{"id":256395,"date":"2018-09-06T14:55:18","date_gmt":"2018-09-06T17:55:18","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=256395"},"modified":"2018-09-06T14:55:18","modified_gmt":"2018-09-06T17:55:18","slug":"meu-filho-foi-enterrado-e-so-me-avisaram-2-anos-depois-como-brasil-prolonga-sofrimento-de-familias-de-desaparecidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/meu-filho-foi-enterrado-e-so-me-avisaram-2-anos-depois-como-brasil-prolonga-sofrimento-de-familias-de-desaparecidos\/","title":{"rendered":"&#8216;Meu filho foi enterrado e s\u00f3 me avisaram 2 anos depois&#8217;: como Brasil prolonga sofrimento de fam\u00edlias de desaparecidos"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"byline\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"byline__name\">Amanda Rossi<\/span><\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/430B\/production\/_103236171_p1080174.jpg\" alt=\"Leonardo da Cruz, pai de Robson, sentado em sua cama, mostra a certid\u00e3o de \u00f3bito do filho, com o nome 'desaparecido'\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span>Leonardo da Cruz, pai de Robson, mostra a certid\u00e3o de \u00f3bito do filho, ainda com a inscri\u00e7\u00e3o &#8216;desaparecido&#8217;<\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\" style=\"text-align: justify;\">&#8220;Robson, eu estava procurando voc\u00ea&#8221;, sussurrou Leonardo da Cruz quando chegou \u00e0 cova do filho, enterrado como indigente no cemit\u00e9rio de Perus, extremo da zona Norte de S\u00e3o Paulo. O local da sepultura mais lembra um terreno abandonado, com mato alto, sem l\u00e1pides, sem lembran\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 fazia um ano e nove meses que Leonardo e a m\u00e3e de Robson procuravam pelo filho, de 39 anos, que tinha esquizofrenia. Em junho de 2016, ele saiu da casa da m\u00e3e, em Mau\u00e1, na Grande S\u00e3o Paulo, e nunca mais voltou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O delegado falou: &#8216;p\u00f5e cartaz nos postes, vai procurando&#8217;. A pol\u00edcia n\u00e3o procura ningu\u00e9m&#8221;, conta Leonardo, um senhor aposentado de 68 anos, que registrou boletim de ocorr\u00eancia do desaparecimento no dia seguinte. Ele, ent\u00e3o, fez mais de sete tipos de cartazes e saiu peregrinando pela Grande S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Esquadrinhamos Mau\u00e1, toda a capital e cinco cidades vizinhas. Sa\u00edamos de manh\u00e3 e volt\u00e1vamos no fim da tarde. Quase n\u00e3o com\u00edamos. Eu emagreci 13,5 kg&#8221;, diz. &#8220;De noite, eu dormia com a porta de casa destrancada, para o caso de ele aparecer&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fam\u00edlia n\u00e3o sabia, mas Robson j\u00e1 tinha sido encontrado. Um dia depois de sair de casa, foi resgatado no Rio Tiet\u00ea, em S\u00e3o Paulo, e levado para o Hospital Santa Casa de Miseric\u00f3rdia, onde teria ficado internado como desconhecido, &#8220;em estado n\u00e3o comunicativo&#8221;, por 33 dias. L\u00e1, faleceu. Seu corpo foi encaminhado para o IML e depois enterrado.<\/p>\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-parrot\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto o hospital como o IML tiraram fotos de Robson, colheram sua digital e encaminharam o material para o instituto de identifica\u00e7\u00e3o da Secretaria da Seguran\u00e7a P\u00fablica de S\u00e3o Paulo. A pasta tamb\u00e9m tinha fotos do desaparecido e seu RG, fornecidos pela fam\u00edlia. As informa\u00e7\u00f5es, contudo, n\u00e3o foram cruzadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apenas em abril deste ano, quase dois anos depois, a fam\u00edlia foi comunicada do ocorrido pela Delegacia de Homic\u00eddios e Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Pessoa (DHPP). A identifica\u00e7\u00e3o (tardia) de Robson ocorreu ap\u00f3s a verifica\u00e7\u00e3o da impress\u00e3o digital. Os pais, ent\u00e3o, foram chamados para ver as fotografias tiradas no hospital e no IML e reconheceram o filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, a fam\u00edlia tem nas m\u00e3os uma certid\u00e3o de \u00f3bito com o nome &#8220;desconhecido&#8221;. A morte de Robson entrou para as estat\u00edsticas como &#8220;morte suspeita&#8221;. As causas do falecimento ainda n\u00e3o foram informadas aos pais.