{"id":258197,"date":"2018-09-22T12:04:54","date_gmt":"2018-09-22T15:04:54","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=258197"},"modified":"2018-09-22T12:04:54","modified_gmt":"2018-09-22T15:04:54","slug":"medico-profissao-de-risco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/medico-profissao-de-risco\/","title":{"rendered":"M\u00e9dico, profiss\u00e3o de risco"},"content":{"rendered":"<div class=\"content-section\">\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><em>Pesquisa mostra que um em cada cinco profissionais de sa\u00fade j\u00e1 sofreu agress\u00e3o f\u00edsica e mais de 70% j\u00e1 passaram por algum epis\u00f3dio de viol\u00eancia. Demora no atendimento \u00e9 a principal raz\u00e3o para ataques contra m\u00e9dicos e enfermeiros<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"text_imagem\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" title=\"Profiss\u00e3o de risco\" src=\"https:\/\/cdn-istoe-ssl.akamaized.net\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2018\/09\/9-2-418x235.jpg\" alt=\"Profiss\u00e3o de risco\" \/><\/p>\n<p class=\"caption\"><strong>C\u00c2MERAS<\/strong>\u00a0Circuito interno de TV de pronto-socorro de Santos captou quando a enfermeira Maria L\u00facia Bortolucci foi esmurrada pela filhas de um paciente que j\u00e1 havia conseguido interna\u00e7\u00e3o. Profissional passou por cirurgia e agressoras foram detidas. Maioria dos profissionais da sa\u00fade agredidos \u00e9 mulher<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"content-section tags-com-imagem\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"author\">Andr\u00e9 Vargas<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"content-section content\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/cdn-istoe-ssl.akamaized.net\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2018\/09\/88.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-767886\" src=\"https:\/\/cdn-istoe-ssl.akamaized.net\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2018\/09\/88.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"1180\" \/><\/a>Cuidar da sa\u00fade dos outros \u00e9 uma atividade cada vez mais perigosa no Brasil. Filas imensas, demora no atendimento, falta de leitos, equipes reduzidas e, acima de tudo, um cotidiano de agress\u00f5es por parte de pacientes e familiares torna a vida de m\u00e9dicos, enfermeiros e farmac\u00eauticos insegura. Quase todos j\u00e1 presenciaram ofensas, palavr\u00f5es, amea\u00e7as, socos e pontap\u00e9s, principalmente entre quem atua na rede p\u00fablica. Uma pesquisa encomendada pelos conselhos regionais de medicina, enfermagem e de farm\u00e1cia de S\u00e3o Paulo com 6.832 profissionais da sa\u00fade apurou que 71,6% j\u00e1 passaram por pelo menos um epis\u00f3dio de viol\u00eancia. Um em cada cinco j\u00e1 sofreu agress\u00f5es f\u00edsicas. H\u00e1 registro de v\u00edtimas nocauteadas, assim como amea\u00e7as vindas de procurados pela Justi\u00e7a e, pior, at\u00e9 de agentes da lei. Como componente adicional, essas covardias costumam ocorrer contra mulheres. Entre o pessoal da enfermagem, 84% das v\u00edtimas s\u00e3o do sexo feminino, entre os m\u00e9dicos, 57%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse foi o drama enfrentado pela enfermeira Maria L\u00facia Bortolucci, em Santos (SP), e pela pediatra Lyse Soares, em Niter\u00f3i (RJ). Durante um plant\u00e3o no Pronto-Socorro da Zona Noroeste, em 10 de agosto, a enfermeira foi jogada no ch\u00e3o e espancada por duas mulheres enquanto tentava internar o pai de ambas. Ela precisar\u00e1 de uma cirurgia no maxilar. O caso foi parar na delegacia. Na madrugada de 2 de abril, Lyse foi agredida no Hospital Icaray, depois que um casal exigiu, sem sucesso, a interna\u00e7\u00e3o do filho, que estava s\u00f3 em estado febril. A pediatra foi agarrada pelos cabelos e estapeada pelos pais. O caso ganhou repercuss\u00e3o e os agressores, um advogado e uma fisioterapeuta, perderam seus empregos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os homens tamb\u00e9m s\u00e3o v\u00edtimas. Em 3 de janeiro, no Hospital das Cl\u00ednicas de Ribeir\u00e3o Preto (SP), o obstetra Conrado Ragazini foi nocauteado sem aviso pelo marido de uma paciente. Ele sofreu fraturas nos ossos da face e ficou afastado por um m\u00eas. Dois dias antes, o obstetra havia feito o parto do filho do agressor. Como o beb\u00ea precisou ser encaminhado para uma UTI neonatal, o pai culpou o m\u00e9dico. J\u00e1 o enfermeiro Wagner Batista passou a sofrer de s\u00edndrome de \u201cburnout\u201d ap\u00f3s ser amea\u00e7ado de morte por um foragido da Justi\u00e7a. O caso ocorreu em mar\u00e7o, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) S\u00e3o Jo\u00e3o Lavras, um das mais movimentadas de Guarulhos, Grande S\u00e3o Paulo, e terminou com sua demiss\u00e3o. Batista havia optado por manter um paciente alcoolizado no ambulat\u00f3rio, dando lugar para quem necessitasse de interna\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s seis horas, o paciente e seu filho tentaram esmurr\u00e1-lo e o amea\u00e7aram. A pol\u00edcia foi chamada e descobriu-se que o filho