{"id":256484,"date":"2018-09-08T09:47:09","date_gmt":"2018-09-08T12:47:09","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=256484"},"modified":"2018-09-08T09:47:09","modified_gmt":"2018-09-08T12:47:09","slug":"a-condenacao-a-morte-dos-pacientes-de-aids-na-venezuela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-condenacao-a-morte-dos-pacientes-de-aids-na-venezuela\/","title":{"rendered":"A condena\u00e7\u00e3o \u00e0 morte dos pacientes de Aids na Venezuela"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>Estima-se que 150.000 venezuelanos tenham HIV. A falta de antirretrovirais, somada \u00e0 grave crise do pa\u00eds, for\u00e7a os doentes a emigrar<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2018\/09\/06\/america\/1536258399_684413_1536274974_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2018\/09\/06\/america\/1536258399_684413_1536274974_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2018\/09\/06\/america\/1536258399_684413_1536274974_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2018\/09\/06\/america\/1536258399_684413_1536274974_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Um paciente \u00e9 atendido em uma cl\u00ednica venezuelana.\" width=\"980\" height=\"553\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Um paciente \u00e9 atendido em uma cl\u00ednica venezuelana.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">AFP<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Florantonia Singer\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/florantonia_singer\/a\/\">FLORANTONIA SINGER<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div class=\"articulo-datos\">Em dezembro de 2017, Leonard Delgado recebeu o diagn\u00f3stico de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/sida\">HIV positivo<\/a>\u00a0e a receita dos antirretrovirais que deve tomar em meio \u00e0 pior crise de abastecimento desses medicamentos na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/venezuela\/a\">Venezuela.<\/a>\u00a0Com o resultado, tamb\u00e9m lhe deram uma indica\u00e7\u00e3o t\u00e1cita de que devia sair do pa\u00eds para sobreviver. Dois meses depois de iniciar seu tratamento, o medicamento que deve tomar pelo resto da vida acabou. Neste m\u00eas, emigrar\u00e1 para o M\u00e9xico para poder tratar sua doen\u00e7a. Entrou em contato com uma ONG na cidade mexicana de Quer\u00e9tero por meio da qual poder\u00e1 obter os rem\u00e9dios e realizar de forma gratuita os exames de CD4 e de carga viral. Esses exames devem ser feitos a cada seis meses para medir a resist\u00eancia do v\u00edrus no sangue, mas h\u00e1 dois anos deixaram de ser oferecidos pelo sistema p\u00fablico venezuelano.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CP6wgYK4q90CFVGQhwodPNAB6Q\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/internacional\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/internacional\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/internacional\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-load-complete=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFicar na Venezuela \u00e9 morrer de Aids. Eu n\u00e3o queria ir embora porque aqui tenho trabalho, ainda ganho bem, gosto do meu pa\u00eds, mas agora s\u00f3 penso em minha sa\u00fade, e por isso vou. Tenho um amigo que foi em mar\u00e7o e j\u00e1 tem tratamento, e sei de outros que foram para o Peru e o Chile e l\u00e1 est\u00e3o melhor\u201d, conta esse homem de 31 anos na recep\u00e7\u00e3o do Servi\u00e7o de Infectologia do Hospital Geral do Oeste (HGO), um edif\u00edcio de aspecto abandonado no qual se acumulam camas velhas e equipamentos quebrados e onde 1.500 pacientes t\u00eam consulta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A grave\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/agr\/el_exodo_venezolano\">crise humanit\u00e1ria que se vive na Venezuela impulsionou um enorme \u00eaxodo<\/a>\u00a0que as Na\u00e7\u00f5es Unidas