{"id":266330,"date":"2018-12-07T08:55:20","date_gmt":"2018-12-07T11:55:20","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=266330"},"modified":"2018-12-07T08:55:32","modified_gmt":"2018-12-07T11:55:32","slug":"cadaver-de-jovem-revela-a-primeira-pandemia-conhecida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/cadaver-de-jovem-revela-a-primeira-pandemia-conhecida\/","title":{"rendered":"Cad\u00e1ver de jovem revela a primeira pandemia conhecida"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Pesquisa encontra caso de peste mais antigo e associa doen\u00e7a ao colapso das primeiras cidades da Europa<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Nu\u00f1o Dom\u00ednguez\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/nuno_dominguez_angulo\/a\/\">NU\u00d1O DOM\u00cdNGUEZ<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/12\/05\/ciencia\/1544036846_617300_1544138196_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/12\/05\/ciencia\/1544036846_617300_1544138196_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/12\/05\/ciencia\/1544036846_617300_1544138196_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/12\/05\/ciencia\/1544036846_617300_1544138196_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"pandemia\" width=\"980\" height=\"599\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Restos mortais da jovem de 20 anos nos quais foi encontrada a bact\u00e9ria causadora da peste.<\/span><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">UNIVERSIDAD DE GOTEMBURGO<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Uma equipe de geneticistas encontrou o primeiro caso conhecido de peste no cad\u00e1ver de uma camponesa de 20 anos que foi enterrada h\u00e1 5.000 anos na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/suecia\">Su\u00e9cia<\/a>. A cepa da bact\u00e9ria\u00a0<em>Yersinia pestis<\/em>\u00a0achada no DNA extra\u00eddo de seus dentes apresenta as mesmas variantes gen\u00e9ticas que atualmente tornam a peste pulmonar letal se n\u00e3o for tratada a tempo. Outro cad\u00e1ver de um agricultor na faixa dos 20 anos, encontrado na mesma tumba de Fr\u00e4lseg\u00e5rden, no sul do pa\u00eds, tamb\u00e9m tem rastros desse agente patog\u00eanico. Os autores da descoberta acreditam que est\u00e3o perante os ind\u00edcios da primeira grande pandemia da humanidade.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CIapoJLUjd8CFc54wQodHbcFvg\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/ciencia\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/ciencia\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/ciencia\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-google-container-id=\"5\" data-load-complete=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 5.000 anos, a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/europa\">Europa<\/a>\u00a0vivia uma etapa sombria, da qual pouqu\u00edssimo se sabe. Fazia s\u00e9culos que alguns imigrantes asi\u00e1ticos haviam trazido a agricultura e o gado ao continente. Naquela \u00e9poca j\u00e1 tinham florescido as primeiras cidades com at\u00e9 20.000 habitantes, onde conviviam pessoas e gado em um espa\u00e7o reduzido e com pouca higiene. Por raz\u00f5es desconhecidas, nessa \u00e9poca houve uma brusca redu\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, de 30% a 60%, semelhante \u00e0 que ocorreu na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/historia_medieval\">Idade M\u00e9dia<\/a>\u00a0com a chamada Peste Negra. Algumas cidades foram queimadas e abandonadas. Foi o final da Idade da Pedra.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|foto\" class=\"sumario_foto centro\"><a name=\"sumario_1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/12\/05\/ciencia\/1544036846_617300_1544088690_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/12\/05\/ciencia\/1544036846_617300_1544088690_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/12\/05\/ciencia\/1544036846_617300_1544088690_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/12\/05\/ciencia\/1544036846_617300_1544088690_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Cr\u00e2nio retirado de tumba da cultura yamnaya, pintado de ocre vermelho.\" width=\"980\" height=\"1124\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Cr\u00e2nio retirado de tumba da cultura yamnaya, pintado de ocre vermelho.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">RASMUSSEN ET AL.\/CELL 2015<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">A cepa de peste que matou a mo\u00e7a sueca apareceu h\u00e1 5.700 anos, segundo sua an\u00e1lise gen\u00e9tica, o que faz dela o ancestral mais pr\u00f3ximo de todas as variantes da peste surgidas desde ent\u00e3o. Geneticistas da Su\u00e9cia, Dinamarca e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/francia\">Fran\u00e7a<\/a>analisaram o genoma de mais de mil cad\u00e1veres dessa \u00e9poca e da posterior Idade do Bronze. Os resultados mostram que \u201cnum per\u00edodo muito curto, 600 anos aproximadamente, muitas cepas da peste se expandiram por toda a Eur\u00e1sia, do sudeste das estepes russas at\u00e9 a Su\u00e9cia\u201d, diz Nicol\u00e1s Rascov\u00e1n, bi\u00f3logo da Universidade de Aix-Marselha (Fran\u00e7a) e autor principal do estudo publicado nesta quinta-feira na revista\u00a0<em>Cell<\/em>. \u201cTamb\u00e9m mostramos que n\u00e3o existiram grandes migra\u00e7\u00f5es humanas que pudessem explicar essa dispers\u00e3o, dado que n\u00e3o vemos mesti\u00e7agem entre as diferentes popula\u00e7\u00f5es infectadas. Justo na \u00e9poca em que vemos a expans\u00e3o da peste surgiram grandes inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, como o transporte com rodas e a tra\u00e7\u00e3o animal, os meios ideais para levar esse agente patog\u00eanico a grandes dist\u00e2ncias. Foi a primeira vez na hist\u00f3ria da humanidade que se deram simultaneamente as condi\u00e7\u00f5es adequadas para o surgimento de doen\u00e7as e ao mesmo tempo sua difus\u00e3o a grandes dist\u00e2ncias, e por isso achamos que provavelmente esta foi a primeira grande pandemia\u201d, diz o pesquisador argentino.