{"id":265350,"date":"2018-11-28T10:13:08","date_gmt":"2018-11-28T13:13:08","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=265350"},"modified":"2018-11-28T10:13:08","modified_gmt":"2018-11-28T13:13:08","slug":"o-homem-que-nos-mostrou-istambul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-homem-que-nos-mostrou-istambul\/","title":{"rendered":"O homem que nos mostrou Istambul"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Nobel turco elogia nesse texto o olhar urbano do fot\u00f3grafo Ara G\u00fcler, falecido no m\u00eas passado.<\/h2>\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">O fot\u00f3grafo retratou sua cidade sempre dando protagonismo aos seus habitantes<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Orhan Pamuk\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/orhan_pamuk\/a\/\">ORHAN PAMUK<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><a class=\"enlace\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/11\/16\/cultura\/1542371506_309991.html\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/11\/16\/babelia\/1542371506_309991_1542371802_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/11\/16\/babelia\/1542371506_309991_1542371802_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/11\/16\/babelia\/1542371506_309991_1542371802_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/11\/16\/babelia\/1542371506_309991_1542371802_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"O homem que nos mostrou Istambul\" width=\"980\" height=\"598\" \/><br \/>\n<\/a><span class=\"boton_ampliar\">Ampliar foto<\/span><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Ara G\u00fcler, falecido em 17 de outubro, foi o fot\u00f3grafo mais importante da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/estambul\">Istambul<\/a>moderna. Nasceu em 1928 em uma fam\u00edlia arm\u00eania residente nessa cidade turca. Come\u00e7ou a fazer fotografias da cidade em 1950, imagens que captavam a vida das pessoas com a monumental arquitetura otomana, suas majestosas mesquitas e suas magn\u00edficas fontes. Eu nasci dois anos depois, em 1952, e morei nos mesmos bairros que ele. A Istambul de Ara G\u00fcler \u00e9 a minha Istambul.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CLjzlt-U994CFQx0wQod2lQO6Q\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-google-container-id=\"9\" data-load-complete=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conheci Ara na d\u00e9cada de 1960, quando vi suas fotografias na Hayat, uma revista semanal de not\u00edcias s\u00e9rias e fofocas, com uma forte proposta na fotografia. Um dos meus tios a dirigia. Ara publicava retratos de escritores e celebridades como\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/pablo_picasso\">Picasso<\/a>\u00a0e Dal\u00ed e de turcos famosos da gera\u00e7\u00e3o anterior, como Tanpinar. Quando me fotografou pela primeira vez, ap\u00f3s o sucesso de\u00a0<em>O Livro Negro<\/em>, felizmente percebi que havia vencido como escritor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ara fotografou devotadamente Istambul durante mais de meio s\u00e9culo, at\u00e9 a entrada da d\u00e9cada de 2000. Eu estudava com avidez suas fotografias, para ver nelas o desenvolvimento e a transforma\u00e7\u00e3o da cidade. Nossa amizade come\u00e7ou em 2003, quando eu consultava seu arquivo de 900.000 fotografias como parte da pesquisa para escrever\u00a0<em>Istambul: Mem\u00f3rias de uma cidade<\/em>. Havia transformado a grande casa de tr\u00eas andares herdada de seu pai, um farmac\u00eautico do bairro de Galatasaray, no distrito de Beyoglu, em sua oficina, escrit\u00f3rio e arquivo.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|html\" class=\"sumario_html derecha\"><a name=\"sumario_1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">Os indiv\u00edduos parecem mais fr\u00e1geis e pobres quando aparecem ao lado da arquitetura otomana<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">As fotografias que eu queria para meu livro Istambul n\u00e3o eram as famosas imagens de Ara G\u00fcler que todo mundo conhecia e sim outras mais em sintonia com a melanc\u00f3lica Istambul que eu descrevia, a atmosfera em escalas de cinza de minha inf\u00e2ncia. Ara tinha muito mais fotografias desse tipo do que eu esperava. Ele detestava as imagens de uma Istambul esterilizada, esterilizada e tur\u00edstica. Ao descobrir meus interesses, me deixou acessar com toda a tranquilidade seus arquivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi atrav\u00e9s da fotografia de reportagem urbana de Ara publicada na imprensa no come\u00e7o da d\u00e9cada de 1950, seus retratos de pobres, desempregados e rec\u00e9m-chegados do campo, quando vi pela primeira vez a Istambul \u201cdesconhecida\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A aten\u00e7\u00e3o que Ara prestava aos habitantes das ruas secund\u00e1rias de Istambul\u00a0\u2014 os pescadores sentados nas cafeterias e consertando suas redes, os desempregados se embebedando nas tabernas, as crian\u00e7as remendando pneus de carros \u00e0 sombra de antigos muros destru\u00eddos da cidade, os oper\u00e1rios da constru\u00e7\u00e3o, os trabalhadores ferrovi\u00e1rios, os barqueiros que empunhavam seus remos para transportar os habitantes da cidade de uma a outra margem do Chifre de Ouro, os vendedores ambulantes de frutas empunhando seus carrinhos, as pessoas que andavam de um lado para o outro ao amanhecer esperando a abertura da ponte de G\u00e1lata, os motoristas de micro-\u00f4nibus no come\u00e7o da manh\u00e3\u00a0\u2014 \u00e9 a prova de que sempre expressava seu apego \u00e0 cidade atrav\u00e9s das pessoas que moravam nela.