{"id":258447,"date":"2018-09-24T10:20:01","date_gmt":"2018-09-24T13:20:01","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=258447"},"modified":"2018-09-24T10:20:01","modified_gmt":"2018-09-24T13:20:01","slug":"madeleine-albright-o-patriotismo-e-uma-coisa-e-bom-mas-o-nacionalismo-radical-e-muito-perigoso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/madeleine-albright-o-patriotismo-e-uma-coisa-e-bom-mas-o-nacionalismo-radical-e-muito-perigoso\/","title":{"rendered":"Madeleine Albright: \u201cO patriotismo \u00e9 uma coisa, \u00e9 bom, mas o nacionalismo radical \u00e9 muito perigoso\u201d"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<\/div>\n<div class=\"firma firma--vertical\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Amanda Mars\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/amanda_mars\/a\/\">Amanda Mars<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<figure class=\"foto centro foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/09\/20\/eps\/1537435497_152676_1537435588_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/09\/20\/eps\/1537435497_152676_1537435588_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/09\/20\/eps\/1537435497_152676_1537435588_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/09\/20\/eps\/1537435497_152676_1537435588_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Madeleina Albright.\" width=\"980\" height=\"516\" \/><\/p>\n<div class=\"seedtag-gohan seedtag-adunit\">\n<div class=\"st-container\"><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Madeleina Albright.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">GREG KAHN<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<div id=\"articulo-introduccion\" class=\"articulo-introduccion\">\n<p>Nascida em Praga em 1937 e educada nos Estados Unidos, Marie Jana Korbelov\u00e1\u00a0\u2014 Madeleine Albright\u00a0\u2014 foi a primeira mulher secret\u00e1ria de Estado do pa\u00eds mais poderoso do mundo, sob a presid\u00eancia de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/bill_clinton\">Bill Clinton<\/a>. Sua fam\u00edlia conheceu de perto a amea\u00e7a totalit\u00e1ria do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/09\/13\/politica\/1536853605_958656.html\">nazismo<\/a>\u00a0e do comunismo. Hoje nos recebe para falar de tudo isso e de sua vis\u00e3o de mundo.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">MADELEINE ALBRIGHT sentiu o totalitarismo de perto. Fugiu dele duas vezes e o viu frente a frente em mais de uma ocasi\u00e3o. Foi embaixadora nas\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/06\/19\/internacional\/1529411692_895391.html\">Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/a>, a primeira mulher a dirigir a diplomacia norte-americana (1997-2001, durante a administra\u00e7\u00e3o de Bill Clinton) e o primeiro membro do alto escal\u00e3o do Governo dos EUA a visitar a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/09\/19\/internacional\/1537327153_312729.html\">Coreia do Norte<\/a>\u00a0para tentar abrir uma negocia\u00e7\u00e3o. No livro\u00a0<em>Fascism: A Warning<\/em>\u00a0(&#8220;Fascismo: Uma Advert\u00eancia&#8221;) aborda um conceito fugidio, frequentemente banalizado, do qual hoje v\u00ea lampejos preocupantes.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CICe4vLc090CFc1mwQodc3EC-A\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/eps\/intext_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Albright est\u00e1 nesse per\u00edodo da vida em que a pessoa utiliza palavras fortes com uma tranquilidade que desarma, como quando diz que\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/09\/21\/internacional\/1537506790_712177.html\">Donald Trump<\/a>\u00a0\u00e9 o presidente mais antidemocr\u00e1tico da hist\u00f3ria moderna. E quando afirma, em uma frase j\u00e1 famosa, que h\u00e1 um lugar especial no inferno reservado \u00e0s mulheres que n\u00e3o apoiam outras mulheres. Disse isso em um ato da campanha eleitoral de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/07\/13\/internacional\/1531498048_703365.html\">Hillary Clinton<\/a>\u00a0e recebeu uma enxurrada de cr\u00edticas. \u201cFoi mal interpretado como se fosse preciso votar em outra mulher porque sim. Mas eu n\u00e3o teria votado em Sarah Palin nem que fosse a \u00faltima pessoa sobre a terra\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acha que se presta pouca aten\u00e7\u00e3o ao sexismo das mulheres?