{"id":259333,"date":"2018-10-02T07:44:19","date_gmt":"2018-10-02T10:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=259333"},"modified":"2018-10-02T07:44:19","modified_gmt":"2018-10-02T10:44:19","slug":"do-coco-babacu-a-emancipacao-o-poder-das-quebradeiras-do-maranhao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/do-coco-babacu-a-emancipacao-o-poder-das-quebradeiras-do-maranhao\/","title":{"rendered":"Do coco baba\u00e7u \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o: o poder das quebradeiras do Maranh\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"page-header\">\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><\/h2>\n<\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do baba\u00e7u veio a identidade e o poder de emancipa\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o social dessas mulheres. Conhe\u00e7a a hist\u00f3ria de luta das quebradeiras de coco baba\u00e7u do Maranh\u00e3o, a for\u00e7a delas no enfrentamento ao latif\u00fandio, ao machismo, \u00e0s dificuldades impostas pelas condi\u00e7\u00f5es de vida a que s\u00e3o expostas e a esperan\u00e7a que ainda caminha com elas nessa jornada.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>AVE MARIA DAS QUEBRADEIRAS<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cAve Palmeira, que sofre desgra\u00e7a,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Malditos derrubam, queimam e devastam.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Bendito \u00e9 teu fruto que serve de alimento<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>E no leito da morte ainda nos d\u00e1 sustento.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Santa m\u00e3e palmeira,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>M\u00e3e de leite verdadeiro.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Em sua hora derradeira,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Rogai por n\u00f3s quebradeiras\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">REPORTAGEM: Cristiane Passos* \/ FOTOS E V\u00cdDEO: Thomas Bauer**<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/images\/20180505_Comundiade_Caja_Quebradeiras_de_Coco_Dom_Pedro__MA_TBauer__18_de_33.jpg\" width=\"350\" \/>Da palmeira do baba\u00e7u tudo se aproveita, frutos, folhas, estipe, ra\u00edzes e flores. Essa \u00e1rvore, que pode atingir 30 metros de altura, pode ser encontrada no Brasil, mas tamb\u00e9m em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, como Suriname, Guiana e Bol\u00edvia. Em nosso pa\u00eds chega a ocupar uma \u00e1rea de aproximadamente 25 milh\u00f5es de hectares e se espalha, principalmente, pelos estados do Maranh\u00e3o, Piau\u00ed, Par\u00e1 e Mato Grosso. Al\u00e9m de ser encontrada, tamb\u00e9m, em menor quantidade, em Alagoas, Amazonas, Bahia, Cear\u00e1, Minas Gerais, Pernambuco, Rond\u00f4nia, Tocantins e Goi\u00e1s. Seu nome vem do tupi-guarani, ib\u00e1-gua\u00e7u, e significa \u201cfruto grande\u201d, mas para as quebradeiras de coco baba\u00e7u, a palmeira \u00e9 conhecida como m\u00e3e. A palmeira faz parte da vida delas, das suas fam\u00edlias e geriu sua identidade. Em depoimento durante uma reuni\u00e3o, as quebradeiras de coco confidenciaram que \u201cquem passa a vida inteira no cocal conversa com a palmeira e ela responde. Do jeito que a gente est\u00e1, ela est\u00e1. Do jeito que a gente sofre, ela sofre tamb\u00e9m\u201d<a href=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/publicacoes-2\/destaque\/4439-do-coco-babacu-a-emancipacao-o-poder-das-quebradeiras-do-maranhao#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De uma \u00e1rvore completa vem a fonte de renda e complemento na alimenta\u00e7\u00e3o de diversas comunidades. O baba\u00e7u contribui na constru\u00e7\u00e3o das casas, dele \u00e9 poss\u00edvel extrair \u00f3leo, leite e do mesocarpo, camada intermedi\u00e1ria do coco, se faz uma farinha bastante nutritiva. Da mesma forma, ele \u00e9 fonte de renda por ser mat\u00e9ria prima para a produ\u00e7\u00e3o de sab\u00e3o, e seus produtos, como o \u00f3leo e a castanha, s\u00e3o comuns na culin\u00e1ria local e mesmo na produ\u00e7\u00e3o de cosm\u00e9ticos. A \u00e1rvore oferecida facilmente pelo cerrado, principalmente nas \u00e1reas alagadas, tornou-se meio de vida e sobreviv\u00eancia. Para as mulheres, principalmente, tornou-se identidade e profiss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O of\u00edcio, aprendido de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o, sustenta h\u00e1 s\u00e9culos fam\u00edlias esquecidas num Brasil interiorano, de riquezas naturais, abund\u00e2ncia de recursos e, tamb\u00e9m, de especula\u00e7\u00e3o territorial e conflitos rurais. A essas mulheres, munidas de seus cofos (cestos feitos de palha de baba\u00e7u para carregar os cocos) e machados, coube enfrentar jagun\u00e7os, cercas, o machismo, e mesmo a pobreza e a nega\u00e7\u00e3o do Estado em reconhecer seus direitos, ancestralmente adquiridos. Ao assumirem o of\u00edcio do baba\u00e7u, passaram a se denominar como quebradeiras de coco baba\u00e7u. Passaram, ent\u00e3o, a se reconhecer e a se organizar enquanto tal. No in\u00edcio n\u00e3o foi f\u00e1cil, foram muito discriminadas. Algumas tinham vergonha de dizer o que faziam, outras os filhos e filhas tamb\u00e9m n\u00e3o diziam o que as m\u00e3es e av\u00f3s faziam. Mas com o tempo, passaram n\u00e3o s\u00f3 a ter orgulho de sua atividade, mas a defender a import\u00e2ncia do que fazem para a economia local e para a sobreviv\u00eancia das comunidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o passar do tempo, essas mulheres passaram a refor\u00e7ar sua identidade coletiva, enquanto se reuniam para quebrar o coco, muitas vezes nos quintais das casas de algumas delas. O momento era compartilhado tamb\u00e9m pelas ang\u00fastias