{"id":263667,"date":"2018-11-11T10:13:40","date_gmt":"2018-11-11T13:13:40","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=263667"},"modified":"2018-11-11T10:13:40","modified_gmt":"2018-11-11T13:13:40","slug":"chacinas-no-para-hoje-e-normal-andar-pela-cidade-e-ver-corpos-pelo-chao-diz-promotor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/chacinas-no-para-hoje-e-normal-andar-pela-cidade-e-ver-corpos-pelo-chao-diz-promotor\/","title":{"rendered":"Chacinas no Par\u00e1: &#8220;Hoje, \u00e9 normal andar pela cidade e ver corpos pelo ch\u00e3o&#8221;, diz promotor"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"byline\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"byline__name\">Leandro Machado<\/span><\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/198A\/production\/_104183560_balas.jpg\" alt=\"Balas no ch\u00e3o. Par\u00e1 vive guerra entre mil\u00edcias e traficantes, segundo promotor.\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span>Entre 2007 e 2017, a taxa de homic\u00eddios no Par\u00e1 aumentou 96%, subindo de 27,17 para 53,4 mortes violentas para cada 100 mil habitantes.<\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\" style=\"text-align: justify;\">Capital do Par\u00e1, a cidade de Bel\u00e9m enfrenta uma guerra entre fac\u00e7\u00f5es criminosas e mil\u00edcias comandadas por policiais e ex-agentes de seguran\u00e7a cujo resultado s\u00e3o chacinas e mortes em s\u00e9rie. A afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 do promotor militar Armando Brasil, respons\u00e1vel do Minist\u00e9rio P\u00fablico por investigar m\u00e1 conduta de policiais militares a atua\u00e7\u00e3o de mil\u00edcias armadas no Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Hoje, \u00e9 normal andar pela cidade e ver corpos pelo ch\u00e3o&#8221;, diz ele, de 48 anos de idade, 17 dos quais atuando na Promotoria militar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No final de semana anterior \u00e0s elei\u00e7\u00f5es, 25 pessoas foram mortas na regi\u00e3o metropolitana de Bel\u00e9m entre a noite do dia 19 e a manh\u00e3 do dia 21 &#8211; a m\u00e9dia di\u00e1ria de mortes em 2017 foi de 2,3 casos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista \u00e0 BBC News Brasil, o promotor afirma que Bel\u00e9m vive uma situa\u00e7\u00e3o &#8220;ca\u00f3tica&#8221; em meio \u00e0 briga pelo controle de bairros pobres e do tr\u00e1fico de drogas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre 2007 e 2017, a taxa de homic\u00eddios no Par\u00e1 aumentou 96%, subindo de 27,17 para 53,4 mortes violentas para cada 100 mil habitantes. Embora esteja em ligeira baixa neste ano, a taxa cresceu 29% entre 2012 e 2017, durante a gest\u00e3o do atual governador Sim\u00e3o Jatene (PSDB). S\u00e3o Paulo tem o menor \u00edndice do pa\u00eds: 11,10.<\/p>\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-parrot\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre as capitais, Bel\u00e9m tem a terceira pior taxa &#8211; 67,5 por grupo de 100 mil moradores -, perdendo apenas para Rio Branco e Fortaleza, primeira e segunda colocadas, respectivamente. Os dados s\u00e3o do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas ruas de Bel\u00e9m, s\u00e3o costumeiras as not\u00edcias de chacinas ou assassinatos de pessoas comuns que apenas passavam pela ruas. &#8220;Um bairro sem pol\u00edcia, com roubos e traficantes, passa a ser ocupado por milicianos que oferecem seguran\u00e7a. A l\u00f3gica \u00e9 essa&#8221;, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 24 de outubro, tr\u00eas dias depois do final de semana violento, oito pessoas morreram e tr\u00eas ficaram feridas quando dois motoqueiros abriram fogo em uma rua do bairro Tapan\u00e3, periferia da cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das v\u00edtimas era o gari S\u00e1vio Miller Silva da Concei\u00e7\u00e3o, de 22 anos, que tinha sa\u00eddo de casa para comprar a\u00e7a\u00ed para o filho, segundo relatos de testemunhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A chacina ocorreu cinco dias depois do sargento da PM Jo\u00e3o Batista Menezes Dias ter sido assassinado no mesmo bairro &#8211; ap\u00f3s o crime, a fam\u00edlia do policial precisou fugir da \u00e1rea por sofrer amea\u00e7as. A pol\u00edcia agora investiga se o ataque a pedestres teria sido uma retalia\u00e7\u00e3o pela execu\u00e7\u00e3o do agente.