{"id":257356,"date":"2018-09-15T10:32:44","date_gmt":"2018-09-15T13:32:44","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=257356"},"modified":"2018-09-15T10:32:44","modified_gmt":"2018-09-15T13:32:44","slug":"por-que-as-criancas-de-2-anos-fazem-birra-e-10-dicas-para-lidar-com-isso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/por-que-as-criancas-de-2-anos-fazem-birra-e-10-dicas-para-lidar-com-isso\/","title":{"rendered":"Por que as crian\u00e7as de 2 anos fazem birra &#8211; e 10 dicas para lidar com isso"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"byline\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"byline__name\">Paula Adamo Idoeta<\/span><\/div>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share-row\">\n<div class=\"share-tools--no-event-tag\">\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-twite\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/D798\/production\/_103229155_toddler3.jpg\" alt=\"Birra\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span>Por volta dos dois anos, pais se veem diante de uma crian\u00e7a cheia de vontades e pronta para abrir o berreiro ao ser contrariada<\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\" style=\"text-align: justify;\">Tem dias em que ele s\u00f3 aceita comer a comida se for no prato azul. Em outros, ele n\u00e3o quer comer. Da\u00ed ele pede para ver TV ou usar o iPad, mas bem na hora de dormir. E quando ouve &#8220;n\u00e3o&#8221; dos pais, come\u00e7a a bater e atirar os brinquedos longe, chora desesperadamente e se joga no ch\u00e3o. Depois, ele reluta em entrar no banho e, quando entra, reluta em sair.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Birras e situa\u00e7\u00f5es desse tipo se tornam rotina na vida de pais de\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.co.uk\/portuguese\/topics\/992e096e-28e6-412d-b6a1-652f78be63c7\">crian\u00e7as<\/a>\u00a0que se aproximam dos dois anos de idade, quando come\u00e7a a fase apelidada de &#8220;adolesc\u00eancia dos beb\u00eas&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E eis que esses pais, que estavam se acostumando a um beb\u00ea que aceitava quase tudo passivamente, se veem surpreendidos por uma crian\u00e7a cheia de vontades e pronta para abrir o berreiro ao ser contrariada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A boa not\u00edcia \u00e9 que isso n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 normal, mas uma parte crucial do desenvolvimento da crian\u00e7a. E o aprendizado que ela ter\u00e1 nessa idade ajudar\u00e1 a moldar a forma como ela lida com seus sentimentos na vida adulta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda boa not\u00edcia \u00e9 que h\u00e1 muitas formas inteligentes de lidar com esses comportamentos, desde que os pais se armem de estrat\u00e9gias e de (muita!) paci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A BBC News Brasil conversou com quatro especialistas em comportamento infantil para aprender a import\u00e2ncia dessa fase por volta dos 2 aos 4 anos no desenvolvimento e levantou dez dicas pr\u00e1ticas para guiar os pais em situa\u00e7\u00f5es do dia a dia.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">O que acontece por volta dos dois anos?<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;\u00c9 uma fase em que a crian\u00e7a faz descobertas incr\u00edveis e ganha uma enorme capacidade de intera\u00e7\u00e3o, mas as \u00e1reas de autorregula\u00e7\u00e3o do seu c\u00e9rebro ainda n\u00e3o se desenvolveram&#8221;, explica Ross Thompson, professor do Departamento de Psicologia da Universidade da Calif\u00f3rnia em Davis e presidente de conselho da organiza\u00e7\u00e3o Zero to Three, dedicada a essa faixa et\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O mais importante \u00e9 os pais entenderem que essa crian\u00e7a \u00e9 simplesmente incapaz de controlar suas emo\u00e7\u00f5es. Esse entendimento os ajudar\u00e1 a v\u00ea-la de modo mais construtivo, em vez de achar que ela est\u00e1 desafiando (sua autoridade). N\u00e3o adianta achar que ela est\u00e1 sendo malcriada e apenas dizer-lhe &#8216;acalme-se&#8217;, porque seu c\u00e9rebro ainda \u00e9 incapaz de seguir esse comando. Cabe ao adulto ajud\u00e1-la a colocar seus sentimentos em palavras e a gerenci\u00e1-los.