{"id":256084,"date":"2018-09-04T07:32:02","date_gmt":"2018-09-04T10:32:02","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=256084"},"modified":"2018-09-04T07:32:02","modified_gmt":"2018-09-04T10:32:02","slug":"o-longo-e-incerto-caminho-para-a-reconstrucao-do-museu-nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-longo-e-incerto-caminho-para-a-reconstrucao-do-museu-nacional\/","title":{"rendered":"O longo e incerto caminho para a reconstru\u00e7\u00e3o do Museu Nacional"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>Ainda n\u00e3o se sabe ao certo o que se pode recuperar e nem as causas imediatas da trag\u00e9dia. Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o promete 10 milh\u00f5es emergenciais para reconstru\u00e7\u00e3o<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Felipe Betim\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/felipe_betim\/a\/\">FELIPE BETIM<\/a><\/span><\/p>\n<div class=\"autor-perfiles\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/09\/03\/politica\/1536003919_497411_1536019490_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/09\/03\/politica\/1536003919_497411_1536019490_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/09\/03\/politica\/1536003919_497411_1536019490_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/09\/03\/politica\/1536003919_497411_1536019490_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Mulher mostra cartaz durante manifesta\u00e7\u00e3o em rep\u00fadio ao inc\u00eandio no Museu Nacional, no Rio. \" width=\"980\" height=\"572\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Mulher mostra cartaz durante manifesta\u00e7\u00e3o em rep\u00fadio ao inc\u00eandio no Museu Nacional, no Rio.\u00a0<\/span><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">DANIEL RAMALHO<\/span>\u00a0<span class=\"foto-agencia\">AFP<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dia depois do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/09\/03\/opinion\/1535975822_774583.html\">mega inc\u00eandio que destruiu o Museu Nacional<\/a>, no\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/rio_de_janeiro\/a\">Rio de Janeiro<\/a>, as autoridades e os pesquisadores ainda n\u00e3o t\u00eam respostas sobre o tamanho exato das perdas e muito menos as causas da trag\u00e9dia \u2014 para al\u00e9m\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/09\/04\/opinion\/1536019103_930470.html\">do descaso de sucessivos governos com a institui\u00e7\u00e3o<\/a>. O momento agora \u00e9 de espera: o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal pediu a abertura de um inqu\u00e9rito para apurar as causas e eventuais responsabilidades pelo inc\u00eandio, e a Pol\u00edcia Federal dever\u00e1 fazer durante os pr\u00f3ximos dias uma per\u00edcia no imenso pal\u00e1cio imperial, na Quinta da Boa Vista, juntamente com a escola de engenharia da UFRJ. At\u00e9 que isso aconte\u00e7a, o que existem s\u00e3o promessas das principais autoridades pol\u00edticas. Nesta segunda-feira, o ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Rossieli Soares da Silva, anunciou que ir\u00e1 destinar imediatamente 10 milh\u00f5es de reais para um plano de emerg\u00eancia\u00a0\u2014 desde 2014, contudo,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/09\/04\/politica\/1536015210_491341.html\">o museu vem recebendo menos de 500.000 reais por ano do Governo Federal<\/a>.