{"id":258759,"date":"2018-09-27T08:57:36","date_gmt":"2018-09-27T11:57:36","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=258759"},"modified":"2018-09-27T08:57:36","modified_gmt":"2018-09-27T11:57:36","slug":"as-bombas-dos-aliados-sobre-a-alemanha-modificaram-a-atmosfera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/as-bombas-dos-aliados-sobre-a-alemanha-modificaram-a-atmosfera\/","title":{"rendered":"As bombas dos Aliados sobre a Alemanha modificaram a atmosfera"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>Os bombardeios enfraqueceram a ionosfera, mas o mesmo n\u00e3o aconteceu depois dos ataques da avia\u00e7\u00e3o nazista sobre Londres<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Miguel \u00c1ngel Criado\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/miguel_angel_criado_asien\/a\/\">MIGUEL \u00c1NGEL CRIADO<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><a class=\"enlace\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: none; font: inherit; vertical-align: baseline; box-sizing: border-box; background-color: transparent; text-decoration: none; color: #016ca2; touch-action: manipulation; position: relative; display: block;\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/09\/25\/ciencia\/1537886307_841960.html\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/09\/25\/ciencia\/1537886307_841960_1537989579_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/09\/25\/ciencia\/1537886307_841960_1537989579_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/09\/25\/ciencia\/1537886307_841960_1537989579_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/09\/25\/ciencia\/1537886307_841960_1537989579_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Esquadr\u00e3o de bombardeiros dos EUA, durante um ataque estrat\u00e9gico sobre a Alemanha.\u00a0\" width=\"980\" height=\"539\" \/><span class=\"boton_ampliar\">Ampliar foto<\/span><\/a><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Esquadr\u00e3o de bombardeiros dos EUA, durante um ataque estrat\u00e9gico sobre a Alemanha.\u00a0<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-agencia\">USAAF<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">As bombas que os Aliados lan\u00e7aram sobre a Alemanha durante a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/segunda_guerra_mundial\">Segunda Guerra Mundial<\/a>\u00a0conseguiram atingir a borda inferior do espa\u00e7o: a ionosfera se enfraqueceu sob a influ\u00eancia da onda expansiva de tantos explosivos. Embora o efeito tenha sido tempor\u00e1rio, chegou a ser sentido nos c\u00e9us da Inglaterra. No entanto, os bombardeios alem\u00e3es, primeiro os da Luftwaffe (a avia\u00e7\u00e3o nazista) e, depois, com os foguetes V1 e V2, mal deixaram vest\u00edgios na atmosfera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde a d\u00e9cada de 1920, o Governo brit\u00e2nico havia instalado seu Radio Research Centre (RRC) na cidade de Slough, 30 quil\u00f4metros a oeste de Londres. Nesse centro de pesquisas, entre muitos outros estudos sobre a nova tecnologia, eram emitidos pulsos de r\u00e1dio em diferentes frequ\u00eancias em dire\u00e7\u00e3o ao c\u00e9u, que ricocheteavam contra as part\u00edculas carregadas da ionosfera. Esse fen\u00f4meno, essencial para transmiss\u00f5es de r\u00e1dio, ajudaria a entender melhor essa camada\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/bombas_atomicas\">externa da atmosfera<\/a>. Os registros come\u00e7aram em 1933 e continuam desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Localizada entre 80 quil\u00f4metros e 600 quil\u00f4metros (limites muito vari\u00e1veis) de altura, a ionosfera \u00e9 formada por part\u00edculas eletricamente carregadas devido \u00e0 radia\u00e7\u00e3o solar. As altas temperaturas registradas nessa camada, que podem chegar a 1.500 graus, tamb\u00e9m lhe deram o nome de termosfera. Ocasionalmente, esse manto protetor das radia\u00e7\u00f5es extremas \u00e9 alterado por ventos ou explos\u00f5es solares. Na parte inferior, apenas grandes terremotos ou tempestades com muita carga el\u00e9trica podem ter um impacto local na ionosfera. Mas os\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/07\/25\/actualidad\/1532520582_575473.html\">humanos tamb\u00e9m s\u00e3o capazes de provocar altera\u00e7\u00f5es nos c\u00e9us.<\/a><\/p>\n<section id=\"sumario_1|html\" class=\"sumario_html izquierda\"><a name=\"sumario_1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">O estudo analisa o impacto atmosf\u00e9rico dos 150 maiores bombardeios sobre as cidades alem\u00e3s<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pesquisadores brit\u00e2nicos buscaram nos registros de Slough os sinais enviados da ionosfera, que s\u00e3o gravados constantemente, e com eles identificaram os dias e horas em que a Alemanha (e cidades francesas, holandesas e belgas sob controle alem\u00e3o) sofreu intensos bombardeios das for\u00e7as aliadas. Apenas consideraram os 152 mais destrutivos, medidos pela quantidade de explosivos lan\u00e7ados, como o que despejou 6.800 toneladas de TNT e derivados sobre Caen, na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2014\/05\/27\/internacional\/1401200835_330073.html\">Normandia<\/a>\u00a0francesa, em julho de 1944; o que destruiu 98% da cidade J\u00fclich, com 9.600 toneladas, em novembro do mesmo ano; ou o mais intenso dos muitos sofridos por Berlim, com quase 11.000 toneladas de bombas em menos de duas horas, em 29 de janeiro de 1944.