{"id":260675,"date":"2018-10-14T09:15:56","date_gmt":"2018-10-14T12:15:56","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=260675"},"modified":"2018-10-14T09:15:56","modified_gmt":"2018-10-14T12:15:56","slug":"o-pais-que-tem-20-formas-de-pedir-desculpas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-pais-que-tem-20-formas-de-pedir-desculpas\/","title":{"rendered":"O pa\u00eds que tem 20 formas de pedir desculpas"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"byline\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"byline__name\">Emma Cooke<\/span><\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/14BC5\/production\/_103733948_4.jpg\" alt=\"Pessoas em galeria\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span>O Jap\u00e3o tem uma das cidades mais densamente populosas do mundo, e cidad\u00e3os t\u00eam um argumento para respeitar o espa\u00e7o das pessoas.<\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\" style=\"text-align: justify;\">Era 1h em\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/3f53c272-5b8f-4a4f-99de-a857d6726c5b\">T\u00f3quio<\/a>\u00a0e tent\u00e1vamos entrar em um apartamento. T\u00ednhamos nos perdido tentando encontrar nosso Airbnb e chegamos a um endere\u00e7o que parecia ser o certo. Como era de madrugada, aquilo j\u00e1 era pr\u00f3ximo o suficiente para n\u00f3s. Havia chaves na caixa do correio, onde nosso anfitri\u00e3o disse que elas estariam. Como o c\u00f3digo de seguran\u00e7a n\u00e3o funcionou, eu coloquei minhas m\u00e3os no buraco para agarr\u00e1-las.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00ea pode at\u00e9 pensar que dever\u00edamos ter parado para avaliar a situa\u00e7\u00e3o, mas fomos alimentados pelo tipo de determina\u00e7\u00e3o que vem de um voo de 12 horas seguido por uma peregrina\u00e7\u00e3o de transporte p\u00fablico. Eu estava perto de conseguir pegar as chaves quando a porta se abriu e revelou uma senhora de camisola e sua filha olhando para n\u00f3s com espanto. Definitivamente n\u00e3o era o nosso Airbnb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Surpreendentemente, em vez de gritar, chamar a pol\u00edcia, ou ambos, elas passaram os 20 minutos seguintes tentando nos ajudar a encontrar o endere\u00e7o certo. Isso sem falarmos uma palavra de japon\u00eas e elas sem falar ingl\u00eas. Ao final, quando n\u00e3o conseguimos avan\u00e7ar, elas formalmente se desculparam. E isso porque \u00e9ramos\u00a0<i>gaikokujin<\/i>, ou estrangeiros, que acabaram de tentar invadir sua casa.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/172D\/production\/_103733950_1.jpg\" alt=\"Pessoas na rua\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>A jornalista Emma Cooke ficou surpresa quando uma fam\u00edlia japonesa se desculpou depois que ela inadvertidamente tentou invadir seu apartamento<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">As express\u00f5es japonesas para se desculpar s\u00e3o comuns, frequentemente vistas como mera mod\u00e9stia, na melhor das hip\u00f3teses, ou, na pior, como uma autoflagela\u00e7\u00e3o desnecess\u00e1ria. E de fato desculpar-se pode parecer um estilo de vida no Jap\u00e3o. H\u00e1 gestos espec\u00edficos para pedidos de desculpas: por exemplo, uma m\u00e3o contra a testa \u00e9 tanto um pedido de desculpas quanto uma maneira de idosas atravessarem multid\u00f5es, como pequenos navios de guerra num mar de gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 ainda in\u00fameras maneiras de se desculpar. Pelo menos 20, de acordo com o BBC Explainer (<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/news\/world-asia-33901966\">em ingl\u00eas<\/a>). A mulher em nosso &#8220;n\u00e3o-apartamento&#8221; usava a vers\u00e3o mais formal,\u00a0<i>gomen-nasai<\/i>, mas o mais comum \u00e9\u00a0<i>sumimasen<\/i>, que ouvi ser a palavra mais \u00fatil a se aprender naquela viagem. Traduzido aproximadamente como um pesaroso &#8216;com licen\u00e7a&#8217;, o termo\u00a0<i>sumimasen\u00a0<\/i>est\u00e1 pendurado em portas, t\u00e1xis, lojas e restaurantes, deixando o &#8216;arigatou&#8217; (obrigado) no plano de fundo. Isso pode gerar uma suposi\u00e7\u00e3o de que os japoneses se desculpam por tudo.