{"id":265117,"date":"2018-11-26T06:52:37","date_gmt":"2018-11-26T09:52:37","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=265117"},"modified":"2018-11-26T06:52:37","modified_gmt":"2018-11-26T09:52:37","slug":"as-pessoas-nao-acreditam-mais-em-partido-politico-mas-acreditam-na-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/as-pessoas-nao-acreditam-mais-em-partido-politico-mas-acreditam-na-igreja\/","title":{"rendered":"\u201cAs pessoas n\u00e3o acreditam mais em partido pol\u00edtico, mas acreditam na igreja\u201d"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Para Monica de Bolle, implos\u00e3o das legendas gerou espa\u00e7o pol\u00edtico para os evang\u00e9licos.<\/h2>\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Diretora de estudos latino-americanos da Johns Hopkins comenta futuro Governo Bolsonaro<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Ciro Barros (Ag\u00eancia P\u00fablica)\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/agencia_publica\/a\/\">CIRO BARROS (AG\u00caNCIA P\u00daBLICA)<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/08\/29\/politica\/1503966829_145884_1503967069_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/08\/29\/politica\/1503966829_145884_1503967069_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/08\/29\/politica\/1503966829_145884_1503967069_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/08\/29\/politica\/1503966829_145884_1503967069_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"pacote de privatiza\u00e7\u00f5es de Temer\" width=\"980\" height=\"560\" \/><\/p>\n<div class=\"seedtag-gohan seedtag-adunit\">\n<div class=\"st-container\"><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">A economista Monica de Bolle, professora da Universidade Johns Hopkins e pesquisadora do Instituto Peterson<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o bispo Marcelo Crivella (PRB) foi\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/12\/27\/politica\/1482864188_446020.html\">eleito para a prefeitura do Rio de Janeiro<\/a>, a economista Monica de Bolle, PhD pela London School of Economics e diretora de estudos latino-americanos e mercados emergentes da Johns Hopkins University, passou a sentir uma \u201ccoceira\u201d, como ela diz. A elei\u00e7\u00e3o de um quadro importante da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/iurd_iglesia_universal_del_reino_de_dios\">Igreja Universal do Reino de Deus<\/a>\u00a0(Iurd) para a prefeitura da segunda cidade mais rica do Brasil lhe pareceu simb\u00f3lica. \u201cComo a cren\u00e7a nos partidos caiu enormemente, mas a cren\u00e7a nas igrejas n\u00e3o, parece que isso est\u00e1 levando a uma coes\u00e3o maior da frente parlamentar evang\u00e9lica, que est\u00e1 se unindo a outros grupos para definir a agenda do futuro Governo Bolsonaro\u201d, argumenta. \u201cIsso talvez seja a hist\u00f3ria da implos\u00e3o dos partidos pol\u00edticos relacionados \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o. No Brasil, isso deu espa\u00e7o para ser ocupado por um grupo que almejava um espa\u00e7o pol\u00edtico maior tendo em vista a elei\u00e7\u00e3o do Crivella no Rio de Janeiro, em 2016. Agora esses grupos veem esse espa\u00e7o aberto porque as pessoas n\u00e3o acreditam mais em partido pol\u00edtico mesmo. Elas v\u00e3o acreditar no qu\u00ea? Elas v\u00e3o acreditar na igreja.