{"id":254381,"date":"2018-08-21T10:12:36","date_gmt":"2018-08-21T13:12:36","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=254381"},"modified":"2018-08-21T10:12:36","modified_gmt":"2018-08-21T13:12:36","slug":"casos-de-mortes-a-esclarecer-aumentam-em-pe-e-geram-questionamentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/casos-de-mortes-a-esclarecer-aumentam-em-pe-e-geram-questionamentos\/","title":{"rendered":"Casos de \u2018mortes a esclarecer\u2019 aumentam em PE e geram questionamentos"},"content":{"rendered":"<header>\n<h1 class=\"titulo-noticia\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<p>por\u00a0<strong>Raphael Guerra<\/strong>\u00a0<\/header>\n<div id=\"texto-noticia\">\n<figure id=\"attachment_4934\" class=\"wp-caption alignnone\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4934 img-responsive \" src=\"https:\/\/imagens1.ne10.uol.com.br\/blogsjconline\/rondajc\/\/2018\/08\/HOMIC%C3%8DDIO.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 748px) 100vw, 748px\" srcset=\"https:\/\/imagens4.ne10.uol.com.br\/blogsjconline\/rondajc\/2018\/08\/HOMIC\u00cdDIO.jpg 748w, https:\/\/imagens4.ne10.uol.com.br\/blogsjconline\/rondajc\/2018\/08\/HOMIC\u00cdDIO-300x200.jpg 300w, https:\/\/imagens4.ne10.uol.com.br\/blogsjconline\/rondajc\/2018\/08\/HOMIC\u00cdDIO-615x410.jpg 615w\" alt=\"\" width=\"748\" height=\"499\" \/><figcaption>Homic\u00eddios apresentam queda no Estado, mas n\u00famero de \u201cmortes a esclarecer\u201d subiu. Foto: JC Imagem\/Arquivo<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">No primeiro semestre deste ano, 2.284 assassinatos foram registrados em Pernambuco, segundo dados oficiais da Secretaria de Defesa Social (SDS). Uma queda de 20,73% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2017, quando houve 2.875 crimes contra a vida. Mas enquanto os homic\u00eddios caem, as mortes a esclarecer crescem e chamam a aten\u00e7\u00e3o dos especialistas em seguran\u00e7a. De janeiro a junho do ano passado, 22 pessoas foram encontradas mortas em circunst\u00e2ncias desconhecidas. No mesmo per\u00edodo deste ano, o n\u00famero saltou para 55 \u2013 aumento de 150%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As \u201cmortes a esclarecer\u201d, como s\u00e3o classificadas pela SDS, s\u00e3o aquelas em que as v\u00edtimas s\u00e3o encontradas sem supostos sinais de viol\u00eancia, ou seja, quando h\u00e1 possibilidade de se tratar de um mal s\u00fabito ou suic\u00eddio, por exemplo. Elas n\u00e3o entram para as estat\u00edsticas de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs). No entanto, ao final das investiga\u00e7\u00f5es, essas mortes podem vir a ser reclassificadas como homic\u00eddio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a coordenadora executiva do Gabinete de Assessoria Jur\u00eddica \u00e0s Organiza\u00e7\u00f5es Populares (Gajop), Edna Jatob\u00e1, o aumento dos casos de mortes a esclarecer deve ser observado como um sinal de alerta. \u201cEstranho que esse crescimento ocorra num momento em que falta transpar\u00eancia na divulga\u00e7\u00e3o dos n\u00fameros da viol\u00eancia. Os dados est\u00e3o sendo sonegados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Lembro que no ano passado fizemos v\u00e1rios pedidos de informa\u00e7\u00e3o ao Governo do Estado, mas eles alegam que os dados s\u00e3o confidenciais. Por exemplo: quantos policiais morreram no m\u00eas? A SDS s\u00f3 divulga isso em boletins trimestrais, quando os dados esfriam e n\u00e3o h\u00e1 mais espa\u00e7o para questionamentos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>SEM PRIORIDADE<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Edna Jatob\u00e1 destacou ainda que as mortes sem qualifica\u00e7\u00e3o inicial n\u00e3o s\u00e3o priorizadas pela pol\u00edcia. \u201cS\u00e3o investiga\u00e7\u00f5es que provavelmente n\u00e3o ser\u00e3o investigadas ou n\u00e3o chegar\u00e3o ao final do inqu\u00e9rito. Hoje, por conta da cobran\u00e7a por resultados, a pol\u00edcia prioriza aqueles casos que s\u00e3o mais f\u00e1ceis e que as investiga\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais avan\u00e7adas. Outro fator que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que se for levada em considera\u00e7\u00e3o a ra\u00e7a das v\u00edtimas, por exemplo, h\u00e1 poucos inqu\u00e9ritos de homic\u00eddios de pessoas brancas que n\u00e3o foram esclarecidos\u201d, pontuou. Segundo o levantamento da Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o, todos os casos de mortes a esclarecer s\u00e3o de pessoas de cor parda ou negra.