{"id":260116,"date":"2018-10-09T06:49:56","date_gmt":"2018-10-09T09:49:56","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=260116"},"modified":"2018-10-09T06:51:09","modified_gmt":"2018-10-09T09:51:09","slug":"quatro-contos-ineditos-do-jovem-garcia-marquez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/quatro-contos-ineditos-do-jovem-garcia-marquez\/","title":{"rendered":"Quatro contos in\u00e9ditos do jovem Garc\u00eda M\u00e1rquez"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>O Banco de Rep\u00fablica da Col\u00f4mbia, a Biblioteca Luis \u00c1ngel Arango e a FNPI divulgam textos escritos por Garc\u00eda M\u00e1rquez entre 1948 e 1952<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\">\n<p><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Francesco Manetto\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/francesco_manetto\/a\/\">FRANCESCO MANETTO<\/a><\/span><\/p>\n<div class=\"autor-perfiles\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/10\/07\/cultura\/1538945721_067226_1539025739_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/10\/07\/cultura\/1538945721_067226_1539025739_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/10\/07\/cultura\/1538945721_067226_1539025739_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/10\/07\/cultura\/1538945721_067226_1539025739_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Gabriel Garcia Marquez\" width=\"980\" height=\"550\" \/><\/p>\n<div class=\"seedtag-gohan seedtag-adunit\">\n<div class=\"st-container\"><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Reprodu\u00e7\u00e3o do conto in\u00e9dito de Garc\u00eda M\u00e1rquez \u2018Relato de las Barritas de Menta\u2019, permitida pela Biblioteca Luis \u00c1ngel Arango, do Banco da Rep\u00fablica da Col\u00f4mbia<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O sil\u00eancio de uma cidade do interior do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/caribe\">Caribe<\/a>\u00a0colombiano. O microcosmos de Aracataca, o impacto emocional provocado por um lugar ao qual se regressa, essa mat\u00e9ria-prima da qual Macondo nasceu. \u201cAquilo era como voltar a olhar as ilustra\u00e7\u00f5es de um livro conhecido na inf\u00e2ncia\u201d, escreveu\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/gabriel_garcia_marquez\">Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez<\/a>\u00a0em\u00a0<em>Relato de las Barritas de Menta<\/em>\u00a0(conto das barrinhas de menta), um texto in\u00e9dito que vem \u00e0 tona com outros tr\u00eas originais escritos entre 1948 e 1952. O Banco da Rep\u00fablica da Col\u00f4mbia os reuniu em\u00a0<em>Los Papeles de Gabo,<\/em>\u00a0ao lado de textos datilografados e manuscritos do ent\u00e3o jovem jornalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTalvez eu os tivesse conhecido a todos e agora eles me olhavam passar e me reconheciam pensando \u2018veja, o morto regressou\u2019. E, de certa forma, eles tinham raz\u00e3o.\u201d Assim narrou o escritor em uma viagem \u00e0 sua cidade natal, provavelmente na segunda vez que voltava e na primeira que o fazia sozinho. O pr\u00eamio\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/nobel_literatura\">Nobel de Literatura<\/a>\u00a0relatou suas sensa\u00e7\u00f5es nessa narra\u00e7\u00e3o, apresentada no Festival Garc\u00eda M\u00e1rquez de Medell\u00edn, onde tamb\u00e9m vieram a p\u00fablico\u00a0<em>Olor Antiguo (cheiro antigo), El Ahogado Que Nos Tra\u00eda Caracoles<\/em>\u00a0(o afogado que nos trazia conchas) e um relato sem t\u00edtulo. Trata-se de textos que ser\u00e3o expostos na Biblioteca Luis \u00c1ngel Arango de Bogot\u00e1, adquiridos pelo Banco da Rep\u00fablica da Col\u00f4mbia e que se somam \u00e0s 44 caixas doadas \u00e0 rede de bibliotecas da entidade pela vi\u00fava do escritor, Mercedes Marcha, e por seu filho Gonzalo Garc\u00eda