<\/strong>\u00a0Eu frequentemente vi como as mulheres n\u00e3o se ajudam entre elas. Fui m\u00e3e de g\u00eameos e, depois disso, voltei a estudar, e quem mais me dificultava o caminho eram mulheres, que me perguntavam por que n\u00e3o estava com meus filhos. Uma parte disso tem a ver com ci\u00fames, outra \u00e9 uma proje\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria fraqueza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua voz soa limpa e forte em seu escrit\u00f3rio da Albright Stonebridge Group, uma empresa de estrat\u00e9gia empresarial com sede em Washington, a tr\u00eas quarteir\u00f5es da Casa Branca. No palet\u00f3 do terno azul exibe um de seus broches caracter\u00edsticos. Em uma das paredes repousa emoldurada uma c\u00f3pia do registro de entrada nos Estados Unidos de v\u00e1rias pessoas correspondente a 11 de novembro de 1948. Entre os nomes est\u00e1 o de Marie Jana Korbelov\u00e1, uma garota de 11 anos que nasceu em Praga cuja fam\u00edlia pedira asilo pol\u00edtico nos Estados Unidos, fugindo do comunismo. Antes havia escapado do regime nazista. \u00c9 Madeleine Albright, uma das mulheres mais poderosas do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que \u00e9 o fascismo?<\/strong>\u00a0Um fascista se identifica como membro de um grupo tribal e diz que esse grupo encarna uma na\u00e7\u00e3o. Um l\u00edder assim faz tudo o que for poss\u00edvel para dividir a popula\u00e7\u00e3o em vez de uni-la. E o que separa um fascista de um ditador \u00e9 o uso da viol\u00eancia com a finalidade de conseguir e manter o que quer. O modo mais f\u00e1cil de defini-lo \u00e9 com um valent\u00e3o com ex\u00e9rcito.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_3\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/09\/20\/eps\/1537435497_152676_1537435899_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/09\/20\/eps\/1537435497_152676_1537435899_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/09\/20\/eps\/1537435497_152676_1537435899_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/09\/20\/eps\/1537435497_152676_1537435899_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Madeleine Albright e Bill Clinton, durante a reuni\u00e3o de Sharm el-Sheikh (Egito) de 2000 sobre a situa\u00e7\u00e3o em Israel e na Palestina.\" width=\"980\" height=\"553\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Madeleine Albright e Bill Clinton, durante a reuni\u00e3o de Sharm el-Sheikh (Egito) de 2000 sobre a situa\u00e7\u00e3o em Israel e na Palestina.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">J\u00c9R\u00d4ME DELAY (AP)<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Alguns desses elementos soam familiares. Lembram certas pol\u00edticas na Europa e nos EUA, mas acha que a volta do fascismo \u00e9 um risco real em democracias consolidadas?<\/strong>\u00a0O livro se chama\u00a0<em>Fascismo: Uma Advert\u00eancia<\/em>, e h\u00e1 quem o veja como alarmista. Mas foi feito sob medida, porque se come\u00e7amos a pensar que dividir as sociedades \u00e9 normal e que \u00e9 uma forma de solucionar problemas, corremos um grave perigo. Um l\u00edder de tend\u00eancias fascistas provavelmente manter\u00e1 as divis\u00f5es e encontrar\u00e1 algum grupo como bode expiat\u00f3rio. Agora, na Europa e nos Estados Unidos esses s\u00e3o os refugiados e os imigrantes. A melhor cita\u00e7\u00e3o do livro \u00e9 de Mussolini, que disse: \u201cSe voc\u00ea depenar um frango pena por pena, ningu\u00e9m percebe\u201d. E acho que atualmente muitas penas est\u00e3o sendo arrancadas em muitos lugares.