<\/p>\n<figure class=\"media-with-caption\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"player-with-placeholder\"><img decoding=\"async\" class=\"media-placeholder player-with-placeholder__image narrative-video-placeholder\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/images\/ic\/720x405\/p06kf1fd.jpg\" \/><\/p>\n<div class=\"player-with-placeholder\">\n<div class=\"media-player-wrapper\">\n<div id=\"sticky-player-1\">\n<div class=\"sticky-player__wrapper\">\n<div class=\"sticky-player__body\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div><figcaption class=\"media-with-caption__caption\">Fam\u00edlia n\u00e3o \u00e9 avisada que filho desaparecido tinha sido enterrado e continua buscas<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Tudo ficou oculto, ningu\u00e9m se manifestou. \u00c9 uma falha muito grave, um desinteresse pelas fam\u00edlias. Por mais que o Brasil n\u00e3o seja um pa\u00eds de primeiro mundo, est\u00e1 a\u00ed a tecnologia e n\u00e3o usam. Est\u00e1 faltando amor ao pr\u00f3ximo&#8221;, diz Leonardo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre as tecnologias dispon\u00edveis, est\u00e1 o sistema de identifica\u00e7\u00e3o de digitais, o Afis, parecido com o usado nos Estados Unidos. O Brasil tamb\u00e9m conta com um sofisticado banco de dados de DNA, presente em quase todos os Estados do pa\u00eds, que usa um sistema criado pelo FBI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 Leonardo s\u00f3 tinha seus cartazes e esperan\u00e7a. &#8220;Se eu ficasse vivo mais 50 anos, mais 50 anos eu iria procurar pelo meu filho&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Questionada sobre o motivo da demora de um ano e nove meses para comunicar a fam\u00edlia de Robson, a Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica de S\u00e3o Paulo afirmou que &#8220;a Superintend\u00eancia da Pol\u00edcia T\u00e9cnico-Cient\u00edfica vai apurar os fatos&#8221;. Declarou ainda que, em mar\u00e7o, foi criado um grupo &#8220;para aperfei\u00e7oamento da atua\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es respons\u00e1veis pelas investiga\u00e7\u00f5es sobre desaparecidos no Estado&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/CFF3\/production\/_103253235_980c7ff0-84a3-466e-8c88-327ac5c328ab.jpg\" alt=\"Mirian dos Santos Almeida busca pelo filho Alison desaparecido em 2013\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Mirian dos Santos Almeida busca pelo filho Alison, desaparecido em 2013<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Brasil n\u00e3o sabe quantas pessoas est\u00e3o desaparecidas<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria de Robson n\u00e3o \u00e9 incomum. O Minist\u00e9rio P\u00fablico do Rio de Janeiro, por exemplo, encontrou um caso de um homem dado como desaparecido pela fam\u00edlia, mas sobre o qual o Estado tinha muitas informa\u00e7\u00f5es: ele havia sido preso e, depois, v\u00edtima de homic\u00eddio no pr\u00f3prio pres\u00eddio. Seu corpo foi enterrado na condi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o reclamado pela fam\u00edlia, que nunca foi comunicada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m em S\u00e3o Paulo, um idoso de 72 anos, com epis\u00f3dios de esclerose, ficou meses internado, sem o conhecimento da fam\u00edlia, que havia feito boletim de ocorr\u00eancia de desaparecimento. Apenas 14 anos depois os parentes foram comunicados que o idoso morrera e fora enterrado. A hist\u00f3ria s\u00f3 foi descoberta ap\u00f3s press\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo para que fossem buscados desaparecidos entre as pessoas