{"id":261031,"date":"2018-10-17T06:56:54","date_gmt":"2018-10-17T09:56:54","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=261031"},"modified":"2018-10-17T06:56:54","modified_gmt":"2018-10-17T09:56:54","slug":"por-que-voce-nao-deve-obrigar-seu-filho-a-comer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/por-que-voce-nao-deve-obrigar-seu-filho-a-comer\/","title":{"rendered":"Por que voc\u00ea n\u00e3o deve obrigar seu filho a comer"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>Academia Americana de Pediatria explica quais s\u00e3o os recursos mais infelizes utilizados pelos pais para fazer com que seus filhos comam<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"foto superior foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/10\/16\/actualidad\/1539677915_443370_1539702133_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/10\/16\/actualidad\/1539677915_443370_1539702133_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/10\/16\/actualidad\/1539677915_443370_1539702133_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/10\/16\/actualidad\/1539677915_443370_1539702133_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Dia Mundial da Alimenta\u00e7\u00e3o 2018\" width=\"980\" height=\"549\" \/><\/p>\n<div class=\"seedtag-gohan seedtag-adunit\">\n<div class=\"st-container\"><\/div>\n<\/div>\n<\/figure>\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Diana Oliver\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/diana_oliver_ortiz\/a\/\">DIANA OLIVER<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A maternidade e a paternidade marcam um antes e um depois na vida de todo ser humano. Desde o nascimento de nosso\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/hijos\"><strong>filho<\/strong><\/a>, defendemos nossas expectativas e nossos desejos quase com ferocidade. Para n\u00f3s \u00e9 muito claro: queremos que durmam como achamos que devem dormir, queremos que se comportem como consideramos que devem se comportar e, evidentemente, queremos que comam como, quando e quanto estimamos que devem comer. Depois, a realidade. E a verdade \u00e9 que, especialmente no assunto alimenta\u00e7\u00e3o, n\u00f3s pais e m\u00e3es passamos os primeiros anos da inf\u00e2ncia angustiados pela sobreviv\u00eancia das\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/ninos\">crian\u00e7as<\/a>\u00a0que t\u00e3o injustamente dizemos que \u201ccomem mal\u201d, por acharmos que comem pouco e pelo \u201cnada\u201d que parece servir-lhes de sustento. Tanto nos preocupamos que \u00e9 um motivo recorrente de questionamentos nas consultas com os pediatras. Mas a resposta n\u00e3o est\u00e1 no consult\u00f3rio e sim, quase sempre, em nossas expectativas. Obrigar as crian\u00e7as a comer o que esperamos que comam n\u00e3o deveria ser nunca uma possibilidade razo\u00e1vel. Uma situa\u00e7\u00e3o muito comum e que merece uma men\u00e7\u00e3o no\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/alimentacion\/a\">Dia Mundial da Alimenta\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que n\u00e3o se deve nunca obrigar uma crian\u00e7a a comer<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o obrigue seu filho a comer. Nunca o obrigue, por nenhum m\u00e9todo, em nenhuma circunst\u00e2ncia, por nenhum motivo\u201d. Em 1999, o pediatra Carlos Gonz\u00e1lez j\u00e1 explicou em\u00a0<em>Meu Filho N\u00e3o Come!<\/em>\u00a0por que nunca se deve obrigar uma crian\u00e7a a comer. O dietista-nutricionista\u00a0<a href=\"https:\/\/juliobasulto.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Julio Basulto<\/a>confirmou em\u00a0<em>Se Me Hace Bola<\/em>\u00a0(in\u00e9dito no Brasil), publicado em 2013, que n\u00e3o existe nenhuma justificativa nutricional para for\u00e7ar. Tamb\u00e9m diz isso frequentemente em seus perfis de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/redes_sociales\">redes sociais<\/a>\u00a0e o reafirma por telefone ao EL PA\u00cdS: \u201cObrigar uma crian\u00e7a a comer n\u00e3o \u00e9 \u00e9tico e educativo e \u00e9 contraproducente. O objetivo n\u00e3o \u00e9 que a crian\u00e7a coma e sim que queira comer, e que queira comer de forma saud\u00e1vel, e isso n\u00e3o se consegue com a coa\u00e7\u00e3o, com a press\u00e3o, com a insist\u00eancia, pr\u00eamios e castigos. A crian\u00e7a \u00e9 a \u00fanica que sabe quanto deve comer, n\u00e3o o sabemos n\u00f3s nutricionistas, m\u00e9dicos e pais. Somente o c\u00e9rebro da crian\u00e7a