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/04\/08\/internacional\/1523206947_149001.html\">Na Hungria, [Viktor] Orb\u00e1n<\/a>\u00a0acha que est\u00e1 fazendo bem-feito e n\u00e3o quer saber das minorias. Ele define seu pa\u00eds como democracia\u00a0<em>iliberal<\/em>\u00a0e isso significa, basicamente, que a maioria manda e n\u00e3o existem direitos \u00e0s minorias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando de Mussolini, em seu livro conta que Churchill e Gandhi falaram dele como \u201co sujeito adequado\u201d.<\/strong>\u00a0Eu me pergunto por que pensaram isso. Nos anos 30 as sociedades estavam muito divididas, algumas delas pelo que ocorreu na Primeira Guerra Mundial e pela situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, de modo que talvez pensassem que era importante ter um l\u00edder forte no lugar de algu\u00e9m que n\u00e3o soubesse o que fazer. Mussolini vinha de fora do sistema, em um momento em que a It\u00e1lia tinha um Governo atr\u00e1s do outro e uma crise econ\u00f4mica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas hoje em dia h\u00e1 motivo para tanta irrita\u00e7\u00e3o?<\/strong>Existem algumas raz\u00f5es. Na Europa h\u00e1 uma insatisfa\u00e7\u00e3o pela situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Muita gente se beneficiou muito e de muitas formas com a globaliza\u00e7\u00e3o, mas isso tem um inconveniente. A globaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem rosto, as pessoas n\u00e3o sabem que identidade tem e na Europa se coloca realmente a pergunta sobre o que acontece em Bruxelas e quais s\u00e3o as regras. Todos queremos saber qual \u00e9 nossa identidade \u00e9tnica, lingu\u00edstica e religiosa, e tudo bem com isso, mas se minha identidade odeia sua identidade, se transforma em algo muito perigoso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 a\u00ed que est\u00e1 a diferen\u00e7a entre patriotismo e nacionalismo populista?<\/strong>\u00a0Sim. O patriotismo \u00e9 uma coisa, \u00e9 bom, mas o nacionalismo e o nacionalismo radical s\u00e3o muito perigosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A senhora e sua fam\u00edlia escaparam duas vezes de regimes totalit\u00e1rios. De que maneira isso a marcou?<\/strong>\u00a0De todas as maneiras. Quando os nazistas chegaram \u00e0 Tchecoslov\u00e1quia em 1939, eu tinha dois anos, meu pai era um diplomata tcheco e queria ficar com o Governo no ex\u00edlio, em Londres. Ficamos l\u00e1 durante a guerra. Voltamos \u00e0 Tchecoslov\u00e1quia e em 1948 ocorreu o golpe comunista. Minha m\u00e3e, meus irm\u00e3os e eu fomos por um tempo \u00e0 Inglaterra e depois, como a ONU estava em Nova York, nos instalamos l\u00e1. Meu pai chegou um pouco mais tarde, desertou e pediu asilo pol\u00edtico. Tudo isso afetou minha vida. Em primeiro lugar, acredito na bondade dos EUA e nesse pa\u00eds como modelo de bons valores. A Tchecoslov\u00e1quia foi tra\u00edda no acordo de Munique, que os brit\u00e2nicos e os franceses assinaram com alem\u00e3es e italianos sobre as cabe\u00e7as dos tchecoslovacos. E os EUA n\u00e3o estavam l\u00e1. Quando viv\u00edamos como refugiados em Londres ocorreu o bombardeio e finalmente os norte-americanos chegaram \u00e0 Europa para participar da guerra, e tudo mudou. De modo que sendo uma crian\u00e7a notei a diferen\u00e7a que significou a chegada dos norte-americanos. Meu pai costumava dizer: \u201cNa Inglaterra as pessoas s\u00e3o muito gentis, nos dizem: \u2018Sinto muito que seu pa\u00eds tenha ca\u00eddo nas m\u00e3os de um ditador terr\u00edvel, voc\u00ea \u00e9 bem-vindo, mas&#8230; quando volta para sua casa?\u201d. E nos EUA nos diziam: \u201cSentimos muito, mas&#8230; quando voc\u00ea se transformar\u00e1 em cidad\u00e3o norte-americano?