{"id":267212,"date":"2018-12-16T12:35:03","date_gmt":"2018-12-16T15:35:03","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=267212"},"modified":"2018-12-16T12:35:03","modified_gmt":"2018-12-16T15:35:03","slug":"conheci-e-perdoei-o-indio-isolado-que-me-flechou-no-rosto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/conheci-e-perdoei-o-indio-isolado-que-me-flechou-no-rosto\/","title":{"rendered":"&#8216;Conheci e perdoei o \u00edndio isolado que me flechou no rosto&#8217;"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"byline\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"byline__name\">Jo\u00e3o Fellet\u00a0<\/span><\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/16099\/production\/_104756209_meirelles.jpg\" alt=\"Sertanista Jos\u00e9 Meirelles em rio no Acre\" width=\"1600\" height=\"1200\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span>Nascido em S\u00e3o Paulo, Jos\u00e9 Carlos Meirelles abandonou a faculdade de engenharia para se dedicar \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de povos ind\u00edgenas isolados na Amaz\u00f4nia, onde passou quase meio s\u00e9culo vivendo nas matas<\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\" style=\"text-align: justify;\">Com a ajuda de um int\u00e9rprete, o sertanista Jos\u00e9 Carlos Meirelles conversava com um grupo de \u00edndios rec\u00e9m-contatados nas cabeceiras do rio Envira, \u00e1rea de\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/0fe34065-ad3d-477e-b97d-1e6ddd669ac4\">Floresta Amaz\u00f4nica<\/a>\u00a0no extremo oeste do Acre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os ind\u00edgenas, membros do povo Tsapanawa, contavam hist\u00f3rias de confrontos com o grupo inimigo Mashco Piro. Meirelles ent\u00e3o mostrou a cicatriz de um ataque que ele pr\u00f3prio havia sofrido uma d\u00e9cada antes naquela mesma \u00e1rea, perto da fronteira com o\u00a0<a class=\"story-body__link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/03ef2794-4827-470e-b6dd-eec233217405\">Peru<\/a>. Uma flecha lhe atravessou o rosto da bochecha \u00e0 nuca, encharcando sua roupa de sangue e quase lhe tirando a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um ind\u00edgena riu ao ouvir o relato. &#8220;Ele apontou e falou: &#8216;l\u00e1 est\u00e1 o cara que te flechou'&#8221;, conta Meirelles \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A revela\u00e7\u00e3o poria fim a um per\u00edodo conturbado na rela\u00e7\u00e3o dos Tsapanawa com servidores da Funai (Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio) liderados por Meirelles e escalados proteger o territ\u00f3rio do grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m encerraria um cap\u00edtulo nos quase 50 anos de carreira que o sertanista dedicou \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de ind\u00edgenas isolados &#8211; experi\u00eancia que lhe rendeu muitos ensinamentos sobre a vida nas matas, mas tamb\u00e9m momentos de p\u00e2nico e dor, como quando diz ter &#8220;matado um \u00edndio para sobreviver&#8221;.<\/p>\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-parrot\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Emboscada no rio<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando Meirelles foi flechado, em 2004, j\u00e1 fazia 15 anos que ele vivia na base da Funai na conflu\u00eancia do igarap\u00e9 Xinane com o rio Envira, respons\u00e1vel por vigiar um vasto territ\u00f3rio onde se estima haver tr\u00eas ou quatro etnias jamais contatadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele sa\u00eda de canoa para pescar quando um grupo de Tsapanawa, etnia ainda isolada naquela altura, armou-lhe uma emboscada. Depois da primeira flechada, certeira, Meirelles aportou o barco e fugiu pela margem, correndo em zigue-zague. Ouviu o zunido e sentiu o vento de uma segunda flecha passando por cima de sua cabe\u00e7a. Desviou de outras flechadas, deu um tiro para o alto e gritou por ajuda. S\u00f3 ent\u00e3o foi resgatado e salvo por colegas da base.