{"id":266433,"date":"2018-12-08T10:57:34","date_gmt":"2018-12-08T13:57:34","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=266433"},"modified":"2018-12-08T10:57:34","modified_gmt":"2018-12-08T13:57:34","slug":"ate-tu-papa-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/ate-tu-papa-francisco\/","title":{"rendered":"At\u00e9 tu, papa Francisco?"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\">Opini\u00e3o<\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>Os sacerdotes homossexuais n\u00e3o representam nenhum esc\u00e2ndalo, e eles est\u00e3o sujeitos, como qualquer outro, a respeitar o compromisso com o celibato. Nada mais<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Juan Arias\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/juan_arias\/a\/\">JUAN ARIAS<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/12\/07\/opinion\/1544200041_423579_1544201001_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/12\/07\/opinion\/1544200041_423579_1544201001_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/12\/07\/opinion\/1544200041_423579_1544201001_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/12\/07\/opinion\/1544200041_423579_1544201001_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"O papa Francisco, no Vaticano, no dia 28 de novembro\" width=\"980\" height=\"549\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">O papa Francisco, no Vaticano, no dia 28 de novembro<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">ETTORE FERRARI<\/span>\u00a0<span class=\"foto-agencia\">EFE<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<section id=\"sumario_1|apoyos\" class=\"sumario_apoyos derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<div class=\"apoyos\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/iglesia_catolica\">Igreja Cat\u00f3lica<\/a>\u00a0como as confiss\u00f5es evang\u00e9licas mant\u00eam um medo at\u00e1vico da sexualidade, do qual n\u00e3o conseguem se livrar. At\u00e9 o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/francisco_i\">papa Francisco<\/a>, que com sua famosa frase aos jornalistas, \u201cQuem sou eu para condenar a um homossexual?\u201d, parecia ter aberto uma porta de esperan\u00e7a e compreens\u00e3o da Igreja para com os diferentes, agora recuou.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CPHH2ryxkN8CFdBiwQodFEgHng\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/opinion\/intext_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Queixa-se agora Francisco de que a Igreja parece \u201cinundada pela moda da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/homosexualidad\">homossexualidade<\/a>\u201d. E se espanta de que tantos sacerdotes e religiosos \u201cse declarem homossexuais\u201d, e pede que \u201csejam tomadas medidas para que n\u00e3o escandalizem\u201d.<\/p>\n<div class=\"teads-adCall\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o seria dif\u00edcil responder ao papa Francisco, que nos havia admirado com sua liberdade de esp\u00edrito e seu desprendimento do poder, que a Igreja deveria se preocupar mais com o pecado e o esc\u00e2ndalo dos\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/08\/26\/internacional\/1535270300_057389.html\">sacerdotes ped\u00f3filos<\/a>, que abusam da sua condi\u00e7\u00e3o para seduzir e violentar menores. Os sacerdotes homossexuais n\u00e3o representam nenhum esc\u00e2ndalo, e eles est\u00e3o sujeitos, assim como os heterossexuais, a respeitar o compromisso com o celibato que aceitaram voluntariamente. Nada mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seria mais normal que, a esta altura, a Igreja Cat\u00f3lica acabasse abolindo o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/celibato\">celibato obrigat\u00f3rio<\/a>\u00a0como condi\u00e7\u00e3o para exercer o sacerd\u00f3cio. N\u00e3o se trata de nenhum dogma de f\u00e9, e menos ainda de algum ensinamento dos evangelhos. A obriga\u00e7\u00e3o do clero secular de professar o celibato nasceu tarde na Igreja, na qual durante s\u00e9culos n\u00e3o s\u00f3 sacerdotes, mas tamb\u00e9m bispos e at\u00e9 papas, eram casados e tinham fam\u00edlia, come\u00e7ando por s\u00e3o Pedro, cuja sogra Jesus curou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todas as confiss\u00f5es crist\u00e3s se inspiram nos evangelhos. E \u00e9 curioso que em nenhum deles exista uma s\u00f3 palavra, recomenda\u00e7\u00e3o ou condena\u00e7\u00e3o da sexualidade nem da homossexualidade. N\u00e3o se encontra uma s\u00f3 palavra sobre o tema na boca de