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A crian\u00e7a come\u00e7a a perceber que n\u00e3o \u00e9 uma extens\u00e3o dos pais, mas sim uma pessoa com vontades. E a esses novos quereres soma-se uma frustra\u00e7\u00e3o intensa, acompanhada de choros e gritos&#8221;, diz a autora e educadora parental Elisama Santos.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/176F8\/production\/_103229959_toddler8.jpg\" alt=\"Crian\u00e7a comendo\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Crian\u00e7as nessa idade est\u00e3o morrendo de vontade de usar sua rec\u00e9m-descoberta autonomia<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa matura\u00e7\u00e3o do controle emocional no c\u00e9rebro perdura at\u00e9 os 20 e poucos anos, mas a fase mais cr\u00edtica dessa &#8220;adolesc\u00eancia dos beb\u00eas&#8221; costuma passar por volta dos 4 anos, quando as crian\u00e7as aumentam seu repert\u00f3rio para se expressar e entender o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 l\u00e1, &#8220;se os pais se deixam levar pela raiva e se tornam punitivos, as situa\u00e7\u00f5es tendem a sair do controle&#8221;, diz Claire Lerner, conselheira parental tamb\u00e9m da Zero to Three. &#8220;Se, em vez disso, eles agirem com calma, empatia e oferecerem estrat\u00e9gias para essa crian\u00e7a, ela aprender\u00e1 ferramentas para lidar com suas emo\u00e7\u00f5es &#8211; algo que a ajudar\u00e1 em toda a vida adulta.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">1. Quando a crian\u00e7a bate<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando contrariadas, muitas crian\u00e7as a partir de um ano e meio batem nos pais ou cuidadores. Incapazes de expressar sua frustra\u00e7\u00e3o em palavras ou de se acalmar por conta pr\u00f3pria, elas recorrem \u00e0s rea\u00e7\u00f5es f\u00edsicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como resposta, Lerner acha ineficaz o grito &#8220;pare j\u00e1 de bater, voc\u00ea est\u00e1 de castigo!&#8221; &#8211; a crian\u00e7a ficar\u00e1 mais nervosa e n\u00e3o saber\u00e1 o que fazer com seus sentimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lerner sugere explicar \u00e0 crian\u00e7a o que ela est\u00e1 sentindo e dar ferramentas para ela extravasar. &#8220;Sei que voc\u00ea est\u00e1 chateada, mas n\u00e3o comemos doce a esta hora do dia. Quando estiver triste, bata neste tambor em vez de bater nas pessoas. Ou morda este brinquedo em vez de morder a mam\u00e3e&#8221;, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Repetindo isso v\u00e1rias vezes, a tend\u00eancia \u00e9 que a crian\u00e7a comece a entender os pr\u00f3prios sentimentos e os recursos para administr\u00e1-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Quanto mais voc\u00ea validar o sentimento dela, menor ser\u00e1 a necessidade dela de reagir para demonstr\u00e1-lo&#8221;, explica Lerner.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/8978\/production\/_103229153_toddler2.jpg\" alt=\"Crian\u00e7a abra\u00e7ada \u00e0 m\u00e3e\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Um abra\u00e7o ajuda a acalmar em momentos de birra<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elisama Santos d\u00e1 dicas semelhantes: ensinar a crian\u00e7a a bater palmas ou rugir como um le\u00e3o quando precisar liberar a energia da raiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Tamb\u00e9m sugiro falar em tom de curiosidade: &#8216;Voc\u00ea viu que a sua m\u00e3ozinha me bateu? Voc\u00ea \u00e9 o chefe da m\u00e3ozinha, voc\u00ea que cuida dela&#8217;.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">2. Calma na hora da birra<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ataques de birra, sobretudo em lugares p\u00fablicos, s\u00e3o desconcertantes. Mas Lerner lembra que n\u00e3o somos capazes de controlar como nossos filhos v\u00e3o reagir. Somos, por\u00e9m, capazes de controlar nossa pr\u00f3pria rea\u00e7\u00e3o. E manter a calma e o tom de voz ajuda a n\u00e3o elevar a tens\u00e3o ainda mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Isso \u00e9 dif\u00edcil em uma cultura que culpa os pais quando as crian\u00e7as est\u00e3o fazendo birra&#8221;, diz ela. &#8220;(Mas) lembre-se de que seu filho n\u00e3o est\u00e1 propositadamente tentando humilh\u00e1-lo &#8211; ele simplesmente n\u00e3o consegue lidar com a situa\u00e7\u00e3o. Seu trabalho n\u00e3o \u00e9 puni-lo, e sim ter empatia, validar suas emo\u00e7\u00f5es, gui\u00e1-lo e manter a calma. Deixe as pessoas pensarem o que quiserem.