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">O estudo afirma que o ancestral comum de todas as\u00a0<em>Y. pestis<\/em>\u00a0modernas deve ter aparecido em algum lugar da Europa Oriental. A equipe prop\u00f5e como hip\u00f3tese que sua origem poderia estar no seio da enigm\u00e1tica cultura Cucuteni, que floresceu h\u00e1 5.700 anos nas atuais Mold\u00e1via, Rom\u00eania e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/ucrania\">Ucr\u00e2nia<\/a>\u00a0e cujos grandes assentamentos foram queimados de forma proposital. O objetivo da equipe \u00e9 tentar encontrar tra\u00e7os de DNA em um desses s\u00edtios arqueol\u00f3gicos arrasados para confirmar essa hip\u00f3tese.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Depois da crise do Neol\u00edtico, 4.700 anos atr\u00e1s, chegou uma nova onda imigrat\u00f3ria: os yamnayas, uma estirpe de pastores n\u00f4mades das estepes eurasianas, que alguns especialistas dizem ter invadido a Europa a sangue e fogo, substituindo quase completamente os homens locais. Cogitou-se a possibilidade de que os yamnayas, que tamb\u00e9m introduziram as l\u00ednguas indo-europeias, trouxessem a peste consigo. Mas o novo trabalho mostra que a doen\u00e7a j\u00e1 estava presente na Europa desde alguns s\u00e9culos antes. \u201cAcreditamos que o que essa gente encontrou foi uma Europa com cidades-fantasmas e uma popula\u00e7\u00e3o dizimada pela peste e por outras causas\u201d, explica Simon Rasmussen, geneticista da Universidade de Copenhague e coautor do estudo. \u201cOs yamnayas tinham um estilo de vida completamente diferente, n\u00e3o constru\u00edram grandes assentamentos, com o que possivelmente eram menos vulner\u00e1veis \u00e0 doen\u00e7a dos camponeses\u201d, ressalta o pesquisador.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Carles Lalueza-Fox, geneticista do Instituto de Biologia Evolutiva de Barcelona, estuda a marca gen\u00e9tica dos yamnayas e da peste em popula\u00e7\u00f5es da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica. \u201cEra uma \u00e9poca de crise, viol\u00eancia e assentamentos abandonados, o que at\u00e9 agora era atribu\u00eddo a outras causas, como condi\u00e7\u00f5es mais \u00e1ridas para as lavouras, mas esta nova explica\u00e7\u00e3o parece mais plaus\u00edvel\u201d, opina. O especialista destaca que, gra\u00e7as \u00e0 an\u00e1lise do DNA antigo achado nas tumbas\u00a0\u2014 que tinha sido descartado, mas estava acess\u00edvel em base de dados p\u00fablicas\u00a0\u2014 os autores desse estudo conseguiram revelar uma \u201cpandemia da qual at\u00e9 agora n\u00e3o havia nenhum registro hist\u00f3rico\u201d.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|html\" class=\"sumario_html izquierda\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<blockquote>\n<p dir=\"ltr\">Foi a primeira vez na hist\u00f3ria da humanidade que se deram simultaneamente as condi\u00e7\u00f5es adequadas para o surgimento de doen\u00e7as e ao mesmo tempo sua difus\u00e3o a grandes dist\u00e2ncias<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">A bact\u00e9ria da peste come\u00e7ou sendo um micr\u00f3bio inofensivo, destacam os autores do estudo. As pestes do Neol\u00edtico e da Idade do Bronze eram provavelmente menos virulentas que as respons\u00e1veis pelas piores pandemias, como a de Justiniano no s\u00e9culo VI\u00a0\u2014 40 milh\u00f5es de mortos\u00a0\u2014 e a Peste Negra medieval que aniquilou metade dos habitantes das grandes cidades europeias, pois n\u00e3o tinham o gene que permite sua transmiss\u00e3o por pulgas\u00a0\u2014 as quais por sua vez infectam os ratos\u00a0\u2014 e outras muta\u00e7\u00f5es que ampliaram muito a sua agressividade. \u00c9 o mesmo que aconteceria depois com a var\u00edola, a mal\u00e1ria, o ebola e o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/virus_zika\">zika<\/a>, e o que acontecer\u00e1 na pr\u00f3xima grande pandemia deste s\u00e9culo.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O estudo afirma que o ancestral comum de todas as\u00a0Y. pestis\u00a0modernas deve ter aparecido em algum lugar da Europa Oriental. A equipe prop\u00f5e como hip\u00f3tese que sua origem poderia estar no seio da enigm\u00e1tica cultura Cucuteni, que floresceu h\u00e1 5.700 anos nas atuais Mold\u00e1via, Rom\u00eania e\u00a0Ucr\u00e2nia\u00a0e cujos grandes assentamentos foram queimados de forma proposital. O objetivo da equipe<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":266331,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[6,12],"tags":[],"class_list":["post-266330","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-municipios","category-saude"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/restos-mortais.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/266330","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=266330"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/266330\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/266331"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=266330"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=266330"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=266330"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}