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CLmuk6WSod0CFdrC4Qod89oN5Q\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/politica\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/politica\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/politica\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O Governo vai criar um comit\u00ea Executivo para acelerar a recupera\u00e7\u00e3o&#8221;, anunciou o ministro da educa\u00e7\u00e3o, juntamente com o ministro da Cultura, S\u00e9rgio S\u00e1 Leit\u00e3o, e do reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Leher. Eles realizaram uma entrevista coletiva, inicialmente marcada para 14h30, apenas no final da tarde, ap\u00f3s uma reuni\u00e3o. As tr\u00eas autoridades representam os tr\u00eas organismos respons\u00e1veis da institui\u00e7\u00e3o: a UFRJ, propriet\u00e1ria e mantenedora do museu, recebe suas verbas via repasses do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, enquanto que o Minist\u00e9rio da Cultura, a partir do IPHAN e do IBRAM, \u00f3rg\u00e3os nacionais de patrim\u00f4nio e de museu, possuem responsabilidades normativas e de conserva\u00e7\u00e3o. Os 10 milh\u00f5es, que vir\u00e3o exclusivamente da pasta de Educa\u00e7\u00e3o, dever\u00e3o garantir de forma urgente a seguran\u00e7a do patrim\u00f4nio, o cercamento do local e o refor\u00e7o das estruturas, explicou da Silva. Uma empresa dever\u00e1 ser contratada e, juntamente com os funcion\u00e1rios do Museu, come\u00e7ar\u00e1 a ser feito o trabalho de procura do que sobrou. &#8220;O que n\u00f3s fizemos hoje foi dar o ponta p\u00e9 inicial na reconstru\u00e7\u00e3o&#8221;, disse S\u00e1 Leit\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois, cinco milh\u00f5es de reais dever\u00e3o ser destinados para um projeto b\u00e1sico e um executivo, que S\u00e1 Leit\u00e3o estima que ficar\u00e1 pronto at\u00e9 o in\u00edcio de 2020. A partir de ent\u00e3o come\u00e7a o trabalho efetivo de reconstru\u00e7\u00e3o. &#8220;Um projeto executivo leva de seis meses a um ano. Queremos dar a maior celeridade, por isso estamos fazendo uma parceria com a UNESCO, para fazer as contrata\u00e7\u00f5es via este \u00f3rg\u00e3o&#8221;, explicou o ministro da Cultura. Al\u00e9m desses 15 milh\u00f5es de recursos, ele garantiu que o financiamento de 21,7 milh\u00f5es do BNDES, aprovado anos antes da trag\u00e9dia deste domingo, est\u00e1 mantido. S\u00e1 Leit\u00e3o tamb\u00e9m garantiu ter colocado &#8220;a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/01\/16\/cultura\/1516138484_650276.html\">Lei Rouanet<\/a>\u00a0\u00e0 disposi\u00e7\u00e3o&#8221; da reconstru\u00e7\u00e3o do museu. &#8220;Recebi contatos da TIM, do Banco Icatu&#8230; O presidente Michel Temer conversou com a Febraban, com o Ita\u00fa, o Santander e o Bradesco. E tamb\u00e9m vai falar com as estatais, como o Banco do Brasil, a Caixa e o BNDES&#8221;, completou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u00faltima etapa desse projeto, detalhou S\u00e1 Leit\u00e3o, \u00e9 a aquisi\u00e7\u00e3o de &#8220;novos acervos que possam de alguma forma substituir o que se perdeu&#8221;. O ministro da Educa\u00e7\u00e3o falou por sua vez em &#8220;parcerias internacionais&#8221; para recompor o acervo.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Responsabilidades<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">O reitor da UFRJ, institui\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel por repassar os recursos que chegam atrav\u00e9s do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, evitou fazer qualquer tipo de especula\u00e7\u00e3o sobre eventuais causas e culpados. N\u00e3o se pode, argumentou, trabalhar de forma &#8220;especulativa&#8221; em um momento &#8220;delicado&#8221;. Demonstrou confian\u00e7a no trabalho da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/policia_federal_brasil\">Pol\u00edcia Federal<\/a>, mas defendeu que a UFRJ tamb\u00e9m fa\u00e7a seu parecer para que haja um &#8220;refinamento&#8221; maior dos laudos sobre o inc\u00eandio. Ele disse que a institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o possu\u00eda recursos suficientes para manter uma brigada de inc\u00eandio 24 horas no local.