que cada uma trazia, as viol\u00eancias do cotidiano do lar, as dificuldades no sustento da fam\u00edlia e os desejos de uma vida menos dura pela frente. Nos anos 1980 explodiram os conflitos de terras, disputas que amea\u00e7avam os territ\u00f3rios tradicionais, ocupados por anos e anos pelos mesmo grupos, mas que n\u00e3o possu\u00edam documenta\u00e7\u00e3o reconhecida judicialmente. Grileiros e fazendeiros, de forma violenta, amea\u00e7avam e expulsavam essas comunidades, cercavam a mata, afastavam as fam\u00edlias do baba\u00e7ual, renegavam a elas pequenos peda\u00e7os de terra, onde n\u00e3o era poss\u00edvel fazer ro\u00e7a e nem acessar o baba\u00e7u. Nesse mesmo per\u00edodo, as quebradeiras ingressaram no movimento sindical e puderam ter contato com mulheres que exerciam o mesmo of\u00edcio em outros estados, e muitas delas enfrentavam os mesmos conflitos. Perceberam, ent\u00e3o, que n\u00e3o estavam sozinhas. Outras compartilhavam dos mesmos afazeres e, tamb\u00e9m, dos mesmos problemas. Para, ent\u00e3o, a partir dessa uni\u00e3o se fortalecerem, foi criado no in\u00edcio dos anos 1990, o Movimento Interestadual de Quebradeiras de Coco Baba\u00e7u (MIQCB).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/images\/20180502_Quebradeiras_de_Coco_Comunidade_Centro_dos_Pretinhos_Dom_Pedro_Maranho_TBauer_5_de_18.jpg\" width=\"500\" \/>O MIQCB surgiu a partir de um trabalho conjunto de uma rede de organiza\u00e7\u00f5es, como associa\u00e7\u00f5es, clubes, cooperativas, grupos de mulheres, entre outros, que lutavam e lutam pela preserva\u00e7\u00e3o dos baba\u00e7uais, pela garantia dos direitos das quebradeiras de coco \u00e0 terra e territ\u00f3rio, pelo acesso livre \u00e0s palmeiras de baba\u00e7u, por pol\u00edticas governamentais voltadas para o extrativismo e, tamb\u00e9m, pela equidade de g\u00eanero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estado do Maranh\u00e3o, o que possui o menor \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH) dentre os que se destacam pela presen\u00e7a da palmeira em sua vegeta\u00e7\u00e3o e um dos menores do Brasil, 0,68, concentra boa parte das quebradeiras de coco baba\u00e7u. Extremamente empobrecido por anos seguidos de explora\u00e7\u00e3o e m\u00e1 administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, o estado amarga outros \u00edndices devastadores para sua popula\u00e7\u00e3o. O Maranh\u00e3o ainda sofre com problemas de saneamento\u00a0b\u00e1sico, desnutri\u00e7\u00e3o infantil e baixa renda per capita. Ele apresenta altos \u00edndices de desnutri\u00e7\u00e3o entre as crian\u00e7as de zero a cinco anos, e o segundo maior \u00edndice de mortalidade infantil do pa\u00eds. Apenas metade da popula\u00e7\u00e3o do estado tem acesso \u00e0 rede de esgoto e quase 40% da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem acesso a \u00e1gua tratada. N\u00e3o \u00e9 de se espantar que o estado possua a segunda pior expectativa de vida do Brasil<a href=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/publicacoes-2\/destaque\/4439-do-coco-babacu-a-emancipacao-o-poder-das-quebradeiras-do-maranhao#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Desassistida pelo Estado e vulnerabilizada, a popula\u00e7\u00e3o maranhense busca alternativas e formas de sobreviv\u00eancia em outros estados, e isso fez com que o estado seja o local de onde mais saem trabalhadores que acabam sendo escravizados na contemporaneidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O munic\u00edpio de Dom Pedro, de apenas 65 anos, localizado no Centro Maranhense, n\u00e3o foge \u00e0 regra. Com quase 23 mil habitantes, possui um IDH m\u00e9dio de 0,63, e fazia parte de Cod\u00f3, um dos cinco munic\u00edpios com maior n\u00famero de residentes resgatados do trabalho escravo. A regi\u00e3o enfrenta a mesma dificuldade que o resto do estado, assim como as quebradeiras mant\u00eam a mesma luta e resist\u00eancia que as demais espalhadas em outras regi\u00f5es do Maranh\u00e3o. Mesmo com as dificuldades e a dura escrita da hist\u00f3ria, o Estado tamb\u00e9m \u00e9 marcado por revoltas populares e processos de resist\u00eancia. A comunidade do Centro dos Pretinhos ilustra bem isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O coco baba\u00e7u \u00e9 o futuro!<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os primeiros latifundi\u00e1rios a amea\u00e7ar a comunidade Centro dos Pretinhos foram os \u201cTonicos\u201d, depois veio o Curi\u00f3, atual vice-prefeito de Dom Pedro. A comunidade tem cerca de 200 anos. Vive hoje imprensada entre a cerca e a estrada. Francisca Sheila, de 23 anos, \u00e9 a atual presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Quebradeiras de Coco da Comunidade. Ela \u00e9 filha e neta de quebradeiras. Apesar de dizer que a m\u00e3e n\u00e3o desejava que ela seguisse essa atividade, foi ela mesma quem a ensinou como quebrar coco, \u201cporque n\u00e3o sabemos do amanh\u00e3 e da precis\u00e3o que vamos ter, ent\u00e3o ela me ensinou pois achou que eu tinha que saber\u201d. E ela n\u00e3o apenas seguiu como hoje \u00e9 uma lideran\u00e7a das mulheres locais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a Associa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou, mais ou menos em 2013, eram 15 quebradeiras associadas, hoje s\u00e3o apenas sete. Mas toda a comunidade quebra coco, mesmo que o fa\u00e7a em casa. A diminui\u00e7\u00e3o das associadas apenas mostra o receio de algumas mulheres em ter seu nome vinculado a iniciativas de organiza\u00e7\u00e3o popular, que acabam despertando o \u00f3dio dos latifundi\u00e1rios contr\u00e1rios ao livre acesso das quebradeiras aos baba\u00e7uais. \u201cAlgumas de voc\u00eas ainda v\u00e3o acordar com a boca cheia de formigas\u201d, elas ouviram algumas vezes. N\u00e3o se deixaram esmorecer. Pelo contr\u00e1rio, se organizaram, passaram a andar em grupo e n\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/images\/Francisca_Sheila__20180502_Quebradeiras_de_Coco_Comunidade_Centro_dos_Pretinhos_Dom_Pedro_Maranho_TBauer_17_de_18.jpg\" alt=\"Francisca Sheila, coordenadora da Associa\u00e7\u00e3o de Quebradeiras do Centro dos Pretinhos, prepara o \u00f3leo de baba\u00e7u.