{"id":260032,"date":"2018-10-08T15:06:44","date_gmt":"2018-10-08T18:06:44","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=260032"},"modified":"2018-10-08T15:06:44","modified_gmt":"2018-10-08T18:06:44","slug":"saramago-8-de-outubro-aeroporto-de-frankfurt-premio-nobel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/saramago-8-de-outubro-aeroporto-de-frankfurt-premio-nobel\/","title":{"rendered":"Saramago: \u201c8 de outubro. Aeroporto de Frankfurt. Pr\u00eamio Nobel\u201d"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>Publicados em livro os di\u00e1rios in\u00e9ditos de Jos\u00e9 Saramago, 20 anos depois de o autor portugu\u00eas receber o pr\u00eamio<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \">\n<figure class=\"foto superior foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/10\/06\/actualidad\/1538846901_789264_1538847375_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/10\/06\/actualidad\/1538846901_789264_1538847375_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/10\/06\/actualidad\/1538846901_789264_1538847375_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/10\/06\/actualidad\/1538846901_789264_1538847375_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Jos\u00e9 Saramago, na praia Quemada, entre os munic\u00edpios de Yaiza e T\u00edas, em Lanzarote, Espanha, em uma imagem de 2007.\" width=\"980\" height=\"521\" \/><\/p>\n<div class=\"seedtag-gohan seedtag-adunit\">\n<div class=\"st-container\"><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Jos\u00e9 Saramago, na praia Quemada, entre os munic\u00edpios de Yaiza e T\u00edas, em Lanzarote, Espanha, em uma imagem de 2007.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">PEDRO WALTER<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Juan Cruz\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/juan_cruz\/a\/\">JUAN CRUZ<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/jose_saramago\">Jos\u00e9 Saramago<\/a>\u00a0escreveu em 8 de outubro em seu di\u00e1rio in\u00e9dito, agora publicado na Espanha (<em>El Cuaderno del A\u00f1o del Nobel<\/em>, pela Editora Alfaguara) e em Portugal (<em>\u00daltimo Caderno de Lanzarote, pela Porto Editora)<\/em>: &#8220;Aeroporto de Frankfurt.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/premios_nobel\">Pr\u00eamio Nobel<\/a>. A aeromo\u00e7a. Teresa Cruz. Entrevistas&#8221;. Este homem acostumado \u00e0 solid\u00e3o e \u00e0 paci\u00eancia era de longos par\u00e1grafos na escrita de seus di\u00e1rios. Naquele dia, uma corrente el\u00e9trica o colocou sozinho diante da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/nobel_literatura\/a\/\">not\u00edcia liter\u00e1ria mais s\u00e9ria de sua vida<\/a>. Ele ganhara o Nobel e tinha diante de si apenas a aeromo\u00e7a que lhe deu a not\u00edcia. E um longo corredor.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"COW9rau3990CFcttwQodqP8MiA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-load-complete=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p>Acostumado a se narrar em di\u00e1rios que ia publicando \u00e0 medida que os completava (seus cinco\u00a0<em>Cuadernos de Lanzarote<\/em>, onde morou com\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/07\/08\/cultura\/1531061225_263537.html\">Pilar del R\u00edo<\/a>\u00a0de 1993 at\u00e9 sua morte, em 2010), nessa ocasi\u00e3o ficou apenas com a anota\u00e7\u00e3o de um fato: o pr\u00eamio e a solid\u00e3o.\u00a0<em>&#8220;8 de outubro. Aeroporto de Frankfurt &#8230; &#8220;<\/em><\/p>\n<p>Ao seu redor, disse a rep\u00f3rteres naquele dia em Frankfurt, sentiu que n\u00e3o havia &#8220;nada, nada, nada, nada&#8221;. Recebeu a not\u00edcia dessa aeromo\u00e7a portuguesa, Teresa Cruz, e deixou o avi\u00e3o mergulhado em um turbilh\u00e3o. Enquanto caminhava encontrou Isabel Polanco, sua amiga, respons\u00e1vel pelo Grupo Santillana, a quem abra\u00e7ou como seu av\u00f4 abra\u00e7ava as \u00e1rvores, para\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/11\/14\/cultura\/1510678925_458325.html\">sentir que n\u00e3o estava sozinho na vida<\/a>.<\/p>\n<p>Saramago retornou \u00e0 Feira dos Editores em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/francfort\">Frankfurt<\/a>. Foi abra\u00e7ado por uma multid\u00e3o, na qual distinguiu o seu agente, Ray G\u00fcde, seu editor portugu\u00eas, Zeferino Coelho, sua editora espanhola, Amaya Elezcano &#8230; Uma chuva de champanhe e parab\u00e9ns, os parab\u00e9ns portugueses em primeiro lugar. O pr\u00eamio para um homem, para uma l\u00edngua. A eletricidade da Feira se det\u00e9m diante de Saramago. &#8220;Foi um portugu\u00eas.&#8221; Impass\u00edvel, ele se destaca naquele momento pela sobriedade diante do acolhimento<\/p>\n<p>Ricardo Viel, jornalista brasileiro, conta em\u00a0<em>Um Pa\u00eds Levantado em Alegria<\/em>, que a editora Alfaguara publica agora na Espanha e a Porto Editora, em Portugal, que Pilar del R\u00edo recebeu algum sopro sobre a possibilidade de que dessem o pr\u00eamio a ele, e que aconselhara o marido, na noite anterior, a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/10\/05\/politica\/1538772637_350727.html\">ficar atento \u00e0s not\u00edcias<\/a>.<\/p>\n<p>Saramago \u00e9 sucinto sobre a v\u00e9spera em Frankfurt. \u201c7 de outubro<em>.