{"id":26590,"date":"2013-11-02T17:52:40","date_gmt":"2013-11-02T20:52:40","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=26590"},"modified":"2013-11-02T17:52:40","modified_gmt":"2013-11-02T20:52:40","slug":"experimento-americano-nao-encontra-sinais-de-materia-escura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/experimento-americano-nao-encontra-sinais-de-materia-escura\/","title":{"rendered":"Experimento americano n\u00e3o encontra sinais de mat\u00e9ria escura"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Pesquisas realizadas no detector LUX buscaram por ind\u00edcios da exist\u00eancia de mat\u00e9ria escura. Durante os tr\u00eas primeiros meses de opera\u00e7\u00e3o do equipamento, os cientistas n\u00e3o encontraram nada \u2014 o que n\u00e3o \u00e9 necessariamente ruim<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">Pesquisadores americanos anunciaram o final da primeira fase de opera\u00e7\u00e3o do Grande Detector Subterr\u00e2neo de Xen\u00f4nio (LUX, na sigla em ingl\u00eas), o maior experimento j\u00e1 realizado para encontrar a mat\u00e9ria escura, um tipo misterioso de mat\u00e9ria cuja composi\u00e7\u00e3o \u00e9 desconhecida pelos cientistas. A not\u00edcia divulgada pelos pesquisadores nesta quarta-feira \u00e9 que nada foi encontrado at\u00e9 agora \u2014 o que n\u00e3o \u00e9, necessariamente, um resultado ruim.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Localizado nos subterr\u00e2neos do estado da Dakota do Sul, no centro-oeste dos Estados Unidos, o experimento LUX foi criado pelo governo americano em parceria com dezessete universidades exclusivamente para buscar por esse tipo de mat\u00e9ria. Durante os tr\u00eas primeiros meses de opera\u00e7\u00e3o, os pesquisadores calibraram seus instrumentos e procuraram por tr\u00eas tipos de part\u00edculas que haviam sido encontradas em pesquisas anteriores e eram tidas como poss\u00edveis candidatas a componentes da mat\u00e9ria escura. Com os resultados atuais, essas tr\u00eas part\u00edculas podem ser descartadas, deixando aos cientistas um amplo campo de pesquisas aberto para ser explorado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, o fato de nada ter sido encontrado foi comemorado pelos pesquisadores \u2014 na ci\u00eancia, muitas vezes, um resultado negativo pode ser t\u00e3o importante quanto um positivo. &#8220;Mostramos que o LUX j\u00e1 est\u00e1 produzindo os melhores resultados do mundo e diminuindo o espa\u00e7o para encontrarmos uma part\u00edcula de mat\u00e9ria escura&#8221;, disse Matthew Szydagis, pesquisador da Universidade da Calif\u00f3rnia, e respons\u00e1vel por coordenar a an\u00e1lise de dados entre os membros da equipe de LUX.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mat\u00e9ria invis\u00edvel \u2014\u00a0<\/strong>A mat\u00e9ria escura \u00e9 um tipo invis\u00edvel de mat\u00e9ria, cuja exist\u00eancia s\u00f3 pode ser inferida pelos pesquisadores, mas n\u00e3o diretamente detectada. Como ela n\u00e3o emite nem reflete luz, os cientistas n\u00e3o t\u00eam como observ\u00e1-la a partir da Terra. Ela \u00e9 conhecida apenas pelos efeitos gravitacionais que exerce sobre a movimenta\u00e7\u00e3o das estrelas nas gal\u00e1xias e nos aglomerados de gal\u00e1xias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de sua natureza misteriosa, ela \u00e9 muito mais abundante no cosmo\u00a0do que a mat\u00e9ria normal, cuja exist\u00eancia pode ser observada. Os f\u00edsicos acreditam que a mat\u00e9ria escura \u00e9 respons\u00e1vel por 26,8% da massa e da densidade de energia do Universo, em compara\u00e7\u00e3o aos 4,9% da mat\u00e9ria comum. Todo o resto \u2014 68,3% \u2014 \u00e9 composto pela energia escura, um componente ainda mais misterioso ao qual se atribui a expans\u00e3o do Universo.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<h2>Saiba mais<\/h2>\n<p><strong>MAT\u00c9RIA ESCURA<\/strong><br \/>\nQuando os cientistas observam a forma com que estrelas e gal\u00e1xias se movem, h\u00e1 algo inusitado. Segundo as leis da f\u00edsica, as estrelas e planetas deveriam se movimentar mais lentamente \u00e0 medida que se afastam do centro dela. Mas isso n\u00e3o acontece na pr\u00e1tica. Para que as equa\u00e7\u00f5es da f\u00edsica fa\u00e7am sentido, \u00e9 preciso que exista alguma for\u00e7a empurrando o amontoado de poeira, g\u00e1s, estrelas e planetas da periferia das gal\u00e1xias em velocidades semelhantes \u00e0s de corpos que est\u00e3o mais pr\u00f3ximos do n\u00facleo. Essa for\u00e7a adicional \u00e9 a gravidade de uma manifesta\u00e7\u00e3o da natureza que possui massa, mas n\u00e3o emite qualquer luz.<\/p>\n<p><strong>ENERGIA ESCURA<\/strong><br \/>\nA energia escura \u00e9 um componente descoberto recentemente que representa 70% do conte\u00fado do Universo. Ela \u00e9 a suposta respons\u00e1vel pela acelera\u00e7\u00e3o da expans\u00e3o do Universo.