{"id":263105,"date":"2018-11-06T09:23:34","date_gmt":"2018-11-06T12:23:34","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=263105"},"modified":"2018-11-06T09:23:34","modified_gmt":"2018-11-06T12:23:34","slug":"quando-os-portugueses-assombravam-o-mundo-com-barcos-canhoes-e-ferocidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/quando-os-portugueses-assombravam-o-mundo-com-barcos-canhoes-e-ferocidade\/","title":{"rendered":"Quando os portugueses assombravam o mundo com barcos, canh\u00f5es e ferocidade"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>O historiador Roger Crowley revela em novo livro a extraordin\u00e1ria aventura lusitana no Oceano \u00cdndico<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Jacinto Ant\u00f3n\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/jacinto_anton\/a\/\">JACINTO ANT\u00d3N<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/10\/01\/actualidad\/1538393024_389864_1538394201_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/10\/01\/actualidad\/1538393024_389864_1538394201_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/10\/01\/actualidad\/1538393024_389864_1538394201_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/10\/01\/actualidad\/1538393024_389864_1538394201_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"A chegada de Vasco da Gama a Calcut\u00e1, numa imagem de \u00e9poca.\" width=\"980\" height=\"562\" \/><\/p>\n<div class=\"seedtag-gohan seedtag-adunit\">\n<div class=\"st-container\"><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">A chegada de Vasco da Gama a Calcut\u00e1, numa imagem de \u00e9poca.<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<section id=\"sumario_6|apoyos\" class=\"sumario_apoyos derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<div class=\"apoyos\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Houve um tempo em que os portugueses se transformaram no assombro do mundo. No final do s\u00e9culo XV, o pequeno pa\u00eds do canto da Europa empreendeu uma extraordin\u00e1ria aventura naval que levou seus barcos e expedicion\u00e1rios a ultrapassar os limites do mundo conhecido no Ocidente. Numa empreitada marcada por arrojo, puni\u00e7\u00f5es, inveja, fanatismo religioso e uma exacerbada viol\u00eancia, al\u00e9m de curiosidade, os portugueses ganharam a corrida para chegar \u00e0 \u00cdndia e se transformaram nos senhores do Oceano \u00cdndico para controlar o com\u00e9rcio de especiarias, seguindo os passos do lend\u00e1rio Simb\u00e1, o Marujo, na base do canh\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CO_sv9rfv94CFYNpwQodBt0L2w\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">O historiador brit\u00e2nico Roger Crowley (Cambridge, 1951), autor dos\u00a0<em>best-sellers<\/em>\u00a0<em>Imp\u00e9rios do Mar<\/em>\u00a0(Ed. Tr\u00eas Estrelas),\u00a0<em>Constantinopla<\/em>\u00a0e\u00a0<em>City of Fortune<\/em>\u00a0[sobre Veneza], publica agora\u00a0<em>Conquistadores\u00a0\u2014 Como Portugal Forjou o Primeiro Imp\u00e9rio Global<\/em>\u00a0(Ed. Cr\u00edtica), um ensaio apaixonante em que ele imprime toda a emo\u00e7\u00e3o daquele epis\u00f3dio hist\u00f3rico desconhecido para muitos. \u00c9 uma hist\u00f3ria de 30 anos, a partir de 1497 (a volta ao Cabo da Boa Esperan\u00e7a), repleta de momentos incr\u00edveis, de maravilhas, de hist\u00f3rias sensacionais, de barbaridades\u00a0\u2014 em Goa, mataram tanta gente que os famosos crocodilos locais n\u00e3o davam conta\u00a0\u2014 e de grandes personagens (<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/04\/09\/cultura\/1428586480_845656.html\">Cabral<\/a>, Vasco de Gama, o terr\u00edvel Afonso de Albuquerque, Duarte Pacheco Pereira e Francisco de Almeida). Crowley conta que os portugueses, que acreditavam ter chegado aos dom\u00ednios do m\u00edtico Preste Jo\u00e3o e consideravam o hindu\u00edsmo uma forma estranha de cristianismo, levaram elefantes e rinocerontes da \u00cdndia at\u00e9 Lisboa, e enviaram um exemplar de cada esp\u00e9cie a Roma como presente para o Papa.