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 S\u00e1 Leit\u00e3o n\u00e3o poupou cr\u00edticas ao que considera um modelo ineficaz de gest\u00e3o dos museus universit\u00e1rios. Ele retirou a culpa do Governo Federal pela falta de financiamento e mirou \u00e0s pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es. &#8220;Esses museus est\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es muito prec\u00e1rias. Acho que falta, sobretudo, que os gestores das universidades, respons\u00e1veis pelos museus, empreendam a\u00e7\u00f5es no sentido de aumentar a base de recursos. Ficar apenas com recursos or\u00e7ament\u00e1rios n\u00e3o d\u00e1 mais&#8221;, defendeu o ministro da Cultura, que quer uma mudan\u00e7a no modelo. &#8220;Esse modelo 100% estatal est\u00e1 falido no Brasil. \u00c9 preciso mudar o modelo de gest\u00e3o desses museus e buscar outras fontes de recursos. Eu tenho colocado a Lei Rouanet \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, tenho procurado prefeitos e governadores para que se envolvam nesse processo. Mas isso \u00e9 uma quest\u00e3o de postura desses gestores das universidades&#8221;.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Luto e protestos<\/h3>\n<section id=\"sumario_2|html\" class=\"sumario_html derecha\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.facebook.com\/plugins\/post.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fcinda.gonda%2Fposts%2F10204862410556647&amp;width=500\" width=\"500\" height=\"289\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m das promessas das autoridades, esta segunda-feira foi de luto, l\u00e1grimas e protestos pela trag\u00e9dia que destruiu uma institui\u00e7\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/09\/03\/album\/1535977441_860374.html\">com 200 anos e 20 milh\u00f5es de itens<\/a>, o principal centro de pesquisa da Am\u00e9rica Latina, o maior museu de hist\u00f3ria natural e antropologia da regi\u00e3o e o quinto maior acervo do mundo. &#8220;Eu estava em casa quando recebi uma mensagem via rede social de uma professora da UERJ que mora aqui do lado avisando do inc\u00eandio&#8221;, conta o professor Renato Rodriguez Cabral Ramos, do departamento de geologia e paleontologia. &#8220;Eu peguei o carro e voei para c\u00e1, na esperan\u00e7a de que fosse algo localizado. Mas quando eu vi, comecei a chorar dentro do carro&#8221;, completa o pesquisador, que h\u00e1 13 anos trabalha no Museu Nacional. Ele lembra que a parte el\u00e9trica do pal\u00e1cio imperial foi reformada h\u00e1 alguns anos. Com os 21 milh\u00f5es do BNDES previstos, a institui\u00e7\u00e3o se blindaria contra inc\u00eandios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No meio da tarde, Ramos e alguns colegas puderam entrar rapidamente em algumas salas do primeiro andar para resgatar alguns minerais raros da cole\u00e7\u00e3o Werner, trazida pela fam\u00edlia real ao Brasil, al\u00e9m de um quadro do\u00a0<a href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/noticias\/materias\/2008\/01\/18\/brasil-recorda-50-anos-da-morte-do-marechal-candido-rondon\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marechal Rondon<\/a>. Algumas cer\u00e2micas tamb\u00e9m foram resgatadas pelos bombeiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns setores, contudo, foram totalmente destru\u00eddos. Como a parte de mem\u00f3ria e arquivo, composta principalmente de papel. Ou a m\u00famia eg\u00edpcia comprada por Dom Pedro I, al\u00e9m de outros artefatos do Egito Antigo. Ou ainda o setor de insetos, que contava com exemplares \u00fanicos de esp\u00e9cies extintas. &#8220;Felizmente nossa produ\u00e7\u00e3o \u00e9 muito intensa, ent\u00e3o nem tudo est\u00e1 perdido em termo de ci\u00eancia, porque muitas pe\u00e7as foram estudadas. As an\u00e1lises est\u00e3o publicadas em artigos e livros&#8221;, explica o professor. &#8220;Mas t\u00ednhamos in\u00fameras pe\u00e7as de culturas ind\u00edgenas brasileiras coletadas desde o s\u00e9culo XIX. S\u00e3o povos que n\u00e3o existem mais, ou que existem e n\u00e3o fazem mais aquilo&#8221;, completa. Outro setor que reportava perda total era o de lingu\u00edstica, em especial o acervo \u00fanico de l\u00ednguas ind\u00edgenas. No caso do departamento de Ramos, os estragos ser\u00e3o avaliados com o tempo. Ele