\" width=\"500\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">deixaram de entrar nos baba\u00e7uais. As n\u00e3o associadas tamb\u00e9m as seguem. N\u00e3o querem seus nomes como prova de resist\u00eancia, mas seguem resistindo, pois assim fazem as mulheres dessa regi\u00e3o. A elas pouca coisa assusta e menos coisas ainda as impedem de fazer o que querem. As hist\u00f3rias s\u00e3o contadas por elas e protagonizadas por elas e suas ancestrais. Vemos poucos homens na comunidade, e a eles, elas pouco se referem. Muito falaram apenas de um homem quebrador de coco, como elas, que quebra o dobro da quantidade de cocos que elas quebram, mas deixam claro que ele cata somente os melhores cocos para quebrar, deixando os piores para elas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o cansam de repetir que do baba\u00e7u tudo se aproveita, quebra-se o coco, tira-se a castanha para extrair o \u00f3leo ou fazer azeite, e tamb\u00e9m produzir sab\u00e3o, da casca faz-se carv\u00e3o. \u00c9 um trabalho conjunto, como conjuntas s\u00e3o as dificuldades e os enfrentamentos do dia a dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A comunidade possui cerca de 50 fam\u00edlias. Enclausurados entre cercas e estradas, n\u00e3o possuem espa\u00e7o para fazerem ro\u00e7a. Ap\u00f3s a retomada do que chamam de Centr\u00e3o, iniciaram l\u00e1 a ro\u00e7a, onde plantam arroz, feij\u00e3o, milho, ab\u00f3bora, fava, melancia, entre outras coisas. Criam tamb\u00e9m galinha e assim v\u00e3o garantindo o sustento da comunidade, tendo o coco de baba\u00e7u como de fundamental import\u00e2ncia na economia familiar. Ainda t\u00eam dificuldades a serem resolvidas, n\u00e3o conseguem produzir \u00f3leo de baba\u00e7u suficiente para a produ\u00e7\u00e3o de sab\u00e3o, pois possuem apenas duas forrageiras pequenas, aparelho necess\u00e1rio para moer a am\u00eandoa torrada, transformando-a em p\u00f3. Para um equipamento industrial maior, capaz de garantir a produ\u00e7\u00e3o do \u00f3leo, lhes pediram o valor de cem mil reais. O respons\u00e1vel pelo maquin\u00e1rio v\u00ea no coco baba\u00e7u o futuro. \u00c9 atrav\u00e9s dele, pelo menos, que tem enriquecido \u00e0s custas das comunidades que sobrevivem do extrativismo do coco na regi\u00e3o. E al\u00e9m do maquin\u00e1rio, tamb\u00e9m produz o \u00f3leo, o qual as quebradeiras do Centro dos Pretinhos s\u00e3o obrigadas a comprar por n\u00e3o conseguirem produzir o seu pr\u00f3prio e tampouco pagar o valor que o vision\u00e1rio ferragista pediu por ele. O futuro que ele v\u00ea t\u00e3o pr\u00f3ximo no baba\u00e7u, talvez seja para o alcance f\u00e1cil de poucos.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u201cCentr\u00e3o\u201d de tudo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das piores formas de se tentar matar um povo \u00e9 lhe negar o direito \u00e0 sua mem\u00f3ria, e isso pode ser feito de diversas formas. \u201cN\u00f3s nunca tivemos aqui um cemit\u00e9rio&#8230; nossos mortos foram sendo enterrados na cidade ou em peda\u00e7os por aqui, onde fosse poss\u00edvel&#8230; Nas terras que sabemos que foram nossas e n\u00e3o sabemos como explicar como perdemos, o Centr\u00e3o, n\u00f3s sabemos que tem algumas pessoas enterradas l\u00e1, mas n\u00e3o sabemos quem s\u00e3o e os lugares mesmo\u201d, contou dona Maria Celsa. A comunidade n\u00e3o sabe ao certo quando e como perdeu essa \u00e1rea, de quem s\u00e3o os corpos que l\u00e1 foram plantados e em que anos, assim como n\u00e3o sabem explicar as outras \u00e1reas pr\u00f3ximas que lhes foram tiradas em anos seguintes, sem explica\u00e7\u00e3o. Aos antigos podem lhes faltar mem\u00f3ria por um importante condicionamento, o medo. As amea\u00e7as constantes que essas comunidades sofreram e sofrem, seguidamente, v\u00e3o minando for\u00e7adamente suas mem\u00f3rias. Da mesma forma, o impedimento de terem seu pr\u00f3prio cemit\u00e9rio, que poderia significar uma prova antropol\u00f3gica incontest\u00e1vel de presen\u00e7a e perman\u00eancia em territ\u00f3rio tradicional, vem como mais um exemplo de usurpa\u00e7\u00e3o de in\u00fameros de seus direitos, dentro deles o direito \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o de sua mem\u00f3ria ancestral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Centr\u00e3o dista cerca de 10 quil\u00f4metros da comunidade, caminho que as mulheres percorrem a p\u00e9 para catar coco baba\u00e7u. A \u00e1rea tamb\u00e9m foi espremida entre cercas e estrada, mas possui muito baba\u00e7u. Por conta da dist\u00e2ncia, elas costumam catar e quebrar o coco l\u00e1 mesmo, passam o dia, cozinham, muitas vezes com as crian\u00e7as junto, e retornam com as castanhas e o carv\u00e3o. Um dos latifundi\u00e1rios pr\u00f3ximo da \u00e1rea chegou a colocar novamente uma cerca, mesmo ap\u00f3s a retomada do territ\u00f3rio, feita h\u00e1 um ano, para impedir o acesso ao Centr\u00e3o. As pr\u00f3prias mulheres tiraram a cerca. Ele n\u00e3o voltou a coloca-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As mulheres chegam a quebrar uma m\u00e9dia de seis a oito quilos de coco baba\u00e7u por dia, cada uma. Elas contam que antes da cria\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o, quando ainda tinham receio de acessar os baba\u00e7uais dentro das cercas, chegaram a arrendar as terras para poderem catar os cocos de baba\u00e7u. Pagavam em m\u00e9dia mil e quinhentos reais pelo arrendamento, o que era assumido