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1B0D\/production\/_104252960_para.jpg\" alt=\"Policiais militares revistam homens nas ruas de Bel\u00e9m, Par\u00e1\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Segundo promotor Armando Brasil, bairros da periferia de Bel\u00e9m t\u00eam presen\u00e7a de mil\u00edcias armadas e grupos de traficantes<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa caracter\u00edstica, morte de policial seguida por chacina, \u00e9 recorrente em grandes cidades do pa\u00eds, como S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro. Agora, tamb\u00e9m tem se repetido na capital do Par\u00e1. Em abril, nove pessoas foram mortas por motoqueiros horas depois do assassinato de um PM.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos dias 20 e 21 de janeiro do ano passado, mais uma ocorr\u00eancia semelhante: 30 pessoas foram executadas horas depois do PM Rafael da Silva Costa ter sido morto com um tiro na cabe\u00e7a no bairro de Cabanagem, tamb\u00e9m na periferia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2015, a Assembleia Legistativa do Par\u00e1 realizou uma Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito (CPI) para investigar as mil\u00edcias. O relat\u00f3rio apontou que policiais aposentados e tamb\u00e9m da ativa comandam grupos armados em bairros da periferia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o documento, um dos grupos era chefiado pelo policial militar Ant\u00f4nio Marcos da Silva Figueiredo, conhecido como cabo Pet. A quadrilha dele vendia &#8220;seguran\u00e7a&#8221; particular para comerciantes do bairro do Guam\u00e1, um dos maiores de Bel\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em novembro de 2014, Pet foi assassinado por um grupo de traficantes. Horas depois, mais 10 pessoas foram executadas em suposta retalia\u00e7\u00e3o, epis\u00f3dio historicamente conhecido como &#8220;Chacina de Novembro&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, a fac\u00e7\u00e3o Fam\u00edlia do Norte hoje comanda o tr\u00e1fico de drogas na cidade, mas tamb\u00e9m h\u00e1 relatos da presen\u00e7a do PCC. Segundo o promotor militar Armando Brasil, l\u00edderes de fac\u00e7\u00f5es t\u00eam ordenado a morte de PMs de dentro das pris\u00f5es &#8211; matar um policial e roubar sua arma seria uma das portas de entrada do grupo criminoso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste ano, 40 policiais militares do Par\u00e1 foram assassinados com caracter\u00edsticas de execu\u00e7\u00e3o ou latroc\u00ednio (roubo seguido de morte) &#8211; em 2017 foram 49.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do consumo interno, o Par\u00e1 tem se tornado rota de sa\u00edda de drogas do Brasil. O Estado tem um dos maiores portos do pa\u00eds, em Barcarena, regi\u00e3o metropolitana de Bel\u00e9m.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption body-narrow-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/304\/cpsprodpb\/692D\/production\/_104252962_promotor.jpg\" alt=\"Promotor Armando Brasil investiga m\u00e1 conduta de policiais h\u00e1 17 anos em Bel\u00e9m, Par\u00e1\" width=\"304\" height=\"405\" data-highest-encountered-width=\"304\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-portrait has-caption body-narrow-width\" style=\"text-align: justify;\">Promotor Armando Brasil investiga m\u00e1 conduta de policiais h\u00e1 17 anos em Bel\u00e9m<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse caldo de mil\u00edcias e fac\u00e7\u00f5es disputando espa\u00e7os tem causado centenas de mortes em Bel\u00e9m, diz Armando Brasil. Muitas vezes, afirma o promotor, as v\u00edtimas s\u00e3o pessoas comuns sem passagem pela pol\u00edcia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em contraponto, a Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica e Defesa Social do Par\u00e1 afirma que os homic\u00eddios diminu\u00edram 5% em 2018 em compara\u00e7\u00e3o com o ano passado. De janeiro a 6 de novembro no ano de 2017, houve registros de 3.263 casos no Estado. J\u00e1 em 2018, o n\u00famero foi de 3.166 ocorr\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O governo do Estado afirma, ainda, que &#8220;tem trabalhado fortemente para coibir a criminalidade no Estado com a\u00e7\u00f5es preventivas, repressivas e de investimentos&#8221;. Diz que, neste ano, 2.849 novos policiais militares e 616 policiais civis entraram em servi\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leia abaixo trechos da entrevista com o promotor Armando Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>BBC News Brasil &#8211; Cresceu muito a taxa de homic\u00eddios em Bel\u00e9m e no Par\u00e1 como um todo. Qual o papel das mil\u00edcias nesse contexto?