{"id":264351,"date":"2018-11-19T03:16:25","date_gmt":"2018-11-19T06:16:25","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=264351"},"modified":"2018-11-19T03:16:25","modified_gmt":"2018-11-19T06:16:25","slug":"rumo-ao-feminismo-especulativo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/rumo-ao-feminismo-especulativo\/","title":{"rendered":"Rumo ao feminismo especulativo"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>Diferentes autoras ultrapassam as fronteiras dos g\u00eaneros para explorar a viol\u00eancia, f\u00edsica e discursiva, nas mulheres<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Ana Llurba\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/ana_llurba_ferreira\/a\/\">ANA LLURBA<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/11\/13\/babelia\/1542121454_845526_1542384399_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/11\/13\/babelia\/1542121454_845526_1542384399_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/11\/13\/babelia\/1542121454_845526_1542384399_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/11\/13\/babelia\/1542121454_845526_1542384399_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Um grupo de mulheres em uma ilustra\u00e7\u00e3o medieval.\" width=\"980\" height=\"599\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Um grupo de mulheres em uma ilustra\u00e7\u00e3o medieval.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">HISTORICAL PICTURE ARCHIVE \/ CORBIS\/ GETTY<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 dois anos, o aumento de sua presen\u00e7a tem sido notado nas prateleiras das livrarias: reescritas,\u00a0<em>reboots<\/em>\u00a0de mitos, lendas e contos cl\u00e1ssicos, assim como a apropria\u00e7\u00e3o de g\u00eaneros pop como o terror, a distopia a fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, o pastiche e a metafic\u00e7\u00e3o p\u00f3s-moderna. Com uma perspectiva de g\u00eanero e por meio de um giro sugestivo e ecl\u00e9tico em g\u00eaneros n\u00e3o realistas, o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/feminismo\">feminismo<\/a>especulativo veio para ficar. Mas quais s\u00e3o suas refer\u00eancias? E o que \u00e9 o feminismo especulativo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esquecido por d\u00e9cadas e agora resgatada na Espanha gra\u00e7as ao trabalho das editoras Sexto Piso e Impedimenta, a brit\u00e2nica\u00a0<a href=\"https:\/\/elpais.com\/tag\/angela_carter\/a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Angela Carter<\/a>\u00a0reescreveu alguns contos cl\u00e1ssicos nem\u00a0<em>A C\u00e2mara Sangrenta e Outras Hist\u00f3rias<\/em>(1979), talvez seu livro mais acess\u00edvel. Com seu singular estilo barroco e erudito, nestes irreverentes\u00a0<em>reboots<\/em>\u00a0de\u00a0<em>Barba Azul<\/em>\u00a0e\u00a0<em>A Bela e a Fera<\/em>, entre outros cl\u00e1ssicos, n\u00e3o s\u00f3 prop\u00f4s reinterpreta\u00e7\u00f5es feministas onde nenhuma princesa \u00e9 salva por um pr\u00edncipe, mas, influenciada pela psican\u00e1lise e o fasc\u00ednio por\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/marques_de_sade\">Sade<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/georges_bataille\">Bataille<\/a>, exibiu o anverso obscuro do erotismo e da crueldade. Nesta linha de\u00a0<em>reeboots<\/em>\u00a0dos cl\u00e1ssicos, embora filtrados por sua propens\u00e3o \u00e0 metafic\u00e7\u00e3o p\u00f3s-moderna e seu legado cultural iorub\u00e1, podem ser lidos os dois romances da anglo-nigeriana\u00a0<a href=\"https:\/\/elpais.com\/cultura\/2013\/06\/27\/actualidad\/1372361408_613505.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Helen Oyeyemi<\/a>,\u00a0<em>Mr. Fox<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Boy, Snow, Bird<\/em>. Nesse rumo vai tamb\u00e9m a norte-americana Kelly Link no conto\u00a0<em>Travels with The Snow Queen<\/em>\u00a0uma reescrita do conto cl\u00e1ssico da Rainha da Neve, investigando a sanha dos contos populares com os p\u00e9s como s\u00edmbolo da independ\u00eancia de suas personagens femininas. Neste ponto deve-se acrescentar a elogiada estreia de\u00a0<a href=\"https:\/\/elpais.com\/cultura\/2018\/10\/17\/babelia\/1539775881_229749.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Carmen Maria Machado com\u00a0<em>Su Corpo y Otras Fiestas<\/em><\/a>\u00a0(Anagrama, 2018), em que apresenta v\u00e1rios tipos de viol\u00eancia social e simb\u00f3lica exercidas contra o corpo das mulheres. Como na hilariante\u00a0<em>nouvelle<\/em>\u00a0<em>Especialmente Atroz. 272 Epis\u00f3dios de Ley y Orden: Unidade de V\u00edtimas<\/em>, onde o famoso programa de televis\u00e3o norte-americano \u00e9 apresentado por meio de breves sinopses de epis\u00f3dios surreais que satirizam a maneira como a viol\u00eancia sexual \u00e9 exposta nos hor\u00e1rios nobres da TV.