Barcha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante o \u201cBogotazo\u201d, a revolta ocorrida em 1949 na capital colombiana ap\u00f3s o magnic\u00eddio do l\u00edder liberal Jorge Eli\u00e9cer Gait\u00e1n, foi incendiada a casa onde Garc\u00eda M\u00e1rquez morava. O jovem estudante de Direito, nascido em Aracataca em 1927, subiu ent\u00e3o num caminh\u00e3o dos correios e retornou \u00e0 costa. Em Cartagena, em meio \u00e0 luta contra a indig\u00eancia, ele come\u00e7ou a escrever como aprendiz no jornal\u00a0<em>El Universal<\/em>. A essa \u00e9poca, at\u00e9 1952, remontam os textos apresentados por Alberto Abello Vives, diretor da\u00a0<a href=\"https:\/\/elviajero.elpais.com\/elviajero\/2013\/10\/18\/actualidad\/1382088543_171292.html\">Biblioteca<\/a>\u00a0Luis \u00c1ngel Arango, pelo pesquisador Sergio Sarmiento e por Jaime Abello Banfi, diretor-geral da Funda\u00e7\u00e3o do Novo Jornalismo Ibero-Americano (FNPI, na sigla em espanhol), que leu\u00a0<em>Relato de Las Barritas de Menta<\/em>\u00a0e salientou a import\u00e2ncia desse acervo. Garc\u00eda Barcha recordou que o romancista rasgava \u201cas folhas de papel que n\u00e3o lhe serviam\u201d. \u201cAcredito que Gabo teria gostado de ser como Vermeer\u201d, disse, em refer\u00eancia ao pintor holand\u00eas. \u201cGostaria que ningu\u00e9m nunca soubesse quais eram as costuras por tr\u00e1s de seus quadros\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, por seu valor, hoje se conhecem alguns desses rascunhos. O primeiro \u00e9 um conto sem t\u00edtulo, que faria parte de\u00a0<em>Relatos de<\/em>\u00a0<em>Un Viajero Imaginario<\/em>\u00a0(contos de um viajante imagin\u00e1rio) e que finalmente foi eliminado da s\u00e9rie. Descreve o que acontece numa pequena cidade durante um eclipse solar. De\u00a0<em>El Ahogado Que Nos Tra\u00eda Caracoles<\/em>, conservaram-se os \u00fanicos fragmentos que Garc\u00eda M\u00e1rquez escreveu. O romancista se referiu a esse texto num artigo\u00a0<a href=\"https:\/\/elpais.com\/diario\/1982\/08\/25\/opinion\/399074412_850215.html\">publicado no EL PA\u00cdS em 1982<\/a>. \u201cDurante muitos anos (&#8230;), sonhei em escrever um conto do qual s\u00f3 tinha o t\u00edtulo:\u00a0<em>El Ahogado Que Nos Tra\u00eda Caracoles.<\/em>\u00a0Lembro que falei sobre isso com \u00c1lvaro Cepeda Samudio [escritor e jornalista colombiano] numa estrepitosa noite de amores de Pilar Ternera, e ele me disse: \u2018Esse t\u00edtulo \u00e9 t\u00e3o bom que nem \u00e9 preciso escrever o conto\u2019&#8230; Quase 40 anos depois, surpreendo-me ao ver qu\u00e3o certeira foi aquela r\u00e9plica. De fato, a imagem do homem imenso e encharcado que devia chegar de noite com um punhado de conchas para as crian\u00e7as ficou para sempre no desv\u00e3o dos contos sem escrever.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em\u00a0<em>Olor Antiguo,<\/em>\u00a0Gabo come\u00e7a a experimentar com influ\u00eancias novas, deixa o estilo kafkiano e se aproxima de Ernest Hemingway, explica Sergio Sarmiento. \u201cImagine um casal que comemora 50 anos de casamento. O homem est\u00e1 sentado num quarto contando como a conheceu, e a mulher pensa que o homem tem que deixar de recordar&#8230;\u201d At\u00e9 que \u201cele percebe que se casou com a g\u00eamea errada, casou-se com a g\u00eamea que odiava, n\u00e3o com a que amava.