{"id":265488,"date":"2018-11-29T17:54:39","date_gmt":"2018-11-29T20:54:39","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=265488"},"modified":"2018-11-29T17:54:39","modified_gmt":"2018-11-29T20:54:39","slug":"capela-sistina-parece-banheiro-publico-13-obras-destrocadas-por-criticos-de-seu-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/capela-sistina-parece-banheiro-publico-13-obras-destrocadas-por-criticos-de-seu-tempo\/","title":{"rendered":"\u201cCapela Sistina parece banheiro p\u00fablico\u201d: 13 obras destro\u00e7adas por cr\u00edticos de seu tempo"},"content":{"rendered":"<div class=\"cabecera__envoltorio\">\n<header id=\"cabecera\" class=\"cabecera\">\n<div id=\"cabecera__interior\" class=\"cabecera__interior\">\n<div class=\"cabecera-inferior\">\n<div class=\"cabecera-inferior__interior\">\n<div id=\"elpais\" class=\"elpais\">\n<div id=\"elpais-menu\" class=\"elpais-menu\">Por: El Pa\u00eds<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<\/div>\n<div class=\"articulo__envoltorio\">\n<article class=\"articulo articulo--nointro\">\n<div id=\"articulo_interior\" class=\"articulo__interior\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<figure class=\"foto superior foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/11\/23\/album\/1542967190_584595_1542975435_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/11\/23\/album\/1542967190_584595_1542975435_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/11\/23\/album\/1542967190_584595_1542975435_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/11\/23\/album\/1542967190_584595_1542975435_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"\u201cCapela Sistina parece banheiro p\u00fablico\u201d: 13 obras destro\u00e7adas por cr\u00edticos de seu tempo\" width=\"980\" height=\"699\" \/><\/figure>\n<div id=\"articulo-texto\" class=\"articulo-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<div class=\"articulo-antetitulo \"><a class=\"enlace\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/agr\/icon_design_arte\">ARTE<\/a><\/div>\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \"><\/h1>\n<p><span id=\"articulo-numfoto\" class=\"articulo-numfoto\">13 fotos<\/span><\/p>\n<div class=\"articulo-subtitulos\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">&#8220;\u00c0 frente de seu tempo&#8221;, essa frase que j\u00e1 soa batida, alcan\u00e7a todo seu sentido com estas obras e estes artistas que sentiram como a cr\u00edtica os desprezava e hoje s\u00e3o universalmente venerados<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Ianko L\u00f3pez\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/ianko_lopez_ortiz_de_artinano\/a\/\">IANKO L\u00d3PEZ<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div id=\"articulo-galeria\" class=\"articulo-galeria\">\n<div class=\"articulo-galeria__interior\">\n<div class=\"articulo-galeria-listado\">\n<ul class=\"contenedor_fotos\">\n<li style=\"list-style-type: none\">\n<ul class=\"contenedor_fotos\">\n<li id=\"id_gal_pasa_1\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><span class=\"fondo_img\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"foto_gal_1\" class=\"horizontal\" src=\"https:\/\/ep00.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/11\/23\/album\/1542967190_584595_1542971268_album_normal.jpg\" alt=\"  O que pensamos hoje  A Torre Eiffel, esse \u00edcone. Convertida no postal parisiense por antonom\u00e1sia, durante um fim de semana de f\u00e9rias quase nos daria vergonha publicar em nossas redes sociais uma fotografia em frente a ela desde que a inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o fosse fazer uma ironia. E para al\u00e9m disso \u00e9 uma soberba obra de engenharia, al\u00e9m do reflexo material de uma nova sociedade baseada na ind\u00fastria e no capital, que encontrava seu espelho perfeito em uma torre levantada em base de vigas met\u00e1licas.    O que disseram ent\u00e3o  Em seus primeiros dias, horrorizou a maioria acostumada aos pomposos edif\u00edcios de estilo historicista e Beaux-Arts, que n\u00e3o via nela mais que um brutamontes de aspecto inacabado, um gigantesco andaime que arruinava a beleza da Paris senhorial. Um grupo de escritores e artistas, entre os quais se encontravam os  pompiers  Bouguereau e Messonier e o m\u00fasico Charles Gounod, publicaram em 1887, a poucos dias de iniciada sua constru\u00e7\u00e3o, uma carta de protesto em que chamava a nova constru\u00e7\u00e3o de \u201ca desonra de Paris\u201d, e prognosticavam que todos os estrangeiros que visitassem a cidade iam debochar da Fran\u00e7a inteira perante aquele \u201chorror que os franceses encontraram para nos dar uma ideia de seu gosto t\u00e3o louvado\u201d. \" width=\"980\" height=\"653\" \/><\/span><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-numero\">1<\/span><span class=\"foto-titulo\">A Torre Eiffel (1889), de Alexandre Gustave Eiffel: a desonra de Paris\u00a0<\/span><strong>O que pensamos hoje<\/strong>\u00a0A Torre Eiffel, esse \u00edcone. Convertida no postal parisiense por antonom\u00e1sia, durante um fim de semana de f\u00e9rias quase nos daria vergonha publicar em nossas redes sociais uma fotografia em frente a ela desde que a inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o fosse fazer uma ironia. E para al\u00e9m disso \u00e9 uma soberba obra de engenharia, al\u00e9m do reflexo material de uma nova sociedade baseada na ind\u00fastria e no capital, que encontrava seu espelho perfeito em uma torre levantada em base de vigas met\u00e1licas.