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ajude a crian\u00e7a a expressar em palavras o que ela est\u00e1 sentindo (frustra\u00e7\u00e3o, raiva, irrita\u00e7\u00e3o) e ofere\u00e7a colo e abra\u00e7o &#8211; mesmo que ela evite, dizendo &#8216;a mam\u00e3e est\u00e1 aqui quando voc\u00ea quiser um abra\u00e7o'&#8221;, sugere Debora Corigliano, psicopedagoga e especialista em neuroci\u00eancia da educa\u00e7\u00e3o. &#8220;E permita que ela chore, garantindo que ela esteja em um espa\u00e7o seguro, caso ela esteja se debatendo.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mudar de ambiente, olhar para o c\u00e9u, dar uma volta e tirar o foco do motivo da birra muitas vezes ajuda a &#8220;desativar a bomba&#8221;. Mas vivenciar a tristeza decorrente das frustra\u00e7\u00f5es \u00e9 parte do (dif\u00edcil) processo de crescer. &#8220;O choro cura e \u00e9 uma ferramenta para se acalmar&#8221;, diz Santos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O professor Ross Thompson diz que diversos experimentos em laborat\u00f3rio j\u00e1 demonstraram a efic\u00e1cia de, passada a crise de choro, ter conversas construtivas com as crian\u00e7as. &#8220;\u00c9 dizer a ela: &#8216;Voc\u00ea ficou muito brava quando eu tirei o seu brinquedo e voc\u00ea me mordeu. Vamos pensar em outras formas de agir?&#8217;. Voc\u00ea est\u00e1 dando a ela informa\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/9210\/production\/_103229373_toddler5.jpg\" alt=\"Choro de crian\u00e7a\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Aprender a reconhecer os sentimentos e a lidar com a frustra\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo que come\u00e7a nessa idade<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">3. Os limites necess\u00e1rios<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Manter a calma n\u00e3o significa ceder aos desejos da crian\u00e7a, o que passaria a ela uma mensagem contraproducente: a de que &#8220;se eu fizer birra, conseguirei o que quiser&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Se eu ceder, n\u00e3o vou fortalecer o m\u00fasculo da resili\u00eancia nem ensinar a crian\u00e7a a lidar com a frustra\u00e7\u00e3o, algo essencial para a vida adulta&#8221;, diz Santos. &#8220;O caminho n\u00e3o \u00e9 ser permissivo, \u00e9 dizer &#8216;n\u00e3o&#8217; quando necess\u00e1rio e acolher a frustra\u00e7\u00e3o decorrente desse n\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Lerner, &#8220;as crian\u00e7as est\u00e3o testando seu poder e suas escolhas. Se o pai n\u00e3o mant\u00e9m o limite que definiu, o comportamento (de birra) continuar\u00e1. E \u00e9 preciso mesmo impor limites no tempo diante da TV ou tablets, ou em crian\u00e7as que batem, porque certas coisas n\u00e3o s\u00e3o negoci\u00e1veis. Se ela n\u00e3o quer botar o cinto de seguran\u00e7a, coloque-o, seja impass\u00edvel e siga adiante. Ela vai perceber aos poucos que, mesmo que n\u00e3o colabore, o cinto ser\u00e1 colocado de qualquer jeito&#8221;.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">4. N\u00e3o enxergar como manipula\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para crian\u00e7as t\u00e3o pequenas e em momentos de tens\u00e3o, adianta pouco perguntar &#8220;por que voc\u00ea bateu?&#8221; ou iniciar grandes discuss\u00f5es &#8211; elas s\u00e3o muito pequenas para entender, e a tend\u00eancia \u00e9 s\u00f3 aumentar a birra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;As crian\u00e7as s\u00e3o provocadoras, v\u00e3o dizer: &#8216;te odeio&#8217;, v\u00e3o te bater. Se enxergarmos isso como manipula\u00e7\u00e3o &#8211; quando s\u00e3o na verdade comportamentos t\u00edpicos dessa idade -, tenderemos de reagir de forma raivosa&#8221;, diz Lerner.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Em vez de entrar na briga, mantenha a calma, explique o que ela est\u00e1 sentindo e siga com a vida. A li\u00e7\u00e3o que voc\u00ea estar\u00e1 ensinando \u00e9 a de que n\u00e3o vai entrar em uma discuss\u00e3o destrutiva.