\u201d<\/p>\n<section id=\"sumario_2|foto\" class=\"sumario_foto izquierda\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/10\/07\/actualidad\/1538945721_067226_1538947086_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/10\/07\/actualidad\/1538945721_067226_1538947086_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/10\/07\/actualidad\/1538945721_067226_1538947086_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez em 1972\" width=\"360\" height=\"493\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez em 1972<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">ODRIGO GARC\u00cdA (GABO PERIODISTA\/FNPI)<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Relato de las Barritas de Menta<\/em>\u201cdescreve Aracataca muito brevemente de uma forma muito dura, \u00e9 uma vers\u00e3o muito pessoal de fic\u00e7\u00e3o\u201d, prossegue o pesquisador. Fala, por exemplo, de um lugar onde migrantes rec\u00e9m-chegados vendiam alguns produtos. \u201cO armaz\u00e9m escuro dos italianos, onde vendiam botas para as crian\u00e7as e sardinhas para os adultos e barras de menta para pequenos e grandes e cujo interior cheirava a p\u00e3o dormido e petr\u00f3leo cru\u201d, escreveu Garc\u00eda M\u00e1rquez. Esse lugar ainda reverbera na mem\u00f3ria do povoado. Aqueles italianos \u2013 explicou Rafael Dar\u00edo Jim\u00e9nez, respons\u00e1vel pela Casa de Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez, durante uma visita realizada por ocasi\u00e3o do quinquag\u00e9simo anivers\u00e1rio de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/06\/04\/cultura\/1496600143_627064.html\"><em>Cem Anos de Solid\u00e3o<\/em><\/a>\u00a0\u2013 viajaram at\u00e9 o departamento colombiano de Magdalena e organizaram os primeiros sindicatos da planta\u00e7\u00e3o de bananas da United Fruit Company, cujo massacre de trabalhadores far\u00e1 90 anos em dezembro. E tamb\u00e9m eles, como todo o resto, povoaram esse imagin\u00e1rio que deu vida a Macondo.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|despiece\" class=\"sumario_despiece centro\"><a name=\"sumario_3\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<header class=\"sumario-encabezado\">\n<h4 class=\"sumario-titulo\"><span class=\"sin_enlace\">COME\u00c7O DO &#8216;CONTO BARRINHAS DE MENTA&#8217;<\/span><\/h4>\n<\/header>\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O conto intitulado\u00a0<i>Relato de las Barritas de Menta<\/i>, um dos quatro textos in\u00e9ditos escritos por Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez entre 1949 e 1952 que acabam de vir a p\u00fablico, come\u00e7a da seguinte forma:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFinalmente cessou o som agudo dos freios. A roda cal\u00e7ou no trilho abrasado, e o esgotador e poeirento sil\u00eancio do povoado penetrou no vag\u00e3o. Era um sil\u00eancio igual ao vilarejo, feito de seus mesmos e desolados ingredientes, de suas ruas retas, largas e vazias, de seus enormes quintais quadrados, frescos sob a penetrante umidade das bananas e de suas velhas casas de madeiras arruinadas sob o p\u00f3 com antigos mobili\u00e1rios e mulheres escuras sem idade nem pressentimentos estendidas na letargia da sesta. N\u00e3o tinha mais de 20 anos esse sil\u00eancio, mas sua maturidade, sua devastadora experi\u00eancia lhe davam um aspecto secular e o faziam parecer um sil\u00eancio t\u00e3o antigo quanto o resplendor da poeira nas ruas ou como a claridade dos espelhos que haviam perdido a mem\u00f3ria dos \u00faltimos rostos. A sensa\u00e7\u00e3o da morte estava presente.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Banco de Rep\u00fablica da Col\u00f4mbia, a Biblioteca Luis \u00c1ngel Arango e a FNPI divulgam textos escritos por Garc\u00eda M\u00e1rquez entre 1948 e 1952<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":260118,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-260116","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/garcia-marques1.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/260116","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=260116"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/260116\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/260118"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=260116"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=260116"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=260116"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}