{"id":26706,"date":"2013-11-04T05:10:50","date_gmt":"2013-11-04T08:10:50","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=26706"},"modified":"2013-11-05T09:14:46","modified_gmt":"2013-11-05T12:14:46","slug":"violencia-em-atos-ofusca-movimentos-pacificos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/violencia-em-atos-ofusca-movimentos-pacificos\/","title":{"rendered":"Viol\u00eancia em atos ofusca movimentos pac\u00edficos"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">Bruno Paes Manso<\/span><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">Na semana passada, dois casos de viol\u00eancia policial em S\u00e3o Paulo, bem parecidos, tiveram respostas e press\u00e3o sobre as autoridades bem diferentes. E refor\u00e7am o desafio que as for\u00e7as de seguran\u00e7a e a imprensa est\u00e3o enfrentando para lidar com a &#8220;viol\u00eancia espetacular&#8221;, que vem se consolidando como a forma mais eficiente de fazer reverberar os protestos que passariam em branco se ocorressem pacificamente.<\/span><\/p>\n<div id=\"bb-md-noticia-tabs\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"bb-md-noticia-tabs-1\">\n<p><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\">Passou pelos estudantes em junho, ganhou for\u00e7a com os atos black blocs a partir de julho e culminou em sequestros de cachorros e inc\u00eandios a \u00f4nibus. Na segunda-feira, assustaram a popula\u00e7\u00e3o e autoridades quando criminosos comuns usaram a t\u00e1tica para parar a Rodovia Fern\u00e3o Dias e praticar assaltos.<\/span><\/p>\n<p>O primeiro registro ocorreu no s\u00e1bado, dia 26, perto das 15 horas, quando o cabeleireiro Severino Paulo de Oliveira, de 49 anos, foi atingido por um disparo enquanto colocava comida na gaiola do can\u00e1rio. Ele notou um corre-corre na viela em que morava, no Parque Regina, na zona sul da capital. Dois policiais perseguiam tr\u00eas meninos suspeitos de roubo. Na vers\u00e3o das testemunhas, os PMs dispararam duas vezes. Uma das balas atingiu o cabeleireiro, que chegou a ser levado ao hospital, mas morreu no caminho.<\/p>\n<p>No dia seguinte, no extremo norte de S\u00e3o Paulo, no Parque Edu Chaves, o estudante Douglas Rodrigues, de 17 anos, morreu ao ser atingido por um disparo. O policial alegou que o tiro foi acidental.<\/p>\n<p>Nos dois casos, familiares se indignaram e foram para as ruas depois do enterro. Na ocorr\u00eancia da zona sul, cerca de 40 pessoas pararam a Avenida Giovanni Gronchi e caminharam at\u00e9 a Avenida Jo\u00e3o Dias, com cartazes e fotografias do cabeleireiro.<\/p>\n<p>Na zona norte, a manifesta\u00e7\u00e3o come\u00e7ou pac\u00edfica, mas acabou fugindo ao controle dos parentes. Pessoas se aproveitaram dos protestos para colocar fogo em \u00f4nibus e roubar motoristas e acabaram criando imagens espetaculares na televis\u00e3o e nos jornais. A pol\u00edcia agiu r\u00e1pido e prendeu o policial, que confessou e foi indiciado por homic\u00eddio culposo.<\/p>\n<p>O caso repercutiu nas redes sociais e a presidente Dilma Rousseff se solidarizou com os familiares da v\u00edtima. &#8220;Nessa hora de dor, presto minha solidariedade \u00e0 fam\u00edlia e aos amigos. Assim como Douglas, milhares de outros jovens negros da periferia s\u00e3o v\u00edtimas cotidianas da viol\u00eancia. A viol\u00eancia contra a periferia \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o mais forte da desigualdade no Brasil&#8221;, escreveu a presidente.<\/p>\n<p>Na zona sul, depois do protesto pac\u00edfico, os manifestantes voltaram para suas casas e passaram a temer os policiais envolvidos no caso. Apesar dos diversos testemunhos de moradores de que n\u00e3o houve tiroteio, os PMs alegaram que revidaram os tiros dos jovens e continuam soltos. Foi aberto um inqu\u00e9rito policial-militar, que aguarda o resultado das per\u00edcias para tomar uma decis\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Defendemos uma manifesta\u00e7\u00e3o pac\u00edfica porque quebrar tudo n\u00e3o iria trazer o Paulo de volta. Mas fica a d\u00favida. Ser\u00e1 que se a gente partisse para o quebra-quebra as respostas seriam diferentes?&#8221;, indaga um parente do cabeleireiro, que pediu para n\u00e3o ser identificado, com medo de repres\u00e1lias.<\/p>\n<p>&#8220;Muitos black blocs j\u00e1 me disseram que, para eles, a viol\u00eancia \u00e9 a \u00fanica forma de express\u00e3o pela qual, de fato, s\u00e3o ouvidos. \u00c9 dif\u00edcil contestar esse racioc\u00ednio. Se a imprensa s\u00f3 d\u00e1 voz \u00e0s formas de protesto violentas, se o governo reage com mais for\u00e7a diante do fator viol\u00eancia, como impedir que a viol\u00eancia se torne uma forma de protesto generalizada? A viol\u00eancia como forma de protesto n\u00e3o estaria sendo legitimada e refor\u00e7ada por toda a sociedade que joga o jogo da espetaculariza\u00e7\u00e3o?&#8221;, pergunta a professora Esther Solano, que pesquisa os black blocs, professora de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp).<\/p>\n<p>Pena. O promotor Marcelo Barone, que participa das investiga\u00e7\u00f5es sobre os protestos ao lado das Pol\u00edcias Militar e Civil, concorda que as for\u00e7as de seguran\u00e7a est\u00e3o tendo dificuldades para lidar com os protestos violentos. Aponta dificuldades para investigar pessoas mascaradas e para conseguir juntar provas que mostrem a associa\u00e7\u00e3o entre os integrantes dos grupos envolvidos, o que permitiria enquadr\u00e1-los por associa\u00e7\u00e3o criminosa.<\/p>\n<p>Foi essa a linha seguida pelo secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a, Fernando Grella Vieira, no encontro com o ministro da Justi\u00e7a, Jos\u00e9 Eduardo Cardozo. Ele prop\u00f4s aumento de pena para crimes de danos e para quem agredir policiais.<\/p>\n<p>Fonte: Estado de S. Paulo<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Viol\u00eancia em atos ofusca movimentos pac\u00edficos<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-26706","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26706","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26706"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26706\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26706"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26706"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26706"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}