<\/em>\u00a0Frankfurt. Debate na Feira sobre o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/comunismo\">comunismo<\/a>\u201d. Foi a um teatro quase lotado, em Alter Opera. Tinha sido interpelado muitas vezes (pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/ciudad_del_vaticano\">Vaticano<\/a>, depois do Nobel: o jornal do Papa o chamou de &#8220;comunista recalcitrante&#8221;, lembra Viel) por sua milit\u00e2ncia, e em 6 de outubro registra no di\u00e1rio o que iria dizer. &#8220;O que significa hoje ser um escritor comunista? (&#8230;) Tiremos o escritor e perguntemos simplesmente: o que significa hoje ser comunista? A\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/urss_union_republicas_socialistas_sovieticas\">Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica<\/a>desmoronou, arrastando em sua queda as chamadas democracias populares, a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/china\">China<\/a>\u00a0hist\u00f3rica mudou menos do que se acredita, a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/corea_del_norte\">Coreia do Norte<\/a>\u00a0\u00e9 uma farsa tr\u00e1gica, as m\u00e3os dos\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/estados_unidos\">Estados Unidos<\/a>\u00a0continuam apertando o pesco\u00e7o de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/cuba\">Cuba<\/a>&#8230; Ainda \u00e9 poss\u00edvel, nesta situa\u00e7\u00e3o, ser comunista? Acho que sim. Com a condi\u00e7\u00e3o, reconhe\u00e7o que nada materialista, de n\u00e3o perder o car\u00e1ter. Ser comunista ou socialista \u00e9, entre outras coisas, e tanto como ou at\u00e9 mais importante do que o resto, um car\u00e1ter&#8221;.<\/p>\n<p>Assim tinha sido, e assim seria, depois da tempestade do Nobel,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/06\/17\/cultura\/1434566144_965255.html\">o car\u00e1ter de suas reflex\u00f5es, confiss\u00f5es, narra\u00e7\u00f5es, diatribes<\/a>, com as quais adorna di\u00e1rios anteriores e com as quais preenche este. Em fevereiro deste ano, Pilar del R\u00edo o encontrou esquadrinhando os arquivos em que seu marido escrevia. &#8220;N\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1rio que descreva o espanto do instante&#8221;, diz Pilar no pr\u00f3logo que inseriu nesta edi\u00e7\u00e3o que a editora Alfaguara publicar\u00e1 no pr\u00f3ximo 11 de outubro na Espanha. Saramago contara que tinha escrito, mas o texto escapou no emaranhado de computadores. Pilar del Rio diz: &#8220;Eram dias de vinte anos atr\u00e1s, eram dias de hoje&#8221;.<\/p>\n<p>Saramago dizendo-se \u201caos borbot\u00f5es, m\u00eas a m\u00eas, um ano inteiro, nesse ano e justo agora.<\/p>\n<p>No di\u00e1rio agora publicado, aquelas datas de outubro (&#8220;dias de vinte anos atr\u00e1s, dias de hoje&#8221;) s\u00e3o telegramas com os quais Saramago se salvava da desmem\u00f3ria que todo o tumulto provoca. S\u00f3 recupera o f\u00f4lego de sua escrita sincopada, mas longa, pausada, quando tem que fazer seu discurso na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/10\/05\/actualidad\/1538722359_886405.html\">Academia Nobel<\/a>. Naquele dia, 7 de dezembro de 1998, \u00e9 registrado o seguinte: &#8220;Sete entrevistas no hotel&#8230; Escrito ao longo do m\u00eas passado, deixo aqui o discurso lido nesta data ante a Academia Sueca. T\u00edtulo:\u00a0<em>De Como a Personagem Foi Mestre e o Autor de seu Aprendiz<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>Assim come\u00e7ou seu discurso nesse 7 de dezembro: \u201cO homem mais s\u00e1bio que conheci em toda a minha vida n\u00e3o sabia ler nem escrever\u201d. Era a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/12\/18\/internacional\/1513613064_845460.html\">hist\u00f3ria de seu av\u00f4<\/a>, que o fez chorar e escrever ao longo de uma vida que naquele 7 de outubro de 1998 recebeu uma sacudida brutal, cujo grau se observa na intensidade el\u00e9trica de sua surpresa.<\/p>\n<p>\u201cNa primeira noite como Nobel dormiu tr\u00eas horas. N\u00e3o se sabe se sonhou\u201d, escreve Ricardo Veil em\u00a0<em>Um Pa\u00eds Levantado em Alegria<\/em>. Um tempo de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/insomnio\/a\">ins\u00f4nia<\/a>feliz. Depois a vida seguiu, ele recuperou o pulso e acabou o ano, assim conta, buscando agachado meias no El Corte Ingl\u00e9s. Pilar del Rio lhe havia encomendado. \u201cVoc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 precisando.\u201d Acabava a eletricidade de outubro. Saramago se dispunha a ser Jos\u00e9 outra vez, escritor portugu\u00eas, morador de T\u00edas, em Lanzarote, na Espanha.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Publicados em livro os di\u00e1rios in\u00e9ditos de Jos\u00e9 Saramago, 20 anos depois de o autor portugu\u00eas receber o pr\u00eamio<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":260033,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-260032","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/saramago.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/260032","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=260032"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/260032\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/260033"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=260032"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=260032"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=260032"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}