{"id":265710,"date":"2018-12-01T15:14:16","date_gmt":"2018-12-01T18:14:16","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=265710"},"modified":"2018-12-01T15:14:16","modified_gmt":"2018-12-01T18:14:16","slug":"quem-se-da-bem-com-a-aproximacao-bolsonaro-trump","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/quem-se-da-bem-com-a-aproximacao-bolsonaro-trump\/","title":{"rendered":"Quem se d\u00e1 bem com a aproxima\u00e7\u00e3o Bolsonaro-Trump"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<p class=\"intro\" style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Rela\u00e7\u00e3o interessa a grupo &#8220;antiglobalista&#8221; do futuro governo e tamb\u00e9m a Washington, que espera apoio em quest\u00f5es envolvendo Israel, China e Venezuela. Exportadores brasileiros podem sair perdendo.<\/strong><\/em><\/p>\n<div id=\"sharing-bar\" class=\"min\" style=\"text-align: justify;\"><span dir=\"ltr\">\u00a0<\/span><span dir=\"ltr\">\u00a0<\/span><span dir=\"ltr\">\u00a0<\/span><span dir=\"ltr\">\u00a0<\/span><\/div>\n<div class=\"picBox full\" style=\"text-align: justify;\"><a class=\"overlayLink init\" href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/quem-se-d%C3%A1-bem-com-a-aproxima%C3%A7%C3%A3o-bolsonaro-trump\/a-46534571#\" rel=\"nofollow\"><img decoding=\"async\" title=\"Jair Bolsonaro e John Bolton \" src=\"https:\/\/www.dw.com\/image\/46535723_303.jpg\" alt=\"Jair Bolsonaro e John Bolton \" \/><\/a>Jair Bolsonaro e John Bolton se encontraram no Rio de Janeiro, na casa do presidente eleito<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"group\">\n<div class=\"longText\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A aproxima\u00e7\u00e3o do futuro governo Jair Bolsonaro com a administra\u00e7\u00e3o de Donald Trump \u00e9 boa para os Estados Unidos e interessa a uma parte do n\u00facleo ligado ao presidente eleito, mas seus benef\u00edcios para o Brasil ainda s\u00e3o uma inc\u00f3gnita, segundo avalia\u00e7\u00e3o de especialistas em rela\u00e7\u00f5es internacionais ouvidos pela DW.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na semana que passou, dois acenos foram feitos pelo futuro governo brasileiro a Trump. O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, esteve nos EUA para se encontrar com importantes figuras do Partido Republicano, como os senadores Marco Rubio e Ted Cruz. Tamb\u00e9m esteve com Steve Bannon, ide\u00f3logo da campanha de Trump, mas hoje afastado do governo. O parlamentar foi fotografado com um bon\u00e9 da campanha para a\u00a0reelei\u00e7\u00e3o de Trump e reafirmou que o Brasil vai levar sua embaixada em Israel para Jerusal\u00e9m, uma pauta defendida pela bancada evang\u00e9lica e j\u00e1 executada pelos Estados Unidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quer receber as not\u00edcias da DW no Whatsapp?\u00a0<\/strong><a href=\"https:\/\/wb.messengerpeople.com\/?widget_hash=f15c8c513266902888bfc0d0ef9455cf&amp;lang=de&amp;wn=0&amp;pre=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Clique aqui<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 o pr\u00f3prio Bolsonaro recebeu, no Rio de Janeiro, o\u00a0assessor de seguran\u00e7a nacional da Casa Branca, John Bolton. Um dos art\u00edfices da invas\u00e3o ao Iraque em 2003, Bolton foi recebido por um Bolsonaro empolgado, que prestou contin\u00eancia ao americano. Na pauta, temas importantes da pol\u00edtica externa trumpista: Cuba, Venezuela, Israel e China.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em si, a aproxima\u00e7\u00e3o com os EUA n\u00e3o \u00e9 exatamente uma novidade na pol\u00edtica externa brasileira. O Brasil faz parte da esfera de influ\u00eancia dos Estados Unidos\u00a0e, ao longo do tempo, a rela\u00e7\u00e3o teve momentos de maior ou menor intensidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As gest\u00f5es Vargas (1951-1954), J\u00e2nio Quadros (1961) e Lula (2003-2010) ficaram conhecidas por tentativas de independ\u00eancia. Os momentos de maior tens\u00e3o ocorreram em 1977, quando Geisel (1974-1979) rompeu um acordo militar de 25 anos com Washington, e 1987, quando o Brasil governado por\u00a0Jos\u00e9 Sarney (1985-1990) foi alvo de san\u00e7\u00f5es por conta da Pol\u00edtica Nacional de Inform\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, os governos de Dutra (1946-1951) e Castelo Branco (1964-1967) se notabilizaram pela proximidade com Washington.