\u201d. Meu pai me dizia que isso \u00e9 o que transformou os EUA em um pa\u00eds diferente. Isso me remete ao que acontece agora, quando o n\u00famero de imigrantes que chegam a esse pa\u00eds \u00e9 o mais baixo da hist\u00f3ria e isso, para mim, \u00e9 antiamericano. \u00c9 uma das coisas que me incomodam do que acontece hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que aprendeu com seus pais?<\/strong>\u00a0O que mais admiro neles \u00e9 como transformaram em normal o anormal. Os dois vinham de fam\u00edlias abastadas e de repente est\u00e1vamos morando na Inglaterra como refugiados. Depois voltamos e meu pai foi nomeado embaixador em Belgrado e t\u00ednhamos cozinheiros e choferes e todas essas coisas. Depois chegamos aos Estados Unidos e voltamos a n\u00e3o ter nada, \u00e9ramos refugiados. Tinham uma grande resist\u00eancia. Lembro que minha m\u00e3e estava o tempo todo preocupada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por qu\u00ea?<\/strong>\u00a0\u00c9 algo que \u00e0 \u00e9poca n\u00e3o entendia e agora sim. Mor\u00e1vamos em Denver (Colorado) e n\u00e3o t\u00ednhamos parentes. Minha m\u00e3e dizia que todos eram velhos e tinham morrido. Quando me nomearam secret\u00e1ria de Estado, um jornalista, Michael Dobbs, come\u00e7ou a escrever um perfil sobre mim e descobri n\u00e3o s\u00f3 minha origem judaica como tamb\u00e9m que 26 membros de minha fam\u00edlia morreram em campos de concentra\u00e7\u00e3o. Meus pais se converteram ao catolicismo depois. Quando fiquei sabendo, j\u00e1 haviam morrido.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|html\" class=\"sumario_html derecha\"><a name=\"sumario_1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">\u201cN\u00e3o acho que Donald Trump seja um fascista, mas \u00e9 o presidente norte-americano mais antidemocr\u00e1tico da hist\u00f3ria moderna\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A partir dessa experi\u00eancia vital, o que pensa do enfoque n\u00e3o s\u00f3 de Trump e sim de muitos pol\u00edticos da esquerda norte-americana, que n\u00e3o querem que os EUA sejam a \u201cpol\u00edcia do mundo\u201d?<\/strong>\u00a0Os norte-americanos n\u00e3o querem ser a pol\u00edcia do mundo. Desde o come\u00e7o de sua hist\u00f3ria, os EUA n\u00e3o foram colonialistas em geral. Depois da Segunda Guerra Mundial ocorreu uma verdadeira sensa\u00e7\u00e3o de responsabilidade, mas os americanos n\u00e3o querem governar o mundo, posso garantir. Clinton foi o primeiro a dizer que \u00e9ramos a na\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel, mas \u201cindispens\u00e1vel\u201d n\u00e3o quer dizer \u201csozinha\u201d. Significa que precisamos estar envolvidos, ter alian\u00e7as com os parceiros adequados e a\u00e7\u00f5es multilaterais. O que acontece, em parte como resultado da guerra no Iraque e no Afeganist\u00e3o, \u00e9 que os norte-americanos agora precisam ser persuadidos a ajudar internacionalmente. Trump brinca ao dizer que ningu\u00e9m nos agradece, que n\u00e3o temos nada a ver com pa\u00edses dos quais n\u00e3o ouvimos falar, e que somos v\u00edtimas. Mas \u00e9 rid\u00edculo, somos o pa\u00eds mais poderoso do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que aspectos do Governo de Trump a preocupam mais?<\/strong>\u00a0N\u00e3o acho que Trump seja um fascista, acho que \u00e9 o presidente norte-americano mais antidemocr\u00e1tico da hist\u00f3ria moderna. Ele n\u00e3o criou as condi\u00e7\u00f5es que o levaram a ser eleito. J\u00e1 existiam divis\u00f5es em nossa sociedade, algumas baseadas nas crises e em avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos que fizeram com que as pessoas perdessem seus empregos. Trump n\u00e3o respeita as institui\u00e7\u00f5es, acha que est\u00e1 acima da lei, chama os jornalistas de inimigos do povo e culpa os imigrantes. Existem aspectos muito preocupantes. O que Trump logicamente n\u00e3o fez foi usar a viol\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que espera das negocia\u00e7\u00f5es para a desnucleariza\u00e7\u00e3o da Coreia do Norte?