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/A94C\/production\/_104804334_funai_survival.jpg\" alt=\"\u00cdndios isolados no Acre\" width=\"710\" height=\"498\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\">Um dos grupos isolados no Envira, no Acre; Funai diz que h\u00e1 107 registros da presen\u00e7a de povos n\u00e3o contatados na Amaz\u00f4nia brasileira<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dez anos depois, os Tsapanawa buscaram o contato com o mundo exterior, passaram a viver perto da base da Funai e explicaram a Meirelles o motivo da emboscada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os \u00edndios lhe contaram ter sofrido um ataque de &#8220;uns caras assim que nem tu, meio vermelh\u00e3o, de cabelo meio branco, barbudo&#8221;. &#8220;&#8216;Quando a gente viu voc\u00ea, pensou: olha ali o parente do cara que matou a minha mulher&#8217;. Foi a\u00ed que eu peguei a flechada. Simples.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meirelles diz que os povos isolados da regi\u00e3o lidam h\u00e1 v\u00e1rios anos com agress\u00f5es de madeireiros e narcotraficantes que trazem coca\u00edna do Peru para o Brasil. Quando levou a flechada, ele imaginou que o grupo estivesse encurralado e aproveitou o epis\u00f3dio para defender, em entrevistas \u00e0 imprensa e em Bras\u00edlia, a import\u00e2ncia de proteger aquele territ\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois do di\u00e1logo revelador, o sertanista foi procurado pelo autor da flechada. O homem &#8220;estava desconfiado, achando que eu ia querer vingar, perguntando se eu n\u00e3o ia matar ele&#8221;. Meirelles respondeu que n\u00e3o e o perdoou pelo ataque. &#8220;Eu disse: &#8216;esquece isso a\u00ed, foi sem querer&#8217;. N\u00e3o sei se ele ficou envergonhado ou se ficou com medo.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Marechal Rondon e irm\u00e3os Villas-B\u00f4as<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Incorporado pela Funai em 1970, quando abandonou a faculdade de engenharia para prestar um concurso p\u00fablico para a funda\u00e7\u00e3o, Meirelles segue uma tradi\u00e7\u00e3o que teve entre seus expoentes o marechal C\u00e2ndido Rondon (1865-1958) e os irm\u00e3os Villas-B\u00f4as, personagens que procuraram mitigar o impacto das frentes de expans\u00e3o econ\u00f4mica entre ind\u00edgenas isolados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os sertanistas, como eles ficaram conhecidos, foram bastante requisitados pelo governo durante obras que cruzaram territ\u00f3rios desses povos, como as rodovias BR-163 (Cuiab\u00e1-Santar\u00e9m) e Transamaz\u00f4nica. Em 2009, a Funai extinguiu o cargo de sertanista e delegou a fun\u00e7\u00e3o \u00e0 Coordena\u00e7\u00e3o Geral de \u00cdndios Isolados e Rec\u00e9m Contatados, respons\u00e1vel por proteger as \u00e1reas dessas etnias. A funda\u00e7\u00e3o diz que hoje h\u00e1 107 registros da presen\u00e7a de povos isolados em toda a Amaz\u00f4nia brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m existem grupos nessa condi\u00e7\u00e3o em outras partes do mundo, caso dos habitantes da ilha Sentinela do Norte, na \u00cdndia, onde o mission\u00e1rio americano John Allen Chau foi morto em novembro ao tentar evangeliz\u00e1-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meirelles diz n\u00e3o lamentar a morte do americano. &#8220;Acho que eles deviam \u00e9 dar um curso para os \u00edndios do Brasil. Esse neg\u00f3cio de flechar mission\u00e1rio, eu acho \u00f3timo&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o sertanista, nascido em S\u00e3o Paulo h\u00e1 70 anos e hoje morador da capital do Acre, Rio Branco, catequizar ind\u00edgenas \u00e9 &#8220;a maneira mais f\u00e1cil de matar sua cultura&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/2C01\/production\/_104756211_tsapanawa_funai.jpg\" alt=\"Jovens Tsapanawa durante primeiro contato\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Membros do povo Tsapanawa durante seu primeiro contato com o mundo exterior, quando visitaram a aldeia Simpatia, do povo ind\u00edgena Ashaninka, no Acre<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele conta que, quando chegou ao Acre, em 1976, havia mission\u00e1rios em todas as aldeias ind\u00edgenas. Dez anos depois, todos foram expulsos pelas comunidades por n\u00e3o se alinharem com as novas ambi\u00e7\u00f5es dos grupos. O expurgo ocorreu num momento em que os ind\u00edgenas acreanos se mobilizavam para demarcar suas terras e revalorizar sua identidade, ap\u00f3s serem explorados por donos de seringais por v\u00e1rias d\u00e9cadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O SPI (Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o ao \u00cdndio, \u00f3rg\u00e3o antecessor da Funai) nunca chegou ao Acre, ent\u00e3o os \u00edndios aqui viviam \u00e0 pr\u00f3pria sorte nos seringais, trabalhando para danar para comprar uma camisa e tal. N\u00e3o tinha o paternalismo, e por conta disso eles conseguiram se organizar mais rapidamente.