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">5. Dar chances de a crian\u00e7a escolher<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para prevenir longas batalhas cotidianas e evitar que a crian\u00e7a tome controle da rotina familiar &#8211; nas refei\u00e7\u00f5es, na hora de se vestir, na hora de sair -, Lerner sugere dar escolhas (aceit\u00e1veis) \u00e0s crian\u00e7as, que est\u00e3o morrendo de vontade de exercer sua rec\u00e9m-descoberta autonomia.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/53F4\/production\/_103229412_toddler6.jpg\" alt=\"Birra\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Birras costumam exasperar os pais, sobretudo quando ocorrem em lugares p\u00fablicos<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A dica \u00e9 dar sempre duas escolhas \u00e0s crian\u00e7as e estabelecer limites. Por exemplo, no caso dos brinquedos espalhados pelo ch\u00e3o da casa: &#8216;Voc\u00ea tem duas \u00f3timas escolhas: guardar ou n\u00e3o os brinquedos. Se voc\u00ea guardar, \u00f3timo. Se n\u00e3o guardar, a mam\u00e3e ou o papai ter\u00e1 que gastar tempo fazendo isso, ent\u00e3o teremos um livro a menos para ler na hora de dormir&#8217;.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia \u00e9 dar consequ\u00eancias \u00e0s escolhas das crian\u00e7as, mas apropriadas \u00e0 situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">6. Em vez do &#8216;n\u00e3o&#8217;, o refor\u00e7o positivo<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Elisama Santos, as crian\u00e7as dessa idade dizem &#8220;n\u00e3o&#8221; para (quase) tudo porque est\u00e3o acostumada a ouvir muitos &#8220;n\u00e3os&#8221; dos pais &#8211; que, embora bem intencionados em proteger os filhos, podem usar uma estrat\u00e9gia mais eficiente: o refor\u00e7o positivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00e3o adianta falar que ela n\u00e3o deve p\u00f4r a m\u00e3o na tomada, porque o que ela vai fixar \u00e9 apenas a tomada. \u00c9 melhor falar &#8216;a m\u00e3ozinha vai no brinquedo&#8217;; &#8216;o desenho \u00e9 no papel'&#8221;, sugere Santos.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">7. Brincar mais &#8211; e escolher as batalhas<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Transformar atividades cotidianas em brincadeiras ajuda a aliviar tens\u00e3o nas tarefas chatas, diz a educadora parental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Se voc\u00ea usar uma voz de rob\u00f4 ou fizer cosquinhas para vestir ou escovar os dentes das crian\u00e7as, vai levar essa fase com mais leveza e facilidade&#8221;, diz Santos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E evite entrar em todas as (desgastantes) batalhas com as crian\u00e7as. &#8220;Se n\u00e3o interfere no funcionamento da fam\u00edlia e n\u00e3o machuca ningu\u00e9m, recomendo deixar para l\u00e1 &#8211; por exemplo, se o seu filho decide sair de casa com uma camiseta que n\u00e3o combina com a cal\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/F034\/production\/_103229416_toddler7.jpg\" alt=\"Birra\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Potenciais causadoras de birra, tarefas cotidianas ficam mais leves com a ajuda de brincadeiras<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">8. Planejar para prevenir birra<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Debora Corigliano sugere tamb\u00e9m identificar padr\u00f5es de comportamento para prevenir as crises: por exemplo, mudar o hor\u00e1rio do banho ou da refei\u00e7\u00e3o caso seja bem na hora em que a crian\u00e7a come\u00e7a a ter sono.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;E, se voc\u00ea sabe o que causou a birra do dia anterior, tamb\u00e9m pode tentar impedi-la hoje com conversas. &#8216;Lembra que ontem foi muito dif\u00edcil a hora do banho? Vamos tentar hoje sem chorar? A mam\u00e3e vai te ajudar&#8217;.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">9. O tapa &#8216;educativo&#8217; vai ajudar?<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os especialistas consultados pela BBC News Brasil acham que a palmada &#8211; seja para ensinar limites, seja para tirar a crian\u00e7a de situa\u00e7\u00f5es perigosas &#8211; n\u00e3o vai ajudar no processo educativo t\u00e3o crucial nessa etapa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Thompson, a viol\u00eancia tende a tornar as crian\u00e7as mais raivosas e desafiadoras e os pais, mais punitivos &#8211; em um ciclo vicioso. O mesmo vale para agress\u00f5es verbais. &#8220;A crian\u00e7a s\u00f3 vai achar que n\u00e3o \u00e9 amada o suficiente &#8211; e \u00e9 muito ruim passar essa fase da vida achando isso.