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Palavra cotidiana<\/h2>\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-parrot\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com Laurie Inokuma, graduada em l\u00edngua japonesa pela Universidade Cornell e que trabalhou para a Japan Airlines por 15 anos, isso n\u00e3o \u00e9 verdade.\u00a0<i>Sumimasen<\/i>, por exemplo, n\u00e3o est\u00e1 substituindo o<i>\u00a0arigatou<\/i>\u00a0&#8211; est\u00e1 na realidade tornando-o mais abrangente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Apenas 10% de\u00a0<i>sumimasen<\/i>\u00a0s\u00e3o um pedido de desculpas. Noventa por cento servem para demonstrar respeito, gentileza e honestidade&#8221;, disse Inokuma. &#8220;\u00c9 uma palavra cotidiana. Quando algu\u00e9m faz algo por voc\u00ea, como sair do seu caminho no mercado ou segurar uma porta, &#8216;ah,\u00a0<i>sumimasen<\/i>&#8216;<i><\/i>\u00e9 uma resposta comum&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/6237\/production\/_103734152_2.jpg\" alt=\"Rua no Jap\u00e3o\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Os japoneses t\u00eam pelo menos 20 formas de se desculpar, e o mais comum \u00e9 sumimasen, que se traduz mais ou menos como &#8216;com licen\u00e7a&#8217;<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como um simples &#8220;obrigado&#8221; ou &#8220;desculpe&#8221;,\u00a0<i>sumimasen\u00a0<\/i>\u00e9 bastante usado para reconhecer o esfor\u00e7o que algu\u00e9m fez por voc\u00ea. &#8220;H\u00e1 humildade no ato; dependendo da situa\u00e7\u00e3o, \u00e9 tanto um pedido de desculpas quanto de agradecimento&#8221;, disse Inokuma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Erin Niimi Longhurst, autor do livro\u00a0<i>Japonisme\u00a0<\/i>&#8211; que explica como as tradi\u00e7\u00f5es japonesas podem ajudar a criar uma vida mais contemplativa &#8211; concorda. &#8220;H\u00e1 uma cultura da desculpa, mas tamb\u00e9m uma cultura da gratid\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Cortesia na Copa<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das minhas hist\u00f3rias favoritas \u00e9 de quando uma tia brit\u00e2nica encontrou uma senhora japonesa numa confer\u00eancia e a convidou para uma jantar de fam\u00edlia. Essa mulher nos trouxe presentes lindamente embrulhados, todos do Jap\u00e3o. Havia at\u00e9 presentes para meu irm\u00e3o e minha irm\u00e3 muito mais novos. Ela n\u00e3o tinha ideia de que seria convidada de \u00faltima hora para o jantar, mas trouxe com ela lembran\u00e7as e papel de presente, caso precisasse. Foi incr\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Copa do Mundo deste ano foi um exemplo ainda mais claro desse n\u00edvel de cortesia: quando o Jap\u00e3o perdeu seu jogo final, a equipe ganhou as manchetes porque limpou todo o vesti\u00e1rio. Ela deixou inclusive um recado de agradecimento.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/B057\/production\/_103734154_3.jpg\" alt=\"Pessoas sob cerejeiras\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Sumimasen \u00e9 uma palavra comum para mostrar respeito pelos outros<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, se as desculpas s\u00e3o apenas uma engrenagem da grande roda em movimento na polidez japonesa, de onde vem esse conceito cultural que se tornou t\u00e3o abrangente?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;H\u00e1 uma necessidade de polidez no Jap\u00e3o para se conviver com os vizinhos, \u00e9 um respeito pelos outros&#8221;, diz Inokuma. Em T\u00f3quio, quando vemos uma multid\u00e3o se movendo educadamente em longas filas para entrar no parque Shinjuku Gyoen, ou em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 margem do rio Nakameguro na esta\u00e7\u00e3o das cerejeiras, isso faz sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Jap\u00e3o tem algumas das cidades mais densamente populadas do mundo, e uma popula\u00e7\u00e3o urbana de 93,93%. T\u00f3quio, por exemplo, tem cerca de 6.150 pessoas por quil\u00f4metro quadrado, em compara\u00e7\u00e3o com os 5.729 de Londres (isso inclui os extensos sub\u00farbios de T\u00f3quio &#8211; a maior parte dos residentes est\u00e1 concentrada no centro da Grande T\u00f3quio, a \u00e1rea metropolitana mais populosa do mundo, com mais de 2,4 milh\u00f5es de viagens di\u00e1rias).