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a queda no pre\u00e7o da borracha ap\u00f3s o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os \u00edndios acreanos passaram a abandonar os seringais e a retornar para as aldeias. Segundo Meirelles, at\u00e9 os anos 1970, muitos grupos tinham deixado de se assumir como ind\u00edgenas, envergonhados de suas origens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trinta anos depois, quase todas as terras ind\u00edgenas do Acre estavam demarcadas &#8211; e v\u00e1rios povos locais ganharam visibilidade internacional por realizar festivais xam\u00e2nicos e receber turistas estrangeiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Hoje os \u00edndios aqui (Acre) s\u00f3 precisam da gente como amigos, eles caminham com as pr\u00f3prias pernas. E apesar de estarem na universidade, fazendo filme, vendendo cultura, fazendo festivais, continuam t\u00e3o ou mais \u00edndios do que eram quando cheguei.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Madeireiros, garimpeiros e traficantes<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro cen\u00e1rio se aplica aos povos n\u00e3o contatados do Acre, cada vez mais pressionados por invas\u00f5es e ataques de madeireiros, garimpeiros e traficantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos desses grupos fugiram para as cabeceiras dos rios, na fronteira com o Peru, no tempo das chamadas correrias &#8211; quando donos de seringais organizavam ataques para matar ou escravizar \u00edndios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Permaneceram v\u00e1rias d\u00e9cadas nessas terras mais altas e inacess\u00edveis, at\u00e9 que recentemente forasteiros come\u00e7aram a dar as caras, principalmente do lado peruano da fronteira, for\u00e7ando-os a buscar novos ref\u00fagios Brasil adentro.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/C841\/production\/_104756215_isolados_secom-ac.jpg\" alt=\"\u00cdndios n\u00e3o contatados no Acre\" width=\"580\" height=\"425\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\">Outro grupo ind\u00edgena ainda n\u00e3o contatado nas cabeceiras do Envira, perto da fronteira com o Peru<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;No Envira, n\u00e3o sei como esses \u00edndios conseguiram sobreviver. Tem relatos e relatos de mortes&#8221;, diz Meirelles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1990, quando sobrevoou aldeias do povo Tsapanawa, o sertanista calculou que eles tivessem cerca de 150 membros. Depois do contato, Meirelles os ouviu descrever um ataque que dizimou o grupo &#8211; e que ele acredita ter sido promovido por traficantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Eles dizem que (o som do tiro) n\u00e3o foi &#8216;p\u00e3\u00e3\u00e3&#8217;, foi &#8216;t\u00e1-t\u00e1-t\u00e1-t\u00e1-t\u00e1&#8217;. Arma autom\u00e1tica, metralhadora, fuzil autom\u00e1tico, entendeu? Daqueles 150 que calculamos no sobrevoo, sobraram 35. O resto foi morto.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O relato deu tra\u00e7\u00e3o a uma mudan\u00e7a na postura de Meirelles em rela\u00e7\u00e3o a \u00edndios isolados. At\u00e9 ent\u00e3o, ele se alinhava \u00e0 posi\u00e7\u00e3o atual do governo brasileiro, segundo a qual qualquer iniciativa de contato com esses grupos deve partir deles. De acordo com essa orienta\u00e7\u00e3o, adotada desde 1987, cabe ao Estado apenas demarcar e proteger os territ\u00f3rios desses povos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meirelles acha que a estrat\u00e9gia perdeu validade. &#8220;Naquela \u00e9poca (1987), o Brasil era outro, a Amaz\u00f4nia era outra, os \u00edndios eram outros.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sertanista diz que os povos n\u00e3o contatados est\u00e3o cada vez mais pr\u00f3ximos da sociedade envolvente &#8211; e que a pol\u00edtica de mant\u00ea-los isolados pode fazer com que etnias inteiras sejam exterminadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele cita um di\u00e1logo com os Tsapanawa em que os \u00edndios lamentaram n\u00e3o ter feito contato antes. &#8220;Eles falaram: &#8216;p&#8230; merda, se a gente soubesse que voc\u00eas eram t\u00e3o legais, a gente tinha vindo antes falar com voc\u00eas, e minha mulher estaria viva, meu filho estava vivo, n\u00e3o teriam matado n\u00e3o sei mais quem.'