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas nem tudo \u00e9 reescrita e pastiches p\u00f3s-modernos, porque nesta s\u00e9rie podem ser inclu\u00eddos dois livros impactantes que evocam o poder redentor do fogo e a distopia. Por um lado, o multipremiado\u00a0<a href=\"https:\/\/elpais.com\/cultura\/2016\/03\/07\/babelia\/1457366111_091327.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Las Cosas que Perdimos en el Fuego<\/em><\/a>(Anagrama, 2016), de Mariana Enr\u00edquez, invoca, no conto de mesmo nome, o poder emancipat\u00f3rio das chamas, com uma hist\u00f3ria impactante de bruxas contempor\u00e2neos que explora a viol\u00eancia de g\u00eanero na linha da distopia social, no estilo de James G. Ballard. Finalmente,\u00a0<a href=\"https:\/\/elpais.com\/cultura\/2018\/06\/12\/babelia\/1528801498_739931.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>The Book of Joan<\/em><\/a>, Lidia Yuknavitch prop\u00f5e uma f\u00e1bula estranha de inspira\u00e7\u00e3o medieval, na qual sua principal narradora personifica uma homenagem a Christine de Pizan, protofeminista e a primeira escritora profissional no Ocidente, e sua hero\u00edna, Joana d&#8217;Arc, reencarnada em Joan de Dirt, uma jovem combatente com habilidades semelhantes \u00e0s da m\u00edtica donzela de Orleans.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O denominador comum de todas essas autoras talvez pudesse ser entendido a partir dos \u00faltimos desdobramentos te\u00f3ricos de\u00a0<a href=\"https:\/\/elpais.com\/cultura\/2017\/03\/17\/babelia\/1489768719_054394.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Donna Haraway<\/a>. Com base em uma rede de conceitos emprestados de outras fil\u00f3sofas e cientistas, a renomada te\u00f3rica norte-americana fez confluir em seu \u00faltimo livro\u00a0<em>(Staying with the Trouble. Making Kin in the Chthulucene,<\/em>\u00a02015) um mapa conceitual ecl\u00e9tico no rumo do reino da fic\u00e7\u00e3o. De uma forma l\u00fadica, Haraway nos convida a &#8220;especular&#8221;, no sentido de imaginar e criar novas comunidades poss\u00edveis. Sua proposta parte das m\u00faltiplas combina\u00e7\u00f5es da contra\u00e7\u00e3o &#8220;SF&#8221;, uma met\u00e1fora de como dever\u00edamos encarnar as hist\u00f3rias que contamos a n\u00f3s mesmos neste planeta que esmorece: &#8220;Science Fiction&#8221;, &#8220;Speculative Fiction&#8221;,\u00a0<em>\u201cScience Fabulation\u201d, \u201cSpeculative Feminism\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este \u00faltimo conceito \u00e9 \u00fatil para compreender a emerg\u00eancia, a releitura e o resgate do esquecimento (como no caso de Angela Carter) dessas escritoras que, por meio do livre curso \u00e0 especula\u00e7\u00e3o, em seu duplo sentido de reflex\u00e3o e conjectura, fazem experi\u00eancias com os g\u00eaneros e campos liter\u00e1rios como o horror, a fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, o fant\u00e1stico, o surrealismo, o pastiche e o humor, acrescentando profundidade e realismo psicol\u00f3gico \u00e0s suas narrativas. \u00c9 assim que essas diferentes autoras ultrapassam as fronteiras dos g\u00eaneros para explorar a viol\u00eancia, tanto f\u00edsica como discursiva, nos corpos das mulheres. E fazem isso de uma forma marcante e inventiva que tamb\u00e9m questiona o realismo como o padr\u00e3o da qualidade liter\u00e1ria. Desse modo, essas escritoras demonstram uma grande capacidade de compartilhar hist\u00f3rias comunit\u00e1rias, explorando as ra\u00edzes profundas na experi\u00eancia das mulheres durante s\u00e9culos e evidenciando a necessidade de recontar hist\u00f3rias, em um eterno retorno da lenda, do mito, dos contos cl\u00e1ssicos e da hist\u00f3ria, que, felizmente, n\u00e3o continua significando a mesma coisa.<\/p>\n<p class=\"nota_pie\" style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Ana Llurba<\/em><\/strong>\u00a0<em>\u00e9 escritora, autora de livros como \u2018La Puerta del Cielo\u2019 (Aristas Mart\u00ednez, 2018) e \u2018Este es el Momento Exacto en que el Tiempo Empieza a Correr\u2019 (La Isla de Siltol\u00e1, 2015).<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diferentes autoras ultrapassam as fronteiras dos g\u00eaneros para explorar a viol\u00eancia, f\u00edsica e discursiva, nas mulheres<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":264352,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-264351","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/quadro-mulheres.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/264351","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=264351"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/264351\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/264352"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=264351"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=264351"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=264351"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}