era procurado. Dias depois, pessoas estranhas passaram a amea\u00e7\u00e1-lo na unidade. O enfermeiro come\u00e7ou a sofrer de ansiedade, cansa\u00e7o cr\u00f4nico e press\u00e3o alta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMe recusei a passar dados sigilosos e o PM quis me prender. Tinha uma paciente com hemorragia na sala. \u2018Que morra\u2019, ele gritou\u201d\u00a0Edwiges Dias da Rosa, 61 anos, cirurgi\u00e3 agredida por policiais no ABC Paulista<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sucateamento da sa\u00fade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A principal causa das agress\u00f5es estaria no sucateamento do sistema de sa\u00fade p\u00fablica, acredita o otorrinolaringologista Florisval Mein\u00e3o, diretor da Associa\u00e7\u00e3o Paulista de Medicina (APM). Para ele, n\u00e3o d\u00e1 para culpar diretamente os pacientes, que est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de grande vulnerabilidade. \u201cPor\u00e9m, h\u00e1 limites\u201d, diz. A presidente do Conselho Regional de Enfermagem de S\u00e3o Paulo (Coren-SP) Renata Pietro vai na mesma linha. \u201cDescontam em quem est\u00e1 na linha de frente para ajudar\u201d, diz. A solu\u00e7\u00e3o seria aumentar a seguran\u00e7a nas unidades, para amenizar o problema a curto prazo, e aplicar mais recursos na Sa\u00fade, j\u00e1 que a maior causa de conflitos (33%) est\u00e1 na demora de atendimento.<\/p>\n<div class=\"clearfix\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div id=\"admateria3\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"COmHo8jwzt0CFRBPhgodvIEB9A\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/22452847\/ISTOE_Internas\/medicina-bem-estar_13__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<figure id=\"attachment_767410\" class=\"wp-caption alignright\" style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/cdn-istoe-ssl.akamaized.net\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2018\/09\/10-2.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-news_small_vertical wp-image-767410\" src=\"https:\/\/cdn-istoe-ssl.akamaized.net\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2018\/09\/10-2-418x235.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 418px) 100vw, 418px\" srcset=\"https:\/\/cdn-istoe-ssl.akamaized.net\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2018\/09\/10-2-418x235.jpg 418w, https:\/\/cdn-istoe-ssl.akamaized.net\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2018\/09\/10-2-102x57.jpg 102w, https:\/\/cdn-istoe-ssl.akamaized.net\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2018\/09\/10-2-576x324.jpg 576w, https:\/\/cdn-istoe-ssl.akamaized.net\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2018\/09\/10-2-768x432.jpg 768w, https:\/\/cdn-istoe-ssl.akamaized.net\/wp-content\/uploads\/sites\/14\/2018\/09\/10-2.jpg 1024w\" alt=\"\" width=\"418\" height=\"235\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\"><strong>TRUCUL\u00caNCIA<\/strong>\u00a0PMs deixaram hematomas em bra\u00e7o de m\u00e9dica<br \/>\ne tentaram det\u00ea-la por desobedi\u00eancia (Cr\u00e9dito:Gabriel Reis)<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">A proposta para endurecer a puni\u00e7\u00e3o a quem abusar de profissionais de sa\u00fade tem tudo para dar em nada. \u201cQuem agride n\u00e3o est\u00e1 pensando\u201d, diz Mein\u00e3o. Sem contar que boa parte dos agredidos (80%) opta por n\u00e3o prestar queixa. E quando as autoridades s\u00e3o acionadas, de pouco adianta. H\u00e1 dois anos a m\u00e9dica cl\u00ednica K.V.G. foi assaltada dentro do consult\u00f3rio, em um posto de sa\u00fade no Cap\u00e3o Redondo, periferia de S\u00e3o Paulo. Um homem armado entrou com um paciente e levou seu celular. \u201cNunca mais voltei\u201d. Ela deixou a rede p\u00fablica e hoje s\u00f3 atua para conv\u00eanios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pior \u00e9 quando o profissional \u00e9 v\u00edtima de quem deveria proteg\u00ea-lo. Durante um plant\u00e3o noturno, em 29 de julho, na UPA Baeta Neves, em S\u00e3o Bernardo do Campo (ABC-SP), a cirurgi\u00e3 g\u00e1strica Edwiges Dias da Rosa, de 61 anos, ganhou hematomas nos bra\u00e7os ao ser segura com for\u00e7a por policiais militares. Tudo come\u00e7ou quando um PM exigiu a c\u00f3pia do prontu\u00e1rio de uma v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica. A cirurgi\u00e3 informou que isso s\u00f3 seria poss\u00edvel mediante um pedido formal de delegado, j\u00e1 que os dados s\u00e3o sigilosos \u2013 algo usual. PMs tentaram det\u00ea-la por desobedi\u00eancia e o atendimento de uma idosa com foi comprometido. \u201cNunca vi tanta trucul\u00eancia\u201d, conta. O caso est\u00e1 na Corregedoria da PM. \u00c9 mais uma amostra de que a medicina \u00e9 uma profiss\u00e3o de alto risco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: ISTO\u00c9<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa mostra que um em cada cinco profissionais de sa\u00fade j\u00e1 sofreu agress\u00e3o f\u00edsica e mais de 70% j\u00e1 passaram por algum epis\u00f3dio de viol\u00eancia. 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