sabe\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 da mesma opini\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/directory\/profiles\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mar\u00eda Manera Bassols<\/a>, dietista-nutricionista e autora de diversas publica\u00e7\u00f5es sobre alimenta\u00e7\u00e3o infantil, que destaca que em nosso meio a preocupa\u00e7\u00e3o deveria ser que mais de 40% das crian\u00e7as t\u00eam um problema de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/obesidad\">excesso de peso<\/a>. Tamb\u00e9m diz que obrigar a comer \u00e0 for\u00e7a, quando a crian\u00e7a diz que n\u00e3o quer e n\u00e3o precisa, al\u00e9m de falta de respeito com ela, n\u00e3o \u00e9 eficiente. \u201cNormalmente se insiste para que a crian\u00e7a coma mais em quantidade, com a vontade de que aumente a variedade de alimentos que come e que consuma determinados alimentos supostamente saud\u00e1veis e que \u201ctem que comer\u201d. Se a crian\u00e7a n\u00e3o os quer e a for\u00e7amos a comer, dificilmente escolher\u00e1 por vontade pr\u00f3pria no futuro j\u00e1 que justamente for\u00e7ar a comer provoca avers\u00e3o e rep\u00fadio aos alimentos aos que foi obrigada a comer\u201d, diz.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|html\" class=\"sumario_html derecha\"><a name=\"sumario_1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<blockquote><p>\u201cN\u00e3o obrigue seu filho a comer. Nunca o obrigue, por nenhum m\u00e9todo, em nenhuma circunst\u00e2ncia, por nenhum motivo\u201d<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Car<a href=\"http:\/\/www.tueligesloquecomes.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">los Casabona<\/a>, pediatra especializado em alimenta\u00e7\u00e3o infantil, lembra que a Academia Americana de Pediatria j\u00e1 alertava no final dos anos 70 no\u00a0<em>Pediatric Nutrition Handbook<\/em>\u00a0que o apetite da crian\u00e7a \u201c\u00e9 err\u00e1tico e imprevis\u00edvel\u201d, e diz que n\u00e3o se deve for\u00e7ar a comer em casa e no col\u00e9gio. \u201cSomente a crian\u00e7a sabe do que precisa atrav\u00e9s de um experimentad\u00edssimo mecanismo que h\u00e1 mil\u00eanios funciona \u00e0s mil maravilhas: a fome\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre as consequ\u00eancias de obrigar as crian\u00e7as a comer,\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/mariavguardiola\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mar\u00eda Vallejo Guardiola<\/a>, psic\u00f3loga especialista em obesidade e transtorno da conduta alimentar (TCA), explica que com essa a\u00e7\u00e3o alteramos a rela\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as com a comida no presente, mas tamb\u00e9m no futuro, um fato que influencia tamb\u00e9m na constru\u00e7\u00e3o do apego. \u201cSe a a\u00e7\u00e3o de comer \u00e9 for\u00e7ada, se altera sua fun\u00e7\u00e3o natural. Uma crian\u00e7a obrigada a comer se desconecta de seu corpo, n\u00e3o aproveita a experi\u00eancia e v\u00ea a hora das refei\u00e7\u00f5es como algo aversivo. Al\u00e9m disso, o adulto que for\u00e7a a comer n\u00e3o est\u00e1 sendo emp\u00e1tico e prejudica o estabelecimento de um apego seguro baseado na mutualidade. Uma crian\u00e7a que em sua inf\u00e2ncia foi for\u00e7ada a comer tem muito mais probabilidades de se transformar em um adulto com problemas com a comida\u201d, diz. Por tr\u00e1s de pacientes com sobrepeso e obesidade, Vallejo observou que costumam existir \u201chist\u00f3rias de horas intermin\u00e1veis na mesa, onde ningu\u00e9m se levantava at\u00e9 o prato estar totalmente vazio\u201d, algo que provoca desajustes como chegar \u00e0 idade adulta com problema para parar de comer quando j\u00e1 se est\u00e1 saciado.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>O suborno, a forma mais comum<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com a Academia Americana de Pediatria a forma mais comum utilizada pelos pais para obrigar seus filhos a comer \u00e9 o suborno. Mas n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica. Em seu livro\u00a0<em>Se Me Hace Bola<\/em>, Basulto o resume em oito a\u00e7\u00f5es: amea\u00e7as, chantagem emocional, hostilidade e despotismo, humilha\u00e7\u00e3o, mentira, press\u00e3o e\/ou coa\u00e7\u00e3o, terror, viol\u00eancia e\/ou maltrato psicol\u00f3gico. E d\u00e1 exemplos de frases como \u201cSe voc\u00ea n\u00e3o comer, te levarei ao hospital e ter\u00e3o que aliment\u00e1-lo por sonda\u201d, \u201cVoc\u00ea n\u00e3o vai levantar da mesa at\u00e9 comer tudo\u201d e \u201cFecho seu nariz para seu bem, para que voc\u00ea engula\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre essa a\u00e7\u00e3o em particular,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.gloriacolli-pediatra.