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|html\" class=\"sumario_html derecha\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">Ansiava por uma democracia em que pudesse falar sobre seus ancestrais arm\u00eanios assassinados<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 como se as fotografias de Ara nos dissessem: \u201cSim, as belas paisagens urbanas de Istambul n\u00e3o t\u00eam fim, mas primeiro, suas pessoas\u201d. A caracter\u00edstica crucial que define uma fotografia de Ara G\u00fcler \u00e9 a correla\u00e7\u00e3o emocional que estabelece entre as paisagens urbanas e os indiv\u00edduos. Suas fotografias me fizeram descobrir tamb\u00e9m at\u00e9 que ponto os moradores de Istambul pareciam mais fr\u00e1geis e pobres quando eram fotografados ao lado da monumental arquitetura otomana da cidade, suas majestosas mesquitas e suas magn\u00edficas fontes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cVoc\u00ea s\u00f3 gosta de minhas fotografias porque te fazem lembrar da Istambul de sua inf\u00e2ncia\u201d, me dizia \u00e0s vezes, em um tom extremamente irritado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o!\u201d, eu protestava. \u201cGosto delas porque s\u00e3o bonitas\u201d.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|apoyos\" class=\"sumario_apoyos izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<div class=\"apoyos\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a beleza e a recorda\u00e7\u00e3o s\u00e3o coisas separadas? As coisas deixam de ser belas por serem ligeiramente familiares e por se parecerem com nossas recorda\u00e7\u00f5es? Sentia prazer conversando sobre esses assuntos com ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto trabalhei em seu arquivo de fotografias de Istambul, frequentemente me perguntava o que havia nelas que me atra\u00eda profundamente. Essas mesmas imagens atrairiam outros? Existe algo embriagador em olhar as imagens dos detalhes descuidados e ainda assim vitais da cidade em que passei minha vida: os carros e os vendedores ambulantes em suas ruas, os policiais de tr\u00e2nsito, os trabalhadores, as mulheres com len\u00e7os na cabe\u00e7a atravessando pontes envoltas na n\u00e9voa, os velhos pontos de \u00f4nibus, as sombras de suas \u00e1rvores, as picha\u00e7\u00f5es nas paredes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para os que, como eu, passaram 65 anos na mesma cidade\u00a0\u2014 \u00e0s vezes sem sair dela durante anos \u2014, as paisagens urbanas acabam se transformando em uma esp\u00e9cie de indicador de nossa vida emocional. Uma rua pode trazer \u00e0 mem\u00f3ria a dor de ser despedido de um emprego; a vista de uma determinada ponte pode nos fazer reviver a solid\u00e3o de nossa juventude. Uma pra\u00e7a pode nos fazer lembrar do prazer do amor; um beco escuro pode nos lembrar de nossos medos pol\u00edticos; um velho caf\u00e9 desperta a recorda\u00e7\u00e3o de nossos amigos presos. E um sic\u00f4moro nos faz perceber de que antes \u00e9ramos pobres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos primeiros tempos de nossa amizade, nunca fal\u00e1vamos de sua proced\u00eancia arm\u00eania e da hist\u00f3ria suprimida e dolorosa da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/genocidio_armenio\">destrui\u00e7\u00e3o dos arm\u00eanios otomanos<\/a>, um assunto que continua sendo um verdadeiro tabu na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/turquia\">Turquia<\/a>. Eu intu\u00eda que seria dif\u00edcil falar desse assunto pungente com ele, que provocaria desaven\u00e7as em nossa rela\u00e7\u00e3o. Ele sabia que falar dessa quest\u00e3o dificultaria sua sobreviv\u00eancia na Turquia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o passar dos anos, confiou um pouco em mim, e algumas vezes falou sobre assuntos pol\u00edticos que n\u00e3o comentava com outros. Um dia me disse que, em 1942, para evitar o exorbitante \u201cimposto sobre a riqueza\u201d que o Governo turco impunha especificamente aos cidad\u00e3os n\u00e3o mu\u00e7ulmanos, e para evitar a deporta\u00e7\u00e3o aos campos de trabalho for\u00e7ado se n\u00e3o pagasse o imposto, seu pai farmac\u00eautico deixou a casa de Galatasaray e se escondeu durante meses em outra casa, sem se atrever a sair uma s\u00f3 vez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na noite de 6 para 7 de setembro de 1955, em um momento de tens\u00e3o pol\u00edtica entre a Turquia e a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/grecia\">Gr\u00e9cia<\/a>\u00a0pelos acontecimentos no Chipre, grupos mobilizados pelo Governo turco percorreram as ruas saqueando as lojas de gregos, arm\u00eanios e judeus, profanaram igrejas e sinagogas e transformaram a rua de Istiklal, a avenida central que passa por Beyoglu, al\u00e9m da casa de Ara, em um campo de batalha. As fam\u00edlias