&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meirelles diz que \u00e9 poss\u00edvel evitar que os encontros resultem em conflitos ou epidemias que aniquilem os grupos, como ocorreu tantas vezes no passado.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/7A21\/production\/_104756213_ashaninka_isa_gteborgsetnografiskamuseum.jpg\" alt=\"Povo Ashaninka\" width=\"767\" height=\"476\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Foto hist\u00f3rica de membros do povo Ashaninka, uma das etnias que habitam as florestas do Acre e se livraram da explora\u00e7\u00e3o em seringais<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso dos Tsapanawa, uma equipe da Unifesp (Universidade Federal de S\u00e3o Paulo) liderada pelo m\u00e9dico sanitarista Douglas Rodrigues vacinou todos os ind\u00edgenas, prevenindo doen\u00e7as que costumam ser mort\u00edferas logo ap\u00f3s o contato. &#8220;Faz quatro anos que eles est\u00e3o contatados e n\u00e3o morreu nenhum \u00edndio de gripe, de coisa nenhuma. Se n\u00e3o tivessem feito contato, talvez o grupo j\u00e1 tivesse sido extinto pelos madeireiros l\u00e1 no Peru e ningu\u00e9m nem saberia.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Conflitos \u00e9tnicos<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro ponto crucial para o sucesso do contato foi o emprego de int\u00e9rpretes do povo Jaminawa, falantes de um idioma pr\u00f3ximo da l\u00edngua dos Tsapanawa, do mesmo tronco pano. A comunica\u00e7\u00e3o fluiu e arrefeceu os \u00e2nimos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meirelles diz que, mesmo que se saiba pouco de um povo isolado, \u00e9 poss\u00edvel deduzir o grupo lingu\u00edstico que ele integra, com base na regi\u00e3o em que vive. No Acre, quase todos os povos pertencem ao tronco pano ou ao tronco aruak.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro motivo para rever a pol\u00edtica atual, segundo ele, \u00e9 frear conflitos \u00e9tnicos entre povos isolados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sertanista diz que, no Alto Envira, &#8220;todo mundo \u00e9 inimigo de todo mundo&#8221;. Os Tsapanawa t\u00eam entre seus advers\u00e1rios os Mashco Piro, um povo isolado que n\u00e3o vive em aldeias fixas e costuma se deslocar em grupos grandes pela fronteira Brasil-Peru.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dia, rapazes Tsapanawa foram ca\u00e7ar e voltaram \u00e0 base da Funai com um colar e um arco Mashco Piro. &#8220;S\u00f3 tem um jeito de voc\u00ea tomar um colar e um arco de um \u00edndio isolado. \u00c9 matando ele.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outra ocasi\u00e3o, h\u00e1 um ano e meio, um grupo Mashco Piro atacou uma aldeia Tsapanawa. Enquanto mulheres e crian\u00e7as fugiam, o \u00fanico homem presente, um velho, enfrentou os invasores e foi morto. Depois disso, todos os Tsapanawa passaram a viver perto da base da Funai, temendo novos confrontos.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/0D0C\/production\/_104804330_expedio-rondon-570x397.jpg\" alt=\"Marechal Rondon\" width=\"570\" height=\"397\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\">Marechal C\u00e2ndido Rondon durante uma expedi\u00e7\u00e3o por territ\u00f3rios ind\u00edgenas no interior do Brasil<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meirelles afirma que ser\u00e1 preciso negociar um &#8220;armist\u00edcio&#8221; entre os grupos, assim como os irm\u00e3os Villas-B\u00f4as fizeram ap\u00f3s contatar povos ind\u00edgenas que viviam em guerra no Xingu, nos anos 1940.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Vai ter que chegar uma hora, depois que fizerem o contato, de chamar todo mundo e falar: vamos acabar com esse neg\u00f3cio de se matar, porque o inimigo \u00e9 outro.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o sertanista, \u00e9 inevit\u00e1vel que os grupos alterem sua cultura ap\u00f3s o contato, mas ele n\u00e3o considera o processo necessariamente ruim. &#8220;Vai mudar muita coisa, vai perder muita coisa, vai \u00edndio ficar meio grilado, enlouquecido? Vai. Mas quem n\u00e3o se adapta morre, isso \u00e9 Darwin.