<\/p>\n<p><strong>O que disseram ent\u00e3o<\/strong>\u00a0Em seus primeiros dias, horrorizou a maioria acostumada aos pomposos edif\u00edcios de estilo historicista e Beaux-Arts, que n\u00e3o via nela mais que um brutamontes de aspecto inacabado, um gigantesco andaime que arruinava a beleza da Paris senhorial. Um grupo de escritores e artistas, entre os quais se encontravam os\u00a0<em>pompiers<\/em>\u00a0Bouguereau e Messonier e o m\u00fasico Charles Gounod, publicaram em 1887, a poucos dias de iniciada sua constru\u00e7\u00e3o, uma carta de protesto em que chamava a nova constru\u00e7\u00e3o de \u201ca desonra de Paris\u201d, e prognosticavam que todos os estrangeiros que visitassem a cidade iam debochar da Fran\u00e7a inteira perante aquele \u201chorror que os franceses encontraram para nos dar uma ideia de seu gosto t\u00e3o louvado\u201d.<\/p>\n<p><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-agencia\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/li>\n<li id=\"id_gal_pasa_2\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><span class=\"fondo_img\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"foto_gal_2\" class=\"horizontal\" src=\"https:\/\/ep00.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/11\/23\/album\/1542967190_584595_1542971266_album_normal.jpg\" alt=\"  O que pensamos hoje:  Jeff Koons \u00e9 um dos artistas vivos mais cotados. Goste ou n\u00e3o, suas exposi\u00e7\u00f5es se convertem em blockbusters capazes de atrair milhares de espectadores. O Guggenheim de Bilbao exibe seu gigantesco e florido  Puppy  na entrada, al\u00e9m de um igualmente enorme ramalhete de Tulipas    met\u00e1lico em uma de suas esplanadas. \u00c9 qui\u00e7\u00e1 o artista contempor\u00e2neo que de maneira mais literal e extrema representou a sociedade do espet\u00e1culo e sua ancoragem na economia capitalista.    O que disseram ent\u00e3o:  Em 1989, quando j\u00e1 desfrutava de um reconhecimento invej\u00e1vel para qualquer outro artista, o cr\u00edtico Mark Stevens escreveu na edi\u00e7\u00e3o norte-americana Vanity Fair as palavras definitivas sobre sua obra: \u201cseja o que for que diz Koons, Warhol o disse melhor\u201d. \" width=\"980\" height=\"755\" \/><\/span><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-numero\">2<\/span><span class=\"foto-titulo\">Jeff Koons (1955-), Warhol de segunda\u00a0<\/span><strong>O que pensamos hoje:\u00a0<\/strong>Jeff Koons \u00e9 um dos artistas vivos mais cotados. Goste ou n\u00e3o, suas exposi\u00e7\u00f5es se convertem em blockbusters capazes de atrair milhares de espectadores. O Guggenheim de Bilbao exibe seu gigantesco e florido\u00a0<em>Puppy<\/em>\u00a0na entrada, al\u00e9m de um igualmente enorme ramalhete de Tulipas\u00a0met\u00e1lico em uma de suas esplanadas. \u00c9 qui\u00e7\u00e1 o artista contempor\u00e2neo que de maneira mais literal e extrema representou a sociedade do espet\u00e1culo e sua ancoragem na economia capitalista.<\/p>\n<p><strong>O que disseram ent\u00e3o:<\/strong>\u00a0Em 1989, quando j\u00e1 desfrutava de um reconhecimento invej\u00e1vel para qualquer outro artista, o cr\u00edtico Mark Stevens escreveu na edi\u00e7\u00e3o norte-americana Vanity Fair as palavras definitivas sobre sua obra: \u201cseja o que for que diz Koons, Warhol o disse melhor\u201d.<\/p>\n<p><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-agencia\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/li>\n<li id=\"id_gal_pasa_3\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><span class=\"fondo_img\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"foto_gal_3\" class=\"horizontal\" src=\"https:\/\/ep00.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/11\/23\/album\/1542967190_584595_1542971261_album_normal.jpg\" alt=\"  O que pensamos hoje:  Poucos anos ap\u00f3s o esc\u00e2ndalo da Olympia de Manet, um jovem C\u00e9zanne homenageou ao quadro original com uma obra ainda mais atrevida, que hoje poderia passar por uma cria\u00e7\u00e3o criada em um s\u00e9culo mais tarde pelo menos. E nos vem \u00e0 cabe\u00e7a o alem\u00e3o Georg Baselitz, por exemplo.    O que disseram ent\u00e3o:  Quando foi apresentado na primeira exposi\u00e7\u00e3o impressionista de 1874, o cr\u00edtico Marc de Montifaud escreveu: \u201cMonsieur C\u00e9zanne d\u00e1 a mera impress\u00e3o de ser uma esp\u00e9cie de louco que pinta em um estado de delirium tremens\u201d. \" width=\"980\" height=\"777\" \/><\/span><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-numero\">3<\/span><span class=\"foto-titulo\">\u201cUma Olympia moderna\u201d (1873-1874), de Paul C\u00e9zanne: delirum tremens\u00a0<\/span><strong>O que pensamos hoje:\u00a0<\/strong>Poucos anos ap\u00f3s o esc\u00e2ndalo da Olympia de Manet, um jovem C\u00e9zanne homenageou ao quadro original com uma obra ainda mais atrevida, que hoje poderia passar por uma cria\u00e7\u00e3o criada em um s\u00e9culo mais tarde pelo menos. E nos vem \u00e0 cabe\u00e7a o alem\u00e3o Georg Baselitz, por exemplo.