em 1948.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"CLLXz_r6-NwCFdrC4Qod3vMAbQ\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/internacional\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/internacional\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/internacional\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 era uma forma de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/prostitucion\">prostitui\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0desesperada. Tamb\u00e9m havia uma lux\u00faria incontrol\u00e1vel no lugar menos imagin\u00e1vel. \u201cO nitrato de pot\u00e1ssio que jogavam em nossa comida n\u00e3o era suficiente para matar o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/sexualidad\">desejo sexual<\/a>\u201d, escreveu Perl. \u201cN\u00e3o t\u00ednhamos menstrua\u00e7\u00e3o, mas isso era mais uma consequ\u00eancia do trauma psicol\u00f3gico provocado pelas circunst\u00e2ncias em que viv\u00edamos do que pelo nitrato de pot\u00e1ssio. O desejo sexual ainda era um dos instintos mais fortes\u201d, explicava. Era o pior lugar para fazer isso, mas algumas mulheres ficaram gr\u00e1vidas em Auschwitz e muitas outras j\u00e1 chegaram gr\u00e1vidas dos guetos.<\/p>\n<p>Dois historiadores do Holocausto resgatam agora a \u201cdram\u00e1tica\u201d hist\u00f3ria de Gisella Perl em um artigo publicado na revista m\u00e9dica israelense\u00a0<a href=\"https:\/\/www.rmmj.org.il\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rambam Maimonides Medical Journal<\/a>. Perl, que nasceu em 1907 em Sighetu Marmatiei, na Transilv\u00e2nia, trabalhava como ginecologista quando as tropas de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/adolf_hitler\">Adolf Hitler<\/a>\u00a0invadiram o norte da Rom\u00eania em 1944. Em apenas cinco dias de maio, os nazistas deportaram para Auschwitz, na atual\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/polonia\">Pol\u00f4nia<\/a>, os 14.000 judeus que viviam no povoado e seus arredores. A maioria deles foi para a c\u00e2mara de g\u00e1s. A pr\u00f3pria Perl, capturada com seu marido e seu filho, nunca mais viu sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>A ginecologista superou essa primeira separa\u00e7\u00e3o letal. No campo, sua profiss\u00e3o a ajudaria a salvar a pr\u00f3pria vida, ao receber a incumb\u00eancia do m\u00e9dico nazista\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/josef_mengele\">Josef Mengele<\/a>\u00a0de reanimar mulheres judias de quem se extra\u00eda sangue \u00e0 for\u00e7a para os soldados feridos no front. \u201cA rassenschande, a contamina\u00e7\u00e3o com o sangue judeu inferior, foi esquecida. \u00c9ramos inferiores para viver, mas serv\u00edamos para manter o Ex\u00e9rcito alem\u00e3o vivo com nosso sangue\u201d, anotou em 1948. Perl salvou sua vida e, possivelmente, a de centenas de mulheres, como relembram os dois historiadores, o israelense Georg M. Weisz, da Universidade da Nova Inglaterra, e o alem\u00e3o Konrad Kwiet, do Museu Judaico de Sidney, ambos na Austr\u00e1lia.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|html\" class=\"sumario_html derecha\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">\u201cA latrina de Auschwitz funcionava como um local de encontros. Era ali que prisioneiras e prisioneiros se encontravam para ter rela\u00e7\u00f5es sexuais\u201d, escreveu Gisella Perl.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Em 6 de outubro de 1943, o dirigente nazista\u00a0<a href=\"https:\/\/elpais.com\/tag\/heinrich_himmler\/a\">Heinrich Himmler<\/a>\u00a0tinha informado sobre o exterm\u00ednio judeu em andamento a uma seleta audi\u00eancia de potentados e altos comandantes militares na Prefeitura da cidade polonesa de Poznan. \u201cN\u00e3o me parece justific\u00e1vel exterminar os homens [&#8230;] e deixar que seus filhos cres\u00e7am e se vinguem de nossos filhos e netos\u201d, proclamou Himmler. Os nazistas assassinaram seis milh\u00f5es de judeus. Um milh\u00e3o e meio deles eram crian\u00e7as.<\/p>\n<p>\u201cMesmo se fossem capazes de trabalhar, as mulheres gr\u00e1vidas eram levadas \u00e0s c\u00e2maras de g\u00e1s assim que chegavam [aos campos de concentra\u00e7\u00e3o]. Se conseguiam esconder a gravidez, seus beb\u00eas rec\u00e9m-nascidos eram assassinados com inje\u00e7\u00e3o legal ou afogados\u201d, explicam Weisz e Kwiet.