Jesus, que certamente tamb\u00e9m era casado. T\u00e3o pouco medo tinha da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/sexualidad\">sexualidade<\/a>\u00a0que foi acusado de ser \u201camigo de prostitutas\u201d, sobre as quais chegou a dizer que teriam um lugar preferencial no para\u00edso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem o exerc\u00edcio da sexualidade nem a homossexualidade s\u00e3o tratados nos evangelhos. Era algo que n\u00e3o preocupava o profeta de Nazar\u00e9. Suas prioridades foram sempre, pelo contr\u00e1rio, os marginalizados, os desprezado e os que sofriam os a\u00e7oites da injusti\u00e7a social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por que ent\u00e3o esse medo dos religiosos quanto ao exerc\u00edcio da sexualidade, a for\u00e7a motriz n\u00e3o s\u00f3 dos humanos como tamb\u00e9m de toda a natureza, j\u00e1 que do seu exerc\u00edcio depende a sobreviv\u00eancia das esp\u00e9cies?<\/p>\n<div class=\"teads-adCall\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez esse medo da sexualidade, que a Igreja sempre viu como amea\u00e7a e pecado, alheia aos evangelhos, se deva a que a vida tem sido vista mais sob o \u00e2ngulo da dor e da ren\u00fancia que da felicidade e do prazer. A Igreja associou tantas vezes o prazer ao pecado e a dor \u00e0 virtude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Renunciar ao exerc\u00edcio da sexualidade \u00e9 para as Igrejas algo mais digno e agrad\u00e1vel a Deus que seu exerc\u00edcio. Durante muito tempo, a Igreja exigia aos casais cat\u00f3licos que no exerc\u00edcio da sexualidade, destinada \u00e0 procria\u00e7\u00e3o, se abstivessem ao m\u00e1ximo de desfrut\u00e1-la. Copulava-se s\u00f3 para gerar, durante os dias de fertilidade da mulher, para dar filhos a Deus. O prazer deveria ser eliminado ao m\u00e1ximo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, recordo que no\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Conc%C3%ADlio_Vaticano_II\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Conc\u00edlio Vaticano II<\/a>, convocado pelo papa Jo\u00e3o XXIII, que foi considerado como o da revolu\u00e7\u00e3o da Igreja, teve lugar uma grande discuss\u00e3o sobre a finalidade da sexualidade humana. Aqueles 3.000 bispos de todo o mundo, reunidos em Roma, vindos dos cinco continentes, pela primeira vez em 20 s\u00e9culos de hist\u00f3ria da Igreja defenderam que a sexualidade n\u00e3o era s\u00f3 um meio destinado \u00e0 procria\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m \u201cum instrumento de di\u00e1logo\u201d entre os seres humanos. Foi uma revolu\u00e7\u00e3o copernicana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passaram-se mais de 50 anos daquele Conc\u00edlio que devolveu \u00e0 sexualidade sua dignidade e sua condi\u00e7\u00e3o de nova linguagem da comunica\u00e7\u00e3o humana. \u00c9 triste que ainda hoje, com a nova revolu\u00e7\u00e3o dos g\u00eaneros e o maior conhecimento sobre as diversas formas humanas de viver e exercer sua sexualidade, sem distin\u00e7\u00f5es racistas ou farisaicas, a Igreja continue com esses medos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Medo n\u00e3o s\u00f3 da homossexualidade, como se se tratasse de uma peste da qual defender os crist\u00e3os, e sim da pr\u00f3pria sexualidade como tal. Algo t\u00e3o perigoso (na Igreja, chegou a falar-se em algo \u201csujo\u201d) que hoje quer\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/10\/12\/politica\/1539356381_052616.html\">proibir que se fale dela \u00e0s crian\u00e7as e jovens nas escolas<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na verdade, por tr\u00e1s desse medo da sexualidade esconde-se algo mais profundo e perigoso, que \u00e9 a convic\u00e7\u00e3o de tantos religiosos de que esta vida \u00e9 s\u00f3 uma passagem para a eternidade. Que, aqui, quanto mais se sofra e mais se castre o prazer e a felicidade, mais Deus aben\u00e7oar\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algu\u00e9m estranha que esteja crescendo o n\u00famero de agn\u00f3sticos e ateus no Brasil e no mundo? E que a religi\u00e3o, que deveria ser libertadora de medos e tabus, oferta de felicidade e encontro espiritual e corporal, esteja se tornando um perigo de aliena\u00e7\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os sacerdotes homossexuais n\u00e3o representam nenhum esc\u00e2ndalo, e eles est\u00e3o sujeitos, como qualquer outro, a respeitar o compromisso com o celibato. 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