<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pesquisadores n\u00e3o sabem exatamente qual a composi\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria escura, mas t\u00eam algumas suspeitas. Os principais candidatos s\u00e3o as chamadas de Part\u00edculas Massivas de Intera\u00e7\u00e3o Fraca (WIMPs, na sigla em ingl\u00eas), que recebem esse nome porque interagem muito pouco com a mat\u00e9ria comum. O LUX foi concebido para ser o instrumento com a maior sensibilidade para detectar os WIMPs j\u00e1 feito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sondando o invis\u00edvel \u2014<\/strong>\u00a0Os cientistas teorizam que as colis\u00f5es entre os WIMPs e a mat\u00e9ria normal s\u00e3o extremamente raras e dif\u00edceis de detectar. &#8220;Para se ter uma ideia de qu\u00e3o pequena \u00e9 essa probabilidade, imagine o disparo de uma part\u00edcula de mat\u00e9ria escura em dire\u00e7\u00e3o a um bloco de chumbo. A fim de obter uma chance de 50% da intera\u00e7\u00e3o entre a part\u00edcula e o chumbo acontecer, o bloco precisaria ter cerca de 200 anos-luz de comprimento. Portanto, \u00e9 uma intera\u00e7\u00e3o incrivelmente rara&#8221;, diz Richard Gaitskell, pesquisador da Universidade Brown que participou do estudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se encontrar os WIMPs j\u00e1 seria dif\u00edcil em condi\u00e7\u00f5es ideais de pesquisa, a tarefa se torna muito mais complicada em um ambiente &#8220;polu\u00eddo&#8221; como a Terra, que \u00e9 alvo constante de uma chuva de part\u00edculas vindas do espa\u00e7o \u2014 os raios c\u00f3smicos. Essas part\u00edculas podem produzir intera\u00e7\u00f5es semelhantes \u00e0 mat\u00e9ria escura e confundir os resultados obtidos pelos pesquisadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por esse motivo, o LUX est\u00e1 instalado em uma mina de ouro abandonada situada a quase 1,5 quil\u00f4metro da superf\u00edcie dos Estados Unidos, onde poucas part\u00edculas externas podem penetrar. Para aumentar ainda mais o isolamento, o detector \u00e9 protegido da radia\u00e7\u00e3o pela imers\u00e3o em um tanque de \u00e1gua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">Eliminando os candidatos \u2014\u00a0<\/strong><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">No centro de todo esse mecanismo, est\u00e1 um tanque de tit\u00e2nio contendo 368 quilos de xen\u00f4nio l\u00edquido, resfriado a &#8211; 100 graus Celsius. Se um WIMP atingir um \u00e1tomo de xen\u00f4nio, ele ser\u00e1 rebatido e emitir\u00e1 el\u00e9trons e f\u00f3tons. O el\u00e9tron ser\u00e1 atra\u00eddo por um campo el\u00e9trico na parte superior do tanque, onde ir\u00e1 interagir com outra camada de xen\u00f4nio gasoso, liberando mais f\u00f3tons.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O aparelho est\u00e1 equipado com detectores de luz na parte superior e no fundo do tanque, que s\u00e3o capazes de detectar a a\u00e7\u00e3o de um \u00fanico f\u00f3ton. Assim, se por um acaso um WIMP atingir o equipamento, ser\u00e1 detectado de imediato, com a precis\u00e3o de poucos mil\u00edmetros. Durante os tr\u00eas primeiros meses de funcionamento do equipamento, no entanto, nada foi encontrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pesquisadores buscaram, especificamente por tr\u00eas tipos de WIMPs de baixa massa, que haviam sido detectadas em experimentos anteriores. Se eles existissem, no entanto, teriam produzido mais de 1 600 intera\u00e7\u00f5es durante a opera\u00e7\u00e3o do detector LUX \u2014 ou uma a cada 80 minutos. O resultado indica que os dados captados nos outros experimentos eram provavelmente o resultado de radia\u00e7\u00e3o de fundo, e n\u00e3o de mat\u00e9ria escura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a experi\u00eancia inicial de LUX completa, a equipe agora deve realizar alguns ajustes para afinar a sensibilidade do dispositivo e iniciar um novo experimento no in\u00edcio de 2014, com dura\u00e7\u00e3o estimada de 300 dias. &#8220;Este \u00e9 apenas o come\u00e7o para o LUX&#8221;, disse Dan McKinsey, f\u00edsico da Universidade de Yale, que participou do projeto. &#8220;Agora que entendemos o instrumento, vamos continuar a colher dados, testando outros para candidatos cada vez mais evasivos para a mat\u00e9ria escura.&#8221; Se no final de sua opera\u00e7\u00e3o o equipamento n\u00e3o tiver ajudado os cientistas a descobrir o que \u00e9 mat\u00e9ria escura, ele vai, pelo menos, ter mostrado o que ela n\u00e3o \u00e9. Para a f\u00edsica isso tamb\u00e9m \u00e9 importante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Veja<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisas realizadas no detector LUX buscaram por ind\u00edcios da exist\u00eancia de mat\u00e9ria escura. 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