{"id":263511,"date":"2018-11-10T06:30:54","date_gmt":"2018-11-10T09:30:54","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=263511"},"modified":"2018-11-10T06:30:54","modified_gmt":"2018-11-10T09:30:54","slug":"o-que-e-exatamente-a-inteligencia-emocional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-que-e-exatamente-a-inteligencia-emocional\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 (exatamente) a intelig\u00eancia emocional?"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>As emo\u00e7\u00f5es transformaram o c\u00e9rebro dos mam\u00edferos h\u00e1 mais de 200 milh\u00f5es de anos e perpetuaram uma poderosa influ\u00eancia que se mant\u00e9m viva em nossa esp\u00e9cie<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Ignacio Morgado Bernal\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/ignacio_morgado_bernal\/a\/\">IGNACIO MORGADO BERNAL<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/10\/24\/ciencia\/1540372846_255478_1540816075_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/10\/24\/ciencia\/1540372846_255478_1540816075_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/10\/24\/ciencia\/1540372846_255478_1540816075_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/10\/24\/ciencia\/1540372846_255478_1540816075_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Jovens beijam-se em Madri com a Catedral de Almudena ao fundo.\" width=\"980\" height=\"654\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Jovens beijam-se em Madri com a Catedral de Almudena ao fundo.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">LUIS SEVILLANO<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A express\u00e3o &#8220;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/inteligencia_emocional\/a\/\">intelig\u00eancia emocional<\/a>&#8221; est\u00e1 inclu\u00edda hoje no l\u00e9xico de muitos, tanto de pessoas comuns quanto de intelectuais ou celebridades. At\u00e9 mesmo ministros usam a express\u00e3o em seus coment\u00e1rios e alertas. Mas nem todo mundo se refere \u00e0 mesma coisa quando usa essa express\u00e3o. Para alguns, a intelig\u00eancia emocional \u00e9 algo como um tipo de intelig\u00eancia mais avan\u00e7ada do que a cl\u00e1ssica, ou seja, do que a intelig\u00eancia anal\u00edtica, medida em testes que fornecem resultados em quociente num\u00e9rico. H\u00e1 tamb\u00e9m aqueles que se referem \u00e0 intelig\u00eancia emocional pelo lado negativo, como uma incapacidade de controlar as emo\u00e7\u00f5es: &#8220;Comporta-se como se n\u00e3o tivesse intelig\u00eancia emocional&#8221;. Tamb\u00e9m n\u00e3o faltam aqueles que acreditam ser um novo tipo de intelig\u00eancia rec\u00e9m-inventada, pois, afinal de contas, o conceito de intelig\u00eancia n\u00e3o \u00e9 absoluto, tal como a altura ou o peso de uma pessoa, pois sempre depende do crit\u00e9rio do observador. Outros, por sua vez, sequer sabem a que se referem quando falam sobre esse tipo de intelig\u00eancia. Talvez, por tudo isso, valha a pena tentar esclarecer o conceito.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CKPB8oTByd4CFVFgwQodk8gNEQ\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/ciencia\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/ciencia\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/ciencia\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-google-container-id=\"5\" data-load-complete=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 alguns anos, a popular\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/time\">revista\u00a0<em>Time<\/em><\/a>\u00a0colocou na capa de uma de suas edi\u00e7\u00f5es uma pergunta escrita em letras garrafais e dirigida ao p\u00fablico em geral:\u00a0<em>&#8220;Qual \u00e9 o seu quociente de intelig\u00eancia emocional?&#8221;.<\/em>\u00a0A pr\u00f3pria revista, em letras muito menores, respondia:\u00a0<em>&#8220;N\u00e3o \u00e9 o seu quociente de intelig\u00eancia. Nem sequer \u00e9 um n\u00famero. Mas a intelig\u00eancia emocional pode ser o melhor preditor de sucesso na vida, redefinindo o que significa ser inteligente<\/em>&#8220;. Foi a \u00e9poca em que o jornalista Daniel Goleman havia publicado seu conhecido e bem-sucedido livro\u00a0<em>Intelig\u00eancia Emocional<\/em>, fazendo com que muitos acreditassem que ele tinha criado ou descoberto esse (novo) tipo de intelig\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O conceito tamb\u00e9m serviu para que muitos ousassem desafiar a evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica do c\u00e9rebro e as habilidades mentais, colocando a emo\u00e7\u00e3o \u00e0 frente da raz\u00e3o, dando primazia \u00e0 primeira. Certamente, as emo\u00e7\u00f5es transformaram o c\u00e9rebro dos mam\u00edferos h\u00e1 mais de 200 milh\u00f5es de anos e perpetuaram uma poderosa influ\u00eancia que se mant\u00e9m viva em nossa esp\u00e9cie at\u00e9 os dias atuais. Mas, em muito menos anos, embora n\u00e3o poucos, cerca de 60 milh\u00f5es, o c\u00e9rebro dos primatas desenvolveu o neoc\u00f3rtex, o c\u00f3rtex cerebral moderno, um ac\u00famulo de neur\u00f4nios altamente organizados e capazes de dominar o resto do c\u00e9rebro. Esse desenvolvimento conferiu, embora nem sempre notemos, primazia \u00e0 raz\u00e3o, ou seja, a capacidade de dominar os sentimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desenvolvimento ocorreu de uma maneira muito especial, que tampouco costumamos perceber. Como um sujeito fabuloso e perspicaz, a raz\u00e3o se prop\u00f4s a dominar a emo\u00e7\u00e3o usando suas