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_3\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/10\/01\/actualidad\/1538393024_389864_1538405042_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/10\/01\/actualidad\/1538393024_389864_1538405042_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/10\/01\/actualidad\/1538393024_389864_1538405042_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/10\/01\/actualidad\/1538393024_389864_1538405042_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Ru\u00ednas do forte portugu\u00eas A Famosa, em Malaca, Mal\u00e1sia.\" width=\"980\" height=\"735\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Ru\u00ednas do forte portugu\u00eas A Famosa, em Malaca, Mal\u00e1sia.<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por que \u00e9 t\u00e3o desconhecida a empreitada portuguesa? \u201cTamb\u00e9m era para mim\u201d, responde Crowley, um homem simp\u00e1tico e t\u00e3o apaixonado quanto os seus livros.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/09\/17\/cultura\/1505653388_699163.html\">\u201c[Crist\u00f3v\u00e3o] Colombo e 1492 certamente ofuscaram o imp\u00e9rio dos portugueses.\u201d<\/a>\u00a0Ser\u00e1 que eles erraram, deixando passar a oportunidade de serem eles os que apoiaram Colombo? \u201cNaquele momento o correto, segundo todas as evid\u00eancias que tinham, era n\u00e3o lhe dar muita import\u00e2ncia. Os c\u00e1lculos de Colombo obviamente estavam errados. Tornavam o mundo 25% menos do que era na verdade. \u00c9 l\u00f3gico que os portugueses, que possu\u00edam grandes astr\u00f4nomos, matem\u00e1ticos e ge\u00f3grafos\u00a0\u2014 entre eles judeus que fugiram da Espanha \u2014, com conhecimentos muito mais precisos, praticamente riram dele. Era melhor ir ao Leste. Evidentemente, logo ficou claro que Colombo havia descoberto algo grande, mas ele pr\u00f3prio n\u00e3o sabia bem o qu\u00ea. Achava que tinha chegado ao Jap\u00e3o.\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/10\/11\/cultura\/1476195066_630848.html\">Ningu\u00e9m sabia que a Am\u00e9rica existia<\/a>. Todo mundo ficou surpreso ao ver que ele regressava e com pessoas como\u00a0<em>souvenir<\/em>\u00a0que n\u00e3o pareciam da \u00cdndia. Somente com Magalh\u00e3es ficou claro para os portugueses que ele tinha descoberto um novo continente.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os conquistadores portugueses se comportavam de forma diferente em rela\u00e7\u00e3o aos espanh\u00f3is? \u201cOs espanh\u00f3is desembarcavam com inten\u00e7\u00e3o de se apoderar de terras. Eram um imp\u00e9rio colonial terrestre. Os portugueses n\u00e3o eram muitos, seu imp\u00e9rio era mais mar\u00edtimo e se baseava no controle de pontos estrat\u00e9gicos onde constru\u00edam fortes, e no poder naval mais do que na conquista de grandes extens\u00f5es de terra, exceto no caso do Brasil\u201d, diz o escritor. Crowley afirma que os portugueses criaram o primeiro imp\u00e9rio mar\u00edtimo, prefigurando o dos holandeses e o dos brit\u00e2nicos. Como Portugal p\u00f4de fazer isso? \u201cSim, parece dif\u00edcil de entender, \u00e9 extraordin\u00e1rio; mas eles tinham 60 anos de aprendizagem na costa africana. Durante esse tempo, desenvolveram conhecimentos de navega\u00e7\u00e3o, engenharia naval, cartografia e um projeto nacional. Uma diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o aos espanh\u00f3is \u00e9 que esse projeto foi dirigido diretamente pelos reis e controlado absolutamente por eles. J\u00e1 no caso espanhol, houve muitos aventureiros, que agiram por conta pr\u00f3pria, como\u00a0<em>freelancers<\/em>\u201d, diz.<\/p>\n<section id=\"sumario_5|despiece\" class=\"sumario_despiece izquierda\"><a name=\"sumario_5\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<header class=\"sumario-encabezado\">\n<h4 class=\"sumario-titulo\"><span class=\"sin_enlace\">HIST\u00d3RIAS E MIST\u00c9RIOS DE UM EMPREENDIMENTO INCR\u00cdVEL<\/span><\/h4>\n<\/header>\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p>Entre as muitas proezas contadas por Crowley, ficamos encantados pela do marinheiro do Porto Andr\u00e9 Fern\u00e1ndez que, em uma batalha naval com uma frota mu\u00e7ulmana, se entrincheirou na torre de vigia de seu barco e recha\u00e7ou todas as tentativas do inimigo de desaloj\u00e1-lo lan\u00e7ando pedras e proferindo insultos durante dois dias.