enterradas como n\u00e3o reclamadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A n\u00e3o comunica\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia \u00e9 s\u00f3 uma parte do problema, segundo esta reportagem exclusiva da BBC News Brasil. As informa\u00e7\u00f5es sobre pessoas desaparecidas no Brasil s\u00e3o todas desencontradas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para come\u00e7ar, n\u00e3o se sabe quantas s\u00e3o. O Brasil tem n\u00fameros precisos de homic\u00eddios, roubos de celular, v\u00edtimas de acidente de tr\u00e2nsito, mas n\u00e3o sabe quantas s\u00e3o as pessoas desaparecidas. Tamb\u00e9m n\u00e3o sabe quantas pessoas s\u00e3o enterradas oficialmente como indigentes ou n\u00e3o reclamadas &#8211; entre as quais parte dos desaparecidos poderia ser encontrada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira tentativa de dimensionar o desaparecimento ocorreu no ano passado, pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica. Para isso, a institui\u00e7\u00e3o questionou todos os Estados do pa\u00eds &#8211; respons\u00e1veis pela seguran\u00e7a &#8211; quantos boletins de ocorr\u00eancia de desaparecimentos foram registrados nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 um dado diferente do n\u00famero de desaparecidos remanescentes hoje. Primeiro, porque muitas dessas pessoas voltam. De acordo com pesquisa do Instituto de Seguran\u00e7a P\u00fablica do Rio de Janeiro com base nos desaparecidos do Estado em 2007, 7 entre 10 retornaram para casa ou foram encontrados &#8211; entre eles, adolescentes que fugiram da fam\u00edlia e depois reapareceram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em segundo lugar, especialistas acreditam que muitas fam\u00edlias n\u00e3o fazem boletim de ocorr\u00eancia de desaparecimento &#8211; por medo de grupos criminosos que podem estar envolvidos no caso, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar dessas limita\u00e7\u00f5es, os n\u00fameros do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica mostram o gigantismo do problema no Brasil: 662 mil pessoas foram registradas como desaparecidas nos \u00faltimos dez anos, de 2008 a 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se tem a menor ideia de quantas delas continuam desaparecidas. Se fossem 3 entre 10 (como no Rio de Janeiro de 2007), seriam impressionantes 200 mil pessoas. O M\u00e9xico, por exemplo, tomado pela guerra ao tr\u00e1fico, sequestros e tr\u00e1fico de pessoas, registrou cerca de 36 mil desaparecidos desde 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito s\u00e9ria. Ficamos um pouco assustados com as estat\u00edsticas&#8221;, diz Marianne Pecassou, coordenadora de prote\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha no Brasil, que j\u00e1 atuou na Col\u00f4mbia, pa\u00eds com um alto n\u00famero de desaparecidos no confronto com as Farc. Diante dessa realidade, o \u00f3rg\u00e3o tem feito um trabalho de acolhimento a fam\u00edlias de desaparcidos no Brasil.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/F703\/production\/_103253236_fbc9c611-fb2c-44ee-afa7-b29a11182e9c.jpg\" alt=\"Dalva e Carlos Campioto esperam h\u00e1 dez anos por uma informa\u00e7\u00e3o sobre o filho, Leonardo de Souza Campioto, que desapareceu quando tinha 27 anos.\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Dalva e Carlos Campioto esperam h\u00e1 dez anos por uma informa\u00e7\u00e3o sobre o filho, Leonardo de Souza Campioto, que desapareceu quando tinha 27 anos<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Sistemas n\u00e3o s\u00e3o interligados, dificultando a busca<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma maneira de saber quantos s\u00e3o os desaparecidos no Brasil seria ter um cadastro nacional. Por\u00e9m, isso n\u00e3o existe. H\u00e1, sim, cadastros estaduais, que n\u00e3o conversam entre si &#8211; deixando invis\u00edveis os casos de pessoas que desaparecem em um Estado e podem ir parar em outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 houve tentativas de criar um cadastro nacional, mas elas falharam. Desde 2009, por exemplo, uma lei determina a implanta\u00e7\u00e3o de um cadastro espec\u00edfico para crian\u00e7as e adolescentes. Por\u00e9m, o site do cadastro tem apenas 368 nomes. Os desaparecimentos mais recentes s\u00e3o do primeiro semestre de 2015. Segundo o Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos, respons\u00e1vel pelo cadastro, o banco de dados est\u00e1 sendo reformulado por uma consultoria. N\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o de quando ficar\u00e1 pronto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Como a gente vai agir para resolver o problema se a gente n\u00e3o sabe quem est\u00e1 desaparecendo no Brasil?&#8221;, questiona Dijaci David de Oliveira, que pesquisa o assunto e coordena o N\u00facleo sobre Viol\u00eancia e Criminalidade da Universidade Federal de Goi\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro de um mesmo Estado, tamb\u00e9m h\u00e1 problemas de integra\u00e7\u00e3o de dados. O caso de Robson, por exemplo, havia gerado informa\u00e7\u00f5es em diversos sistemas paulistas: o da Pol\u00edcia Civil (que fez o boletim de ocorr\u00eancia do desaparecimento), da equipe de resgate, do hospital, do IML, do cemit\u00e9rio e do instituto de identifica\u00e7\u00e3o. A informa\u00e7\u00e3o existia, circulou, mas n\u00e3o foi cruzada a tempo de informar a fam\u00edlia enquanto o desaparecido ainda estava vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Hoje, se some seu carro, voc\u00ea vai ser recebida imediatamente na delegacia e vai ter um servi\u00e7o de seguro. A pol\u00edcia e a seguradora v\u00e3o procurar seu carro. Se acharem, mesmo em outro Estado, v\u00e3o te ligar imediatamente. Mas, se o seu filho some, n\u00e3o acontece nada na maior parte dos Estados&#8221;, continua o especialista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Marianne, do Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha, \u00e9 importante que o pa\u00eds crie &#8220;um mecanismo nacional que ajude a coordenar os esfor\u00e7os das diferentes institui\u00e7\u00f5es que trabalham com a tem\u00e1tica dos desaparecidos&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um bom exemplo que poderia ser seguido pelo Brasil \u00e9 o do M\u00e9xico. Em janeiro deste ano, entrou em vigor no pa\u00eds uma lei sobre desaparecimentos for\u00e7ados, elogiada pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas. O tema, inclusive, virou pauta nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais mexicanas deste ano. J\u00e1 nas elei\u00e7\u00f5es brasileiras, nenhum dos planos de governos dos 13 candidatos cita o problema.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/12D6B\/production\/_103236177_unnamed.jpg\" alt=\"Marta Torres Castelo Branco segura cartaz com a foto da filha Eliene, que desapareceu em 2013, com 36 anos.\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Marta Torres Castelo Branco procura a filha Eliene, que desapareceu em 2013, com 36 anos<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Desaparecimento n\u00e3o \u00e9 crime, mas pode ser causado por atos criminosos<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das raz\u00f5es para o descaso das autoridades \u00e9 que o desaparecimento n\u00e3o \u00e9 considerado crime. Assim, n\u00e3o costuma ser visto pelas pol\u00edcias como algo a ser investigado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, h\u00e1 diversos crimes que culminam no desaparecimento: tr\u00e1fico de crian\u00e7as para ado\u00e7\u00e3o, tr\u00e1fico de pessoas para retirada de \u00f3rg\u00e3os, tr\u00e1fico de mulheres para explora\u00e7\u00e3o sexual, homic\u00eddios \u00fanicos ou em s\u00e9rie, tribunais do crime organizado e a\u00e7\u00e3o de grupos de exterm\u00ednio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Investigar os desaparecimentos e analisar os dados das