{"id":25718,"date":"2013-10-29T10:53:25","date_gmt":"2013-10-29T13:53:25","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=25718"},"modified":"2013-10-29T10:53:25","modified_gmt":"2013-10-29T13:53:25","slug":"juiza-se-irrita-com-advogado-e-depoe-no-lugar-da-testemunha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/juiza-se-irrita-com-advogado-e-depoe-no-lugar-da-testemunha\/","title":{"rendered":"Ju\u00edza se irrita com advogado e dep\u00f5e no lugar da testemunha"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-25722\" alt=\"justi\u00e7a cega\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/justi\u00e7a-cega-300x210.jpg\" width=\"300\" height=\"210\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era para ser uma audi\u00eancia como todas as outras. Primeiro, a acusa\u00e7\u00e3o interroga a testemunha. Depois, o advogado assume o papel de questionador. Os ju\u00edzes assistem, fazem anota\u00e7\u00f5es e, quem sabe, tiram d\u00favidas. Num tribunal em Lisboa, no entanto, a ordem se subverteu. A ju\u00edza-presidente, impaciente, resolveu assumir o papel da testemunha e responder ela mesma \u00e0s perguntas do advogado de defesa. E outro juiz, mais irritado, entendeu que o advogado j\u00e1 tinha falado demais e mandou que ele calasse a boca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00e1udio da sess\u00e3o de julgamento foi divulgado pela Ordem dos Advogados de Portugal\u00a0<em>(clique\u00a0<a href=\"http:\/\/www.oa.pt\/di\/judicial_5.mp3\" target=\"_blank\">aqui<\/a>para ouvir)<\/em>. Na grava\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel notar a postura tranquila e cooperativa da ju\u00edza enquanto a testemunha \u00e9 interrogada pela promotora e a impaci\u00eancia da magistrada quando chega a vez do advogado falar. N\u00e3o foi divulgado o nome de nenhum dos envolvidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo no in\u00edcio da grava\u00e7\u00e3o, a testemunha chamada a depor come\u00e7a a responder aos questionamentos da promotora. Trata-se de uma quadrilha que praticava roubos. A Promotoria gasta 15 minutos, mais ou menos, fazendo suas perguntas e ouvindo a vers\u00e3o da testemunha. Nesse tempo, a ju\u00edza-presidente do colegiado procura tirar d\u00favidas surgidas durante o depoimento e, em nenhum momento, interrompe a promotora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir do minuto 15:39 do \u00e1udio, quem assume o papel de questionador da testemunha \u00e9 o advogado. Logo na sua primeira pergunta, a ju\u00edza se irrita. \u201cPronto, mas isso j\u00e1 disse, j\u00e1 disse\u201d, reclama a magistrada, que pede para o defensor passar para a pr\u00f3xima pergunta. Na pr\u00f3xima, o advogado quer saber quais s\u00e3o as convic\u00e7\u00f5es da testemunha de que seu cliente participou do crime. Quem responde \u00e9 a ju\u00edza. \u201cN\u00e3o \u00e9 convic\u00e7\u00e3o. S\u00e3o elementos de prova\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">A tentativa do advogado de interrogar a testemunha n\u00e3o chega a durar 10 minutos. Depois de deixar claro a sua impaci\u00eancia e soltar frases do tipo \u201cj\u00e1 explicou\u201d diante dos questionamentos, a ju\u00edza resolve acelerar o andamento da audi\u00eancia. Ela assume o lugar da testemunha e come\u00e7a, sem pudor, a responder ela pr\u00f3pria \u00e0s perguntas da defesa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O defensor, ent\u00e3o, reclama que \u201cassim n\u00e3o d\u00e1\u201d. \u00c9 nessa hora que um dos ju\u00edzes que fazia parte do colegiado resolve interferir de maneira nada amistosa. \u201cTenha l\u00e1 um bocadinho de respeito pelo tribunal. Oh doutor, tenha respeito, cale-se um bocadinho\u201d, diz. O advogado argumenta que mandar algu\u00e9m calar a boca n\u00e3o \u00e9 apropriado numa sala de audi\u00eancia. A resposta vem do juiz: \u201cEnt\u00e3o fa\u00e7a sil\u00eancio\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir da\u00ed, as falas do advogado s\u00e3o pouco aud\u00edveis. Ele n\u00e3o levanta a voz, mas continua reclamando, o que deixa o juiz ainda mais irritado. \u201cQuantas vezes eu preciso dizer pro senhor fazer sil\u00eancio?\u201d, questiona, seguido de um: \u201cO senhor n\u00e3o vai me ensinar nada, j\u00e1 chega\u201d. O\u00a0<em>grand finale<\/em>do bate-boca fica a cargo do juiz, que, diante da reclama\u00e7\u00e3o do advogado de que nunca algu\u00e9m lhe mandou calar a boca em um tribunal, ensina: \u201cH\u00e1 sempre uma primeira vez\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ju\u00edza-presidente n\u00e3o interrompeu o julgamento depois do atrito. Para acalmar os \u00e2nimos do advogado, ela prometeu que, ao final da audi\u00eancia, deixaria que ele registrasse toda a sua insatisfa\u00e7\u00e3o na ata de julgamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Conjur<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era para ser uma audi\u00eancia como todas as outras. Primeiro, a acusa\u00e7\u00e3o interroga a testemunha. 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