por no m\u00e1ximo tr\u00eas mulheres por vez. E mesmo assim, o acesso aos p\u00e9s de baba\u00e7u era limitado. Um modelo explorat\u00f3rio totalmente incompat\u00edvel com a realidade dessas comunidades. Elas pagavam por medo um valor que muitas vezes mal conseguiam juntar, em um per\u00edodo que a am\u00eandoa do coco baba\u00e7u no mercado era vendida a vinte centavos o quilo. Elas lembram com tristeza desse per\u00edodo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEra muita humilha\u00e7\u00e3o. A gente era muito humilhada. Tinha que pagar para pegar o coco e mesmo assim tratavam a gente como se a gente fosse roubar algo, e a gente s\u00f3 catava o coco, n\u00e3o fazia mais nada nas terras\u201d, lembra dona Maria Celsa. Dos 50 anos de vida, 43 foram catando coco e faz quest\u00e3o de refor\u00e7ar \u201csou quebradeira de coco e tenho muito orgulho de dizer isso!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/images\/Maria_Celsa_20180502_Quebradeiras_de_Coco_Comunidade_Centro_dos_Pretinhos_Dom_Pedro_Maranho_TBauer_6_de_18.jpg\" width=\"550\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje n\u00e3o pagam o arrendamento e a am\u00eandoa chegou a ser vendida a tr\u00eas reais o quilo. Agora est\u00e1 mais ou menos R$ 2,50, o pre\u00e7o varia de regi\u00e3o para regi\u00e3o. Mas n\u00e3o reclamam, dizem que a vida est\u00e1 boa. Um sonho de dona Maria Celsa \u00e9 ver a lei do baba\u00e7ual livre aprovada. \u201cAh, o meu sonho \u00e9 esse, ver essa lei aprovada. Ver que a nossa luta deu resultado e que a lei vai estar valendo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os fazendeiros est\u00e3o desmatando a regi\u00e3o e plantando capim para fazer pasto. As quebradeiras veem com preocupa\u00e7\u00e3o esse novo cen\u00e1rio. \u201cDerrubaram as \u00e1rvores que tinham aqui, as frutas que tinham aqui, agora plantam esse capim e ele fica muito alto. Quando a gente vai entrar na mata ele atrapalha, esconde as cobras e o \u2018pelinho\u2019 dele quando pega nas pernas co\u00e7a muito. \u00c0s vezes o \u2018pelinho\u2019 voa e entra dentro das nossas casas e \u00e9 uma coceira s\u00f3\u201d. Al\u00e9m disso, como contou Francisca Sheila, a comunidade se sente aprisionada com tantas cercas em volta de seu territ\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As amea\u00e7as s\u00e3o constantes. Quando n\u00e3o contra a vida, contra o territ\u00f3rio das quebradeiras. Os fazendeiros insistem em expandir a cerca, a cada renova\u00e7\u00e3o dela, alguns metros s\u00e3o perdidos nos territ\u00f3rios da comunidade. Ao mesmo tempo, tudo o que a comunidade constroi em seu benef\u00edcio, vira alvo do interesse deles. Em dezembro de 2016 foi realizado no Centro dos Pretinhos, o Encontr\u00e3o da Teia dos Povos Tradicionais. Para essas mulheres foi um marco em suas trajet\u00f3rias. Elas puderam ouvir que elas n\u00e3o est\u00e3o sozinhas na luta. Elas n\u00e3o s\u00e3o apenas sete quebradeiras de coco, elas s\u00e3o milhares, pois s\u00e3o parte dessa teia dos povos e a luta \u00e9 feita por todos e todas, e para todos e todas. \u201cFoi a melhor coisa que aconteceu aqui!\u201d, disse Sheila, presidente da Associa\u00e7\u00e3o. Para o Encontr\u00e3o foi constru\u00eddo um grande barrac\u00e3o para abrigar as atividades. O espa\u00e7o vai poder satisfazer outros anseios da comunidade, como a possibilidade de cria\u00e7\u00e3o de um local para abrigar a mem\u00f3ria das quebradeiras de coco, que querem deixar sua hist\u00f3ria e seu legado para a comunidade, independente se a atividade da quebra do coco deixe de existir ou n\u00e3o. A prefeitura de Dom Pedro, cujo vice-prefeito \u00e9 o latifundi\u00e1rio Curi\u00f3, circunvizinho da comunidade, \u00e9 importante lembrar, quis se apropriar do barrac\u00e3o, dizendo ser este um espa\u00e7o da prefeitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As 60 fam\u00edlias da Comunidade Caj\u00e1, na Vila S\u00e3o Pedro, tamb\u00e9m enfrentaram e enfrentam as mesmas dificuldades das demais. Apesar disso, repetem que hoje a vida \u00e9 melhor. Antigamente, sem o acesso livre ao baba\u00e7ual, precisavam arrendar dos fazendeiros a \u00e1rea onde ficavam as palmeiras. Pagavam valores absurdos para a realidade que viviam. As mulheres lembram com muita tristeza desse per\u00edodo. Era um tempo de muita humilha\u00e7\u00e3o, como dizem. \u201cN\u00e3o vou entrar na sua casa para pegar um quilo de sal que seja, ou qualquer outra coisa para roubar. Mas o coco eu tenho que apanhar para criar meus tr\u00eas filhos. N\u00e3o estou roubando nada!\u201d, falou uma delas. Dona Maria Celsa, do Centro dos Pretinhos, tamb\u00e9m lembrou desse tempo, \u201cpara n\u00f3s est\u00e1vamos roubando e \u00e9ramos humilhadas todo o tempo. Agora que sabemos que podemos entrar e pegar os cocos \u00e9 bem melhor\u201d. Mas como disse Francisca Sheila, \u201cj\u00e1 conseguimos fazer o mais importante, que foi derrubar a cerca na nossa mente e nos nossos cora\u00e7\u00f5es. Conseguimos tirar essa ideia de que n\u00f3s est\u00e1vamos erradas e fazendo algo errado. Esse foi o passo mais importante que demos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitas vezes quando j\u00e1 estavam retornando dos baba\u00e7uais com os cofos cheios de cocos, ao encontrar os fazendeiros ou funcion\u00e1rios das fazendas no meio do caminho, eles as obrigavam a derrubar os cocos na estrada e seguir sem nada. Os tempos s\u00e3o outros e as lutas tamb\u00e9m s\u00e3o outras. Apesar da organiza\u00e7\u00e3o das mulheres, os enfrentamentos ainda s\u00e3o muitos. Na comunidade Caj\u00e1, por exemplo, os fazendeiros dos arredores est\u00e3o derrubando as palmeiras para fazer pasto e colocando veneno com \u00f3leo queimado na raiz das pindobas (mudas de baba\u00e7u) para matar a planta, mas o pr\u00f3prio gado deles come\u00e7ou a comer essas ra\u00edzes e morrer envenenado. \u00c9 bom lembrar que \u00e9 crime ambiental matar as mudas dessa palmeira, bem como derrub\u00e1-las, no Maranh\u00e3o, de acordo com a lei estadual 4734\/86.