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gloria Colli<\/a>, pediatra e autora de\u00a0<em>Sua Lact\u00e2ncia do Come\u00e7o ao Fim<\/em>, alerta que \u00e9 preciso levar em considera\u00e7\u00e3o que obrigar a comer n\u00e3o \u00e9 somente tampar o nariz da crian\u00e7a e \u201cenfiar a colher quando ela abrir a boca para respirar\u201d, tamb\u00e9m utilizar frases aparentemente inocentes como \u201cSe voc\u00ea n\u00e3o comer, a mam\u00e3e vai ficar triste\u201d, \u201cSe comer tudo vai ficar grande e forte\u201d e \u201cSe n\u00e3o comer a verdura n\u00e3o ganha sobremesa\u201d. \u201cS\u00e3o recursos igualmente infelizes porque tamb\u00e9m significam uma manipula\u00e7\u00e3o emocional. At\u00e9 mesmo recorrer ao t\u00edpico avi\u00e3ozinho pode ser uma maneira de obrigar se deixar de ser uma brincadeira e uma das partes j\u00e1 n\u00e3o achar divertido\u201d, diz.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|html\" class=\"sumario_html derecha\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<blockquote><p>\u201cSe voc\u00ea n\u00e3o comer, te levarei ao hospital e ter\u00e3o que aliment\u00e1-lo por sonda\u201d, \u201cVoc\u00ea n\u00e3o vai levantar da mesa at\u00e9 comer tudo\u201d<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Carlos Casabona acrescenta outras formas veladas como \u201cteatrinhos\u201d, enaltecer as virtudes do que se oferece para comer e a utiliza\u00e7\u00e3o de telas (celular com v\u00eddeos e tablets com desenhos animados). Mas tamb\u00e9m coloca um pouco de otimismo: os sistemas do Baby Led Weaning (BLW) e Aprender a Comer Sozinho (ACS) que chegaram para ficar. \u201cMuitas m\u00e3es jovens est\u00e3o muito bem informadas e adotam esse sistema que respeita os sinais de saciedade do beb\u00ea\u201d, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a casa que se transforma no cen\u00e1rio habitual das press\u00f5es pela refei\u00e7\u00e3o. Os refeit\u00f3rios escolares tamb\u00e9m o s\u00e3o. Mar\u00eda Manera Bassols participou de diversos guias sobre o papel dos adultos nas refei\u00e7\u00f5es que fazem com as crian\u00e7as. Dois anos atr\u00e1s a Ag\u00eancia de Sa\u00fade P\u00fablica da Catalunha publicou o documento\u00a0<em>Acompanhar as Refei\u00e7\u00f5es das Crian\u00e7as. Conselhos para Refeit\u00f3rios Escolares e Fam\u00edlias<\/em>, que aborda justamente esse assunto, tanto do \u00e2mbito escolar como no de casa. O texto surgiu da necessidade expressada a partir do coletivo de refeit\u00f3rios escolares (Associa\u00e7\u00f5es de pais e mestres, monitores e coordenadores dos refeit\u00f3rios) sobre como se posicionar em determinadas situa\u00e7\u00f5es como a negativa de comer e experimentar determinados alimentos. \u201cO simples fato de que ocorra o debate sobre qual deve ser a atitude do adulto, que surjam d\u00favidas, que se pergunte \u00e0 administra\u00e7\u00e3o que trabalha com os refeit\u00f3rios qual \u00e9 sua opini\u00e3o e posicionamento, que saia na imprensa, etc., evidencia que algumas pr\u00e1ticas \u201ctradicionais\u201d de imposi\u00e7\u00e3o, obriga\u00e7\u00e3o e coer\u00e7\u00e3o est\u00e3o sendo questionadas\u201d, diz Manera. Atualmente muitos refeit\u00f3rios escolares est\u00e3o ligados diretamente aos projetos pedag\u00f3gicos dos col\u00e9gios, o que fomenta o envolvimento, a participa\u00e7\u00e3o e a aprendizagem das crian\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 verdade que um refeit\u00f3rio coletivo \u00e9 mais dif\u00edcil de gerir do que uma casa, e que existem determinadas pr\u00e1ticas, como permitir que n\u00e3o se coma algo de que n\u00e3o se gosta, que precisam de um trabalho coordenado e profundo com os adultos respons\u00e1veis do refeit\u00f3rio e tamb\u00e9m com as crian\u00e7as; mas se existe a vontade de se trabalhar a partir desse olhar, a experi\u00eancia de muitos refeit\u00f3rios nos diz que \u00e9 poss\u00edvel acompanhar as refei\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as a partir desse prisma\u201d, diz Mar\u00eda Manera.