<\/p>\n<p>O autor indica que ainda h\u00e1 muitos mist\u00e9rios na navega\u00e7\u00e3o portuguesa. Talvez tenham avistado a Am\u00e9rica? \u201c\u00c9 uma quest\u00e3o interessante. Avan\u00e7avam muito para o Atl\u00e2ntico para pegar os ventos que os levavam a circunavegar a \u00c1frica, e muitos registros se perderam no terremoto que arrasou Lisboa em 1755. \u00c9 de se perguntar por que moveram a linha do tratado de Tordesilhas se ignoravam a exist\u00eancia do Brasil. Pessoalmente n\u00e3o acredito que tenham chegado e, de fato, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma prova, mas&#8230;\u201d.<\/p>\n<p>Crowley menciona algumas mulheres nas viagens portuguesas \u00e0 \u00cdndia. \u201cTemos alguns nomes, mas n\u00e3o sabemos com que finalidade iam. Talvez fossem prostitutas. Em todo caso, n\u00e3o eram muitas e os portugueses se casaram com muita frequ\u00eancia com mulheres locais, o que indica que n\u00e3o as levavam para colonizar.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">O autor diz que a empreitada portuguesa inspirou a NASA. \u201c[A ag\u00eancia espacial americana] levou em considera\u00e7\u00e3o como os portugueses dedicaram muito tempo ao aprendizado da explora\u00e7\u00e3o antes de realizar suas grandes viagens\u201d, afirma. Mantendo essa compara\u00e7\u00e3o espacial, \u00e0s vezes parece que os portugueses se lan\u00e7aram sobre o Oceano \u00cdndico e o Mar Vermelho como os invasores extraterrestres de\u00a0<em>Independence Day<\/em>\u00a0\u2014\u00a0<em>O Ressurgimento<\/em>\u00a0sobre a Terra. \u201cH\u00e1 um componente de viol\u00eancia e depreda\u00e7\u00e3o sem escr\u00fapulos. Eram homens sedentos de riqueza, ouro e especiarias, e com fome de poder. O \u00cdndico era um lugar tranquilo. N\u00e3o quero parecer inocente e rom\u00e2ntico, mas, embora houvesse conflitos pontuais e pirataria, n\u00e3o existia viol\u00eancia em grande escala. Havia muitos agentes diferentes e livre com\u00e9rcio. A ideia europeia de monop\u00f3lio era completamente estranha. O mar era de todos. Os portugueses levaram o terror e o caos a este mundo.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crowley afirma em seu livro que as frotas chinesas precederam as portuguesas, \u201cmas sua mentalidade era completamente diferente, o dos chineses era um empreendimento de conhecimento e de propaganda, n\u00e3o aspiravam a conquistar espa\u00e7o comercial e n\u00e3o representaram uma irrup\u00e7\u00e3o traum\u00e1tica nesse mundo como os portugueses\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A viol\u00eancia com que os portugueses entraram na rede de cidades e reinos das costas da \u00c1frica, na pen\u00ednsula ar\u00e1bica, na \u00cdndia, especialmente na costa de Malabar, e at\u00e9 Malaca, pareceu incompreens\u00edvel e aterradora. \u201cTinham forjado um fanatismo religioso na cruzada no Marrocos, que foi seu campo de treinamento, e de fato fizeram planos para destruir Meca, profanar o corpo de Maom\u00e9 e liberar a Terra Santa. E tamb\u00e9m \u00e9 verdade que empregaram a viol\u00eancia para intimidar, como arma psicol\u00f3gica que compensava o baixo contingente de suas tropas: tinham de inspirar medo. Havia mesmo assim algo de loucura em alguns conquistadores portugueses, como Vasco da Gama, um homem extremamente violento\u201d. Almeida, por sua vez, com a raz\u00e3o comprometida pela morte de seu filho Louren\u00e7o em combate \u00e0 bordo do S\u00e3o Miguel, chegou a decorar as portas da cidade de Diu (Gujarat) com peda\u00e7os de corpos desmembrados de seus habitantes. Com frequ\u00eancia se ultrajava os prisioneiros com a merdimboca, que significa exatamente isso. Para os maometanos, acrescentava-se bacon.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tecnologicamente, a conquista portuguesa \u00e9 explicada pela qualidade de seus barcos e a efic\u00e1cia de suas armas, especialmente de sua artilharia, muito mais moderna que as de seus inimigos. Isso explica (al\u00e9m da agressividade), por exemplo, como em Momba\u00e7a em 1505 os portugueses tenham matado 700 mu\u00e7ulmanos e perderam apenas 5 de seus soldados.<\/p>\n<section id=\"sumario_4|html\" class=\"sumario_html derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">Com frequ\u00eancia se ultrajava os prisioneiros com a merdimboca, que significa exatamente isso. Para os maometanos, acrescentava-se bacon.