\u201d<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CKeQra7i8d4CFY0ZgQodtkQPIA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/politica\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/politica\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/politica\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-google-container-id=\"5\" data-load-complete=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u201ccoceira\u201d de Monica aumentou em outubro deste ano, quando a Frente Parlamentar Evang\u00e9lica (FPE) lan\u00e7ou o manifesto \u201cO Brasil para os Brasileiros\u201d, com uma detalhada agenda econ\u00f4mica e uma clara pauta de costumes, e oficializou apoio ao ent\u00e3o candidato\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/jair_messias_bolsonaro\/a\">Jair Bolsonaro (PSL)<\/a>\u00a0\u00e0s v\u00e9speras do segundo turno das elei\u00e7\u00f5es. \u201cD\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de que tem um movimento orquestrado por tr\u00e1s de uma\u00a0<em>religious right<\/em>, parecido com o que tem aqui nos Estados Unidos, que almeja poderes maiores do que almejavam anteriormente e at\u00e9 maiores do que os daqui almejam\u201d, diz. Em entrevista \u00e0 P\u00fablica por Skype, ela fala da disposi\u00e7\u00e3o das lideran\u00e7as evang\u00e9licas para ditar os rumos do governo Bolsonaro, cujo exemplo mais recente foi o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/11\/22\/politica\/1542918336_841889.html\">veto \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0do diretor do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves, ao cargo de ministro da Educa\u00e7\u00e3o, \u00e1rea que mereceu aten\u00e7\u00e3o especial no manifesto da FPE. Segundo o jornal\u00a0<em>O Globo<\/em>, Bolsonaro sondou o pastor Silas Malafaia a respeito do nome do procurador Guilherme Schelb para encabe\u00e7ar a pasta. \u201cEle n\u00e3o est\u00e1 falando, negociando com os partidos, ent\u00e3o falou comigo. Eu falei que tem [aval]\u201d, disse Malafaia. Apesar do lobby evang\u00e9lico, o presidente eleito\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/11\/22\/politica\/1542910509_576428.html\">nomeou o professor Ricardo V\u00e9lez Rodr\u00edguez<\/a>, tamb\u00e9m alinhado ao combate ao \u201cmarxismo cultural\u201d e indicado pelo fil\u00f3sofo crist\u00e3o Olavo de Carvalho, para assumir o minist\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0O que \u00e9 a\u00a0<em>religious right<\/em>\u00a0e quais as compara\u00e7\u00f5es poss\u00edveis com a Frente Parlamentar Evang\u00e9lica?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Os paralelos s\u00e3o muito claros. A\u00a0<em>religious right<\/em>, aqui nos\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/estados_unidos\/a\">Estados Unidos<\/a>, \u00e9 uma certa fauna diversa, como s\u00e3o os movimentos evang\u00e9licos no Brasil, mas tem um elemento de fundamentalismo crist\u00e3o que une esses pol\u00edticos que est\u00e3o todos dentro do Partido Republicano. Essa\u00a0<em>religious right<\/em>\u00a0aqui consiste basicamente nesses \u201c<em>born again christians<\/em>\u201d [crist\u00e3os renascidos], que s\u00e3o os neopentecostais. N\u00e3o s\u00e3o os protestantes tradicionais, como os luteranos ou batistas, mas os crist\u00e3os fundamentalistas. Eles est\u00e3o no Partido Republicano h\u00e1 muito tempo, \u00e9 o pessoal que tem a pauta dos costumes, adeptos do chamado movimento pr\u00f3-vida e de movimentos contr\u00e1rios \u00e0s pautas identit\u00e1rias\u00a0\u2014 movimentos anti-LGBT, antiminorias. O que \u00e9 curioso \u00e9 que o que est\u00e1 despontando na bancada evang\u00e9lica e no futuro Governo Bolsonaro \u00e9 muito semelhante com esse grupo de pessoas dos Estados Unidos. \u00c9 o mesmo tipo de gente com o mesmo tipo de vis\u00e3o, muito calcada nos costumes, nos valores, a partir de um fundamentalismo religioso, mas com um componente ideol\u00f3gico adicional que aqui n\u00e3o existe, que \u00e9 a hist\u00f3ria do marxismo cultural. Tudo \u00e9 marxismo cultural agora no Brasil\u00a0\u2014 as pessoas n\u00e3o sabem o que \u00e9 marxismo, mas tudo \u00e9 marxismo cultural. O pr\u00f3prio\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/11\/14\/politica\/1542224082_262753.html\">novo chanceler brasileiro<\/a>\u00a0[Ernesto Ara\u00fajo, nomeado por Bolsonaro para encabe\u00e7ar o Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores] \u00e9 algu\u00e9m que cita a globaliza\u00e7\u00e3o como anti-humana e anticrist\u00e3 [Ara\u00fajo op\u00f5e-se ao que chama de \u201cglobalismo\u201d, que, em suas palavras, \u00e9 \u201ca globaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que passou a ser pilotada pelo marxismo cultural\u201d].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que me chamou muita aten\u00e7\u00e3o foi o manifesto que a bancada evang\u00e9lica produziu no dia 24 de outubro, que \u00e9 um plano de governo e, se o Bolsonaro tivesse tido a preocupa\u00e7\u00e3o em preparar um plano de governo, \u00e9 mais ou menos o que ele teria preparado\u00a0\u2014 o documento vai muito na linha do que ele tem anunciado e feito j\u00e1 \u2014, mas com esse componente de fundamentalismo crist\u00e3o e ideologia religiosa claros porque no fim do documento tem toda aquela parte de Escola sem Partido e marxismo cultural. O que tamb\u00e9m chama aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que, pela primeira vez, eu vi a bancada evang\u00e9lica apresentar uma proposta mais ampla: falam de reforma do Estado, falam de reformas econ\u00f4micas. Isso me levou a comparar os dados do resultado do segundo turno em 2018 com os do segundo turno em 2014 e olhar, por exemplo, em n\u00edvel municipal, como foram as vota\u00e7\u00f5es do Bolsonaro e do A\u00e9cio Neves nos munic\u00edpios em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 propor\u00e7\u00e3o de autodeclarados evang\u00e9licos nesses munic\u00edpios. Claramente os munic\u00edpios com maior n\u00famero de evang\u00e9licos s\u00e3o exatamente os munic\u00edpios onde o voto no Bolsonaro foi acima de 60%, e isso n\u00e3o foi verdade em 2014\u00a0\u2014 nem para Dilma nem para A\u00e9cio. Com as indica\u00e7\u00f5es de ministros, com a hist\u00f3ria de Minist\u00e9rio da Fam\u00edlia, que agora vai se chamar outra coisa, esse sujeito que vai ocupar o MRE com as coisas que disse, d\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de que tem um movimento orquestrado por tr\u00e1s de uma\u00a0<em>religious right<\/em>\u00a0meio parecido com o que tem aqui nos Estados Unidos, que almeja poderes maiores do que almejavam anteriormente e at\u00e9 maiores do que os daqui almejam, porque os daqui [dos EUA] est\u00e3o basicamente no Congresso e t\u00eam outro tipo de pretens\u00e3o. No Brasil, parece ser uma disposi\u00e7\u00e3o para ocupar os espa\u00e7os executivos. Isso j\u00e1 vem me chamando aten\u00e7\u00e3o desde a elei\u00e7\u00e3o do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/marcelo_crivella\">Marcelo Crivella<\/a>\u00a0[PRB] no Rio.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|html\" class=\"sumario_html izquierda\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">&#8220;O que est\u00e1 despontando na bancada evang\u00e9lica e no futuro Governo Bolsonaro \u00e9 muito semelhante com esse grupo de pessoas dos Estados Unidos&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Voc\u00ea diz que nos Estados Unidos a articula\u00e7\u00e3o da direita religiosa se deu dentro da estrutura partid\u00e1ria, no caso o Partido Republicano, ao contr\u00e1rio do caso brasileiro, onde essa articula\u00e7\u00e3o se d\u00e1 por fora dos partidos. Por onde passa a articula\u00e7\u00e3o dessa direita religiosa brasileira?