<\/strong>\u00a0A reuni\u00e3o de Singapura em junho foi por enquanto uma vit\u00f3ria para Kim Jong-un. Trump j\u00e1 deu alguma coisa, deixou de realizar exerc\u00edcios militares com nossos aliados. Mas n\u00e3o est\u00e1 claro o que a Coreia do Norte deu em troca. \u00c9 dif\u00edcil de prever. Eu fui o primeiro membro de um Governo norte-americano a visitar a Coreia do Norte e as negocia\u00e7\u00f5es de seus dirigentes s\u00e3o muito duras. N\u00e3o sabemos qual ser\u00e1 o papel da China. Quer\u00edamos que nos ajudassem com tudo isso, mas Trump os est\u00e1 castigando com taxas alfandeg\u00e1rias. \u00c9 tudo muito confuso, mas \u00e9 melhor falar com Kim do que cham\u00e1-lo de \u201chomem-foguete\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Teme efeitos a longo prazo pelo distanciamento dos Estados Unidos em rela\u00e7\u00e3o a seus aliados tradicionais e da ONU?<\/strong>\u00a0Sim. Vivemos tempos muito complicados. Sou uma grande defensora da ONU, ainda que alguns aspectos precisam melhorar. Tem um bom secret\u00e1rio geral, Ant\u00f3nio Guterres, mas \u00e9 dif\u00edcil [que a organiza\u00e7\u00e3o melhore] se os Estados Unidos n\u00e3o fizerem o que se espera que devam fazer. Estou muito preocupada pelo lugar ao qual se encaminha a Uni\u00e3o Europeia, defendo a OTAN e acho que todo mundo deve fazer sua parte, mas o modo em que Trump falou sobre o assunto me inquieta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como v\u00ea essa qu\u00edmica que Trump parece sentir com Vladimir Putin?<\/strong>\u00a0Est\u00e1 al\u00e9m do entendimento. Conhe\u00e7o Putin, \u00e9 muito inteligente e sustentou uma aposta fraca e muito bem jogada. \u00c9 um agente da KGB, sabe como usar a propaganda, desacreditou n\u00e3o s\u00f3 as elei\u00e7\u00f5es norte-americanas como tamb\u00e9m a Europa, mas tamb\u00e9m \u00e9 muito interessante ver o que ele fez no Oriente M\u00e9dio, onde os russos se transformaram em uma esp\u00e9cie de grandes atores. H\u00e1 muito debate nos Estados Unidos sobre qual \u00e9 a base dessa rela\u00e7\u00e3o e parte dela \u00e9 que Trump adula Putin e Putin adula Trump. Isso \u00e9 o que as pessoas querem que seja investigado.<\/p>\n<section id=\"sumario_4|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_4\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/09\/20\/eps\/1537435497_152676_1537435937_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/09\/20\/eps\/1537435497_152676_1537435937_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/09\/20\/eps\/1537435497_152676_1537435937_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/09\/20\/eps\/1537435497_152676_1537435937_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Madeleine Albright: \u201cO patriotismo \u00e9 uma coisa, \u00e9 bom, mas o nacionalismo radical \u00e9 muito perigoso\u201d\" width=\"980\" height=\"1278\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">GREG KAHN<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais foram o maior sucesso e a maior frustra\u00e7\u00e3o ao longo de sua carreira?<\/strong>\u00a0Minha principal frustra\u00e7\u00e3o foi como embaixadora nas Na\u00e7\u00f5es Unidas em um momento em que havia terminado a Guerra do Golfo e Clinton disse que \u00e9ramos indispens\u00e1veis. N\u00e3o est\u00e1vamos fazendo o suficiente na B\u00f3snia e nem r\u00e1pido o suficiente, e tamb\u00e9m n\u00e3o fizemos nada com Ruanda, e parte disse teve a ver com o fato de que n\u00e3o tivemos a informa\u00e7\u00e3o correta. O que considero meu maior sucesso \u00e9 Kosovo. Eu era \u00e0 \u00e9poca a secret\u00e1ria de Estado. Disse: \u201cTudo bem, vamos fazer alguma coisa\u201d. Primeiro tive que convencer o Governo norte-americano, o secret\u00e1rio de Estado pode dizer muitas coisas, mas n\u00e3o tem ex\u00e9rcito, de modo que precisa convencer o Pent\u00e1gono e o presidente. E chegou o momento em que decidimos usar a for\u00e7a em Kosovo.