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cultura da fidalguia, a honra, a virilidade, a necessidade de demonstrar coragem pessoal, aponta Crowley, tamb\u00e9m influ\u00edram na desmesura da conquista portuguesa. \u201cCompartilhavam isso com os espanh\u00f3is, passavam horas discutindo quem ia ao ataque primeiro, se lan\u00e7avam ao corpo a corpo, esse tipo de coisas. Eram pessoas modernas, mas ao mesmo tempo medievais. H\u00e1 um lado a\u00ed tamb\u00e9m de influ\u00eancia brit\u00e2nica em Portugal: a corte portuguesa foi influenciada pelos c\u00f3digos e hist\u00f3rias de cavalaria.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seus livros, Crowley consegue colocar o leitor no clima da \u00e9poca. \u201cTento narrar de uma forma muito evocadora e visual para recriar o passado. Viajei de caravela, em uma r\u00e9plica. Eram barcos pequenos e assustadores. De vinte metros por seis. Quando se tem consci\u00eancia do que era viajar para lugares distantes e desconhecidos em um barco assim se entende muita coisa. Em cinco anos, os portugueses perderam 35% de sua frota em naufr\u00e1gios. H\u00e1 um dito portugu\u00eas que sintetiza o que era a navega\u00e7\u00e3o: \u2018Se quiser aprender a rezar, v\u00e1 para o mar\u2019. Era horr\u00edvel. Uma expedi\u00e7\u00e3o de Vasco da Gama passou 90 dias no mar, mais do que Colombo em sua primeira viagem \u00e0 Am\u00e9rica\u201d.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|despiece\" class=\"sumario_despiece centro\"><a name=\"sumario_1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<header class=\"sumario-encabezado\">\n<h4 class=\"sumario-titulo\"><span class=\"sin_enlace\">FILHO DE ALMIRANTE CONDECORADO<\/span><\/h4>\n<\/header>\n<figure class=\"foto \" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/10\/01\/actualidad\/1538393024_389864_1541255456_sumario_normal.jpg\" alt=\"O historiador Roger Crowley, retratado durante sua passagem por Barcelona.\" width=\"980\" height=\"586\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">O historiador Roger Crowley, retratado durante sua passagem por Barcelona.<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Roger Crowley costuma navegar? \u201cN\u00e3o, fico enjoado\u201d, responde sorrindo. \u201cMeu pai era da\u00a0<em>Royal Navy<\/em>\u00a0[marinha brit\u00e2nica] e passei minha inf\u00e2ncia em barcos, ent\u00e3o sei bem.\u201d O pai de Crowley, George Clement Crowley (1916-1999) se aposentou como almirante depois de servir valorosamente (foi condecorado com a DSC, a cruz dos servi\u00e7os que se destacam) durante a Segunda Guerra Mundial, de participar da batalha do Atl\u00e2ntico e do Mediterr\u00e2neo (comandou um destr\u00f3ier em Creta) e de estar presente na rendi\u00e7\u00e3o do Jap\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o surpreende ouvir Roger Crowley dizer que \u00e9 um admirador de Patrick Leigh Fermor, de Jan Morris e do grande escritor de viagens su\u00ed\u00e7o Nicolar Bouvier. Atualmente, Crowley escreve sobre o fim das cruzadas e Acra, um livro cujo t\u00edtulo ser\u00e1\u00a0<em>A torre maldita<\/em>. Percorreu os cen\u00e1rios e encontrou pedras de catapulta, uma arma cuja tecnologia considera muito interessante.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O historiador Roger Crowley revela em novo livro a extraordin\u00e1ria aventura lusitana no Oceano \u00cdndico<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":263106,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1175,6],"tags":[],"class_list":["post-263105","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/portugues-no-brasil.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/263105","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=263105"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/263105\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/263106"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=263105"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=263105"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=263105"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}