pr\u00f3prias armas: uma emo\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser eliminada por outra emo\u00e7\u00e3o, outra emo\u00e7\u00e3o que seja mais forte e poderosa e\/ou incompat\u00edvel com a qual se deseja eliminar. Qualquer pessoa que tenha sofrido uma crise sentimental, como ser abandonada por seu parceiro, sabe muito bem que a melhor maneira de superar essa crise n\u00e3o \u00e9 tanto subestimar a perda, e sim iniciar um novo romance. E, para isso, para despertar emo\u00e7\u00f5es incompat\u00edveis com as indesej\u00e1veis, \u00e9 para o que serve a raz\u00e3o. Bem usada, a raz\u00e3o sempre ser\u00e1 mais poderosa do que as emo\u00e7\u00f5es. Tanto a raz\u00e3o quanto a emo\u00e7\u00e3o fazem parte do sistema funcional que \u00e9 a mente humana. V\u00e3o juntas e dependem uma da outra. A intelig\u00eancia emocional \u00e9 a capacidade de lidar com as emo\u00e7\u00f5es usando a raz\u00e3o. As emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o o ex\u00e9rcito indispens\u00e1vel que continuamente mobiliza a raz\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem soube disso antes e melhor n\u00e3o foi o jornalista Daniel Goleman, nem os psic\u00f3logos John Mayer e Peter Salovey, da Universidade Yale (EUA), estudiosos modernos do conceito. Foi o imperador romano Marco Aur\u00e9lio (121-180 dC), que ficou conhecido como o s\u00e1bio e verdadeiro pai da intelig\u00eancia emocional. Em seu imperec\u00edvel trabalho,\u00a0<em>Medita\u00e7\u00f5es<\/em>, excelente tratado sobre a intelig\u00eancia emocional, inclui a frase que todas as faculdades de Psicologia deveriam esculpir com um martelo e cinzel sobre o m\u00e1rmore de sua fachada: &#8220;Nossa vida \u00e9 o que nossos pensamentos fazem dela&#8221;.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|html\" class=\"sumario_html derecha\"><a name=\"sumario_1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">Bem usada, a raz\u00e3o sempre ser\u00e1 mais poderosa do que as emo\u00e7\u00f5es<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ningu\u00e9m captou melhor a ess\u00eancia evolutiva da mente humana do que este grande fil\u00f3sofo da Roma Antiga; a capacidade de racioc\u00ednio para modificar as emo\u00e7\u00f5es, a maneira de ver as coisas, embora n\u00e3o possamos mud\u00e1-las. Essa capacidade, afirma Marco Aur\u00e9lio, est\u00e1 sempre ao nosso alcance para facilitar a vida. Usando o neoc\u00f3rtex, podemos fazer com que nosso racioc\u00ednio, nossas emo\u00e7\u00f5es e nosso comportamento se encaixem. Esse encaixe \u00e9 a verdadeira ess\u00eancia da intelig\u00eancia emocional, uma capacidade mental t\u00e3o antiga quanto o pr\u00f3prio\u00a0<em>Homo sapiens sapiens<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas quem n\u00e3o deseje voltar a tempos t\u00e3o remotos, ainda resta a possibilidade de educar sua intelig\u00eancia emocional seguindo os passos do autor cl\u00e1ssico espanhol mais lido e traduzido depois de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/miguel_de_cervantes\">Cervantes<\/a>, o jesu\u00edta Baltasar Graci\u00e1n (1601-1658). Sua obra\u00a0<em>A Arte da Prud\u00eancia<\/em>, publicada em 1647 e traduzida em v\u00e1rios idiomas, \u00e0s vezes em belos formatos de papel b\u00edblico e fita de refer\u00eancia, \u00e9 um dos melhores tratados sobre intelig\u00eancia emocional que podem ser lidos atualmente. Como relatado pelo EL PA\u00cdS em 16 de dezembro de 1993, seu autor nunca poderia imaginar que uma de suas tradu\u00e7\u00f5es nos EUA, de 1992, venderia mais de 100.000 c\u00f3pias. Al\u00e9m disso, e respondendo a uma pesquisa do\u00a0<em>The New York Times<\/em>, a escritora Gail Godwin recomendou a leitura da obra a pol\u00edticos aspirantes \u00e0s\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/elecciones_eeuu\">elei\u00e7\u00f5es presidenciais<\/a>\u00a0naquele pa\u00eds. Na Espanha ou no Brasil, o mesmo conselho tamb\u00e9m poderia servir.<\/p>\n<p class=\"nota_pie\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Ignacio Morgado Bernal<\/strong>\u00a0\u00e9 diretor do Instituto de Neuroci\u00eancias da Universidade Aut\u00f4noma de Barcelona. Autor de\u00a0<em>Emociones e Inteligencia Social: Las Claves para una Alianza entre los Sentimientos y la Raz\u00f3n<\/em>. Barcelona: Ariel, (2010). E de\u00a0<em>Emociones Corrosivas: C\u00f3mo Afrontar la Envidia, la Codicia, la Culpabilidad, la Verg\u00fcenza, el Odio y la Vanidad<\/em>. Barcelona: Ariel, (2017).<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As emo\u00e7\u00f5es transformaram o c\u00e9rebro dos mam\u00edferos h\u00e1 mais de 200 milh\u00f5es de anos e perpetuaram uma poderosa influ\u00eancia que se mant\u00e9m viva em nossa esp\u00e9cie<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":263512,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[6,12],"tags":[],"class_list":["post-263511","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-municipios","category-saude"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/namoro-de-jovens.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/263511","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=263511"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/263511\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/263512"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=263511"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=263511"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=263511"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}