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O espa\u00e7o m\u00e9dio por pessoa \u00e9 de 22 metros quadrados ao longo do pa\u00eds, mas de 19 metros quadrados em T\u00f3quio. N\u00f3s experimentamos isso na pele quando nos hospedamos em apartamentos unanimemente impec\u00e1veis, aconchegantes &#8211; e incrivelmente min\u00fasculos. Quando o espa\u00e7o se torna artigo de luxo, de repente parece natural tornar-se t\u00e3o atencioso com o espa\u00e7o alheio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;H\u00e1 esse respeito pelo espa\u00e7o de outras pessoas&#8221;, afirma Longhurst. &#8220;Quando voc\u00ea entra numa resid\u00eancia japonesa, voc\u00ea sempre tira os sapatos &#8211; uma separa\u00e7\u00e3o de interno e externo. Tamb\u00e9m h\u00e1 uma atitude de\u00a0<i>meiwaku<\/i>, ou seja &#8216;desculpe incomodar&#8217; ou &#8216;desculpe entrar em seu espa\u00e7o'&#8221;.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Gentileza cultural<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas essa profunda gentileza n\u00e3o \u00e9 apenas uma adapta\u00e7\u00e3o a vizinhan\u00e7as abarrotadas. Quando sa\u00edmos das cidades para a tranquilidade dos Alpes japoneses, as pessoas eram ainda mais educadas. Fomos a Kamikochi, um vale montanhoso que estava fechado a ve\u00edculos naquela esta\u00e7\u00e3o. Por isso, fizemos uma caminhada extenuante de duas horas, o que geralmente levaria dez minutos de carro. Valeu a pena o passeio, mas quando um funcion\u00e1rio ofereceu nos levar de volta de carro, quase choramos de al\u00edvio. No dia anterior, no caminho de \u00f4nibus \u00e0 nossa Okuhida ryokan (tradicional hospedagem japonesa), esqueci meu celular no ve\u00edculo e s\u00f3 me dei conta horas depois. O motorista do \u00f4nibus o encontrou e entregou-o pessoalmente, depois de buscar meu endere\u00e7o no servi\u00e7o Find My iPhone.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No livro\u00a0<i>Japonisme<\/i>, Longhurst explora a rela\u00e7\u00e3o entre a cultura moderna japonesa e suas tradi\u00e7\u00f5es. Para ela, o h\u00e1bito de se desculpar &#8211; e a cultura da polidez da qual ela faz parte &#8211; pode se resumir ao conceito de aten\u00e7\u00e3o plena (mindfulness). &#8220;A ess\u00eancia de muitas pr\u00e1ticas japonesas \u00e9 ter um relacionamento consigo mesmo e com o mundo natural. Em situa\u00e7\u00f5es como a cerim\u00f4nia do ch\u00e1, trata-se de ter uma consci\u00eancia de onde se est\u00e1 em um momento espec\u00edfico no tempo. Serve-se ch\u00e1, mas o que importa n\u00e3o \u00e9 apenas o ch\u00e1, mas o arranjo de flores no canto que vai dar a no\u00e7\u00e3o da esta\u00e7\u00e3o, a caligrafia na parede que vai mencionar a \u00e9poca do ano. O ponto principal \u00e9 ter consci\u00eancia de onde se est\u00e1 em um momento espec\u00edfico, e isso transparece em como as pessoas interagem umas com as outras&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A popularidade de casas de ch\u00e1 nas atra\u00e7\u00f5es tur\u00edsticas do Jap\u00e3o \u00e9 prova disso. Vagando pela vila de Okochi-Sanso, em Kyoto, em vez de seguir para a pr\u00f3xima vista imponente, terminamos com uma x\u00edcara de ch\u00e1 olhando por uma janela de bambu. Foi um momento de tranquilidade bem diferente da multid\u00e3o de selfies do lado de fora do bosque de bambus, no distrito de Arashiyama. Um al\u00edvio ao turista que mal pode respirar.