<\/p>\n<p>Ao chegar a Auschwitz, no entanto, os chefes das SS se dirigiam \u00e0s mulheres judias e pediam que as gr\u00e1vidas dessem um passo \u00e0 frente, sob a promessa de uma ra\u00e7\u00e3o dupla de p\u00e3o e leite em um lugar reservado para as futuras m\u00e3es. Em\u00a0<em>Eu fui uma m\u00e9dica em Auschwitz<\/em>, Perl lembra do dia de 1944 em que, enquanto cumpria uma tarefa perto do cremat\u00f3rio, descobriu que aquilo era uma farsa horr\u00edvel. Com seus pr\u00f3prios olhos viu que as mulheres gr\u00e1vidas \u201ceram espancadas com porretes e chicotes, destro\u00e7adas por c\u00e3es, arrastadas pelos cabelos e golpeadas na barriga com as pesadas botas alem\u00e3s. Ent\u00e3o, quando ca\u00edam, eram jogadas no cremat\u00f3rio. Vivas\u201d.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_3\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/16\/ciencia\/1534433283_583698_1534447506_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/16\/ciencia\/1534433283_583698_1534447506_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/16\/ciencia\/1534433283_583698_1534447506_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/16\/ciencia\/1534433283_583698_1534447506_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Mulheres e crian\u00e7as judias selecionadas para morrer caminham para a c\u00e2mara de g\u00e1s em Auschwitz, em 1944.\" width=\"980\" height=\"727\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Mulheres e crian\u00e7as judias selecionadas para morrer caminham para a c\u00e2mara de g\u00e1s em Auschwitz, em 1944.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">USHMM<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Perl ficou paralisada, incapaz de gritar ou fugir. \u201cMas, aos poucos, o horror se tornou um sentimento de rebeldia que me tirou da letargia e me deu um novo incentivo para viver. Eu tinha que permanecer viva. Dependia de mim salvar todas as mulheres gr\u00e1vidas [&#8230;] de seu destino infernal. Dependia de mim salvar a vida das m\u00e3es, se n\u00e3o havia outra maneira, destruindo a vida de seus filhos n\u00e3o nascidos\u201d, relatou.<\/p>\n<p>Em seguida, a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/ginecologia\">ginecologista<\/a>\u00a0colocou m\u00e3os \u00e0 obra. Nas noites sem lua, enquanto todos dormiam, ajudava as gr\u00e1vidas a parir ou abortar, sem uma gota de \u00e1gua e de joelhos sobre o ch\u00e3o sujo e cheio de excrementos dos barrac\u00f5es. \u201cAjudei muitas mulheres a dar \u00e0 luz em seu oitavo, s\u00e9timo, sexto ou quinto m\u00eas de gravidez, sempre de forma apressada, sempre com meus cinco dedos, na escurid\u00e3o, em condi\u00e7\u00f5es terr\u00edveis. Ningu\u00e9m jamais entender\u00e1 o que significou para mim destruir aquelas crian\u00e7as\u201d, narrou em sua autobiografia. Perl, segundo ela mesma conta, chegou a estrangular um beb\u00ea de tr\u00eas dias depois de lhe dar um beijo de despedida.<\/p>\n<section id=\"sumario_5|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_5\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/16\/ciencia\/1534433283_583698_1534448051_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/16\/ciencia\/1534433283_583698_1534448051_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/16\/ciencia\/1534433283_583698_1534448051_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/16\/ciencia\/1534433283_583698_1534448051_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Mulheres em um barrac\u00e3o de Auschwitz, em 27 de janeiro de 1945, dia da liberta\u00e7\u00e3o.\" width=\"980\" height=\"636\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Mulheres em um barrac\u00e3o de Auschwitz, em 27 de janeiro de 1945, dia da liberta\u00e7\u00e3o.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">USHMM<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>A prisioneira ginecologista ajudou centenas de mulheres a interromper a gravidez. \u201cO maior crime que se podia cometer em Auschwitz era estar gr\u00e1vida\u201d, afirmou em 1982 em uma entrevista para\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/the_new_york_times\">The New York Times<\/a>. Mengele, o chamado Anjo da Morte, tinha encarregado Perl de informa-lo sobre todas as mulheres gr\u00e1vidas que houvesse no campo. \u201cSoube que todas eram enviadas ao edif\u00edcio de investiga\u00e7\u00e3o para serem usadas como cobaias. E, depois, duas vidas eram lan\u00e7adas ao cremat\u00f3rio. Decidi que nunca mais haveria uma mulher gr\u00e1vida em Auschwitz\u201d, relembrou.