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>As crian\u00e7as que n\u00e3o comem<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">A alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das maiores preocupa\u00e7\u00f5es dos pais durante os tr\u00eas primeiros anos de vida de seus filhos. Carlos Casabona v\u00ea isso em seu consult\u00f3rio, ao qual v\u00e3o pais preocupados n\u00e3o s\u00f3 pela quantidade e sim pelo que e quando alimentar seus filhos. \u201cO entorno mudou de maneira espetacular e o que d\u00e1vamos antes com quatro meses, agora n\u00e3o se recomenda at\u00e9 os seis ou sete meses. O que antes recomend\u00e1vamos aos doze meses agora dizemos que pode ser dado aos seis. Isso desorienta bastante muitas fam\u00edlias, mas procuramos dar os conselhos nutricionais mais atuais e sempre relacionados \u00e0 evid\u00eancia cient\u00edfica existente, acima de interesses comerciais que sempre estiveram presentes. O que acontece \u00e9 que agora estamos mais atentos e a informa\u00e7\u00e3o corre mais depressa\u201d, diz Casabona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pediatra considera \u201cparadoxal\u201d que nos preocupemos com o fato das crian\u00e7as de dois a quatro anos comerem \u201cpouco\u201d na \u00e9poca da humanidade em que mais existe sobrepeso e obesidade infantil: \u201cEstamos \u201cfabricando\u201d os que ser\u00e3o adultos com obesidade, com todas as repercuss\u00f5es que isso acarreta\u201d. Tamb\u00e9m diz, entretanto, que existem ocasi\u00f5es em que o pediatra dever\u00e1 estudar casos pontuais em que h\u00e1 sintomas associadas \u00e0 verdadeira falta de apetite como apatia, fraqueza, palidez e diarreia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gloria Colli considera que a preocupa\u00e7\u00e3o pela alimenta\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as \u00e9 inerente \u00e0 maternidade e \u00e0 paternidade: \u201cSempre existe algo que nos preocupa. Se a crian\u00e7a n\u00e3o toma leite o suficiente ou se toma demais, se come pouca verdura, se n\u00e3o experimenta a fruta, se n\u00e3o conseguimos fazer com que coma de forma mais saud\u00e1vel&#8230; E \u00e9 bom que os pais se preocupem, porque conseguimos com que se informem e que se envolvam na tarefa de fazer com que toda a fam\u00edlia fa\u00e7a uma dieta mais saud\u00e1vel, mas \u00e9 preciso tomar cuidado para que n\u00e3o se transforme em uma obsess\u00e3o que lhes impe\u00e7a de aproveitar momentos agrad\u00e1veis durante a refei\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|html\" class=\"sumario_html centro\"><a name=\"sumario_3\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">A alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das maiores preocupa\u00e7\u00f5es dos pais durante os tr\u00eas primeiros anos de vida de seus filhos.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que fazer para que a hora da refei\u00e7\u00e3o seja um momento agrad\u00e1vel? Colli recomenda que a primeira coisa que devemos fazer \u00e9 desligar a televis\u00e3o e dessa forma aproveitar esse tempo para conversar em fam\u00edlia, evitando que o assunto central seja a refei\u00e7\u00e3o. \u201cDa refei\u00e7\u00e3o s\u00f3 se fala para parabenizar o cozinheiro. Se seu filho n\u00e3o gosta de verdura, por mais que voc\u00ea lhe diga 20 vezes que est\u00e1 muito gostosa, continuar\u00e1 sem gostar. Se queremos que a refei\u00e7\u00e3o seja um momento agrad\u00e1vel, evitemos situa\u00e7\u00f5es conflitivas. E precisamos dar exemplos. As crian\u00e7as aprendem por imita\u00e7\u00e3o, de modo que se comemos bem no final elas tamb\u00e9m o far\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E quando uma crian\u00e7a n\u00e3o quer comer, o que podemos fazer? Mar\u00eda Manera Bassols responde que devemos respeit\u00e1-la, da mesma forma que far\u00edamos com uma pessoa adulta. \u201cOs sinais de auto-regulamenta\u00e7\u00e3o de fome e saciedade s\u00e3o inatos e nas crian\u00e7as saud\u00e1veis s\u00e3o efetivos no momento de cumprir com seus requerimentos energ\u00e9ticos e nutricionais. Em nosso entorno, com uma disponibilidade abundante de alimentos a qualquer hora e em qualquer lugar, n\u00e3o existe justificativa nutricional para for\u00e7ar algu\u00e9m que n\u00e3o quer comer e n\u00e3o tem fome a comer\u201d, diz.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das maiores preocupa\u00e7\u00f5es dos pais durante os tr\u00eas primeiros anos de vida de seus filhos. 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