ocorr\u00eancias seria, ent\u00e3o, uma forma de tentar desvendar esses crimes. H\u00e1 algum local onde somem mais crian\u00e7as? H\u00e1 alguma semelhan\u00e7a entre os desaparecimentos de meninas e mulheres? H\u00e1 uma concentra\u00e7\u00e3o de sumi\u00e7os de homens jovens em \u00e1reas controladas por fac\u00e7\u00f5es criminosas? H\u00e1 um padr\u00e3o nos confrontos da pol\u00edcia que resultam na morte de pessoas n\u00e3o identificadas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do desaparecimento n\u00e3o ser considerado crime, pesa sobre quem some um estigma de que s\u00e3o pessoas &#8220;problem\u00e1ticas&#8221;. Foi essa a palavra usada por um delegado respons\u00e1vel por desaparecimentos no Centro-Oeste, ouvido pela BBC News Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Todo mundo \u00e9 doido, ent\u00e3o sobram poucos casos para a gente investigar&#8221;, disse ele, citando entre os desaparecidos usu\u00e1rios de drogas, pessoas com problemas mentais, jovens que fugiram de casa, criminosos. &#8220;S\u00e3o desaparecimentos, mas n\u00e3o \u00e9 ocorr\u00eancia de crime&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Especialistas e familiares entrevistados pela reportagem disseram que essa vis\u00e3o \u00e9 preconceituosa, e comum nas pol\u00edcias de todo o pa\u00eds. Al\u00e9m de marginalizar as fam\u00edlias, esse tipo de pensamento &#8220;faz com que n\u00e3o se valorize o desaparecimento como se fosse possibilidade de crime&#8221;, fala Dijaci.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Se o seu filho some, voc\u00ea n\u00e3o sabe qual foi a raz\u00e3o. Quem est\u00e1 treinado para fazer investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 a pol\u00edcia&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem contar que muitas pessoas desaparecidas, mesmo que n\u00e3o sejam v\u00edtimas de crimes, s\u00e3o consideradas vulner\u00e1veis pela legisla\u00e7\u00e3o &#8211; \u00e9 o caso de crian\u00e7as e adolescentes, idosos e pessoas com doen\u00e7as mentais. H\u00e1 ainda diversos casos de mulheres que fogem por serem v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/11E13\/production\/_103253237_045f16bd-a3a4-47e2-88fa-2844bc3f21d6.jpg\" alt=\"Valmir do Nascimento, cunhado do desaparecido Teodomiro Bernardo dos Santos, que deixou o hospital onde fazia tratamento e nunca mais foi visto\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Valmir do Nascimento, cunhado do desaparecido Teodomiro Bernardo dos Santos, que deixou o hospital onde fazia tratamento e nunca mais foi visto<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Minist\u00e9rios P\u00fablicos do pa\u00eds est\u00e3o se juntando \u00e0s buscas<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O quadro \u00e9 negativo, mas h\u00e1 esperan\u00e7as. Aguarda vota\u00e7\u00e3o no Senado um projeto de lei para instituir a Pol\u00edtica Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas e criar um cadastro nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outra boa not\u00edcia \u00e9 que, em novembro do ano passado, o Conselho Nacional do Minist\u00e9rio P\u00fablico assinou um acordo para implementar no \u00e2mbito dos Minist\u00e9rios P\u00fablicos estaduais o Sistema Nacional de Localiza\u00e7\u00e3o e Identifica\u00e7\u00e3o de Desaparecidos (Sinalid).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia \u00e9 expandir para todos os Estados a experi\u00eancia dos Minist\u00e9rios P\u00fablicos do Rio de Janeiro e de S\u00e3o Paulo com o Programa de Localiza\u00e7\u00e3o e Identifica\u00e7\u00e3o de Desaparecidos (Plid). Lan\u00e7ada em 2010, no Rio, e em 2013, em S\u00e3o Paulo, a iniciativa j\u00e1 conseguiu identificar milhares de pessoas. &#8220;J\u00e1 perdemos a conta de quantas foram&#8221;, diz a promotora Eliana Vendramini, respons\u00e1vel pelo programa em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A identifica\u00e7\u00e3o foi poss\u00edvel, principalmente, por meio de mudan\u00e7as