<\/p>\n<section id=\"sumario_6|html\" class=\"sumario_html derecha\"><a name=\"sumario_6\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">Depois de sobreviver a Auschwitz, a ginecologista ajudou a nascer de verdade mais de 3.000 beb\u00eas<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Em janeiro de 1945, quando o Ex\u00e9rcito sovi\u00e9tico se aproximava, as tropas da SS come\u00e7aram a evacuar o campo de concentra\u00e7\u00e3o. Cerca de 60.000 prisioneiros foram obrigados a empreender uma marcha da morte para o oeste, no meio do inverno. Mais de 15.000 morreram, de frio ou a tiros, mas Perl n\u00e3o estava entre eles. A ginecologista tinha sido levada para outro campo perto de Hamburgo e, pouco depois, a Bergen-Belsen, tamb\u00e9m na Alemanha. Ali, em mar\u00e7o de 1945, a hoje c\u00e9lebre menina\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/ana_frank\">Anne Frank<\/a>\u00a0morreu de tifo, apenas um m\u00eas antes da libera\u00e7\u00e3o do campo. Gisella Perl, por\u00e9m, viveu para ver as triunfantes tropas brit\u00e2nicas entrarem. Segundo contou, nesse momento estava ajudando uma mulher a dar \u00e0 luz. Foi o primeiro menino judeu nascido em liberdade em Bergen-Belsen, o lugar que representou \u201ca suprema culmina\u00e7\u00e3o do sadismo e da bestialidade alem\u00e3es\u201d, nas palavras de Perl.<\/p>\n<section id=\"sumario_4|html\" class=\"sumario_html izquierda\"><a name=\"sumario_4\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">Perl chegou a estrangular um beb\u00ea de tr\u00eas dias depois de lhe dar um beijo de despedida<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Em 1947, depois de saber que toda sua fam\u00edlia tinha sido assassinada, exceto uma filha que conseguiu ficar na Rom\u00eania, a ginecologista tentou se suicidar, sem sucesso. Finalmente, emigrou para Nova York Ali, nos EUA, n\u00e3o foi recebida como hero\u00edna, mas como suspeita de crimes de guerras. \u201cGisella foi acusada de colaborar com Mengele, o que, em minha opini\u00e3o, \u00e9 uma bobagem, porque qualquer um que tenha trabalhado no hospital para os presos poderia ser acusado disso\u201d, opina Weisz, de Sidney. O testemunho de Perl, no entanto, coincidia com os de outros sobreviventes. A voz da ginecologista foi crucial para condenar um m\u00e9dico nazista nos julgamentos de Auschwitz, segundo destacam os historiadores.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|foto\" class=\"sumario_foto derecha\"><a name=\"sumario_1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/16\/ciencia\/1534433283_583698_1534439747_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/16\/ciencia\/1534433283_583698_1534439747_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/08\/16\/ciencia\/1534433283_583698_1534439747_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"Gisella Perl, depois da Segunda Guerra Mundial.\" width=\"360\" height=\"420\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Gisella Perl, depois da Segunda Guerra Mundial.<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>J\u00e1 com sua reputa\u00e7\u00e3o limpa, a m\u00e9dica se tornou especialista em infertilidade no Hospital Monte Sinai de Nova York. Em 16 de dezembro de 1988, Perl morreu aos 81 anos na cidade israelense de Herzliya, para onde se mudara para morar com a filha. Depois de sobreviver a Auschwitz, a ginecologista ajudou mais de 3.000 beb\u00eas a nascer de verdade.<\/p>\n<\/div>\n<aside id=\"compartir_superior\" class=\"compartir\">\n<div class=\"compartir__interior\">\n<div id=\"compartir_social_inferior\" class=\"compartir-social\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<\/div>\n<\/aside>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gisella Perl, prisioneira em Auschwitz, interrompeu a gravidez de todas as suas colegas ao descobrir que as gr\u00e1vidas eram jogadas vivas no cremat\u00f3rio<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":254103,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-254102","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/judeus-fugindo.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/254102","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=254102"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/254102\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/254103"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=254102"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=254102"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=254102"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}