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/FE77\/production\/_103734156_5.jpg\" alt=\"Tradi\u00e7\u00e3o japonesa de ch\u00e1\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Erin Niimi Longhurst: &#8216;A ess\u00eancia de muitas pr\u00e1ticas japonesas \u00e9 ter uma consci\u00eancia de onde voc\u00ea est\u00e1 em um momento espec\u00edfico no tempo&#8217;<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">De volta a T\u00f3quio, Hidetsugu Ueno, dono do Bar High Five, concordou que a aten\u00e7\u00e3o plena explica em parte a cultura da desculpa no Jap\u00e3o, mas acrescentou que isso anda de m\u00e3os dadas com a empatia. &#8220;Claro que n\u00e3o queremos nos desculpar se n\u00e3o precisarmos. Mas podemos nos colocar no lugar de outras pessoas e sentir muito por elas, ent\u00e3o queremos dizer isso em voz alta&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pr\u00e1tica da aten\u00e7\u00e3o plena inclui estar ciente de outras pessoas em seu entorno, mas pedir desculpas tamb\u00e9m vem de uma habilidade emocional mais ampla de entender os sentimentos dos outros. A taxa de criminalidade do Jap\u00e3o sustenta isso &#8211; o pa\u00eds \u00e9 conhecido por seu baixo \u00edndice de viol\u00eancia, apresentando algumas das mais baixas taxas de homic\u00eddio do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como Ueno disse: &#8220;H\u00e1 crimes aqui no Jap\u00e3o. N\u00f3s n\u00e3o somos monges. Mas se vemos uma carteira na rua, a maioria dos japoneses a levar\u00e1 para a delegacia. Sabemos o quanto as pessoas sofrem quando perdem a carteira. Se voc\u00ea pensar sobre isso acontecendo com voc\u00ea, voc\u00ea deve saber como reagir. Aprendemos isso quando somos crian\u00e7as pequenas na escola&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 um cen\u00e1rio da galinha e do ovo: essa empatia cultural nasce da moralidade, ou vice-versa? As crian\u00e7as nas salas de aula japonesas t\u00eam tido li\u00e7\u00f5es de &#8220;educa\u00e7\u00e3o moral&#8221; desde 1958, ensinando a import\u00e2ncia de cooperar para o benef\u00edcio de todos, um conceito que diz-se ter originado com os samurai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Isso tem rela\u00e7\u00e3o com essa hist\u00f3rica cultura samurai, mas muito tamb\u00e9m vem de querer preservar uma din\u00e2mica de grupo, assim como da ideia de fazer algo para o bem dos outros&#8221;, explicou Longhurst. Basta lembrar do Fukushima 50, um grupo de trabalhadores idosos que ficou para ajudar a reparar a usina nuclear de Fukushima ap\u00f3s o devastador tsunami de 2011, para entender esse efeito nos dias de hoje.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/14C97\/production\/_103734158_6.jpg\" alt=\"Pessoas na rua\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Acredita-se que o conceito de cooperar com os outros para o benef\u00edcio de todos se originou com o samurai<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Jap\u00e3o, \u00e9 evidente que pedir desculpas \u00e9 uma panaceia, refinada em sua pr\u00f3pria e complexa l\u00edngua. Mas essa l\u00edngua tamb\u00e9m \u00e9 um espelho da cultura mais ampla do Jap\u00e3o. Aqui, &#8216;desculpe&#8217; \u00e9 a janela para uma mistura labir\u00edntica de polidez, respeito e moralidade. Ela parece ser explicada, de um lado, pelas realidades de se viver em uma na\u00e7\u00e3o insular lotada e, de outro, da ader\u00eancia \u00e0 regra de tratar os outros como voc\u00ea gostaria de ser tratado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;As complexidades da cultura e da l\u00edngua est\u00e3o interligadas. Meu marido diz que polidez e respeito est\u00e3o no DNA japon\u00eas&#8221;, Inokuma refletiu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas para mim, foi Ueno quem resumiu melhor. &#8220;As pessoas devem ser honestas, devem ser gentis, devem ser sinceras. As pessoas deveriam ser assim, n\u00e3o?&#8221;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea pode at\u00e9 pensar que dever\u00edamos ter parado para avaliar a situa\u00e7\u00e3o, mas fomos alimentados pelo tipo de determina\u00e7\u00e3o que vem de um voo de 12 horas seguido por uma peregrina\u00e7\u00e3o de transporte p\u00fablico. 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