{"id":266747,"date":"2018-12-11T13:03:29","date_gmt":"2018-12-11T16:03:29","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=266747"},"modified":"2018-12-11T13:03:29","modified_gmt":"2018-12-11T16:03:29","slug":"kolima-uma-viagem-alucinante-pela-estrada-dos-ossos-humanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/kolima-uma-viagem-alucinante-pela-estrada-dos-ossos-humanos\/","title":{"rendered":"Kolim\u00e1, uma viagem alucinante pela Estrada dos Ossos Humanos"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">O jornalista Jacek Hugo-Bader relata sua viagem pela terra que abrigava o mais atroz do gulag sovi\u00e9tico.<\/h2>\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Ele escreveu os \u2018Diarios de Kolim\u00e1\u2019 tendo Aleksandr Soljenitisn como guia moral<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \">\n<figure class=\"foto superior foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/11\/28\/actualidad\/1543388216_645276_1543389793_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/11\/28\/actualidad\/1543388216_645276_1543389793_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/11\/28\/actualidad\/1543388216_645276_1543389793_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/11\/28\/actualidad\/1543388216_645276_1543389793_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Um trecho da Estrada dos Ossos, na prov\u00edncia russa de Kolim\u00e1.\" width=\"980\" height=\"598\" \/><\/p>\n<div class=\"seedtag-gohan seedtag-adunit st-in-image\">\n<div class=\"st-container\"><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Um trecho da Estrada dos Ossos, na prov\u00edncia russa de Kolim\u00e1.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">AMOS CHAPPLE<\/span>\u00a0<span class=\"foto-agencia\">GETTY IMAGES\/LONELY PLANET IMAGES<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Juan Carlos Galindo\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/juan_carlos_galindo\/a\/\">JUAN CARLOS GALINDO<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p dir=\"ltr\">A\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/rusia\/a\">R\u00fassia<\/a>\u00a0oriental tem uma regi\u00e3o maldita percorrida por uma estrada maltratada de 2.025 quil\u00f4metros constru\u00edda sobre milhares de cad\u00e1veres de prisioneiros do gulag e por isso conhecida como Estrada dos Ossos. Kolim\u00e1 \u00e9 seu nome e entre 1932 e 1956 recebeu mais de dois milh\u00f5es de presos pol\u00edticos e comuns que alimentaram com seu trabalho e suas vidas a estrutura criminosa de 160 campos de trabalho e exterm\u00ednio. \u201c\u00c9 o pior pesadelo do s\u00e9culo XX, a mais terr\u00edvel ilha do Arquip\u00e9lago Gulag (&#8230;), o cremat\u00f3rio branco, o inferno \u00e1rtico, um campo de concentra\u00e7\u00e3o gelado, sem fornos, uma m\u00e1quina de moer carne humana em escala universal\u201d, diz o jornalista polon\u00eas Jacek Hugo-Bader em\u00a0<em>Diarios de Kolim\u00e1<\/em>\u00a0(cuja tradu\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo lan\u00e7ada na Espanha) relato de sua alucinante viagem de carona por essa terra com o qual ganhou o English Pen Award em 2013.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"CM_E_JuTmN8CFQ5gwQod4BMCeQ\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/cultura\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-google-container-id=\"5\" data-load-complete=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p dir=\"ltr\">O trajeto come\u00e7a em Magadan, Mar de Okhotsk, o in\u00edcio de tudo, como no\u00a0<em>Arquip\u00e9lago Gulag<\/em>\u00a0de Aleksandr Soljenitisn, guia moral de Hugo-Bader, juntamente com o poeta Varlam Shalamov, ambos sobreviventes, cujos passos persegue neste artefato liter\u00e1rio, livro de viagens e testemunho ao mesmo tempo do que resta depois do horror. \u201cKolim\u00e1, como\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/auschwitz\">Auschwitz<\/a>, s\u00e3o lugares com uma grande for\u00e7a simb\u00f3lica pelos quais me sinto muito atra\u00eddo\u201d conta Hugo-Bader por e-mail ao EL PA\u00cdS.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Guiado por seu credo \u2014 \u201ctrabalho, esporte, viagem, encher a cara, fazer amor\u201d\u00a0\u2014 e com um mecanismo psicol\u00f3gico para manter o desespero longe, Hugo-Bader se encontrou em seu p\u00e9riplo com v\u00edtimas dos campos, gente como Maria, com a vida destru\u00edda por chegar uma hora atrasada ao trabalho, roubar uma garrafa de leite ou fazer uma piada contra o Partido, todas elas atividades antirrevolucion\u00e1rias previstas no artigo 58 do c\u00f3digo sovi\u00e9tico. No gulag sofreram a viol\u00eancia dos criminosos comuns, o frio, a fome, as viola\u00e7\u00f5es em grupo e todo tipo de atrocidades. Mas muitos sobreviveram e o contam aqui, apesar de n\u00e3o ser normal. \u201cOs russos t\u00eam o que chamam de s\u00edndrome do sil\u00eancio. N\u00e3o falam das atrocidades que ocorreram em seu territ\u00f3rio e fingem fazer como se nunca tivessem acontecido\u201d, resume o rep\u00f3rter polon\u00eas.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">No entanto, este n\u00e3o \u00e9 um livro sobre os campos, ou n\u00e3o apenas. Hugo-Bader se encontra com a aristocracia do crime, com garimpeiros que parecem sa\u00eddos do faroeste mais extremo, com crian\u00e7as bandidos, empreendedores que montam fazendas no meio do nada, ou gente como Madame Marianne, que voltou para Kolim\u00e1 desde\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/paris\">Paris<\/a>, fugindo de tudo porque \u201caqui existe esp\u00edrito sem beleza e na Fran\u00e7a existe beleza sem esp\u00edrito\u201d.