j\u00e1 compararam com aquele que a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/guerra_civil_siria\">guerra na S\u00edria<\/a>empurra para o Mediterr\u00e2neo. Segundo dados da ONU, 2,3 milh\u00f5es de venezuelanos fugiram do pa\u00eds desde 2014, dirigindo-se principalmente para Col\u00f4mbia, Equador, Peru e Brasil. A grave situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e o desabastecimento de alimentos e de rem\u00e9dios, que no caso dos antirretrovirais chegou a ser total em abril, expulsa os venezuelanos para outros pa\u00edses, embora o Governo de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/nicolas_maduro\/a\">Nicol\u00e1s Madur<\/a>o insista em negar a situa\u00e7\u00e3o e o pr\u00f3prio presidente tenha dito que aqueles que emigram v\u00e3o embora enganados pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Retorno aos anos oitenta<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Carlos P\u00e9rez P\u00e9rez, chefe do Servi\u00e7o de Infectologia do HGO, assinala que o pa\u00eds atravessa a pior crise na \u00e1rea e em particular nesta patologia. O m\u00e9dico administra um grupo de WhatsApp com seus pacientes no qual mensagens angustiadas s\u00e3o frequentes. Todo dia h\u00e1 quem pe\u00e7a um medicamento ou a receita de um preparado \u00e0 base de guasimo (\u00e1rvore tamb\u00e9m conhecida como mutamba), usado por m\u00e9dicos no Brasil para fortalecer o sistema imunol\u00f3gico desses pacientes \u2212 um recurso ao qual recorreu o especialista como tratamento complementar. A situa\u00e7\u00e3o faz os pacientes voltarem aos anos oitenta \u2212 quando come\u00e7ou a epidemia, os antirretrovirais n\u00e3o faziam parte do protocolo contra a Aids e os pacientes tratavam a doen\u00e7a com rem\u00e9dios caseiros.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2018\/09\/06\/america\/1536258399_684413_1536275067_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2018\/09\/06\/america\/1536258399_684413_1536275067_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2018\/09\/06\/america\/1536258399_684413_1536275067_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2018\/09\/06\/america\/1536258399_684413_1536275067_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Corredor de um centro hospitalar venezuelano.\" width=\"980\" height=\"658\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Corredor de um centro hospitalar venezuelano.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">AFP<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA cada semana morrem dois pacientes meus. Est\u00e3o chegando j\u00e1 na fase de Aids e esses casos de rec\u00e9m diagnosticados est\u00e3o muito imunossuprimidos. Isso levou a um aumento significativo das mortes por HIV. Nos \u00faltimos meses, temos tratado a crise discriminando os pacientes que est\u00e3o melhor, distribuindo doses para uma semana de tratamento, usando os medicamentos deixados pelos pacientes que morrem ou receitando o esquema incompleto, embora tenhamos consci\u00eancia de que isso favorece a apari\u00e7\u00e3o de um HIV resistente. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grave que eu recomendei que os pacientes emigrem ou, se tiverem a possibilidade de que lhes tragam medicamentos do exterior, que fa\u00e7am isso, mas isso \u00e9 algo insustent\u00e1vel para muitas fam\u00edlias\u201d, diz P\u00e9rez, que h\u00e1 20 anos trata pacientes com HIV.