em pr\u00e1ticas da pol\u00edcia e de outros \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, instigadas pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o in\u00edcio do programa em S\u00e3o Paulo, por exemplo, foi impulsionada a comunica\u00e7\u00e3o entre o IML e a pol\u00edcia, para que pessoas n\u00e3o sejam enterradas como indigentes antes de uma consulta a bancos de dados de desaparecidos. Al\u00e9m disso, foram feitos acordos para alavancar o cumprimento da lei que torna obrigat\u00f3rio que hospitais comuniquem \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a sobre pacientes n\u00e3o identificados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;\u00c9 preciso mudar toda uma cultura das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas em rela\u00e7\u00e3o ao desaparecimento. O pa\u00eds passou por isso na \u00e9poca da ditadura e ent\u00e3o silenciou, como se isso n\u00e3o ocorresse mais&#8221;, diz a promotora Eliana Vendramini.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sugest\u00e3o do Conselho Nacional do Minist\u00e9rio P\u00fablico \u00e9 que os Estados iniciem o trabalho pela identifica\u00e7\u00e3o de pessoas desaparecidas e j\u00e1 em \u00f3bito &#8211; casos como o de Robson, mencionado no in\u00edcio da reportagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O problema \u00e9 gigante e n\u00e3o d\u00e1 para resolver rapidamente. Mas \u00e9 poss\u00edvel melhorar. Em v\u00e1rios pa\u00edses do mundo, n\u00e3o h\u00e1 recursos e capacidade. No Brasil, n\u00e3o \u00e9 o caso. A capacidade est\u00e1 aqui, os recursos tamb\u00e9m, mesmo que n\u00e3o sejam tantos&#8221;, conclui Marianne, do Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Brasil tem banco de DNA, mas fam\u00edlias n\u00e3o s\u00e3o encaminhadas para coleta<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um exemplo de como o Brasil tem tecnologia e capacidade t\u00e9cnica para lidar com o problema dos desaparecidos \u00e9 o banco de DNA &#8211; seu nome completo \u00e9 Rede Integrada de Bancos de Perfis Gen\u00e9ticos. Gerida pelo Minist\u00e9rio da Seguran\u00e7a P\u00fablica, a rede armazena perfis gen\u00e9ticos de interesse da Justi\u00e7a, obtidos em laborat\u00f3rios oficiais de per\u00edcia, j\u00e1 presentes em 17 Estados e no Distrito Federal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de investigar crimes, a rede tem entre suas tarefas ajudar a identificar pessoas desaparecidas. Como funciona? &#8220;O exame de DNA \u00e9 comparativo. Eu n\u00e3o consigo dar a identidade da pessoa sem comparar com alguma coisa. Se tenho uma pessoa com Alzheimer, uma crian\u00e7a, ou um resto mortal n\u00e3o identificado, tenho que comparar o material gen\u00e9tico com o de uma fam\u00edlia, por exemplo&#8221;, explica a perita da Pol\u00edcia Federal Aline Costa Minervino, coordenadora do comit\u00ea gestor da rede.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O banco de dados da rede est\u00e1 dispon\u00edvel para as fam\u00edlias de desaparecidos inserirem seus perfis gen\u00e9ticos. A inclus\u00e3o \u00e9 volunt\u00e1ria e o material gen\u00e9tico \u00e9 usado somente para fins de identifica\u00e7\u00e3o de desaparecidos. Os \u00f3rg\u00e3os estaduais tamb\u00e9m podem enviar para o banco perfis gen\u00e9ticos de corpos n\u00e3o identificados ou restos mortais. Todos os dias, o software roda os dados e v\u00ea se h\u00e1 alguma coincid\u00eancia gen\u00e9tica entre os materiais de qualquer lugar do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 agora, o banco \u00e9 pequeno. No caso de desaparecidos, tem 1,2 mil perfis gen\u00e9ticos de familiares e 1,5 mil de restos mortais n\u00e3o identificados. Com esse material, foi poss\u00edvel identificar 29 pessoas desaparecidas. Conforme o banco cres\u00e7a, o n\u00famero de coincid\u00eancias tamb\u00e9m deve subir.