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Voc\u00ea tem 23 partidos, mais ou menos, que comp\u00f5em a bancada evang\u00e9lica, sendo que alguns t\u00eam mais presen\u00e7a do que outros. O PRB, por exemplo, tem um monte de deputados na bancada, o que n\u00e3o surpreende sendo o partido da Igreja Universal. Fora o PRB, tem o PR, o PP e o pr\u00f3prio MDB. Talvez seja um pouco cedo para afirmar isso, mas pela cara desse manifesto, pelo encaminhamento dessa transi\u00e7\u00e3o de governo, [pelas] pessoas que o Bolsonaro j\u00e1 falou, que est\u00e1 indicando para cargos-chave, parece haver uma uni\u00e3o dessa bancada evang\u00e9lica, que talvez hoje esteja bem mais coesa do que j\u00e1 foi. Como houve uma dilui\u00e7\u00e3o dos partidos no Brasil e como a cren\u00e7a nos partidos caiu enormemente, mas a cren\u00e7a nas igrejas n\u00e3o, por serem institui\u00e7\u00f5es em que ao menos boa parte da popula\u00e7\u00e3o v\u00ea que n\u00e3o h\u00e1 corrup\u00e7\u00e3o e que determinados valores est\u00e3o mantidos, parece que isso est\u00e1 levando a uma coes\u00e3o maior da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/bancada_evangelica\">Frente Parlamentar Evang\u00e9lica<\/a>, que est\u00e1 se unindo a outros grupos para definir a agenda do futuro governo Bolsonaro. E ele, por sua vez, acho que est\u00e1 muito confort\u00e1vel com isso porque muda o chamado jogo pol\u00edtico no Brasil. O que a gente entendia como o chamado presidencialismo de coaliz\u00e3o \u00e9 que o presidente, minorit\u00e1rio, tinha sempre o desafio de construir uma coaliz\u00e3o est\u00e1vel e, em um sistema muito fragmentado como \u00e9 o sistema partid\u00e1rio brasileiro, isso era sempre muito complicado. Mas, se voc\u00ea de repente transforma isso num grupo de bancadas onde as legendas s\u00e3o s\u00f3 legendas e as pessoas que pertencem a determinadas legendas n\u00e3o est\u00e3o necessariamente interessadas nas agendas dos seus partidos\u00a0\u2014 at\u00e9 porque seus partidos n\u00e3o t\u00eam propriamente uma agenda \u2014, mas na agenda da bancada, voc\u00ea passa de um regime onde a coaliz\u00e3o era constru\u00edda nos partidos para um regime em que a coaliz\u00e3o \u00e9 constru\u00edda com o apoio da bancada. E a bancada evang\u00e9lica \u00e9 enorme: s\u00e3o 199 deputados na C\u00e2mara mais quatro parlamentares no Senado e com uma intercess\u00e3o esquisita a\u00ed com a bancada ruralista. Essa costura com os evang\u00e9licos pode garantir de fato uma governabilidade que a gente n\u00e3o estava enxergando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0No manifesto da FPE, nota-se entre as pautas econ\u00f4micas propostas de cunho liberal como, por exemplo, o enxugamento e moderniza\u00e7\u00e3o do Estado. No entanto, muitas dessas grandes lideran\u00e7as evang\u00e9licas estavam no palanque da Dilma em 2014, quando a presidente vinha de um governo que adotou outra pr\u00e1tica econ\u00f4mica e n\u00e3o acenava para essas pautas na campanha. Por que essa ades\u00e3o a esse receitu\u00e1rio liberal?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Eu acho que esse n\u00e3o \u00e9 o ponto principal para eles. A agenda liberal na economia \u00e9 meio que irrelevante para eles. Eles n\u00e3o est\u00e3o preocupados com isso, se \u00e9 liberal ou se n\u00e3o \u00e9 liberal. A preocupa\u00e7\u00e3o maior \u00e9: n\u00famero um, ocupar espa\u00e7os pol\u00edticos\u00a0\u2014 e eu acho que agora eles est\u00e3o vendo um espa\u00e7o enorme para isso, dada a dilui\u00e7\u00e3o dos partidos \u2014, essa \u00e9 a primeira preocupa\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o temos que entend\u00ea-los como a