arm\u00eanias e gregas que possu\u00edam lojas e falavam turco com um sotaque que eu costumava imitar quando volt\u00e1vamos para casa ap\u00f3s uma visita a Istiklal com minha m\u00e3e na d\u00e9cada de 1950 j\u00e1 n\u00e3o estavam em suas lojas em meados da d\u00e9cada de 1960, ap\u00f3s esse tipo de limpeza \u00e9tnica conseguir mandar ao ex\u00edlio e intimidar as minorias n\u00e3o mu\u00e7ulmanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na \u00e9poca nos sent\u00edamos confort\u00e1veis falando detalhadamente sobre como ele abordava as fotografias desses e outros acontecimentos semelhantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas continu\u00e1vamos sem falar do assunto da destrui\u00e7\u00e3o dos arm\u00eanios otomanos, dos av\u00f3s de Ara. Em 2005, me queixei em uma entrevista de que na Turquia n\u00e3o havia liberdade de pensamento, e de que ainda n\u00e3o pod\u00edamos falar das coisas terr\u00edveis feitas aos arm\u00eanios h\u00e1 90 anos. A imprensa nacionalista exagerou meus coment\u00e1rios. Fui processado em Istambul por difamar a identidade turca, uma acusa\u00e7\u00e3o que poderia acabar em uma senten\u00e7a de tr\u00eas anos de cadeia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois anos depois, meu amigo jornalista arm\u00eanio Hrant Dink foi assassinado em Istambul, em plena rua, por usar as palavras \u201cgenoc\u00eddio arm\u00eanio\u201d. Alguns jornais come\u00e7aram a insinuar que eu poderia ser o pr\u00f3ximo. Pelas amea\u00e7as de morte que recebia, as acusa\u00e7\u00f5es apresentadas contra mim e a campanha maligna da imprensa nacionalista, comecei a passar mais tempo no exterior, em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/nueva_york\/a\">Nova York<\/a>. Retornava a meu escrit\u00f3rio de Istambul durante alguns dias, sem dizer a ningu\u00e9m que estava ali.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante uma dessas breves visitas, nos dias mais sombrios ap\u00f3s o assassinato de Hrant Dink, entrei no meu escrit\u00f3rio e o telefone come\u00e7ou a tocar imediatamente. Naquela \u00e9poca nunca atendia o telefone de meu escrit\u00f3rio. Deixava de tocar um tempo, mas logo recome\u00e7ava, v\u00e1rias vezes. Intranquilo, acabei atendendo. Imediatamente, reconheci a voz de Ara: \u201cAh, voc\u00ea voltou. Vou passar a\u00ed agora mesmo\u201d, disse, e desligou sem esperar resposta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quinze minutos depois, Ara entrou em meu escrit\u00f3rio. Estava sem f\u00f4lego e praguejando contra tudo e contra todos, \u00e0 sua maneira t\u00e3o caracter\u00edstica. Depois me abra\u00e7ou com seu enorme corpo e come\u00e7ou a chorar. Os que conheciam Ara, e o quanto ele gostava de praguejar e as grosseiras express\u00f5es masculinas, entender\u00e3o meu espanto ao v\u00ea-lo chorar assim. Continuou reclamando e me dizendo: \u201cEssas pessoas n\u00e3o podem encostar em voc\u00ea!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Suas l\u00e1grimas n\u00e3o paravam de cair. Quanto mais ele chorava, mais me embargava uma sensa\u00e7\u00e3o de culpa, e me senti paralisado. Ap\u00f3s chorar por um bom tempo, Ara finalmente se acalmou e, depois, como se isso fosse todo o prop\u00f3sito de sua visita, tomou um copo de \u00e1gua e foi embora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s algum tempo voltamos a nos ver. Eu retomei meu discreto trabalho em seus arquivos como se nada tivesse acontecido. J\u00e1 n\u00e3o sentia a necessidade de perguntar a ele por seus av\u00f3s. O grande fot\u00f3grafo j\u00e1 havia me dito tudo com seu pranto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ara esperou por uma democracia em que as pessoas pudessem falar com liberdade sobre seus ancestrais assassinados, ou pelo menos chorar livremente por eles. A Turquia nunca se transformou nessa democracia. A prosperidade dos \u00faltimos 15 anos, um per\u00edodo de crescimento econ\u00f4mico constru\u00eddo gra\u00e7as aos empr\u00e9stimos, n\u00e3o foi utilizada para ampliar o alcance da democracia e sim para restringir ainda mais a liberdade de pensamento. E depois de todo esse crescimento e toda essa constru\u00e7\u00e3o, a velha Istambul de Ara G\u00fcler se transformou\u00a0\u2014 para usar o t\u00edtulo de um de seus livros\u00a0\u2014 em uma \u201cIstambul perdida\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na \u00e9poca nos sent\u00edamos confort\u00e1veis falando detalhadamente sobre como ele abordava as fotografias desses e outros acontecimentos semelhantes.<\/p>\n<p>Mas continu\u00e1vamos sem falar do a<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":265351,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-265350","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/stambul.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/265350","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=265350"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/265350\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/265351"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=265350"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=265350"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=265350"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}