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|html\" class=\"sumario_html derecha\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">\u201cSou feminista; as sociedades s\u00e3o mais est\u00e1veis quando as mulheres t\u00eam poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico. Mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. \u00c9 preciso que mais mulheres estejam na sala\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E h\u00e1 20 anos, como era viver tudo isso sendo mulher?<\/strong>\u00a0Voltemos \u00e0 B\u00f3snia: acompanhei o que acontecia com muita aten\u00e7\u00e3o. Pensei que dever\u00edamos usar a for\u00e7a para deter a limpeza \u00e9tnica. Colin Powell era o chefe do Estado Maior Conjunto. N\u00f3s dois \u00e9ramos novos no cargo e Powell era esse homem grande e bonito que aparecia de uniforme coberto de medalhas, que explicava muito bem as coisas que podiam ser feitas e que nunca queria usar a for\u00e7a. E no final eu lhe disse: \u201cGeneral Powell, para que est\u00e1 reservando todo esse Ex\u00e9rcito?\u201d. E ele ficou muito irritado comigo. Eu era uma mera mulher mortal, uma civil discutindo com um her\u00f3i. Tempos depois escreveu um livro em que disse que precisou \u201cexplicar pacientemente\u201d \u00e0 embaixadora Albright que nossos soldados \u201cn\u00e3o eram de brinquedo\u201d. Eu liguei para ele e perguntei porque dizia \u201cpacientemente\u201d. E me respondeu que era porque eu n\u00e3o entendia nada. Depois me enviou um exemplar assinado com uma dedicat\u00f3ria: \u201cCom carinho e admira\u00e7\u00e3o, etc. Pacientemente, Colin\u201d. E eu lhe enviei uma nota de agradecimento dizendo \u201ccom admira\u00e7\u00e3o, etc. Energicamente, Madeleine\u201d. \u00c9 um exemplo do que era ser mulher. Era a \u00fanica naquela sala. Eu continuava insistindo naquelas conversas que n\u00e3o pod\u00edamos deixar aquelas pessoas morrerem e me diziam: \u201cN\u00e3o seja t\u00e3o emotiva\u201d. Aprendi a discutir de forma diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Diante dessa onda de feminismo, acha que a mudan\u00e7a \u00e9 real?<\/strong>\u00a0N\u00e3o sei. O importante \u00e9 n\u00e3o permitir que agora ocorra um rep\u00fadio. Fui a primeira secret\u00e1ria de Estado em colocar os assuntos da mulher no centro da pol\u00edtica exterior, e n\u00e3o s\u00f3 porque sou feminista e sim porque as sociedades s\u00e3o mais est\u00e1veis quando as mulheres t\u00eam mais poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico. Mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, \u00e9 preciso que mais mulheres estejam na sala. Quando era embaixadora na ONU, existiam 180 pa\u00edses membros e somente outras seis mulheres. Agora h\u00e1 muitas outras embaixadoras, ministras das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, de Defesa&#8230; E \u00e9 interessante o n\u00famero de mulheres que est\u00e3o se candidato nas elei\u00e7\u00f5es ao Congresso norte-americano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A senhora sempre foi feminista ou foi um processo?<\/strong>\u00a0As duas coisas. Quando fui \u00e0 universidade achava que as mulheres eram capazes de fazer o que quisessem, mas na gera\u00e7\u00e3o seguinte o processo foi mais incisivo. Para mim, que tenho 81 anos, a quest\u00e3o era tentar averiguar como crescer fazendo coisas interessantes. Sou feminista. H\u00e1 quem n\u00e3o goste da palavra, mas n\u00e3o \u00e9 uma palavra ruim. N\u00e3o acho que o mundo deva ser comandado somente por mulheres. Quem acha isso se esqueceu de como era no col\u00e9gio, com todas aquelas meninas mandonas dizendo a todo mundo o que deveriam fazer&#8230; \u00c9 importante que exista uma colabora\u00e7\u00e3o entre homens e mulheres.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sua voz soa limpa e forte em seu escrit\u00f3rio da Albright Stonebridge Group, uma empresa de estrat\u00e9gia empresarial com sede em Washington, a tr\u00eas quarteir\u00f5es da Casa Branca. No palet\u00f3 do terno azul exibe um de seus broches caracter\u00edsticos. 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