gente entende qualquer pol\u00edtico; e, n\u00famero dois, empurrar essa agenda de costumes \u00e0 frente, fazer com que essa agenda seja implantada, coisa que eles nunca iam conseguir nos governos petistas, mas estar junto dos governos petistas atendia ao primeiro anseio, que era estar perto do poder para ganhar plataforma pol\u00edtica. Isso eles conseguiram. Agora eles t\u00eam a chance de colocar em pr\u00e1tica a agenda que de fato interessa para eles e que n\u00e3o tem nada a ver com a economia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0As lideran\u00e7as evang\u00e9licas podem assumir o papel que antes pertencia tradicionalmente ao MDB, de ser uma esp\u00e9cie de \u201cfiador\u201d da governabilidade, a partir da capilaridade das igrejas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Acho que sim. E acho que esse papel passa por duas coisas. A primeira \u00e9 que muitas pessoas depositam confian\u00e7a nas igrejas, dado que o n\u00famero de evang\u00e9licos no Brasil cresceu muito nos \u00faltimos anos, e a segunda coisa \u00e9 justamente pela capilaridade. As igrejas substitu\u00edram o MDB em termos de capilaridade. O que era o MDB antes, que ocupava os espa\u00e7os regionais, essas igrejas t\u00eam um espa\u00e7o muito, mas muito maior. A capilaridade fica em n\u00edvel granular, desce para o bairro. Ela n\u00e3o fica s\u00f3 na prefeitura. Existe um potencial de substitui\u00e7\u00e3o dessa capilaridade. Partindo do pressuposto de que eles estejam organizados dessa forma, porque como \u00e9 uma fauna essa coisa dos evang\u00e9licos\u00a0\u2014 voc\u00ea tem todo tipo de igreja, institui\u00e7\u00e3o e movimento religioso que a gente coloca nessa classifica\u00e7\u00e3o de \u201cevang\u00e9licos\u201d \u2014, mas supondo que eles estejam de fato atuando dessa forma coesa e estejam decidindo atuar apoiando uns aos outros, o projeto de hegemonia em termos de poder para eles tem um potencial de ser muito mais hegem\u00f4nico do que qualquer projeto do MDB ou do PT. Porque \u00e9 religi\u00e3o mesmo, n\u00e3o \u00e9 outra coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Esse projeto de hegemonia vai dar aonde? Vai parar nessas pautas morais como o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/programa_escola_sem_partido\">Escola sem Partido<\/a>?<\/p>\n<section id=\"sumario_3|html\" class=\"sumario_html derecha\"><a name=\"sumario_3\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">&#8220;Claramente os munic\u00edpios com maior n\u00famero de evang\u00e9licos s\u00e3o exatamente os munic\u00edpios onde o voto no Bolsonaro foi acima de 60%, e isso n\u00e3o foi verdade em 2014&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Acho que n\u00e3o, acho que vai mais longe. Isso \u00e9 que talvez seja a hist\u00f3ria da implos\u00e3o dos partidos pol\u00edticos relacionados \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o. Essa implos\u00e3o, quando aconteceu na It\u00e1lia, por exemplo, deu espa\u00e7o para v\u00e1rias outras esquisitices na pol\u00edtica, mas nenhuma delas foram esquisitices religiosas: apareceram outros partidos, apareceu o Berlusconi. Hoje em dia a It\u00e1lia continua marcada pelos populismos diversos, \u00e9 uma bagun\u00e7a s\u00f3. No Brasil, o que isso deu foi um espa\u00e7o maior para ser ocupado por um grupo que j\u00e1 almejava ocupar um espa\u00e7o pol\u00edtico maior tendo em vista, por exemplo, a elei\u00e7\u00e3o do Crivella no Rio de Janeiro em 2016, que \u00e9 bem sintom\u00e1tico desse processo. E agora esses grupos veem esse espa\u00e7o aberto porque as pessoas n\u00e3o acreditam mais em partido pol\u00edtico mesmo. Elas v\u00e3o acreditar no qu\u00ea? Elas v\u00e3o acreditar na igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Outro componente desse governo Bolsonaro, que voc\u00ea deve estar vendo h\u00e1 mais tempo a\u00ed nos Estados Unidos com o Trump, que \u00e9 esse \u201cgoverno online\u201d. H\u00e1 um governo que se comunica diretamente com o seu eleitorado mais fiel\u00a0\u2014 e inflamado\u00a0\u2014 por meio das\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/redes_sociales\/a\">redes sociais<\/a>. Isso n\u00e3o dificulta a modera\u00e7\u00e3o do discurso de Bolsonaro, sobretudo nessas pautas morais?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Demais. Acredito nisso piamente. Esse meio de comunica\u00e7\u00e3o direta por meio de Twitter,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/whatsapp\/a\">WhatsApp<\/a>, Facebook, seja l\u00e1 o que for, dificulta, sim, a modera\u00e7\u00e3o. Quando o Trump se elegeu aqui, havia essa ideia de que \u201cah, mas a presid\u00eancia \u00e9 algo que tende a moderar o discurso, porque os presidentes enfrentam todo o peso da institui\u00e7\u00e3o da presid\u00eancia, os contrapesos do Congresso, isso tende a modular o discurso e tudo mais\u201d. N\u00e3o foi absolutamente isso que a gente viu com o Trump, muito pelo contr\u00e1rio. N\u00e3o mudou nada. Ele est\u00e1 pior do que estava quando entrou. Parte da raz\u00e3o para isso \u00e9 exatamente esse canal direto de comunica\u00e7\u00e3o com a base nas redes sociais, que \u00e9 onde o povo est\u00e1 preparado para reagir da forma mais instintiva poss\u00edvel. As pessoas n\u00e3o pensam, n\u00e3o tem um espa\u00e7o reflexivo nas redes sociais, \u00e9 totalmente reativo. Chega l\u00e1 o presidente eleito e coloca um tweet meio inflamat\u00f3rio sobre uma determinada coisa, digamos, chamando o globalismo de marxismo cultural. A\u00ed vem a turba inteira achando aquilo absolutamente correto, e &#8220;\u00e9 isso mesmo, tem que acabar com o marxismo cultural&#8221;. Come\u00e7a aquela bagun\u00e7a e aquele discurso que acaba validando o discurso pol\u00edtico do presidente eleito. E ele se sente, portanto, com capital pol\u00edtico para continuar fazendo aquilo. \u00c9 uma maneira um tanto diferente de as coisas operarem no sistema pol\u00edtico do que no passado. Sob esse ponto de vista, n\u00e3o vejo qualquer espa\u00e7o para que discursos sejam moderados. Acho que eles tendem ou a ficar iguais, ou at\u00e9 a ficar um pouco mais radicais por conta dos temas que s\u00e3o levantados, sobretudo nessa pauta de costumes, que \u00e9 algo que gera naturalmente esse tipo de rea\u00e7\u00e3o. S\u00e3o coisas muito controvertidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Talvez a pauta dos costumes seja o que tenha feito com que tanta gente se arregimentasse em torno do discurso do Bolsonaro. Se Bolsonaro, durante a campanha, anunciasse pautas mais t\u00e9cnicas\u00a0\u2014 como a reforma da Previd\u00eancia ou o ajuste fiscal, por exemplo \u2014, talvez n\u00e3o tocasse tanta gente. At\u00e9 onde vai essa cren\u00e7a de que o problema do Brasil s\u00e3o essas quest\u00f5es morais, naturalmente subjetivas, quando estamos diante de problemas objetivos mais graves, como as contas p\u00fablicas, por exemplo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Se ficar s\u00f3 nisso, se o governo Bolsonaro n\u00e3o fizer as reformas que precisa fazer para que a economia volte a reagir, o desemprego continuar alto e as pessoas come\u00e7arem a ver que os problemas permanecem os mesmos, a chance de que as pessoas se desiludam com esse discurso todo \u00e9 enorme. O Brasil, diferentemente dos Estados Unidos, n\u00e3o tem solidez econ\u00f4mica nenhuma no momento. \u00c9 bem poss\u00edvel, dado que existe