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Confira o v\u00eddeo:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"avPlayerWrapper avVideo\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"avPlayerContainer\">\n<div id=\"AVPlayerID_0_090c291cb5740afeef25747a3edf73d9\" class=\"avPlayerBlock\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"JoomlaWorks AllVideos Player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-ZABWoppr4k?rel=0&amp;fs=1&amp;wmode=transparent\" width=\"400\" height=\"300\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As comunidades tradicionais do Maranh\u00e3o e o efeito Sarney<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/images\/20180505_Comundiade_Caja_Quebradeiras_de_Coco_Dom_Pedro__MA_TBauer__7_de_33.jpg\" width=\"550\" \/>Tendo como parte do cen\u00e1rio natural do cerrado maranhense os produtos extrativistas, esses tornarem-se inevitavelmente o meio de vida e ao redor do qual as comunidades tradicionais desenvolviam suas atividades, constru\u00edam sua ancestralidade e modos tradicionais de vida e sobreviv\u00eancia da comunidade. Mesmo com a aproxima\u00e7\u00e3o do processo de mecaniza\u00e7\u00e3o do campo, e o desenvolvimento da ind\u00fastria algodoeira na regi\u00e3o, essas comunidades mantinham-se e desenvolviam-se dentro desse espectro de fartura de terras e integra\u00e7\u00e3o com o meio ambiente local. At\u00e9 a m\u00e3o do ent\u00e3o governador, Jos\u00e9 Sarney, assinar sua Lei de Terras, liberando a ofensiva do latif\u00fandio, facilitando mais ainda a grilagem no estado e abrindo espa\u00e7o para todo tipo de viol\u00eancia contra as comunidades tradicionais e contra seus territ\u00f3rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A lei 2979\/1969, o Estatuto da Terra do Maranh\u00e3o, popularmente conhecida como a Lei de Terras de Sarney, tinha como objetivo incentivar a apropria\u00e7\u00e3o de terras, via sociedade an\u00f4nima, independente das pequenas propriedades que estivessem no caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa lei contribuiu muito para o avan\u00e7o da pecu\u00e1ria no Maranh\u00e3o, pois acabou legitimando a distribui\u00e7\u00e3o de milhares de hectares de terras p\u00fablicas a particulares, bem como incentivos fiscais dos mais diversos para que esses \u201cempreendedores\u201d prosperassem. Os territ\u00f3rios das comunidades tradicionais, bem como sua pr\u00e1tica extrativista em \u00e1reas comum, sem delimita\u00e7\u00e3o territorial, foram colocados em risco diante da ofensiva do capital rural, \u00e0 servi\u00e7o dos interesses de Sarney. O processo de organiza\u00e7\u00e3o dessas comunidades, a jun\u00e7\u00e3o de for\u00e7as com outras entidades sociais j\u00e1 bem estabelecidas, contribuiu para que elas ganhassem for\u00e7a para se auto identificarem enquanto quebradeiras de coco, enquanto comunidades tradicionais, e enquanto detentoras de direitos, os quais deveriam ser respeitados tanto pela esfera p\u00fablica quanto pela privada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o foram anos f\u00e1ceis. De acordo com os relatos de Dona Maria Celsa, foi o per\u00edodo em que sua fam\u00edlia perdeu suas terras. Junto a isso houve uma queda na produ\u00e7\u00e3o de am\u00eandoas de baba\u00e7u. O medo e a escassez da \u201cm\u00e3e palmeira\u201d fez muitas fam\u00edlias migrarem. A busca pelo territ\u00f3rio livre e pelo baba\u00e7ual livre, portanto, sempre esteve no horizonte dessas mulheres e de suas comunidades.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os golpes e contraven\u00e7\u00f5es no caminho<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A luta pelo territ\u00f3rio sempre foi uma luta transversal \u00e0 luta pelo acesso livre ao baba\u00e7ual, e tem sido um dos pontos centrais de atua\u00e7\u00e3o dessas mulheres atualmente. Ariana Gomes, assessora de projetos do MIQCB, explica melhor a luta das quebradeiras nos dias de hoje: \u201ca gente tem v\u00e1rias linhas de frente de trabalho, o principal de hoje e de sempre, \u00e9 a luta pela regulariza\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios de baba\u00e7uais. Hoje muita mais forte essa discuss\u00e3o por conta da necessidade que elas sempre tiveram dentro das comunidades, a quest\u00e3o da lei do baba\u00e7u livre \u00e9 uma quest\u00e3o que est\u00e1 sendo repensada a metodologia, a import\u00e2ncia dessa lei para as comunidades&#8230; a gente trabalha tamb\u00e9m na linha da produ\u00e7\u00e3o no sentido de melhorar a renda das fam\u00edlias, porque uma das quest\u00f5es envolvidas \u00e9 essa da produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o para o fortalecimento da renda, mas principalmente para o fortalecimento nutritivo dessas fam\u00edlias. Ent\u00e3o a gente trabalha nessa linha de produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o dos produtos do baba\u00e7u, e temos tamb\u00e9m como um ponto muito forte o acesso aos mercados institucionais, que \u00e9 o PNAE, o Programa Nacional da Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar, o PAA, Programa de Aquisi\u00e7\u00e3o de Alimentos, e por \u00faltimo a pol\u00edtica de garantia do pre\u00e7o m\u00ednimo do baba\u00e7u que \u00e9 a PGPM-Bio. E a preserva\u00e7\u00e3o da floresta de baba\u00e7u, claro, e de todos os recursos naturais que est\u00e3o dentro dessas comunidades quebradeiras de coco\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/images\/20180502_Quebradeiras_de_Coco_Comunidade_Centro_dos_Pretinhos_Dom_Pedro_Maranho_TBauer_13_de_18.jpg\" width=\"550\" \/>Tais programas do governo t\u00eam contribu\u00eddo