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luis Meneses emigrou h\u00e1 sete meses para a Col\u00f4mbia. \u00c9 ativista pelos direitos da comunidade LGBTI e h\u00e1 dois meses trabalha com sua funda\u00e7\u00e3o, a Fuvadis, para apoiar aos venezuelanos com HIV que emigraram para a Col\u00f4mbia, onde \u00e9 dif\u00edcil ingressar no sistema de sa\u00fade. Em dois meses ele registrou 35 soropositivos em Barranquilla, onde est\u00e1 instalado. Meneses os ajuda a entrar no sistema de sa\u00fade colombiano e lhes consegue doa\u00e7\u00f5es de rem\u00e9dios e suplementos alimentares. Seu plano \u00e9 criar uma base de dados que inclua tamb\u00e9m os demais Estados colombianos. Em pouco tempo, ele j\u00e1 registrou mortes: \u201cNesta semana, infelizmente, morreu um dos pacientes que estavam em nosso registro. Ficou quatro meses sem antirretrovirais na Venezuela e aqui ainda n\u00e3o t\u00ednhamos conseguido nenhum para ele. Tenho o relat\u00f3rio de outros quatro casos de venezuelanos com HIV falecidos em agosto na Col\u00f4mbia\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No consult\u00f3rio de P\u00e9rez n\u00e3o h\u00e1 diplomas pendurados. Um cartaz escrito \u00e0 m\u00e3o mostra sua maior preocupa\u00e7\u00e3o: \u201cSem medicamentos para o HIV, todos os meus pacientes est\u00e3o condenados \u00e0 morte\u201d, indica o letreiro colado atr\u00e1s de sua mesa. A falta de reagentes para testes de triagem e controle faz com que ele s\u00f3 possa atender o paciente com base em suposi\u00e7\u00f5es. Os diagn\u00f3sticos est\u00e3o sendo feitos muito tarde, quando o paciente j\u00e1 precisa dar entrada no atendimento de emerg\u00eancia, acrescenta P\u00e9rez. Tratar outras doen\u00e7as nesses pacientes, como tuberculose, infec\u00e7\u00e3o por citomegalov\u00edrus e pneumonia, tamb\u00e9m \u00e9 uma tarefa dif\u00edcil em hospitais praticamente inoperantes. \u201cE cada vez ficamos menos infectologistas no pa\u00eds\u201d, assinala.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>Um ano sem comprar medicamentos<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Calcula-se que haja 150.000 pacientes com HIV na Venezuela, dos quais s\u00f3 73.000 est\u00e3o inscritos para receber tratamento por meio do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Esta \u00faltima cifra baixou 10.000 em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado, por conta dos falecidos e das pessoas que emigraram, afirma Eduardo Franco, secret\u00e1rio-geral da Rede Gente Positiva, que re\u00fane pessoas com a doen\u00e7a. Trata-se de uma estimativa feita \u00e0s cegas porque faz anos que o Governo n\u00e3o publica informa\u00e7\u00f5es epidemiol\u00f3gicas e, neste 2018, a pasta da Sa\u00fade eliminou seu portal na Internet.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTemos mais de seis meses com uma escassez total, o Governo n\u00e3o comprou nada e tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 not\u00edcias de que v\u00e1 comprar. Muitos pacientes com HIV e com outras patologias cr\u00f4nicas foram embora para poder se salvar em pa\u00edses como M\u00e9xico, Brasil, Argentina, Chile e Peru, onde os sistemas de sa\u00fade t\u00eam maiores facilidades de acesso, mas essa carga causa problemas para esses Estados, essa \u00e9 parte da emerg\u00eancia migrat\u00f3ria que existe. Muitos outros morreram no caminho\u201d, diz Franco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A press\u00e3o das ONGs levou a Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade a enviar um lote de antirretrovirais que, somado a outras doa\u00e7\u00f5es, aliviou a situa\u00e7\u00e3o de alguns pacientes, mas n\u00e3o \u00e9 suficiente para todos. O Governo venezuelano completa neste m\u00eas um ano sem fazer as compras regulares de antirretrovirais para abastecer o Programa Nacional de HIV-Aids.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juntamente com as mortes de pacientes, que Franco calcula em 5.000 desde o in\u00edcio do ano, cresce tamb\u00e9m outra cifra, a dos novos infectados, que passam de 11.000 ao ano e podem aumentar ainda mais, alerta ele. \u201cTememos um aumento entre os jovens e tamb\u00e9m entre os idosos, porque n\u00e3o h\u00e1 campanhas de preven\u00e7\u00e3o e, em meio a esta crise, \u00e9 muito caro comprar camisinhas\u201d, acrescenta o ativista.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estima-se que 150.000 venezuelanos tenham HIV. 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