tem esperan\u00e7a de que alguns itens guardados ainda possam ser recuperados. &#8220;Nossos arm\u00e1rios de a\u00e7o est\u00e3o em p\u00e9, mas tem muito ferro e entulho em cima. Vai demorar alguns meses para acessar os f\u00f3sseis e minerais ali dentro. Se a gente recuperar 25%, vai ser uma alegria total&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 Cristiana Serejo, vice-diretora do Museu Nacional, acredita que, al\u00e9m da carca\u00e7a do pal\u00e1cio imperial, apenas 10% do do acervo se salvou \u2014 ainda que s\u00f3 se saiba exatamente quando a per\u00edcia da Pol\u00edcia Federal terminar e os pesquisadores puderem entrar, destaca. Entre os itens mais conhecidos e mais importantes est\u00e1 o cr\u00e2nio de Luzia, o f\u00f3ssil humano com mais de 12.000 anos e o mais antigo do Brasil. Esta e outras pe\u00e7as valiosas estavam em arm\u00e1rios e cofres especiais, o que nutre esperan\u00e7a de que podem ser recuperados. &#8220;As pessoas foram de manh\u00e3 tentar achar a Luzia, mas parece que ela estava em uma caixa e tem muito escombro. A gente n\u00e3o sabe se dentro dessa caixa ela possa ter resistido&#8221;, explica Serejo. &#8220;A parte l\u00e1 de tr\u00e1s, do departamento de geologia e paleontologia, parece que sobrou alguma coisa&#8221;, acrescenta ela, coincidindo com a avalia\u00e7\u00e3o do professor Ramos. Ela lembra ainda que alguns departamentos fora do pal\u00e1cio, como de vertebrados e o de bot\u00e2nica, al\u00e9m de uma biblioteca, localizada no Horto, ficaram intactos. Tamb\u00e9m permaneceu o meteorito Bendeg\u00f3, um dos maiores do mundo e, agora, s\u00edmbolo da resist\u00eancia do museu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Mas a cole\u00e7\u00e3o de entomologia, de insetos, que ficava no terceiro andar, n\u00e3o resistiu.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/09\/03\/opinion\/1535977788_585805.html\">Isto foi uma perda grav\u00edssima<\/a>. Estava em arm\u00e1rios compactadores, mas como desabaram, foi um impacto muito grande&#8221;, lamenta Serejo. O desafio agora \u00e9 manter as pesquisas e remanejar os pesquisadores para para outros espa\u00e7os da UFRJ. E, com o que sobrou, construir outro museu. &#8220;Desde ontem eu choro bastante, mas a gente vai conseguir&#8221;, disse, emocionada, a pesquisadora, que no dia no inc\u00eandio foi uma das pessoas que entraram no pal\u00e1cio para salvar equipamentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante dos port\u00f5es da Quinta da Boa Vista, estudantes vestidos de preto protestavam em rep\u00fadio ao inc\u00eandio. Em determinado momento, for\u00e7aram a entrada no parque municipal e foram contidos por policiais, que usaram bombas de g\u00e1s e cassetetes. Por volta de 14h finalmente os port\u00f5es foram abertos e eles puderam se aproximar mais do pal\u00e1cio incendiado. N\u00e3o houve mais tumulto. Na parte da noite, uma manifesta\u00e7\u00e3o foi convocada no centro da cidade, na Cinel\u00e2ndia, com o mesmo intuito: protestar contra\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/09\/03\/politica\/1536002917_439429.html\">o descaso das autoridades brasileiras que, acredita-se, resultou na trag\u00e9dia<\/a>. Milhares ocuparam por completo um dos locais mais emblem\u00e1ticos do centro, incluindo a escadaria da C\u00e2mara dos Vereadores, e marcharam em dire\u00e7\u00e3o a Assembleia Legislativa do Estado. Nas redes chegou-se a falar em 20.000 pessoas presentes, mas n\u00e3o h\u00e1 estimativas oficiais. Segundo an\u00e1lise da FGV, a trag\u00e9dia provocou grande mobiliza\u00e7\u00e3o no Twitter\u00a0\u2014 semelhante \u00e0 do assassinato de Marielle Franco ou do julgamento do ex-presidente Lula no Supremo Tribunal Federal: foram 1,6 milh\u00e3o de tu\u00edtes em 18 horas.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda n\u00e3o se sabe ao certo o que se pode recuperar e nem as causas imediatas da trag\u00e9dia. 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