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Armando Brasil &#8211;\u00a0<\/strong>As not\u00edcias n\u00e3o s\u00e3o nada animadoras. Nos \u00faltimos cinco, seis anos, o governo do Estado [do governador Sim\u00e3o Jatene, do PSDB] ficou marcado pela condu\u00e7\u00e3o omissa da seguran\u00e7a p\u00fablica, na minha opini\u00e3o. Isso foi combust\u00edvel para que grupos de milicianos e de traficantes tenham se instalado nas regi\u00f5es e disputado pontos de venda de drogas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As mil\u00edcias ganharam poder em raz\u00e3o dessa aus\u00eancia do Estado nos bairros mais pobres. Se o Estado n\u00e3o ocupa os espa\u00e7os p\u00fablicos da forma devida, se n\u00e3o oferece seguran\u00e7a para a popula\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o faz policiamento em \u00e1reas com muitos roubos, os milicianos passam a oferecer esses servi\u00e7os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um bairro sem pol\u00edcia, com roubos e traficantes, passa a ser ocupado por milicianos que oferecem seguran\u00e7a. A l\u00f3gica \u00e9 essa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>BBC News Brasil &#8211; E eles cobram pela seguran\u00e7a&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Brasil &#8211;\u00a0<\/strong>Sim, as m\u00edlicias obrigam comerciantes a pagar uma taxa pela suposta seguran\u00e7a que oferecem. Quem n\u00e3o paga pode sofrer retalia\u00e7\u00f5es, tornar-se v\u00edtima de assaltos ou at\u00e9 ser morto. Os comerciantes pagam para a mil\u00edcia por uma suposta prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Havia um grupo em Bel\u00e9m comandado pelo cabo Pet, bastante atuante no bairro do Guam\u00e1. O comerciante at\u00e9 ganhava uma placa para colar na porta: &#8216;protegido pelo cabo Pet&#8217;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem quisesse assaltar um estabelecimento sabia que podia ser morto por ele. As mil\u00edcias surgem nesse sentido tamb\u00e9m, para eliminar os supostos bandidos de forma violenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>BBC News Brasil &#8211; O cabo Pet virou uma esp\u00e9cie de s\u00edmbolo dessa ascens\u00e3o das mil\u00edcias. Qual a import\u00e2ncia dele?<\/strong><\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/B74D\/production\/_104252964_para2.jpg\" alt=\"Neste ano, 40 policiais militares do Par\u00e1 foram assassinados em crimes com caracter\u00edsticas de execu\u00e7\u00e3o ou latroc\u00ednio, segundo o governo\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Neste ano, 40 policiais militares do Par\u00e1 foram assassinados em crimes com caracter\u00edsticas de execu\u00e7\u00e3o ou latroc\u00ednio, segundo o governo<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Brasil &#8211;\u00a0<\/strong>O cabo Pet era da Rotam [grupo de eleite da PM do Par\u00e1]. Tamb\u00e9m trabalhou na For\u00e7a Nacional de Seguran\u00e7a, era bem conhecido na cidade. Ele tinha uma empresa que vendia c\u00e2meras de vigil\u00e2ncia, junto com outro policial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o ele come\u00e7ou a oferecer seguran\u00e7a armada para os comerciantes. Depois, entrou no tr\u00e1fico de drogas tamb\u00e9m. Ele foi uma esp\u00e9cie de precursor das mil\u00edcias como conhecemos em Bel\u00e9m. Ele acabou assassinado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em alguns casos, os milicianos assumem o papel do traficante e passam a comercializar as drogas na \u00e1rea. As mil\u00edcias tamb\u00e9m obrigam os moradores a comprar seus servi\u00e7os, como g\u00e1s e TV a cabo ilegal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>BBC News Brasil &#8211; E elas s\u00e3o formadas por quem?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Brasil &#8211;\u00a0<\/strong>Por agentes das for\u00e7as de seguran\u00e7a, da ativa e aposentados. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m civis, empres\u00e1rios. No fim do ano passado, fizemos uma opera\u00e7\u00e3o que desmontou uma mil\u00edcia no bairro da Pedreira, era uma das mais violentas. Entre os donos da mil\u00edcia havia um empres\u00e1rio do ramo de autope\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>BBC News Brasil &#8211; Mas qual a amplitude das mil\u00edcias hoje em Bel\u00e9m?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Brasil &#8211;\u00a0<\/strong>Elas est\u00e3o em praticamente todos os bairros pobres da regi\u00e3o metropolitana. Dividem o controle do territ\u00f3rio com os traficantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, Bel\u00e9m vive uma guerra entre esses dois lados, mil\u00edcias e traficantes. Quem vence a batalha, ocupa o territ\u00f3rio e implanta sua pol\u00edtica de venda de drogas e de servi\u00e7os. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 insustent\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa guerra tem feito as pessoas perderem a coragem de sair de casa \u00e0 noite, elas t\u00eam medo de serem assassinadas na rua por algum motoqueiro ou ocupante do chamado &#8220;carro prata&#8221;. Existe essa lenda do &#8220;carro prata&#8221; em Bel\u00e9m, quando ele aparece, as pessoas s\u00e3o mortas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o de p\u00e2nico entre a popula\u00e7\u00e3o, principalmente na periferia. A vida social diminuiu muito, os bares e restaurantes ficam vazios \u00e0 noite. Voc\u00ea anda pela cidade e \u00e9 normal ver corpos pelo ch\u00e3o, uma coisa horrorosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>BBC News Brasil &#8211; Mas j\u00e1 n\u00e3o era assim nos anos 1990? H\u00e1 relatos de mil\u00edcias naquela \u00e9poca.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Brasil &#8211;\u00a0<\/strong>Havia grupos de exterm\u00ednio, mas n\u00e3o com a for\u00e7a que as mil\u00edcias atuam hoje em Bel\u00e9m. Nos anos 1990, um grupo se revoltava com um bandido, se reunia e o matava. Mas parava a\u00ed, n\u00e3o era estruturado para dominar um territ\u00f3rio, um bairro inteiro. N\u00e3o era o que a gente hoje tipifica como mil\u00edcia armada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>BBC News Brasil &#8211; Os jornais e sites locais t\u00eam relatado mortes aparentemente sem explica\u00e7\u00e3o. Uma pessoa sem v\u00ednculo com o crime, uma pessoa comum, est\u00e1 andando na rua e \u00e9 assassinada a tiros.<\/strong><\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1056D\/production\/_104252966_balas2.jpg\" alt=\"Vidro perfurado por bala. Na semana passada, oito pessoas foram mortas em uma chacina em Tapan\u00e3, periferia de Bel\u00e9m\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Na semana passada, oito pessoas foram mortas em uma chacina em Tapan\u00e3, periferia de Bel\u00e9m<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Brasil &#8211;\u00a0<\/strong>Sim, isso tem ocorrido, n\u00e3o s\u00f3 na periferia. Moro em um dos bairros mais ricos da cidade e, na semana passada, uma pessoa foi morta exatamente nessas circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um carro prata chegou com dois homens encapuzados. Eles desceram e fizeram os disparos. A v\u00edtima era um vigilante particular. Isso aconteceu \u00e0s 15h. Qual a explica\u00e7\u00e3o para isso? \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>BBC News Brasil &#8211; Por outro lado, o Par\u00e1 tem registrado um n\u00famero alto de mortes de policiais militares.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Brasil &#8211;\u00a0<\/strong>S\u00f3 nesse ano, foram 40 militares mortos, um dos maiores n\u00fameros do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As fac\u00e7\u00f5es criminosas tem ordenado a morte de PMs de dentro das pris\u00f5es. A informa\u00e7\u00e3o que temos \u00e9 que quem mata um policial e leva sua arma, a pistola .40, consegue entrar na fac\u00e7\u00e3o. Matar policial \u00e9 uma porta de entrada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>BBC News Brasil &#8211; \u00c0s vezes, horas depois de mortes de policiais, ocorrem chacinas no mesmo bairro onde o agente foi assassinado. O senhor acredita que as chacinas sejam vingan\u00e7as?