hoje no Brasil uma vontade de v\u00e1rios segmentos e de v\u00e1rios lados de que o Bolsonaro d\u00ea certo simplesmente para acabar com o PT de vez\u00a0\u2014 \u00e9 um pouco essa a cabe\u00e7a das pessoas atualmente no Brasil \u2014, acho que vai haver um pouco de boa vontade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 paci\u00eancia que segmentos de diferentes sociedades v\u00e3o ter diante das reformas, e acho que a paci\u00eancia vai se estender tamb\u00e9m para a qualidade das reformas. Ent\u00e3o, por exemplo, se o Bolsonaro acabar fazendo uma\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/pec_287_2917\">reforma da Previd\u00eancia<\/a>\u00a0que n\u00e3o resolva o problema da Previd\u00eancia, mas que ele possa dizer que ele fez, mais ou menos como o Trump fez aqui em rela\u00e7\u00e3o a algumas pautas, acho que vai ser o suficiente para os investidores e empres\u00e1rios que est\u00e3o nesse mesmo barco de apoiar qualquer coisa para n\u00e3o ter o PT de volta. V\u00e3o apoiar, v\u00e3o dar suporte, o que pode fazer com que a economia at\u00e9 melhore um pouco. Acho que n\u00e3o tem muito potencial de melhora muito grande, n\u00e3o, mas pode melhorar o suficiente para gerar o sentimento de que \u201cah, at\u00e9 que as coisas n\u00e3o est\u00e3o mal assim\u201d. O perigo maior que eu vejo \u00e9: a agenda que est\u00e1 colocada realmente \u00e9 uma agenda super-retr\u00f3grada de costumes. Foi nisso que as pessoas acabaram votando. Concordo com essa vis\u00e3o. Ela resolve a situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds? N\u00e3o. Por\u00e9m, como tem muita gente querendo que esse governo d\u00ea certo simplesmente para n\u00e3o ter a volta do PT ou algo parecido, \u00e9 poss\u00edvel que o Bolsonaro tenha espa\u00e7o para fazer algumas reformas, ainda que meio ruinzinhas, o que vai fazer com que todo mundo ache que era isso mesmo, estava tudo certo. E isso gera uma certa perpetua\u00e7\u00e3o de poder, n\u00e9? E tem um cl\u00e3 para se perpetuar ali no poder, tem a fam\u00edlia toda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0Algumas pessoas, como o professor Pablo Ortellado (EACH-USP), por exemplo, fazem outro paralelo com os Estados Unidos. Ele cita o livro\u00a0<em>Culture wars: the struggle to define America<\/em>\u00a0(Guerras culturais: a batalha para definir a Am\u00e9rica, numa tradu\u00e7\u00e3o livre), do soci\u00f3logo americano James Hunter. Nele, Hunter afirma que houve uma articula\u00e7\u00e3o dos setores religiosos dos Estados Unidos quando alguns movimentos sociais passaram a pautar as rela\u00e7\u00f5es interpessoais. Por exemplo, quando o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/feminismo\">movimento feminista<\/a>, ap\u00f3s conquistar direitos civis para a classe das mulheres, como o voto, passou a enfatizar tamb\u00e9m o machismo do dia a dia, nas fam\u00edlias, nas empresas, nas ruas etc. Segundo Hunter, houve rea\u00e7\u00e3o conservadora a esse fen\u00f4meno articulada pelos segmentos religiosos cat\u00f3licos, protestantes e judaicos. Voc\u00ea acha que tem paralelos desse fen\u00f4meno no Brasil?<\/p>\n<section id=\"sumario_4|html\" class=\"sumario_html izquierda\"><a name=\"sumario_4\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">&#8220;As igrejas substitu\u00edram o MDB em termos de capilaridade&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Tem paralelos, sim. Para n\u00f3s, brasileiros, esse fen\u00f4meno \u00e9 muito mais recente, ent\u00e3o ficou no ponto cego de muita gente, os nossos analistas e cientistas pol\u00edticos n\u00e3o pegaram isso. E est\u00e1 ainda no ponto cego. Aqui nos Estados Unidos, as guerras culturais est\u00e3o conosco