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|foto\" class=\"sumario_foto izquierda\"><a name=\"sumario_3\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/11\/28\/actualidad\/1543388216_645276_1543389921_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/11\/28\/actualidad\/1543388216_645276_1543389921_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/cultura\/imagenes\/2018\/11\/28\/actualidad\/1543388216_645276_1543389921_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"O jornalista Jacek Hugo-Bader.\" width=\"360\" height=\"455\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">O jornalista Jacek Hugo-Bader.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">MATEUSZ SKWARCZEK \/ AGENCJA GAZETA<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p dir=\"ltr\">Pela narrativa transitam personagens como Basania, o milion\u00e1rio olhos vazios, agente do servi\u00e7o de espionagem russo que contamina tudo, veterano do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/afganistan\">Afeganist\u00e3o<\/a>, louco perigoso e quase agrad\u00e1vel, dono das minas de ouro de Kolim\u00e1, um aut\u00eantico tesouro natural explorado antes pela m\u00e1fia do Estado e agora pela m\u00e1fia pura e simples<\/p>\n<p dir=\"ltr\">H\u00e1 muito \u00e1lcool, vidas inteiras encharcadas de vodka, cenas incr\u00edveis de jogos de cartas entre mafiosos, um cirurgi\u00e3o que opera por telefone enquanto n\u00e3o para de beber&#8230; No meio do caminho, Bader, que tamb\u00e9m conheceu pessoas magn\u00edficas que o ajudaram a n\u00e3o morrer congelado no meio da estrada, se encontra com Vladimir, um cara que quando fecha os olhos v\u00ea as montanhas de cad\u00e1veres intactos, perfeitamente conservados no permafrost, que tirou da terra com a concha de seu trator durante uma prospec\u00e7\u00e3o em busca de ouro.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O livro, mais na esteira da pr\u00eamio Nobel\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/svetlana_aleksandrovna_aleksievich\">Svetlana Aleksi\u00e9vitch<\/a>\u00a0que de Ryszard Kapuscinski, tem uma ferramenta fundamental, o humor, e um tom, quase otimista, que o tornam diferente. \u201cVoc\u00ea tem de ser capaz de apagar seus maus pensamentos, inclusive um rep\u00f3rter. Se n\u00e3o, voc\u00ea ser\u00e1 devorado pela depress\u00e3o e n\u00e3o viver\u00e1 muito\u201d, confessa o autor. \u201cQuando estou na R\u00fassia, bebo muita vodka. Al\u00e9m disso, toda vez que viajo \u2014 mesmo para lugares mais escuros como Kolim\u00e1 \u2014, me concentro obsessivamente no lado bom\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Por isso, talvez, ele n\u00e3o deixe que outro personagem, a protetora do legado liter\u00e1rio de Shalamov, feche o livro com uma hist\u00f3ria terr\u00edvel sobre como se perderam suas cartas destru\u00eddas por criminosos que antes tinham se masturbado juntos, excitados por seu conte\u00fado. Prefere terminar com um argumento no qual lamenta n\u00e3o ter conhecido melhor as pessoas que o levaram pelo caminho. \u201cTransmitem tanta dec\u00eancia, tanta bondade, tanta autenticidade&#8230;\u201d, virtudes que nem mesmo o maior massacre da hist\u00f3ria conseguiu apagar completamente.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|despiece\" class=\"sumario_despiece centro\"><a name=\"sumario_1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<header class=\"sumario-encabezado\">\n<h4 class=\"sumario-titulo\"><span class=\"sin_enlace\">A MEM\u00d3RIA NECESS\u00c1RIA<\/span><\/h4>\n<\/header>\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p dir=\"ltr\">\u201cTalvez a primeira raz\u00e3o que nos aproximou do livro foi dar um salto \u00e0 frente e conhecer o que aconteceu com Kolim\u00e1 depois das atrocidades do gulag\u201d, comenta o editor Paco Cerd\u00e0, da La Caja Books, quando perguntado sobre o porqu\u00ea deste livro e as raz\u00f5es pelas quais decidiu romper com a estrat\u00e9gia de publica\u00e7\u00e3o que d\u00e1 nome \u00e0 editora: caixas de tr\u00eas livros curtos sobre um assunto e que combinam ensaio, fic\u00e7\u00e3o e cr\u00f4nica).<\/p>\n<p>Este\u00a0<em>Di\u00e1rios de Kolim\u00e1<\/em>\u00a0est\u00e1 sendo lan\u00e7ado separadamente, em uma cole\u00e7\u00e3o chamada Caja Alta. \u201cA mem\u00f3ria ser\u00e1 um eixo importante desta cole\u00e7\u00e3o\u201d, diz Cerd\u00e0. \u201c\u00c9 por isso que a iniciamos h\u00e1 um m\u00eas com\u00a0<em>Deja de Decir Mentiras<\/em>, um livro apaixonante do franc\u00eas Philippe Besson sobre sua descoberta da sexualidade e agora prosseguimos com\u00a0<em>Di\u00e1rios de Kolim\u00e1<\/em>. Mem\u00f3ria individual, mem\u00f3ria coletiva\u201d, explica Cerd\u00e0.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No entanto, este n\u00e3o \u00e9 um livro sobre os campos, ou n\u00e3o apenas. Hugo-Bader se encontra com a aristocracia do crime, com garimpeiros que parecem sa\u00eddos do faroeste mais extremo, com crian\u00e7as bandidos, empreendedores que montam fazendas no meio do nada, ou gente como Madame Mariann<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":266748,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-266747","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/estrada.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/266747","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=266747"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/266747\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/266748"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=266747"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=266747"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=266747"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}