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Brasil &#8211;\u00a0<\/strong>N\u00f3s n\u00e3o podemos afirmar com certeza que exista essa rela\u00e7\u00e3o. At\u00e9 porque a taxa de resolu\u00e7\u00e3o de homic\u00eddios no Par\u00e1 \u00e9 baix\u00edssima, sabemos muito pouco quem s\u00e3o os assassinos. \u00c9 poss\u00edvel que existam retalia\u00e7\u00f5es, sim, h\u00e1 ind\u00edcios para isso. Mas n\u00e3o podemos provar ainda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso da chacina de Tapan\u00e3, na semana passada, um sargento foi assassinado e a fam\u00edlia dele foi obrigada a sair do bairro dias depois. Isso causou uma certa ofensa aos policiais. Quatro dias depois, oito pessoas foram mortas na rua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>BBC News Brasil &#8211; H\u00e1 um conflito conhecido entre fac\u00e7\u00f5es no Brasil, principalmente entre as maiores, PCC e Comando Vermelho. Como isso tem afetado Bel\u00e9m?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Brasil &#8211;\u00a0<\/strong>Em Bel\u00e9m, temos a Fam\u00edlia do Norte, que tamb\u00e9m atua em outros Estados da Regi\u00e3o Norte. Essa fac\u00e7\u00e3o \u00e9 uma esp\u00e9cie de filial do Comando Vermelho, do Rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A situa\u00e7\u00e3o de miserabilidade e de desemprego em Bel\u00e9m, onde a pobreza \u00e9 muito grande, faz com que muitos dos nossos jovens entrem para o crime. Eles acabam entrando em fac\u00e7\u00f5es que vieram do Rio e de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>BBC News Brasil &#8211; Na \u00e1rea rural do Par\u00e1, h\u00e1 fortes ind\u00edcios da participa\u00e7\u00e3o de mil\u00edcias em conflitos por terra. Em 2017, houve a chacina de Pau D&#8217;Arco, quando 10 militantes sem-terra foram mortos e 17 policiais foram acusados pelo crime.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Brasil &#8211;\u00a0<\/strong>Essa \u00e9 uma quest\u00e3o hist\u00f3rica do Par\u00e1. Nos anos 1970, j\u00e1 havia policiais que vendiam seguran\u00e7a armada para fazendeiros. Os agentes s\u00e3o contratados para expulsar quem invade terra desses fazendeiros. Ent\u00e3o, isso ocorre mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>BBC News Brasil &#8211; O que senhor acha que deveria ser feito para diminuir essa guerra?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Brasil &#8211;\u00a0<\/strong>Investir em investiga\u00e7\u00e3o, ter institui\u00e7\u00f5es fortes e comprometidas com o combate ao crime. O governador eleito, H\u00e9lder Barbalho [MDB], disse que vai pedir ajuda da For\u00e7a Nacional de Seguran\u00e7a. Sou a favor, pelo menos para iniciar alguma rea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse ano, pedi ao governo a prote\u00e7\u00e3o de um quilombola que estava sendo amea\u00e7ado em Barcarena [regi\u00e3o metropolitana de Bel\u00e9m]. Ele n\u00e3o recebeu prote\u00e7\u00e3o nenhuma. Meses depois, foi assassinado. [Paulo S\u00e9rgio Almeida Nascimento, de 47 anos, denunciava crimes ambientais em Barcarena. Foi morto a tiros em 12 de mar\u00e7o].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s, no Minist\u00e9rio P\u00fablico, fazemos o que est\u00e1 ao nosso alcance.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>BBC News Brasil &#8211; Quantas pessoas investigam as mil\u00edcias hoje no Minist\u00e9rio P\u00fablico?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Brasil &#8211;\u00a0<\/strong>No Minist\u00e9rio P\u00fablico Militar, apenas eu.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo o documento, um dos grupos era chefiado pelo policial militar Ant\u00f4nio Marcos da Silva Figueiredo, conhecido como cabo Pet. A quadrilha dele vendia &#8220;seguran\u00e7a&#8221; particular para comerciantes do bairro do Guam\u00e1, um dos maiores de Bel\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":263668,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[6,11],"tags":[],"class_list":["post-263667","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-municipios","category-regional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/revista-boa.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/263667","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=263667"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/263667\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/263668"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=263667"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=263667"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=263667"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}