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;\u00c9 impressionante ver como as ondas causadas por explos\u00f5es provocadas por seres humanos podem afetar a borda do espa\u00e7o&#8221;, diz em um comunicado Chris Scott, professor de F\u00edsica da Atmosfera e do Espa\u00e7o da Universidade de Reading (Reino Unido) e coautor do estudo. &#8220;Cada ataque liberou a energia de pelo menos 300 impactos de raios. A enorme pot\u00eancia envolvida nos permitiu quantificar como os eventos na superf\u00edcie da Terra tamb\u00e9m podem afetar a ionosfera&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trabalho mostra como, ap\u00f3s um desses bombardeios horas depois (mediana de cinco horas), aparece uma altera\u00e7\u00e3o no registro de Slough. Embora os sinais, gravados como ionogramas, sejam muito vari\u00e1veis, os pesquisadores descobriram altera\u00e7\u00f5es em sua intensidade dependendo da quantidade de explosivos lan\u00e7ados ou da dura\u00e7\u00e3o do bombardeio. E isso considerando que Slough e o c\u00e9u da cidade est\u00e3o a cerca de mil quil\u00f4metros de Berlim.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><a class=\"enlace\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: none; font: inherit; vertical-align: baseline; box-sizing: border-box; background-color: transparent; text-decoration: none; color: #016ca2; touch-action: manipulation; position: relative; display: block;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/09\/25\/ciencia\/1537886307_841960_1537940699_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/09\/25\/ciencia\/1537886307_841960_1537940699_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/09\/25\/ciencia\/1537886307_841960_1537940699_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/09\/25\/ciencia\/1537886307_841960_1537940699_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Foto da cidade de Col\u00f4nia, com sua catedral ao fundo, depois do \u00faltimo bombardeio em 24 de abril de 1945.\" width=\"980\" height=\"543\" \/><span class=\"boton_ampliar\">ampliar foto<\/span><\/a><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Foto da cidade de Col\u00f4nia, com sua catedral ao fundo, depois do \u00faltimo bombardeio em 24 de abril de 1945.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">DEPT. DE DEFENSA DE EE UU<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora os detalhes ainda n\u00e3o estejam claros, o estudo, publicado na revista da Uni\u00e3o Europeia de Geoci\u00eancias (Annales Geophysicae), aponta para o efeito da onda expansiva provocada pelas bombas: ao alcan\u00e7ar a parte superior da atmosfera, haveria uma perda de ioniza\u00e7\u00e3o quando aquecida, liberando uma boa parte dos el\u00e9trons das part\u00edculas carregadas. Embora o efeito seja tempor\u00e1rio (desaparecia no registro no dia seguinte), reduzia a densidade da ionosfera, uma redu\u00e7\u00e3o que deve ter sido maior quanto mais pr\u00f3xima (em sentido vertical) dos bombardeios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Os tripulantes que participaram dos bombardeios relataram danos em seus aparatos causados pela onda expansiva das bombas, e isso considerando que voavam acima da altura recomendada [cerca de 2.000 metros]&#8221;, diz o historiador especialista em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/04\/26\/cultura\/1461669894_626416.html\">Segunda Guerra Mundial<\/a>\u00a0e coautor do estudo, Patrick Major. No trabalho, ele tamb\u00e9m explica por que os bombardeios da Alemanha sobre Londres, t\u00e3o pr\u00f3ximo de Slough, n\u00e3o deixaram vest\u00edgios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora os pesquisadores n\u00e3o tivessem informa\u00e7\u00f5es muito completas sobre os ataques alem\u00e3es, tentaram, sem sucesso, encontrar sua marca em Slough. Mas o sinal registrado durante os meses do Blitz sobre Londres, entre 1940 e 1941, n\u00e3o se distinguia da variabilidade natural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Major d\u00e1 duas raz\u00f5es poss\u00edveis. Por um lado, uma raz\u00e3o tecnol\u00f3gica: os Aliados usaram modernos quadrimotores, dispon\u00edveis apenas a partir de 1943, como o brit\u00e2nico Avro Lancaster, que podia transportar bombas de alta capacidade explosiva, de uma tonelada e meia, al\u00e9m de v\u00e1rias de peso m\u00e9dio e incendi\u00e1rias, ou o B-17, a chamada fortaleza voadora dos americanos, que poderia carregar uma bomba de 3.600 quilos. Enquanto isso, os bombardeiros alem\u00e3es eram bimotores como o Heinkel 111, que n\u00e3o podiam transportar\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/armas_nucleares\">bombas de grande porte<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;No geral, os bombardeios anglo-americanos foram muito mais destrutivos do que os da Luftwaffe: cerca de 600.000 alem\u00e3es morreram na guerra das bombas, em compara\u00e7\u00e3o com 60.000 brit\u00e2nicos&#8221;, lembra Major, por e-mail. A tonelagem m\u00e9dia dos\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/04\/28\/internacional\/1430235800_289828.html\">ataques dos Aliados<\/a>\u00a0a partir de 1943 foi de cerca de 2.000 toneladas, enquanto o maior bombardeio alem\u00e3o mal chegou a 350 toneladas. J\u00e1 os m\u00edsseis V1 e V2, utilizados no final da guerra, conseguiam causar grande impacto, mas muito localizado. A outra explica\u00e7\u00e3o dada pelos autores \u00e9 que o bombardeio lan\u00e7ado sobre Londres foi, embora menos intenso, t\u00e3o cont\u00ednuo que seu sinal seria mais uniforme.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os bombardeios enfraqueceram a ionosfera, mas o mesmo n\u00e3o aconteceu depois dos ataques da avia\u00e7\u00e3o nazista sobre Londres<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":258760,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-258759","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/bombardeio-aereo.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/258759","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=258759"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/258759\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/258760"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=258759"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=258759"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=258759"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}