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Se estou resolvendo uma situa\u00e7\u00e3o com uma agress\u00e3o f\u00edsica ou verbal, estou ensinando essa crian\u00e7a de dois anos a agir da mesma maneira&#8221;, agrega Corigliano. &#8220;Ela vai usar a mesma estrat\u00e9gia quando estiver em outro contexto (escolar ou familiar). \u00c9 muito melhor uma conversa firme, em que os pais deem uma raz\u00e3o simples e fundamentada para o &#8216;n\u00e3o&#8217; &#8211; &#8216;Agora \u00e9 hora de dormir, e n\u00e3o de tablet&#8217; -, com um vocabul\u00e1rio objetivo e adequado.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Elisama Santos, de fato as crian\u00e7as tendem a recuar diante de um tapa ou um grito. &#8220;Mas \u00e9 por medo, e n\u00e3o por ter aprendido a controlar o seu sentimento.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As chantagens &#8211; &#8220;se voc\u00ea parar eu te dou um doce&#8221; &#8211; t\u00eam o mesmo efeito adverso: &#8220;A crian\u00e7a vai fazer pelo doce, mas n\u00e3o vai aprender o valor do comportamento&#8221;, adverte Corigliano.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/4260\/production\/_103229961_toddler9.jpg\" alt=\"Crian\u00e7a batendo no tambor\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>&#8216;Quando estiver com raiva, bata no tambor&#8217; &#8211; uma forma de ensinar as crian\u00e7as maneiras de extravasar sua raiva<\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">10. Perdeu o controle? Tem salva\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s vezes os pr\u00f3prios pais se deixam levar pela situa\u00e7\u00e3o e, mesmo sem querer, se veem gritando ou perdendo a paci\u00eancia com os filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Pode ser um \u00f3timo momento para ensinar \u00e0s crian\u00e7as a assumir responsabilidade por suas a\u00e7\u00f5es&#8221;, diz Claire Lerner. Ela sugere dizer: &#8220;A mam\u00e3e\/o papai perdeu o controle, mas agora eu respirei fundo. Desculpe ter gritado, vamos come\u00e7ar tudo de novo e conversar sobre os brinquedos jogados no ch\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se a situa\u00e7\u00e3o permitir, d\u00e1 tamb\u00e9m para &#8220;fazer um intervalo&#8221;: &#8220;Dizer &#8216;a mam\u00e3e vai tirar um momento para pensar&#8217; \u00e9 uma sa\u00edda poss\u00edvel. Te d\u00e1 um momento para respirar e elaborar quais escolhas vai oferecer aos filhos&#8221;, diz a conselheira parental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E os pais podem se beneficiar de ter outro adulto por perto a quem possam recorrer quando estiverem prestes a perder a paci\u00eancia &#8211; e pedir a eles que assumam as r\u00e9deas da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, os especialistas lembram que as dicas dadas acima ter\u00e3o de ser repetidas algumas vezes at\u00e9 que sejam internalizadas por crian\u00e7as t\u00e3o pequenas. Ou seja, prepare a paci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;No come\u00e7o, leva tempo e esfor\u00e7o at\u00e9 que os pais consigam gerenciar suas pr\u00f3prias rea\u00e7\u00f5es (\u00e0 birra). Mas a recompensa \u00e9 enorme: vir\u00e1 na forma de mais autocontrole das crian\u00e7as, mais coopera\u00e7\u00e3o nas tarefas di\u00e1rias e ciclos de intera\u00e7\u00e3o mais positivos&#8221;, diz Lerner.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;\u00c9 sempre bom lembrar que as crises de birra s\u00e3o um pedido de socorro deslocado&#8221;, agrega Elisama Santos. &#8220;\u00c9 a crian\u00e7a dizendo &#8216;n\u00e3o sei lidar com isso sozinha&#8217;.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paula Adamo Idoeta Por volta dos dois anos, pais se veem diante de uma crian\u00e7a cheia de vontades e pronta para abrir o berreiro ao ser contrariada Tem dias em que ele s\u00f3 aceita comer a comida se for no prato azul. Em outros, ele n\u00e3o quer comer. 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