enormemente na comercializa\u00e7\u00e3o dos produtos das quebradeiras, bem como na complementa\u00e7\u00e3o de renda das fam\u00edlias dessas mulheres. Por\u00e9m, processos burocr\u00e1ticos, contraven\u00e7\u00f5es e mesmo desvios promovidos por intermedi\u00e1rios desses processos, tem dificultado o acesso a esses programas ou simplesmente impedido as mulheres de se manterem como benefici\u00e1rias desses projetos. A PGPM-Bio, por exemplo, que \u00e9 a pol\u00edtica de garantia de pre\u00e7os m\u00ednimos para produtos da sociobiodiversidade, assegura o pre\u00e7o de mais de 15 produtos extrativistas. Sempre que uma ou um extrativista vender seu produto por um pre\u00e7o abaixo do pre\u00e7o m\u00ednimo, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) paga essa diferen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do baba\u00e7u, figuram entre esses produtos o a\u00e7a\u00ed, a andiroba, o baru, a borracha, o cacau, a castanha do Brasil, a carna\u00faba, a ju\u00e7ara, o pequi, o umbu, entre outros. As quebradeiras de coco baba\u00e7u s\u00e3o cadastradas nesse programa, uma a uma. A Associa\u00e7\u00e3o que as representa recebia de um intermedi\u00e1rio o valor pago pela Conab, e redistribu\u00eda o subs\u00eddio para cada quebradeira. As quebradeiras vendiam a castanha para a associa\u00e7\u00e3o e recebiam, por interm\u00e9dio desse programa, a diferen\u00e7a do valor de mercado. Ap\u00f3s os desvios por parte desse intermedi\u00e1rio, que atuava no estado do Maranh\u00e3o, o programa foi suspenso na regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO MIQCB participou das discuss\u00f5es, da cria\u00e7\u00e3o dessa pol\u00edtica, mas n\u00f3s n\u00e3o temos estrutura para conseguir acessar. Em 2014 e 2015, n\u00f3s tivemos um acesso muito bom dessas pol\u00edticas, chegando a quase um milh\u00e3o de reais que as mulheres estavam acessando. S\u00f3 que n\u00f3s temos muitas demandas e poucas pessoas para realizar essas a\u00e7\u00f5es. Desde 2017 n\u00f3s n\u00e3o conseguimos acessar nem um real dessas pol\u00edticas da subven\u00e7\u00e3o. O programa n\u00e3o est\u00e1 suspenso, n\u00f3s que n\u00e3o estamos conseguindo acessar. Aqui no Maranh\u00e3o tem um \u00edndice muito alto de fraude, no in\u00edcio do ano uma representante do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente entrou em contato pois caso n\u00e3o se resolva essa situa\u00e7\u00e3o, o programa ser\u00e1 suspenso. Mas a\u00ed a gente n\u00e3o participou de nenhuma discuss\u00e3o a respeito disso. Aqui no Maranh\u00e3o pelo fato de ser o estado que mais acessa essa pol\u00edtica, o \u00edndice de fraude \u00e9 absurdo por parte dos atravessadores, que tentam se dar bem em cima do trabalho das quebradeiras. Inclusive a pr\u00f3pria CPT e o MIQCB fizeram uma den\u00fancia a respeito de uma pessoa que estava explorando e desviando o dinheiro desse recurso destinado \u00e0s mulheres quebradeiras, atrav\u00e9s dessa pol\u00edtica\u201d, explicou Ariana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse desvio \u00e9 feito de v\u00e1rias formas, como explica a assessora do MIQCB, \u201cmuitas vezes os intermedi\u00e1rios fazem altera\u00e7\u00e3o da Nota, porque \u00e9 de acordo com a Nota Fiscal apresentada. Por exemplo, se a mulher tinha quebrado mil quilos de coco naquela temporada, ele colocava que a mulher tinha quebrado dois mil. E ele ficava com metade disso e mais a metade do valor, e as vezes nem repassava o valor para a mulher\u201d. Sobre a necessidade de um intermedi\u00e1rio nesse processo, Ariana esclarece, \u201ctem uma demanda de documenta\u00e7\u00e3o, e a maioria das mulheres nas comunidades n\u00e3o tem estrutura de computador, com internet, e algu\u00e9m que possa organizar essa documenta\u00e7\u00e3o para que elas possam acessar o programa. E a\u00ed, por conta dessa fragilidade, essas pessoas fazem todo esse processo legal de documenta\u00e7\u00e3o e enviam para a Conab. S\u00f3 que ele envia a documenta\u00e7\u00e3o em nome das mulheres, ent\u00e3o n\u00e3o tem como a Conab dizer que n\u00e3o vai pagar, porque era tudo em nome da associa\u00e7\u00e3o das mulheres ou no pr\u00f3prio nome individual delas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para M\u00e1rcia Palhano, coordenadora da CPT no Maranh\u00e3o, a estrutura com excesso de burocracia nos \u00f3rg\u00e3os competentes acaba proporcionando essas brechas. \u201cO fator burocr\u00e1tico facilita isso. E as limita\u00e7\u00f5es que elas t\u00eam mesmo de entender e compreender como tudo isso funciona. E tem tamb\u00e9m uma contribui\u00e7\u00e3o do Estado, que n\u00e3o fiscaliza, pois ele \u00e9 um atravessador, mas tem v\u00e1rios iguais a ele e tem v\u00e1rias mulheres que podem n\u00e3o ter recebido. N\u00e3o existe um controle do estado a respeito disso, o que d\u00e1 mais facilidade para pessoas como ele de acabarem se aproveitando da falta de conhecimento dessas comunidades\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ariana concorda com a coordenadora da CPT, e avalia que o Estado poderia estar, tamb\u00e9m, fortalecendo as entidades que acompanham e apoiam essas comunidades, para que elas n\u00e3o acabem v\u00edtimas de estelionat\u00e1rios. \u201c\u00c9 uma fragilidade que come\u00e7a do pr\u00f3prio Estado, porque assim, \u00e9 um recurso que n\u00e3o \u00e9 para as pr\u00f3prias mulheres mesmo acessarem. Porque dizem que tem oito milh\u00f5es para elas acessarem, mas n\u00e3o tem um real para apoiar as outras organiza\u00e7\u00f5es que assessoram essas mulheres e que poderiam estar mais pr\u00f3ximas nesse processo, para fazer com que essa pol\u00edtica chegue nessas comunidades, e ainda n\u00e3o tem uma fiscaliza\u00e7\u00e3o r\u00edgida, como nesse caso por exemplo, a pr\u00f3pria Conab, que \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o que faz a libera\u00e7\u00e3o, depois que fizemos essa den\u00fancia, deveria ter fiscalizado e atestado o desvio. N\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o fizeram, como at\u00e9 hoje a pessoa n\u00e3o sofreu nenhuma penalidade. Isso porque fizemos a den\u00fancia na pol\u00edcia federal, imagine esses outros casos que a gente n\u00e3o consegue reunir provas concretas para efetivar uma den\u00fancia. E a Conab sabe que existem essas fraudes. As mulheres est\u00e3o na luta para a conquista da terra, para o acesso livre aos baba\u00e7uais e aos programas de comercializa\u00e7\u00e3o, mas na hora de efetivar a pol\u00edtica p\u00fablica, dependem do fator externo que \u00e9 o Estado\u201d.