<\/p>\n<p><strong>O que disseram ent\u00e3o:\u00a0<\/strong>Quando foi apresentado na primeira exposi\u00e7\u00e3o impressionista de 1874, o cr\u00edtico Marc de Montifaud escreveu: \u201cMonsieur C\u00e9zanne d\u00e1 a mera impress\u00e3o de ser uma esp\u00e9cie de louco que pinta em um estado de delirium tremens\u201d.<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<div id=\"elpais_gpt-MPU1\" class=\"publi_luto_vertical\" data-google-query-id=\"CN3Ih-K9-t4CFRJvAQodFj4Bsw\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/fotogalerias\/brasil\/mpu1_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<ul class=\"contenedor_fotos\">\n<li style=\"list-style-type: none\">\n<ul class=\"contenedor_fotos\">\n<li id=\"id_gal_pasa_4\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><span class=\"fondo_img\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"foto_gal_4\" class=\"horizontal\" src=\"https:\/\/ep00.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/11\/23\/album\/1542967190_584595_1542971262_album_normal.jpg\" alt=\"  O que pensamos hoje : Um dos maiores pintores de todos os tempos. E dos mais originais. Seu estilo, um farol da escola maneirista veneziana, mudou espetacularmente desde os in\u00edcios caracterizados pelo desenho primoroso at\u00e9 uma pincelada cada vez mais solta e uma forma mais turva que para alguns inauguraria a linha que levou at\u00e9 a pintura abstrata.    O que disseram ent\u00e3o:  Esta ousadia formal levou o tratadista Francisco Pacheco a lamentar em uma obra editada em 1649 seus \u201cborr\u00f5es e falta de t\u00e9cnica, estudo e aten\u00e7\u00e3o na hora de desenhar\u201d. \" width=\"980\" height=\"653\" \/><\/span><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-numero\">4<\/span><span class=\"foto-titulo\">Tiziano Vecellio (c.1477-1576) e os borr\u00f5es\u00a0<\/span><strong>O que pensamos hoje<\/strong>: Um dos maiores pintores de todos os tempos. E dos mais originais. Seu estilo, um farol da escola maneirista veneziana, mudou espetacularmente desde os in\u00edcios caracterizados pelo desenho primoroso at\u00e9 uma pincelada cada vez mais solta e uma forma mais turva que para alguns inauguraria a linha que levou at\u00e9 a pintura abstrata.<\/p>\n<p><strong>O que disseram ent\u00e3o:\u00a0<\/strong>Esta ousadia formal levou o tratadista Francisco Pacheco a lamentar em uma obra editada em 1649 seus \u201cborr\u00f5es e falta de t\u00e9cnica, estudo e aten\u00e7\u00e3o na hora de desenhar\u201d.<\/p>\n<p><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-agencia\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/li>\n<li id=\"id_gal_pasa_5\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><span class=\"fondo_img\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"foto_gal_5\" class=\"vertical\" src=\"https:\/\/ep00.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/11\/23\/album\/1542967190_584595_1542971265_album_normal.jpg\" alt=\"  O que pensamos hoje:  Nascido em Creta, Dom\u00e9nikos Theotok\u00f3poulos \u00e9 considerado um dos maiores pintores da hist\u00f3ria. H\u00e1 poucos anos uma obra sua, \u201cSanto Domino rezando\u201d, converteu-se na obra de pintura antiga espanhola mais cara ao ser vendida em leil\u00e3o por quase 11 milh\u00f5es de euros. E quadros como \u201cO enterro do conde Orgaz\u201d ou \u201cO esp\u00f3lio\u201d s\u00e3o universalmente reconhecidos como obras magistrais.    O que disseram ent\u00e3o:  Em vida teve muitas dificuldades para impor seu estilo, enfrentou rejei\u00e7\u00e3o de oponentes t\u00e3o poderosos quanto o rei Felipe II, e n\u00e3o chegou ao s\u00e9culo XIX, quando se valorizou sua obra, sobretudo gra\u00e7as aos cr\u00edticos franceses e brit\u00e2nicos. O pintor e tratadista espanhol Antonio Palomino escreveu sobre ele em 1724: \u201cVendo que suas pinturas se chocavam com as de Tiziano, tratou de mudar o estilo, com tal extravag\u00e2ncia, que chegou a fazer desprez\u00edvel e rid\u00edcula sua pintura, tanto no desconectado do desenho quanto no desabrido da cor\u201d. \" width=\"980\" height=\"1257\" \/><\/span><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-numero\">5<\/span><span class=\"foto-titulo\">El Greco (1541-1614), &#8220;rid\u00edculo e desprez\u00edvel&#8221;\u00a0<\/span><strong>O que pensamos hoje:\u00a0<\/strong>Nascido em Creta, Dom\u00e9nikos Theotok\u00f3poulos \u00e9 considerado um dos maiores pintores da hist\u00f3ria. H\u00e1 poucos anos uma obra sua, \u201cSanto Domino rezando\u201d, converteu-se na obra de pintura antiga espanhola mais cara ao ser vendida em leil\u00e3o por quase 11 milh\u00f5es de euros. E quadros como \u201cO enterro do conde Orgaz\u201d ou \u201cO esp\u00f3lio\u201d s\u00e3o universalmente reconhecidos como obras magistrais.<\/p>\n<p><strong>O que disseram ent\u00e3o:\u00a0<\/strong>Em vida teve muitas dificuldades para impor seu estilo, enfrentou rejei\u00e7\u00e3o de oponentes t\u00e3o poderosos quanto o rei Felipe II, e n\u00e3o chegou ao s\u00e9culo XIX, quando se valorizou sua obra, sobretudo gra\u00e7as aos cr\u00edticos franceses e brit\u00e2nicos. O pintor e tratadista espanhol Antonio Palomino escreveu sobre ele em 1724: \u201cVendo que suas pinturas se chocavam com as de Tiziano, tratou de mudar o estilo, com tal extravag\u00e2ncia, que chegou a fazer desprez\u00edvel e rid\u00edcula sua pintura, tanto no desconectado do desenho quanto no desabrido da cor\u201d.