h\u00e1 pelo menos uns 30 anos, sen\u00e3o mais. J\u00e1 \u00e9 algo que faz parte da pol\u00edtica. Com a elei\u00e7\u00e3o do Trump, a gente viu uma certa ascens\u00e3o desse conservadorismo que est\u00e1 muito associado a ele, toda essa pauta anti-imigra\u00e7\u00e3o, antiminorias, anti-LGBT. As pautas s\u00e3o mais ou menos as mesmas, mas em resposta a isso a gente teve agora, nas elei\u00e7\u00f5es de meio de mandato, uma enorme tentativa [de rea\u00e7\u00e3o] dessa popula\u00e7\u00e3o que se sentiu marginalizada por essa ascens\u00e3o do conservadorismo. Teve o fato da C\u00e2mara ter\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/11\/07\/internacional\/1541552942_049690.html\">voltado para as m\u00e3os dos democratas<\/a>, mas n\u00e3o s\u00f3 isso: de os democratas voltarem a ter tanto espa\u00e7o nos estados, n\u00e3o s\u00f3 nos governos estaduais, mas nas legislaturas. Voc\u00ea v\u00ea que o perfil das pessoas que ganharam esses mandatos s\u00e3o pessoas radicalmente opostas a essa pauta ultraconservadora. Ent\u00e3o aqui, como as guerras culturais est\u00e3o a\u00ed h\u00e1 muito tempo e a sociedade americana \u00e9 muito fluida, muda muito, porque tem uma composi\u00e7\u00e3o muito fluida, voc\u00ea acaba tendo um equil\u00edbrio natural de for\u00e7as. Um movimento se ergue e naturalmente voc\u00ea tem uma rea\u00e7\u00e3o. Tem um efeito moderador nesse vai e vem que eu acho que n\u00e3o existe no Brasil. O contrapeso a essa onda conservadora est\u00e1 totalmente desarticulado. Onde esse movimento est\u00e1? Nos progressistas. Quem s\u00e3o os progressistas? S\u00e3o as pessoas que se autoidentificam como centro-esquerda ou esquerda. Esse lado, no Brasil, est\u00e1 completamente desarticulado hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P.<\/strong>\u00a0\u00c9 poss\u00edvel que essa aproxima\u00e7\u00e3o dos religiosos ou mesmo do ide\u00e1rio conservador com o poder v\u00e1 al\u00e9m da estrutura governamental, do Executivo, e passe tamb\u00e9m para as institui\u00e7\u00f5es, como o Judici\u00e1rio, o Minist\u00e9rio P\u00fablico? Tivemos recentemente uma nota assinada por mais de 200 procuradores se colocando\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/11\/20\/politica\/1542730129_947596.html\">em favor do Escola sem Partido<\/a>\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>R.<\/strong>\u00a0Eu acho que j\u00e1 est\u00e1 muito presente, na verdade. Esse pr\u00f3prio manifesto em prol desse projeto \u00e9 um exemplo disso.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que me chamou muita aten\u00e7\u00e3o foi o manifesto que a bancada evang\u00e9lica produziu no dia 24 de outubro, que \u00e9 um plano de governo e, se o Bolsonaro tivesse tido a preocupa\u00e7\u00e3o em preparar um plano de governo, \u00e9 mais ou menos o que ele teria preparado\u00a0\u2014 o documento vai muito na linha do que ele tem anunciado e feito j\u00e1 \u2014, mas com esse componente de fundamentalismo crist\u00e3o e ideo<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":219685,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[2,6],"tags":[],"class_list":["post-265117","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/urubu-na-igreja.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/265117","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=265117"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/265117\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/219685"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=265117"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=265117"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=265117"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}