<\/p>\n<hr \/>\n<table width=\"829\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/images\/Flaviana_Silva_20180502_Quebradeiras_de_Coco_Comunidade_Centro_dos_Pretinhos_Dom_Pedro_Maranho_TBauer_16_de_18.jpg\" width=\"350\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u201cA import\u00e2ncia do baba\u00e7u para n\u00f3s \u00e9 a mesma import\u00e2ncia da vida. Pois sem o baba\u00e7u, n\u00e3o temos vida! O baba\u00e7u \u00e9 o meu orgulho de vida. Foi ele que me deu o pouco saber que eu tenho. Foi ele que sempre me vestiu, que sempre me cal\u00e7ou, e para mim o maior orgulho do mundo \u00e9 ser quebradeira de coco e filha de quebradeira de coco\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Flaviana Silva, Centro dos Pretinhos \u2013 Dom Pedro (MA)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<strong>O que diz a legisla\u00e7\u00e3o sobre o acesso ao baba\u00e7u?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir da luta das quebradeiras de coco, o poder Executivo se mobilizou para tentar fazer com que o legislativo agisse e atendesse \u00e0s necessidades dessas mulheres e das comunidades das quais elas fazem parte. Em 2003, foi criado um projeto de lei que, resumidamente, estendia a Lei do Baba\u00e7u Livre para toda a \u00e1rea dos baba\u00e7uais e ainda previa a proibi\u00e7\u00e3o da derrubada da palmeira nos estados do Maranh\u00e3o, Piau\u00ed, Tocantins, Par\u00e1, Mato Grosso e Goi\u00e1s. O projeto, n\u00famero 747-A, era de autoria da deputada federal Terezinha Fernandes (PT-MA) e acabou sendo arquivado em janeiro de 2007. No mesmo ano o deputado federal Domingos Dutra apresentou o projeto de lei 231-B, com o mesmo teor do de Terezinha. Ele acabou tendo o mesmo destino e foi arquivado em 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na contram\u00e3o da esfera federal, nos estados a legisla\u00e7\u00e3o avan\u00e7ou um pouco mais. Lago do Junco\u00a0foi o primeiro munic\u00edpio do Maranh\u00e3o que contou com uma lei do baba\u00e7u livre, aprovada em 1997. No total, 13 cidades\u00a0de tr\u00eas estados (oito no Maranh\u00e3o, quatro no Tocantins e um no Par\u00e1) tamb\u00e9m editaram leis municipais com base no livre acesso aos baba\u00e7uais.<a href=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/publicacoes-2\/destaque\/4439-do-coco-babacu-a-emancipacao-o-poder-das-quebradeiras-do-maranhao#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>\u00a0A lei garante \u00e0s quebradeiras de coco e \u00e0s suas fam\u00edlias o direito de livre acesso e de uso comunit\u00e1rio dos baba\u00e7us, mesmo se esses estiverem dentro de propriedades privadas, al\u00e9m da restri\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 derrubada da palmeira.<\/p>\n<hr \/>\n<table width=\"1064\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><strong>Do cerrado para a Europa atrav\u00e9s do baba\u00e7u<\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/images\/20180502_Quebradeiras_de_Coco_Comunidade_Centro_dos_Pretinhos_Dom_Pedro_Maranho_TBauer_18_de_18.jpg\" width=\"350\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lago do Junco n\u00e3o foi pioneiro somente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o do baba\u00e7u, mas tamb\u00e9m no empreendedorismo do baba\u00e7u para a ind\u00fastria de cosm\u00e9ticos. Distante 300 quil\u00f4metros de S\u00e3o Lu\u00eds, o munic\u00edpio abriga a Cooperativa dos Produtores do Lago do Junco (Coopalj), que possui 160 associados. A cooperativa produz o \u00f3leo de baba\u00e7u que encantou a companhia inglesa de cosm\u00e9ticos The Body Shop. Um paulista comprou o \u00f3leo e mostrou para um executivo ingl\u00eas, ent\u00e3o funcion\u00e1rio da The Body Shop, que j\u00e1 rodava o mundo em busca de fornecedores de produtos naturais para seus produtos, a partir de um programa chamado Community Trade. A empresa chegou a comprar 80% da produ\u00e7\u00e3o de \u00f3leo da cooperativa. Extra\u00eddo de forma manual e natural, o \u00f3leo pur\u00edssimo \u00e9 considerado pelo executivo de excelente qualidade, tanto para o uso quanto para o meio ambiente.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Viol\u00eancia e suic\u00eddios rondam as comunidades<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO que mais incomodou os poderes do governo estadual, tanto na esfera do legislativo, do executivo, quanto do judici\u00e1rio, foi o empoderamento dessas comunidades. N\u00f3s fizemos muito trabalho de forma\u00e7\u00e3o, de conscientiza\u00e7\u00e3o e isso, consequentemente, ajudou as pessoas a entenderem, compreenderem e se apropriarem do discurso sobre os direitos que elas possuem, sobre o lugar que elas ocupam na sociedade. Nunca essas comunidades haviam ocupado a C\u00e2mara municipal, nunca elas haviam estado nesse espa\u00e7o, que \u00e9 delas, \u00e9 do povo. E isso incomodou&#8230; incomodou muito os poderes locais\u201d, relatou M\u00e1rcia Palhano, da CPT. Por causa desse trabalho, tanto ela quanto outras pessoas que acompanhavam as quebradeiras de coco, passaram a sofrer amea\u00e7as de morte constantes na