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Giorgio Romano Schutte, professor da Universidade Federal do ABC, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que a proximidade com Bolsonaro \u00e9 bem-vinda para a Casa Branca. Ele destaca, por exemplo, que Bolton, um conhecido estrategista da geopol\u00edtica, deve fazer uso da boa rela\u00e7\u00e3o com o Pal\u00e1cio do Planalto para avan\u00e7ar pautas caras a Trump. &#8220;Ele vai querer explorar oportunidades em que o Brasil pode ser \u00fatil para a agenda internacional dos EUA, como nas quest\u00f5es envolvendo Israel, Ir\u00e3 e Venezuela&#8221;, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme Casar\u00f5es, professor da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas em S\u00e3o Paulo, concorda. &#8220;A aproxima\u00e7\u00e3o \u00e9 bem recebida pela Casa Branca porque talvez seja o conjunto de concess\u00f5es mais f\u00e1cil que Trump retirou de algu\u00e9m at\u00e9 agora&#8221;, diz. &#8220;N\u00e3o me lembro de um governo que, antes mesmo da posse, tenha feito tantas sinaliza\u00e7\u00f5es de mudan\u00e7a de pol\u00edtica externa cujo objetivo quase que exclusivo \u00e9 agradar aos EUA&#8221;, comenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Preocupa os especialistas, no entanto, ser dif\u00edcil vislumbrar contrapartidas pr\u00e1ticas por parte do governo Trump em troca do apoio diplom\u00e1tico brasileiro. &#8220;O Brasil espera o retorno do fluxo de investimentos americano para c\u00e1 e a normaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio, mas os EUA n\u00e3o parecem estar interessados em normaliza\u00e7\u00e3o comercial com ningu\u00e9m no momento e, al\u00e9m disso, essas quest\u00f5es dependem muito pouco do voluntarismo do presidente dos EUA&#8221;, observa Casar\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o professor da FGV, fora do aspecto econ\u00f4mico, h\u00e1 ainda menos justificativas para a guinada na pol\u00edtica externa brasileira. &#8220;Do ponto de vista pol\u00edtico, a rigor, n\u00e3o h\u00e1 nada que os EUA prometam para n\u00f3s que justifique uma inflex\u00e3o de pol\u00edtica externa neste momento&#8221;, afirma. &#8220;O que est\u00e1 faltando ao Brasil, fora do \u00e2mbito econ\u00f4mico, que os americanos preencheriam?&#8221;, questiona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A resposta para a aproxima\u00e7\u00e3o passa pelas motiva\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas de Bolsonaro e seus assessores. O jogo ret\u00f3rico de apoio a Trump agrada os setores mais radicais do governo eleito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de um grupo representado pelos filhos de Bolsonaro, Eduardo \u00e0 frente, e por futuros ministros, como os das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Ernesto Ara\u00fajo, e da Educa\u00e7\u00e3o, Ricardo V\u00e9lez Rodr\u00edguez. Ambas nomea\u00e7\u00f5es tiveram a ben\u00e7\u00e3o de Olavo de Carvalho, fil\u00f3sofo baseado nos EUA que \u00e9 um dos principais ide\u00f3logos do bolsonarismo. Carvalho tem entre seus alvos o que chama de &#8220;globalismo&#8221; e &#8220;marxismo cultural&#8221;, tamb\u00e9m vistos como amea\u00e7as pelos futuros ministros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O futuro chefe do Itamaraty faz an\u00e1lises [sobre &#8220;marxismo cultural&#8221; e &#8220;globalismo&#8221;] curiosas e bastante isoladas no pensamento da pol\u00edtica externa brasileira, tanto no Itamaraty quanto na academia&#8221;, afirma Schutte. \u00c9 um pensamento, destaca o professor da UFABC, que dialoga desde antes das elei\u00e7\u00f5es com a ala mais radical do governo Trump.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Essas pessoas se sentem respaldadas pelo fato de que, neste momento, o presidente do pa\u00eds mais poderoso do mundo pensa da mesma forma que elas&#8221;, diz. A interlocu\u00e7\u00e3o com a Casa Branca pode, assim, se traduzir em algum prest\u00edgio. &#8220;Isso pode ajudar a marcar o car\u00e1ter ideol\u00f3gico do governo e fortalecer essa ala&#8221;, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um problema das concess\u00f5es que Bolsonaro pretende fazer s\u00e3o as eventuais resist\u00eancias internas a algumas das pautas favorecidas pelos EUA. A mudan\u00e7a da embaixada em Israel, por exemplo, dever\u00e1\u00a0enfrentar novas cr\u00edticas dos ruralistas, que temem perder o mercado \u00e1rabe. As For\u00e7as Armadas muito provavelmente recha\u00e7ariam uma aventura militar na Venezuela. E amplos setores da economia temem qualquer distanciamento da China, o maior parceiro comercial do Brasil e contra quem Trump promove uma guerra comercial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos esses s\u00e3o atores cujos interesses ficariam amea\u00e7ados por aventuras externas. O mesmo n\u00e3o acontece com outros blocos de apoiadores de Bolsonaro. &#8220;A bancada da B\u00edblia e esse grupo \u2018antiglobalista&#8217; t\u00eam reivindica\u00e7\u00f5es que est\u00e3o mais no campo das ideias do que no plano material&#8221;, afirma Casar\u00f5es. &#8220;Para eles, a guinada ideol\u00f3gica representa um ganho. Quem tem quest\u00f5es financeiras envolvidas \u00e9 muito mais cauteloso e n\u00e3o deseja se aventurar na pol\u00edtica externa.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para Giorgio Romano Schutte, professor da Universidade Federal do ABC, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que a proximidade com Bolsonaro \u00e9 bem-vinda para a Casa Branca. 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