<\/p>\n<p><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-agencia\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/li>\n<li id=\"id_gal_pasa_6\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><span class=\"fondo_img\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"foto_gal_6\" class=\"horizontal\" src=\"https:\/\/ep00.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/11\/23\/album\/1542967190_584595_1542971267_album_normal.jpg\" alt=\"  O que pensamos hoje:  A partir dos olhos contempor\u00e2neos trata-se de um nu de extraordin\u00e1ria beleza. A combina\u00e7\u00e3o do sereno classicismo com a vivacidade da arte da segunda metade do XIX resulta muito sedutora. E quem quer que visite um par de bons museus em sua vida pode identificar as refer\u00eancias \u00e0s V\u00eanus e D\u00e1naos de Giorgione ou Tiziano, entre outras obras mestres.    O que disseram ent\u00e3o:  Mas, ent\u00e3o, quase ningu\u00e9m viu nada disso. Ao p\u00fablico franc\u00eas a obra pareceu de uma fealdade insuport\u00e1vel, e ele foi em massa ao Sal\u00e3o de Paris com o \u00fanico prop\u00f3sito de debochar daquela representa\u00e7\u00e3o de uma prostituta gorda de olhar vicioso. Por sua vez, a cr\u00edtica a comparou com um pesadelo de Edgar Allan Poe ou uma vagabunda das periferias, embora uma das defini\u00e7\u00f5es mais celebradas tenha vindo de Am\u00e9d\u00e9e Cantaloube, que escreveu em Le  Grand Journal : \u201c\u00c9 uma esp\u00e9cie de gorila f\u00eamea, um grotesco de borracha\u201d. \" width=\"980\" height=\"666\" \/><\/span><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-numero\">6<\/span><span class=\"foto-titulo\">\u201cOlympia\u201d (1863), de \u00c9douard Manet: a mulher gorila\u00a0<\/span><strong>O que pensamos hoje:\u00a0<\/strong>A partir dos olhos contempor\u00e2neos trata-se de um nu de extraordin\u00e1ria beleza. A combina\u00e7\u00e3o do sereno classicismo com a vivacidade da arte da segunda metade do XIX resulta muito sedutora. E quem quer que visite um par de bons museus em sua vida pode identificar as refer\u00eancias \u00e0s V\u00eanus e D\u00e1naos de Giorgione ou Tiziano, entre outras obras mestres.<\/p>\n<p><strong>O que disseram ent\u00e3o:\u00a0<\/strong>Mas, ent\u00e3o, quase ningu\u00e9m viu nada disso. Ao p\u00fablico franc\u00eas a obra pareceu de uma fealdade insuport\u00e1vel, e ele foi em massa ao Sal\u00e3o de Paris com o \u00fanico prop\u00f3sito de debochar daquela representa\u00e7\u00e3o de uma prostituta gorda de olhar vicioso. Por sua vez, a cr\u00edtica a comparou com um pesadelo de Edgar Allan Poe ou uma vagabunda das periferias, embora uma das defini\u00e7\u00f5es mais celebradas tenha vindo de Am\u00e9d\u00e9e Cantaloube, que escreveu em Le\u00a0<em>Grand Journal<\/em>: \u201c\u00c9 uma esp\u00e9cie de gorila f\u00eamea, um grotesco de borracha\u201d.<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<ul class=\"contenedor_fotos\">\n<li style=\"list-style-type: none\">\n<ul class=\"contenedor_fotos\">\n<li id=\"id_gal_pasa_7\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><span class=\"fondo_img\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"foto_gal_7\" class=\"horizontal\" src=\"https:\/\/ep00.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/11\/23\/album\/1542967190_584595_1542971407_album_normal.jpg\" alt=\"  O que pensamos hoje:  A pintura pr\u00e9-rafaelita est\u00e1 na moda nos tempos que correm. Qui\u00e7\u00e1 porque seu regresso \u00e0 pureza das fontes antigas sup\u00f5e um al\u00edvio em frente ao 'stress' tecnol\u00f3gico e o excesso de imagem digital. De fato, algumas destas obras atingem pre\u00e7os astron\u00f4micos nos leil\u00f5es, como ocorreu em 2013 com \u201cLove among the ruins\u201d, de Sir Edward Burne-Jones (1833-1898), vendida por 17 milh\u00f5es de euros. Isso para n\u00e3o falar do revival de William Morris que invocou Loewe.    O que disseram ent\u00e3o:  A pretens\u00e3o de regressar a um ponto anterior ao maneirismo foi bastante discutida, e seus resultados foram acusados n\u00e3o s\u00f3 de conservadores, mas tamb\u00e9m de feios. Como prova, destacamos a rea\u00e7\u00e3o diante a esta obra de Millais (o autor da c\u00e9lebre \u201cOf\u00e9lia\u201d) por parte de um inimigo com tanto peso quanto o romancista Charles Dickens, que em sua revista  Household Words  a descreveu assim: \u201cuma horripilante, chorosa crian\u00e7a ruiva com o pesco\u00e7o ladeado e em camisola que parece ter recebido um empurr\u00e3o que q jogou em um riacho pr\u00f3ximo, incorporando para a contempla\u00e7\u00e3o de uma mulher ajoelhada, t\u00e3o horr\u00edvel em sua fealdade (supondo que fosse poss\u00edvel, nem por um momento, que existisse uma criatura humana com essa garganta deslocada) que se destaca do resto da companhia como um monstro no cabar\u00e9 mais vil da Fran\u00e7a ou na loja de gim mais vulgar da Inglaterra\u201d. \" width=\"980\" height=\"625\" \/><\/span><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-numero\">7<\/span><span class=\"foto-titulo\">6. \u201cCristo na casa de seus pais\u201d (1850), de John Everett Millais: a crian\u00e7a horripilante e o cabar\u00e9 monstruoso\u00a0<\/span><strong>O que pensamos hoje:\u00a0<\/strong>A pintura pr\u00e9-rafaelita est\u00e1 na moda nos tempos que correm. Qui\u00e7\u00e1 porque seu regresso \u00e0 pureza das fontes antigas sup\u00f5e um al\u00edvio em frente ao &#8216;stress&#8217; tecnol\u00f3gico e o excesso de imagem digital. De fato, algumas destas obras atingem pre\u00e7os astron\u00f4micos nos leil\u00f5es, como ocorreu em 2013 com \u201cLove among the ruins\u201d, de Sir Edward Burne-Jones (1833-1898), vendida por 17 milh\u00f5es de euros. Isso para n\u00e3o falar do revival de William Morris que invocou Loewe.