regi\u00e3o. M\u00e1rcia chegou a sofrer uma agress\u00e3o f\u00edsica ao acompanhar o grupo de quebradeiras em uma audi\u00eancia p\u00fablica para discutir a Lei do Baba\u00e7u Livre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em mar\u00e7o deste ano, a coordenadora geral do MIQCB, Francisca Nascimento, sofreu uma tentativa de assassinato, no munic\u00edpio de S\u00e3o Jo\u00e3o do Arraial, no Piau\u00ed. Francisca foi abordada por uma vizinha, em frente \u00e0 sua casa, que a questionou sobre o pagamento de uma cerca, retirada durante um mutir\u00e3o comunit\u00e1rio, que envolveu mais de 20 comunidades, para que elas tivessem acesso ao a\u00e7ude Santa Rosa. Francisca informou que a decis\u00e3o foi tomada pela comunidade. O esposo da vizinha, ent\u00e3o, atacou a coordenadora com uma faca. Ela conseguiu se desvencilhar e fugir com a sua irm\u00e3 na garupa de uma moto.\u00a0Segundo relatos do Movimento, as amea\u00e7as come\u00e7aram ano passado, quando a comunidade se organizou e revitalizou uma fonte natural de \u00e1gua, o a\u00e7ude Santa Rosa, destru\u00eddo por um fazendeiro da regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da viol\u00eancia mediante o avan\u00e7o das lutas por direitos das quebradeiras de coco e das comunidades das quais elas fazem parte, outra mazela vivida por elas \u00e9 consequ\u00eancia da viol\u00eancia estrutural a que essas comunidades s\u00e3o acometidas, o suic\u00eddio. Ao final das visitas \u00e0s comunidades de quebradeiras em Dom Pedro, fui informada de que no Centro dos Pretinhos, nos \u00faltimos tempos, quatro homens cometeram suic\u00eddio. Durante os dias que passei com as quebradeiras, em nenhum momento, mesmo quando indagava da participa\u00e7\u00e3o dos homens no processo de trabalho com o coco baba\u00e7u, esse fato foi relatado. Talvez pela pouca intimidade adquirida nesse espa\u00e7o de tempo ou pela pr\u00f3pria dificuldade em lidar com a quest\u00e3o, pouco compreendida pela comunidade at\u00e9 o momento, conforme fui informada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O soci\u00f3logo Durkheim, ao analisar o suic\u00eddio, tentou levantar fatos sociais que poderiam vir a potencializar essa pr\u00e1tica dentro de uma sociedade. Ele identificou, principalmente, o que ele considerou de tr\u00eas tipos de suic\u00eddio, o an\u00f4mico, o altru\u00edsta e o ego\u00edsta. O an\u00f4mico, que ele descreve ser comum em situa\u00e7\u00f5es de anomia social, principalmente quando um grupo social \u00e9 acometido por grandes mudan\u00e7as, como uma crise econ\u00f4mica, desemprego ou perda do poder aquisitivo, pode explicar os casos do Centro dos Pretinhos. Durkheim dizia que nesse caso, for\u00e7as desagregadoras da sociedade fazem com que o indiv\u00edduo se sinta perdido ou sozinho, mesmo sem esperan\u00e7a e perspectiva. \u00c9 poss\u00edvel ver a falta de perspectiva, principalmente, entre os homens das comunidades visitadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto as mulheres est\u00e3o organizadas, empoderadas por uma identidade tradicional e em conjunto lutando por seus direitos e sustento, os homens n\u00e3o encontram espa\u00e7o nessa conjuntura reservada para eles. Encurralados em pequenos lotes de terras, n\u00e3o conseguem produzir, ter ro\u00e7as, criar animais, como antes faziam. A crise econ\u00f4mica, da mesma forma, diminuiu a oferta dos \u201cbicos\u201d que ocupavam esses homens e davam a eles a oportunidade de contribuir com algo em casa. Rapidamente, a partir da for\u00e7a e organiza\u00e7\u00e3o dessas mulheres, essas comunidades, pequenos n\u00facleos sociais, tornaram-se matriarcais. Os homens n\u00e3o souberam lidar com isso. Os que n\u00e3o usaram do subterf\u00fagio da viol\u00eancia ou mesmo do feminic\u00eddio, acabaram tirando a pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O adoecimento pela falta de perspectivas n\u00e3o \u00e9 novidade entre os povos camponeses. Ind\u00edgenas t\u00eam visto o suic\u00eddio aumentar cada vez mais entre suas etnias, principalmente entre aquelas mais vulnerabilizadas. Sob a prote\u00e7\u00e3o da grande m\u00e3e palmeira, o baba\u00e7u, as mulheres conseguiram encontrar sua perspectiva, a for\u00e7a da uni\u00e3o deu a elas as ferramentas de luta de que precisavam. H\u00e1 um longo e duro caminho a ser percorrido, mas a certeza que elas t\u00eam \u00e9 que v\u00e3o continuar caminhando, juntas, e quebrando coco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">*Assessora de comunica\u00e7\u00e3o da CPT Nacional \/ **Agente da CPT Bahia<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do baba\u00e7u veio a identidade e o poder de emancipa\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o social dessas mulheres. Conhe\u00e7a a hist\u00f3ria de luta das quebradeiras de coco baba\u00e7u do Maranh\u00e3o, a for\u00e7a delas no enfrentamento ao latif\u00fandio, ao machismo, \u00e0s dificuldades impostas pelas condi\u00e7\u00f5es de vida a que s\u00e3o expostas e a esperan\u00e7a que ainda caminha com elas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":259334,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[6,11],"tags":[],"class_list":["post-259333","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-municipios","category-regional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/oleo-de-babacu.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/259333","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=259333"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/259333\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/259334"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=259333"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=259333"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=259333"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}