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/287B\/production\/_103236301_p1080183.jpg\" alt=\"Leonardo da Cruz, pai de Robson, sentado em sua cama, ao lado de sete tipos diferentes de cartazes que colou pela Grande S\u00e3o Paulo em busca do filho\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Leonardo da Cruz, pai de Robson, ao lado de sete tipos diferentes de cartazes que colou pela Grande S\u00e3o Paulo em busca do filho<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para aumentar o uso do banco de DNA na busca de desaparecidos, foi criado em julho deste ano um grupo de trabalho entre os minist\u00e9rios dos Direitos Humanos e Seguran\u00e7a P\u00fablica e peritos da Pol\u00edcia Federal. Um dos objetivos \u00e9 fomentar a ida &#8220;das fam\u00edlias at\u00e9 a seguran\u00e7a p\u00fablica para que seja feita a coleta volunt\u00e1ria do material gen\u00e9tico&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ser\u00e1 que as fam\u00edlias n\u00e3o conhecem ou as institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o orientando?&#8221;, questiona a perita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a fam\u00edlia de Robson, a resposta \u00e9 n\u00e3o. N\u00e3o sabia da exist\u00eancia do banco, nem o IML coletou o perfil gen\u00e9tico do corpo do filho. &#8220;Voc\u00ea pode ter a melhor tecnologia do mundo, mas n\u00e3o vai adiantar se n\u00e3o conseguir juntar as pontas&#8221;, comenta Marianne, da Cruz Vermelha Internacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo assim, Leonardo, o pai, diz que &#8220;o cora\u00e7\u00e3o tranquilizou&#8221;. &#8220;Pelo menos colocou um ponto final. Tantas outras fam\u00edlias continuam buscando os filhos, algumas h\u00e1 cinco, dez, quinze anos&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na manh\u00e3 da \u00faltima quinta-feira (por coincid\u00eancia, o Dia Internacional dos Desaparecidos), este senhor de quase 70 anos fez um pequeno p\u00e9riplo em nome do filho. Saiu de trem da Grande S\u00e3o Paulo para a capital, onde foi recebido no IML, em seguida direcionado a um cart\u00f3rio, compareceu ao Minist\u00e9rio P\u00fablico e descobriu que precisaria se dirigir \u00e0 Defensoria P\u00fablica na semana seguinte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua peregrina\u00e7\u00e3o s\u00f3 acaba de verdade quando o &#8220;desconhecido&#8221; da certid\u00e3o de \u00f3bito do filho for substitu\u00eddo pelo nome Robson Roberto da Cruz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>* As fotografias de Marizilda Cruppe publicadas nessa reportagem fazem parte da exposi\u00e7\u00e3o A Falta que Voc\u00ea Faz, organizada pelo Comit\u00ea Internacional da Cruz Vermelha (CICV) no Museu da Imagem e do Som, em S\u00e3o Paulo. A abertura \u00e9 em 11 de setembro. A visita\u00e7\u00e3o ocorre de 12 a 30 de setembro.<\/i><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Robson, eu estava procurando voc\u00ea&#8221;, sussurrou Leonardo da Cruz quando chegou \u00e0 cova do filho, enterrado como indigente no cemit\u00e9rio de Perus, extremo da zona Norte de S\u00e3o Paulo. O local da sepultura mais lembra um terreno abandonado, com mato alto, sem l\u00e1pides, sem lembran\u00e7as.<\/p>\n<p>J\u00e1 fazia um ano e nove meses que Leonardo e a m\u00e3e de Robson pro<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":256396,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[6,10],"tags":[],"class_list":["post-256395","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-municipios","category-politica"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/casal-velho.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/256395","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=256395"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/256395\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/256396"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=256395"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=256395"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=256395"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}