<\/p>\n<p><strong>O que disseram ent\u00e3o:\u00a0<\/strong>A pretens\u00e3o de regressar a um ponto anterior ao maneirismo foi bastante discutida, e seus resultados foram acusados n\u00e3o s\u00f3 de conservadores, mas tamb\u00e9m de feios. Como prova, destacamos a rea\u00e7\u00e3o diante a esta obra de Millais (o autor da c\u00e9lebre \u201cOf\u00e9lia\u201d) por parte de um inimigo com tanto peso quanto o romancista Charles Dickens, que em sua revista\u00a0<em>Household Words<\/em>\u00a0a descreveu assim: \u201cuma horripilante, chorosa crian\u00e7a ruiva com o pesco\u00e7o ladeado e em camisola que parece ter recebido um empurr\u00e3o que q jogou em um riacho pr\u00f3ximo, incorporando para a contempla\u00e7\u00e3o de uma mulher ajoelhada, t\u00e3o horr\u00edvel em sua fealdade (supondo que fosse poss\u00edvel, nem por um momento, que existisse uma criatura humana com essa garganta deslocada) que se destaca do resto da companhia como um monstro no cabar\u00e9 mais vil da Fran\u00e7a ou na loja de gim mais vulgar da Inglaterra\u201d.<\/p>\n<p><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-agencia\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/li>\n<li id=\"id_gal_pasa_8\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><span class=\"fondo_img\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"foto_gal_8\" class=\"vertical\" src=\"https:\/\/ep00.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/11\/23\/album\/1542967190_584595_1542971408_album_normal.jpg\" alt=\"  O que pensamos hoje:  Considerada de maneira geral como a c\u00fapula da cria\u00e7\u00e3o humana, esta s\u00e9rie de frescos que decoram os tetos da capela Sistina do Pal\u00e1cio do Vaticano \u00e9 um basti\u00e3o cultural indiscut\u00edvel.    O que disseram ent\u00e3o:  S\u00e3o bem conhecidos os confrontos entre Michelangelo e o Papa Julio II durante todo o processo criativo. Segundo contava Giorgio Vasari, quando o Papa perguntou a seu mestre de cerim\u00f4nias Biagio d\u00e1 Cesena o que lhe parecia a obra, ele respondeu que aquilo parecia a decora\u00e7\u00e3o de banheiros p\u00fablicos ou um botequim. Qui\u00e7\u00e1 inspirado por estas palavras, o escritor Pietro Aretino (curiosamente conhecido por seus textos licenciosos) faria p\u00fablico em 1547 seu ataque contra a falta de decoro da obra em uma carta em que afirmava que a arte de Michelangelo era apropriado: \u201cPara uma casa de banhos, n\u00e3o para uma capela celestial\u201d. \" width=\"980\" height=\"1470\" \/><\/span><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-numero\">8<\/span><span class=\"foto-titulo\">Afrescos de \u201cA Capela Sistina\u201d (1508-1512, 1536-1541), de Michelangelo: arte de sauna\u00a0<\/span><strong>O que pensamos hoje:\u00a0<\/strong>Considerada de maneira geral como a c\u00fapula da cria\u00e7\u00e3o humana, esta s\u00e9rie de frescos que decoram os tetos da capela Sistina do Pal\u00e1cio do Vaticano \u00e9 um basti\u00e3o cultural indiscut\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>O que disseram ent\u00e3o:\u00a0<\/strong>S\u00e3o bem conhecidos os confrontos entre Michelangelo e o Papa Julio II durante todo o processo criativo. Segundo contava Giorgio Vasari, quando o Papa perguntou a seu mestre de cerim\u00f4nias Biagio d\u00e1 Cesena o que lhe parecia a obra, ele respondeu que aquilo parecia a decora\u00e7\u00e3o de banheiros p\u00fablicos ou um botequim. Qui\u00e7\u00e1 inspirado por estas palavras, o escritor Pietro Aretino (curiosamente conhecido por seus textos licenciosos) faria p\u00fablico em 1547 seu ataque contra a falta de decoro da obra em uma carta em que afirmava que a arte de Michelangelo era apropriado: \u201cPara uma casa de banhos, n\u00e3o para uma capela celestial\u201d.<\/p>\n<p><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-agencia\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/li>\n<li id=\"id_gal_pasa_9\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><span class=\"fondo_img\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"foto_gal_9\" class=\"horizontal\" src=\"https:\/\/ep00.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/11\/23\/album\/1542967190_584595_1542971409_album_normal.jpg\" alt=\"  O que pensamos hoje:  Costuma se falar dela como a obra de arte mais influente do s\u00e9culo XX junto da  Fonte  de Duchamp. Podem ser encontrado nela inspira\u00e7\u00f5es como El Greco, a arte ib\u00e9rica ou a escultura africana. Durante quase uma d\u00e9cada mal foi vista por algu\u00e9m al\u00e9m do meio mais pr\u00f3ximo de seu autor, at\u00e9 sua apresenta\u00e7\u00e3o p\u00fablica em 1916 no Salon d\u2019Antin, em um local que pertencia ao costureiro e amante da arte Paul Poiret.    