{"id":255746,"date":"2018-09-01T10:57:59","date_gmt":"2018-09-01T13:57:59","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=255746"},"modified":"2018-09-01T10:57:59","modified_gmt":"2018-09-01T13:57:59","slug":"somos-o-que-fotografamos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/somos-o-que-fotografamos\/","title":{"rendered":"Somos o que fotografamos"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo articulo-titulo--cursiva\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>Ser fot\u00f3grafo documental \u00e9 atender a uma esp\u00e9cie de chamado individual para viver intensamente situa\u00e7\u00f5es que muitas pessoas jamais viver\u00e3o<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Victor Moriyama\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/el_pais\/a\/\">VICTOR MORIYAMA<\/a><\/span><\/p>\n<div class=\"autor-perfiles\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/31\/opinion\/1535727598_449431_1535727989_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/31\/opinion\/1535727598_449431_1535727990_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/31\/opinion\/1535727598_449431_1535727990_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/31\/opinion\/1535727598_449431_1535727989_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Paisagem do nevado Huascar\u00e1n sobre um retrato de uma campesina local, em Huaraz, Peru.\" width=\"980\" height=\"549\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Paisagem do nevado Huascar\u00e1n sobre um retrato de uma campesina local, em Huaraz, Peru.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">IZAN PETTERLE<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p class=\"m_3767914367455631213m_7474098799141669264m_358471798618069270gmail-p1\" style=\"text-align: justify;\">Nos jornais, revistas e ag\u00eancias de not\u00edcias, as imagens produzidas est\u00e3o fundamentadas no compromisso com a veracidade dos fatos. A verossimilhan\u00e7a da informa\u00e7\u00e3o na cultura da m\u00eddia impressa \u00e9 crucial para sua credibilidade. A\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/fotografia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">linguagem fotogr\u00e1fica<\/a>\u00a0neste contexto segue, portanto, padr\u00f5es j\u00e1 estabelecidos desde o nascimento da imprensa e que permanecem inalter\u00e1veis. Editores sustentam hierarquicamente que a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 o principal e a est\u00e9tica deve vir em segundo plano. Encontramos nesta l\u00f3gica certos limites \u00e0 criatividade que s\u00e3o pr\u00f3prios dos modelos industriais de produ\u00e7\u00e3o no qual devemos produzir para atender uma demanda repleta de expectativas.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"COmc0cb6md0CFVe-TwodOE8MwA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/opinion\/intext_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"m_3767914367455631213m_7474098799141669264m_358471798618069270gmail-p1\" style=\"text-align: justify;\">Se desprender dos padr\u00f5es que constituem essa rela\u00e7\u00e3o, sejam eles de qualquer ordem, \u00e9 uma \u00e1rdua e desgastante tarefa emocional, mas que pode trazer in\u00fameros benef\u00edcios no campo das realiza\u00e7\u00f5es pessoais. Cada indiv\u00edduo encontra ao longo da vida seu pr\u00f3prio caminho de emancipa\u00e7\u00e3o. Muitos ficam pela metade. Mas \u00e9 neste exato ponto de rompimento com as barreiras com os sistemas pr\u00e9-definidos que as asas da autoralidade ganham o voo mais importante da cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica porque projetam o desprendimento. \u201cPela minha idade ou maturidade j\u00e1 n\u00e3o tenho o que perder\u201d, diz o fot\u00f3grafo ga\u00facho Izan Petterle, 61 anos.<\/p>\n<p class=\"m_3767914367455631213m_7474098799141669264m_358471798618069270gmail-p1\" style=\"text-align: justify;\">Somos o que fotografamos. Ou, como disse um dos grandes mestres da imagem o ingl\u00eas\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/ansel_adams\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ansel Adams,<\/a>\u201calgumas pessoas vivem da fotografia, para outras a fotografia lhes d\u00e1 a vida\u201d. Ser fot\u00f3grafo(a) documental \u00e9 atender a uma esp\u00e9cie de chamado individual para viver intensamente situa\u00e7\u00f5es que muitas pessoas jamais viver\u00e3o. Se por um lado esta ideia \u00e9 rom\u00e2ntica e estereotipada por outro ela evoca o compromisso que orienta jornadas pessoais de muitos fot\u00f3grafos (as) h\u00e1 d\u00e9cadas. Izan sabe o que lhe move antes mesmo de completar 18 anos, quando atravessou boa parte da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/sudamerica\">Am\u00e9rica do Sul<\/a>, numa formid\u00e1vel viagem que teve origem em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/porto_alegre\">Porto Alegre<\/a>\u00a0com destino a m\u00edstica\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/machu_picchu\">Machu Picchu<\/a>. O ano era 1975, uma bolsa a tira colo com a lend\u00e1ria Pentax Photomatic, uma lente 50mm e dois rolos de filme, um tri x e outro ectachrome, e o fot\u00f3grafo ga\u00facho descobriu numa epifania andina a motiva\u00e7\u00e3o que guiaria sua vida a partir dali, a fotografia humanista. \u201cA fotografia fala sobre a vida das pessoas, quem elas s\u00e3o, como vivem. N\u00e3o se trata de retratar apenas o que vejo, mas sim oferecer a possibilidade de m\u00faltiplas leituras de uma imagem\u201d diz.