<\/p>\n<div id=\"smartIntxt\" class=\"publicidade-entre-texto\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"player_dynad_tv\"><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o professor e pesquisador do Departamento de Sociologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Jos\u00e9 Luiz Ratton, a falta de informa\u00e7\u00f5es mais precisas em rela\u00e7\u00e3o as mortes a esclarecer gera a sensa\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 homic\u00eddios sendo ocultados pelo Governo do Estado. \u201cAtrav\u00e9s de microdados de caracter\u00edsticas das v\u00edtimas seria poss\u00edvel estimar se isso ocorre. \u00c9 preciso verificar a natureza destes 55 casos de mortes a esclarecer, como por exemplo se houve a atividade policial envolvida\u201d, disse Ratton, que coordena o N\u00facleo de Estudos e Pesquisas em Criminalidade, Viol\u00eancia e Pol\u00edticas P\u00fablicas de Seguran\u00e7a da UFPE.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONTROLE<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Ratton, \u00e9 necess\u00e1rio que haja um controle externo das estat\u00edsticas de viol\u00eancia que s\u00e3o contabilizadas pela SDS. S\u00f3 assim, \u00e9 poss\u00edvel evitar questionamentos futuros sobre ou aumento ou redu\u00e7\u00e3o da criminalidade. \u201cA UFPE poderia ser uma inst\u00e2ncia de auditagem dos dados, com todos os procedimentos \u00e9ticos garantindo confidencialidade e anonimato.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O gestor do Departamento de Homic\u00eddios e Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Pessoa (DHPP), Guilherme Caracciolo, minimizou os questionamentos sobre o aumento de casos de mortes a esclarecer.\u201d\u00c9 importante ressaltar que o n\u00famero de mortes a esclarecer em Pernambuco corresponde a uma taxa extremamente pequena. E a tend\u00eancia \u00e9 que esse n\u00famero v\u00e1 diminuindo cada vez mais, porque os inqu\u00e9ritos continuam sendo movimentados. Isso demonstra a transpar\u00eancia do trabalho realizado. Existem Estados em que o n\u00famero de mortes a esclarecer \u00e9 usado para esconder o n\u00famero de mortes violentas\u201d, afirmou Caracciolo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se todas as 55 mortes a esclarecer registradas neste ano forem posteriormente classificadas como homic\u00eddios, haver\u00e1 um aumento de cerca de 1,5% no resultado final dos CVLIs.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cHavendo qualquer ind\u00edcio de viol\u00eancia, classificamos a morte como homic\u00eddio. Essa \u00e9 a regra utilizada. Mas \u00e9 importante esclarecer que as classifica\u00e7\u00f5es iniciais podem, e devem, ser mudadas quando necess\u00e1rio. Teve um caso recente, por exemplo, que no in\u00edcio foi registrado como suic\u00eddio, mas que as investiga\u00e7\u00f5es apontaram para o homic\u00eddio. Essa mudan\u00e7a \u00e9 constante e natural\u201d, disse o gestor do DHPP. (JC)<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por\u00a0Raphael Guerra\u00a0 Homic\u00eddios apresentam queda no Estado, mas n\u00famero de \u201cmortes a esclarecer\u201d subiu. Foto: JC Imagem\/Arquivo No primeiro semestre deste ano, 2.284 assassinatos foram registrados em Pernambuco, segundo dados oficiais da Secretaria de Defesa Social (SDS). Uma queda de 20,73% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2017, quando houve 2.875 crimes contra a vida. 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