O que disseram ent\u00e3o:  A Europa estava ent\u00e3o em plena Guerra Mundial. E a cr\u00edtica da publica\u00e7\u00e3o  Le Cri de Paris  rezava o seguinte: \u201cOs cubistas n\u00e3o podem esperar que termine a guerra para recome\u00e7ar suas hostilidades contra o sentido comum\u201d. \" width=\"980\" height=\"781\" \/><\/span><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-numero\">9<\/span><span class=\"foto-titulo\">\u201cLes demoiselles d&#8217;Avignon\u201d (1907), de Pablo Picasso: contra o sentido comum\u00a0<\/span><strong>O que pensamos hoje:\u00a0<\/strong>Costuma se falar dela como a obra de arte mais influente do s\u00e9culo XX junto da\u00a0<em>Fonte<\/em>\u00a0de Duchamp. Podem ser encontrado nela inspira\u00e7\u00f5es como El Greco, a arte ib\u00e9rica ou a escultura africana. Durante quase uma d\u00e9cada mal foi vista por algu\u00e9m al\u00e9m do meio mais pr\u00f3ximo de seu autor, at\u00e9 sua apresenta\u00e7\u00e3o p\u00fablica em 1916 no Salon d\u2019Antin, em um local que pertencia ao costureiro e amante da arte Paul Poiret.<\/p>\n<p><strong>O que disseram ent\u00e3o:\u00a0<\/strong>A Europa estava ent\u00e3o em plena Guerra Mundial. E a cr\u00edtica da publica\u00e7\u00e3o\u00a0<em>Le Cri de Paris<\/em>\u00a0rezava o seguinte: \u201cOs cubistas n\u00e3o podem esperar que termine a guerra para recome\u00e7ar suas hostilidades contra o sentido comum\u201d.<\/p>\n<p><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-agencia\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<div id=\"elpais_gpt-MPU3\" class=\"publi_luto_vertical\" data-google-query-id=\"CInW3ei9-t4CFYsONwod2bADcw\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/fotogalerias\/brasil\/mpu3_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/fotogalerias\/brasil\/mpu3_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/fotogalerias\/brasil\/mpu3_0\" width=\"300\" height=\"250\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-google-container-id=\"5\" data-load-complete=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<ul class=\"contenedor_fotos\">\n<li style=\"list-style-type: none\">\n<ul class=\"contenedor_fotos\">\n<li id=\"id_gal_pasa_10\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><span class=\"fondo_img\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"foto_gal_10\" class=\"vertical\" src=\"https:\/\/ep00.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/11\/23\/album\/1542967190_584595_1542971410_album_normal.jpg\" alt=\"  O que pensamos hoje:  Estamos perante o artista mais influente na cria\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XX ao lado de Picasso. Se o espanhol tratou sempre de construir novos modos de express\u00e3o, o esfor\u00e7o de Duchamp era mais bem destrutivo. E se n\u00e3o o destruiu, ao menos lucrou depois ao mudar a concep\u00e7\u00e3o da arte, acelerando uma mudan\u00e7a que vinha se desenhando desde os tempos de Vel\u00e1zquez. Com ele, o importante j\u00e1 n\u00e3o era uma determinada habilidade t\u00e9cnica, mas um exerc\u00edcio mental: qualquer coisa podia ser considerada arte, se o artista assim o tinha decidido. Sua  Fonte (1917)  -na realidade, um urinol marcado com a assinatura de um tal R. Mutt-, que recentemente foi atribu\u00eddo a Elsa von Freytag-Loringhoven, \u00e9 uma das obras de arte mais conhecidas das primeiras vanguardas, e sua influ\u00eancia se estende ao pop, o  movimento povera  e todas as formas de arte conceitual at\u00e9 hoje.    O que disseram ent\u00e3o:  L\u00e1 por 1915, assim despachou duas de suas obras William B. McCormick em  The New York Press : \u201cN\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil levar s\u00e9rio como 'arte' tais evoca\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas\u201d. \" width=\"980\" height=\"1267\" \/><\/span><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-numero\">10<\/span><span class=\"foto-titulo\">Marcel Duchamp (1887-1968): mas isso \u00e9 arte?\u00a0<\/span><strong>O que pensamos hoje:\u00a0<\/strong>Estamos perante o artista mais influente na cria\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XX ao lado de Picasso. Se o espanhol tratou sempre de construir novos modos de express\u00e3o, o esfor\u00e7o de Duchamp era mais bem destrutivo. E se n\u00e3o o destruiu, ao menos lucrou depois ao mudar a concep\u00e7\u00e3o da arte, acelerando uma mudan\u00e7a que vinha se desenhando desde os tempos de Vel\u00e1zquez. Com ele, o importante j\u00e1 n\u00e3o era uma determinada habilidade t\u00e9cnica, mas um exerc\u00edcio mental: qualquer coisa podia ser considerada arte, se o artista assim o tinha decidido. Sua<em>\u00a0Fonte (1917)\u00a0<\/em>-na realidade, um urinol marcado com a assinatura de um tal R. Mutt-, que recentemente foi atribu\u00eddo a Elsa von Freytag-Loringhoven, \u00e9 uma das obras de arte mais conhecidas das primeiras vanguardas, e sua influ\u00eancia se estende ao pop, o\u00a0<em>movimento povera\u00a0<\/em>e todas as formas de arte conceitual at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p><strong>O que disseram ent\u00e3o:\u00a0<\/strong>L\u00e1 por 1915, assim despachou duas de suas obras William B. McCormick em\u00a0<em>The New York Press<\/em>: \u201cN\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil levar s\u00e9rio como &#8216;arte&#8217; tais evoca\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas\u201d.