<\/p>\n<p class=\"m_3767914367455631213m_7474098799141669264m_358471798618069270gmail-p1\" style=\"text-align: justify;\">Residente da Chapada dos Guimar\u00e3es h\u00e1 d\u00e9cadas, passou grande parte de sua vida na fronteira do Brasil com outros pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul. \u201cNestes povos que vivem sob o impacto das cordilheiras, as cren\u00e7as advindas da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/07\/25\/actualidad\/1532520582_575473.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pachamama<\/a>evocam a m\u00e3e terra feminina numa realidade onde tempo n\u00e3o \u00e9 cronol\u00f3gico\u201d reflete o fot\u00f3grafo. As imagens produzidas por ele nos meses de julho e agosto de 2018 e que acompanham este artigo prop\u00f5em uma atmosfera fascinante que flerta com o realismo m\u00e1gico que permeiam os povos tradicionais andinos. Sua obra \u00e9 um convite irrecus\u00e1vel a leitura dos diferentes tempos que coexistem numa mesma realidade. \u201c\u00c9 um trabalho que chamo de p\u00f3s documental on\u00edrico metaf\u00edsico\u201d pontua o fot\u00f3grafo que sonhou com uma Xam\u00e3 andina que previa seu futuro fotogr\u00e1fico aos p\u00e9s das cordilheiras.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><a class=\"enlace\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/08\/31\/album\/1535728846_339466.html#foto_gal_15\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/31\/opinion\/1535727598_449431_1535746120_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/31\/opinion\/1535727598_449431_1535746120_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/31\/opinion\/1535727598_449431_1535746120_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/31\/opinion\/1535727598_449431_1535746120_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Somos o que fotografamos\" width=\"980\" height=\"735\" \/><span class=\"boton_fotogaleria\">ver fotogaler\u00eda<\/span><\/a><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p class=\"m_3767914367455631213m_7474098799141669264m_358471798618069270gmail-p1\" style=\"text-align: justify;\">Izan faz parte do restrito time de fot\u00f3grafos que abandonaram os equipamentos tradicionais em prol do uso exclusivo dos celulares, embora n\u00e3o defenda esta troca, afinal cada um sabe de suas pr\u00f3prias necessidades. Munido de dois\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/iphone\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">iPhones<\/a>, um funciona como\u00a0<em>back up<\/em>\u00a0e ilumina\u00e7\u00e3o, aposta na discri\u00e7\u00e3o e familiaridade que os aparelhos tem nas comunidades tradicionais. Hoje em dia, a telefonia m\u00f3vel \u00e9 acess\u00edvel a boa parcela da popula\u00e7\u00e3o latina que se familiarizou com a presen\u00e7a do port\u00e1til aparelho. \u201cAs popula\u00e7\u00f5es andinas t\u00eam verdadeira avers\u00e3o \u00e0 fotografia, n\u00e3o querem ser fotografadas.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/08\/16\/opinion\/1534450333_872667.html\">Mas quando estou com celular as pessoas n\u00e3o se importam. Isso muda radicalmente a condi\u00e7\u00e3o do trabalho<\/a>\u201d, conta, entusiasmado. Os \u00faltimos lan\u00e7amentos dos telefones possuem mem\u00f3ria interna generosa e possibilitam maior autonomia de trabalho. Al\u00e9m do aperfei\u00e7oamento \u00f3tico de suas c\u00e2meras internas, aplicativos de edi\u00e7\u00e3o e tratamento de imagem bem como o processamento das fotos na qualidade RAW (arquivo bruto de m\u00e1xima resolu\u00e7\u00e3o) s\u00e3o ferramentas que d\u00e3o seguran\u00e7a para a comunidade fotogr\u00e1fica. Para o fot\u00f3grafo, n\u00e3o h\u00e1 mais necessidade de carregar computadores, lentes, c\u00e2meras,\u00a0<em>hard drives<\/em>\u00a0e outros apetrechos fotogr\u00e1ficos. \u201cAlcan\u00e7o aquela condi\u00e7\u00e3o preconizada que o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/henri_cartier_bresson\/a\">Cartier Bresson<\/a>\u00a0propunha da invisibilidade do fot\u00f3grafo. Isso me permite fazer fotos completamente inusitadas\u201d resume Petterle.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os aparelhos telef\u00f4nicos revolucionaram a forma de fotografar porque permitem trabalhos em tempo real, mas suas c\u00e2meras ainda precisam de aperfei\u00e7oamento t\u00e9cnico em situa\u00e7\u00f5es com baixa luminosidade. \u00c9 uma quest\u00e3o de pouco tempo. \u201cPara mim n\u00e3o faz mais sentido investir 50.000 reais em equipamento. As revistas n\u00e3o pagam mais porque as redes sociais impuseram a condi\u00e7\u00e3o de gerar conte\u00fado de gra\u00e7a, n\u00e3o h\u00e1 como escapar dessa din\u00e2mica\u201d avalia. Se o of\u00edcio fotogr\u00e1fico parece estar em decl\u00ednio econ\u00f4mico, nos resta encontrar novas formas de emancipa\u00e7\u00e3o autoral capazes de contribuir com a reflex\u00e3o e compreens\u00e3o da fragilidade da exist\u00eancia do ser humano frente a um planeta desequilibrado. \u201cN\u00e3o quero salvar nenhuma esp\u00e9cie, salvar o mundo, e nem a mim mesmo. Quero ter liberdade po\u00e9tica para falar da fragilidade da exist\u00eancia e o mundo que circula este universo fr\u00e1gil\u201d, conclui Izan Petterle<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Residente da Chapada dos Guimar\u00e3es h\u00e1 d\u00e9cadas, passou grande parte de sua vida na fronteira do Brasil com outros pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul. \u201cNestes povos que vivem sob o impacto das cordilheiras, as cren\u00e7as advindas da\u00a0Pachamamaevocam a m\u00e3e terra feminina numa realidade onde tempo n\u00e3o \u00e9 cronol\u00f3gico\u201d reflete o fot\u00f3grafo. 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