<\/p>\n<p><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-agencia\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/li>\n<li id=\"id_gal_pasa_11\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><span class=\"fondo_img\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"foto_gal_11\" class=\"vertical\" src=\"https:\/\/ep00.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/11\/23\/album\/1542967190_584595_1542971411_album_normal.jpg\" alt=\"  O que pensamos hoje:  Freud \u00e9 qui\u00e7\u00e1, junto com Francis Bacon, o artista brit\u00e2nico mais apreciado da segunda metade do s\u00e9culo XX. A cr\u00edtica contempor\u00e2nea destaca a complexidade e precis\u00e3o psicol\u00f3gica de seus retratos, e o realismo na representa\u00e7\u00e3o da figura humana. Assim retratou pessoas t\u00e3o variadas quanto o performer Leigh Bowery ou o bar\u00e3o Heinrich Thyssen, em uma de suas melhores obras (que no entanto para Carmen Thyssen n\u00e3o tinha muita gra\u00e7a, ao que parece).    O que disseram ent\u00e3o:  Mas em 1944, quando Freud tinha 21 anos e era sobretudo o neto do inventor da psican\u00e1lise, apresentava sua primeira exposi\u00e7\u00e3o individual na galeria Lefevre. O cr\u00edtico Michael Ayrton disse ao v\u00ea-la que \u201ca forma humana \u00e9 uma derrota para ele, porque n\u00e3o a observa como se faz com os p\u00e1ssaros mortos\u201d. \" width=\"980\" height=\"1470\" \/><\/span><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-numero\">11<\/span><span class=\"foto-titulo\">Lucien Freud (1922-2011), pintor de p\u00e1ssaros mortos\u00a0<\/span><strong>O que pensamos hoje:\u00a0<\/strong>Freud \u00e9 qui\u00e7\u00e1, junto com Francis Bacon, o artista brit\u00e2nico mais apreciado da segunda metade do s\u00e9culo XX. A cr\u00edtica contempor\u00e2nea destaca a complexidade e precis\u00e3o psicol\u00f3gica de seus retratos, e o realismo na representa\u00e7\u00e3o da figura humana. Assim retratou pessoas t\u00e3o variadas quanto o performer Leigh Bowery ou o bar\u00e3o Heinrich Thyssen, em uma de suas melhores obras (que no entanto para Carmen Thyssen n\u00e3o tinha muita gra\u00e7a, ao que parece).<\/p>\n<p><strong>O que disseram ent\u00e3o:\u00a0<\/strong>Mas em 1944, quando Freud tinha 21 anos e era sobretudo o neto do inventor da psican\u00e1lise, apresentava sua primeira exposi\u00e7\u00e3o individual na galeria Lefevre. O cr\u00edtico Michael Ayrton disse ao v\u00ea-la que \u201ca forma humana \u00e9 uma derrota para ele, porque n\u00e3o a observa como se faz com os p\u00e1ssaros mortos\u201d.<\/p>\n<p><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-agencia\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/li>\n<li id=\"id_gal_pasa_12\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><span class=\"fondo_img\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"foto_gal_12\" class=\"horizontal\" src=\"https:\/\/ep00.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/11\/23\/album\/1542967190_584595_1542974454_album_normal.jpg\" alt=\"  O que pensamos hoje:  Quando em 1924 Andr\u00e9 Breton e os seus publicaram o Primeiro Manifesto Surrealista, deixaram claro que o que pretendiam era mudar o mundo a partir de uma perspectiva revolucion\u00e1ria baseada no marxismo e na psican\u00e1lise. Mas depois o mercado enguliu o movimento para acabar com estas pretens\u00f5es, de forma que hoje uma exposi\u00e7\u00e3o de Dal\u00ed arrasta massas aos museus, e a publicidade, o vitrinismo e inclusive o desenho industrial utilizam o surrealismo como mais um recurso visual.    O que disseram ent\u00e3o:  Um revolucion\u00e1rio nada. Para o influente cr\u00edtico Clement Greenberg, a pujan\u00e7a do surrealismo era um passo atr\u00e1s, uma aut\u00eantica amea\u00e7a contra a arte abstrata, que ele considerava o primeiro estilo art\u00edstico original desde a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa (?). Escreveu: \u201cA imagem surrealista proporciona \u00e0 pintura novos epis\u00f3dios para ilustrar, assim como a atualidade proporciona novos temas ao caricaturista pol\u00edtico\u2026 [O Surrealismo] promoveu a reabilita\u00e7\u00e3o da arte acad\u00eamica sob um novo disfarce liter\u00e1rio\u201d. \" width=\"980\" height=\"693\" \/><\/span><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-numero\">12<\/span><span class=\"foto-titulo\">Greenberg e o surrealismo\u00a0<\/span><strong>O que pensamos hoje:\u00a0<\/strong>Quando em 1924 Andr\u00e9 Breton e os seus publicaram o Primeiro Manifesto Surrealista, deixaram claro que o que pretendiam era mudar o mundo a partir de uma perspectiva revolucion\u00e1ria baseada no marxismo e na psican\u00e1lise. Mas depois o mercado enguliu o movimento para acabar com estas pretens\u00f5es, de forma que hoje uma exposi\u00e7\u00e3o de Dal\u00ed arrasta massas aos museus, e a publicidade, o vitrinismo e inclusive o desenho industrial utilizam o surrealismo como mais um recurso visual.<\/p>\n<p><strong>O que disseram ent\u00e3o:\u00a0<\/strong>Um revolucion\u00e1rio nada. Para o influente cr\u00edtico Clement Greenberg, a pujan\u00e7a do surrealismo era um passo atr\u00e1s, uma aut\u00eantica amea\u00e7a contra a arte abstrata, que ele considerava o primeiro estilo art\u00edstico original desde a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa (?). Escreveu: \u201cA imagem surrealista proporciona \u00e0 pintura novos epis\u00f3dios para ilustrar, assim como a atualidade proporciona novos temas ao caricaturista pol\u00edtico\u2026 [O Surrealismo] promoveu a reabilita\u00e7\u00e3o da arte acad\u00eamica sob um novo disfarce liter\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-agencia\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<div id=\"elpais_gpt-MPU4\" class=\"publi_luto_vertical\" data-google-query-id=\"COPVv-q9-t4CFUOrAQodxdEA6Q\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/fotogalerias\/brasil\/mpu4_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/fotogalerias\/brasil\/mpu4_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/fotogalerias\/brasil\/mpu4_0\" width=\"300\" height=\"250\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-google-container-id=\"7\" data-load-complete=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<ul id=\"contenedor_fotos\" class=\"contenedor_fotos\">\n<li id=\"id_gal_pasa_13\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><span class=\"fondo_img\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"foto_gal_13\" class=\"horizontal\" src=\"https:\/\/ep00.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/11\/23\/album\/1542967190_584595_1542974455_album_normal.jpg\" alt=\"  O que pensamos hoje.  O Guggenheim de Nova York \u00e9 h\u00e1 d\u00e9cadas um dos edif\u00edcios mais admirados dentro do pr\u00f3prio gr\u00eamio arquitet\u00f4nico. Foi inaugurado integralmente seis meses ap\u00f3s a morte de seu autor, Frank Lloyd Wright, e todo mundo ficou assombrado por seu original interior em espiral e seu exterior em forma de cone. Hoje \u00e9 al\u00e9m disso um dos monumentos mais visitados da cidade.    O que disseram ent\u00e3o.  Nem todo mundo estava t\u00e3o satisfeito quando o museu abriu suas portas. Lewis Mumford queixava-se na revista 'The New Yorker' do teto baixo, o excesso de luz natural e as dificuldades expositivas que criavam as paredes curvas e inclinadas. E acrescentava: \u201co vazio triunfo de Wright \u00e9 algo muito mau porque cede o peso de seu g\u00eanio \u00e0 aberra\u00e7\u00e3o de moda do momento, a curiosa cren\u00e7a de que os aspectos funcionais da arquitetura s\u00e3o irrelevantes [\u2026] Os maiores n\u00e3o deveriam dar um mau exemplo aos jovens, e o maior de nossos mestres arquitet\u00f4nicos n\u00e3o devia, enquanto ainda estava s\u00e3o e em plenas faculdades mentais, ter agregado tal codicilo a sua \u00faltima vontade e testamento\u201d. \" width=\"980\" height=\"642\" \/><\/span><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-numero\">13<\/span><span class=\"foto-titulo\">Museu Guggenheim de Nova York (1959), de Frank Lloyd Wright. Um mau exemplo\u00a0<\/span><strong>O que pensamos hoje.<\/strong>\u00a0O Guggenheim de Nova York \u00e9 h\u00e1 d\u00e9cadas um dos edif\u00edcios mais admirados dentro do pr\u00f3prio gr\u00eamio arquitet\u00f4nico. Foi inaugurado integralmente seis meses ap\u00f3s a morte de seu autor, Frank Lloyd Wright, e todo mundo ficou assombrado por seu original interior em espiral e seu exterior em forma de cone. Hoje \u00e9 al\u00e9m disso um dos monumentos mais visitados da cidade.<\/p>\n<p><strong>O que disseram ent\u00e3o.<\/strong>\u00a0Nem todo mundo estava t\u00e3o satisfeito quando o museu abriu suas portas. Lewis Mumford queixava-se na revista &#8216;The New Yorker&#8217; do teto baixo, o excesso de luz natural e as dificuldades expositivas que criavam as paredes curvas e inclinadas. E acrescentava: \u201co vazio triunfo de Wright \u00e9 algo muito mau porque cede o peso de seu g\u00eanio \u00e0 aberra\u00e7\u00e3o de moda do momento, a curiosa cren\u00e7a de que os aspectos funcionais da arquitetura s\u00e3o irrelevantes [\u2026] Os maiores n\u00e3o deveriam dar um mau exemplo aos jovens, e o maior de nossos mestres arquitet\u00f4nicos n\u00e3o devia, enquanto ainda estava s\u00e3o e em plenas faculdades mentais, ter agregado tal codicilo a sua \u00faltima vontade e testamento\u201d.<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;\u00c0 frente de seu tempo&#8221;, essa frase que j\u00e1 soa batida, alcan\u00e7a todo seu sentido com estas obras e estes artistas que sentiram como a cr\u00edtica os desprezava e hoje s\u00e3o universalmente venerados<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":265489,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-265488","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/arte1.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/265488","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=265488"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/265488\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/265489"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=265488"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=265488"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=265488"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}