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Antigamente a gente curava gripe com ventosa e sanguessuga. Vamos voltar \u00e0quela \u00e9poca? Voc\u00ea acha que, se n\u00e3o tivesse aparecido nenhum portugu\u00eas ainda na Am\u00e9rica, os Tupinamb\u00e1 de hoje seriam os mesmos de 1500? Eles mudam, mas se reinventam. A gente, no Renascimento, em 1500, n\u00e3o se reinventou?&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Primeira visita \u00e0 cidade<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meirelles testemunhou o deslumbramento &#8211; e tamb\u00e9m as frustra\u00e7\u00f5es &#8211; experimentados por um grupo Tsapanawa na primeira vez que conheceram uma cidade, a pequena Feij\u00f3, no Acre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto visitavam um mercado, um ind\u00edgena &#8220;pegou um monte de macaxeira embaixo do sovaco e saiu&#8221;. Meirelles foi busc\u00e1-lo na rua e pagou pelos itens, enquanto explicava o que eram aqueles peda\u00e7os de papel que podiam ser trocados por comida. O \u00edndio quis saber como conseguir as notas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Eu falei: para arrumar isso a\u00ed, t\u00e1 vendo aquele campo ali do outro lado? Tem que passar o dia todinho agachado, cortando o mato, para o dono do ro\u00e7ado no fim do dia te dar uma notinha dessas, que s\u00f3 d\u00e1 para comprar tr\u00eas macaxeiras. Ele falou: &#8216;vixe maria, aqui \u00e9 bonito, mas n\u00e3o vou ficar muito tempo, n\u00e3o&#8217;.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/185A6\/production\/_104805799_xingu_arquivo.jpg\" alt=\"Parque Ind\u00edgena do Xingu\" width=\"640\" height=\"409\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\">Cerim\u00f4nia no Parque Ind\u00edgena do Xingu nos anos 1960; irm\u00e3os Villas-B\u00f4as se envolveram na demarca\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meirelles diz que, mesmo que sejam mantidos isolados, os ind\u00edgenas far\u00e3o contato com o mundo exterior para obter instrumentos met\u00e1licos &#8211; o que, ali\u00e1s, j\u00e1 t\u00eam feito desde que os primeiros colonizadores chegaram \u00e0 Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo ap\u00f3s o governo demarcar 627 mil hectares para os grupos isolados do Envira, os ind\u00edgenas sa\u00edam do territ\u00f3rio para furtar ter\u00e7ados (fac\u00f5es) em comunidades vizinhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Se demarc\u00e1ssemos um milh\u00e3o de hectares, continuariam saindo. Se fossem 5 milh\u00f5es, eles iriam buscar ter\u00e7ado em Rond\u00f4nia. Porque, meu amigo, um machado, um ter\u00e7ado \u00e9 uma espada jedi. Ningu\u00e9m tem nem lembran\u00e7a mais de um \u00edndio isolado fazendo ro\u00e7ado com machado de pedra.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro fator que, segundo Meirelles, motivar\u00e1 os grupos a deixar o isolamento \u00e9 a curiosidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Assim como eu tinha muita vontade de ir \u00e0 aldeia dos isolados e ver como eles viviam, eles tamb\u00e9m tinham a maior curiosidade de vir conversar com a gente. Pensavam: &#8216;Vamos ver como \u00e9 esse neg\u00f3cio que faz &#8216;tu-tu-tu-tu&#8217; e corre em cima d&#8217;\u00e1gua?&#8217; Ent\u00e3o eu acho que esse processo, embora ele possa ser demorado se o territ\u00f3rio estiver tranquilo, eu acho que daqui a 20 ou 30 anos, n\u00e3o vai ter mais um povo isolado no planeta Terra.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Ind\u00edgenas no governo Bolsonaro<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 poss\u00edvel que o pr\u00f3ximo governo mude a postura em rela\u00e7\u00e3o aos povos isolados. Em entrevista recente, Damares Alves, futura chefe do Minist\u00e9rio da Mulher, Fam\u00edlia e Direitos Humanos &#8211; \u00f3rg\u00e3o ao qual a Funai ficar\u00e1 subordinada -, disse que a &#8220;pol\u00edtica do isolamento&#8221; de ind\u00edgenas poder\u00e1 ser abandonada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo assim, Meirelles est\u00e1 pessimista com o futuro governo &#8211; e diz que os \u00edndios poder\u00e3o enfrentar um cen\u00e1rio ainda mais dif\u00edcil do que o da ditadura militar (1964-1985).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Naquele tempo, os militares mandavam a gente fazer uma coisa, e a gente ia l\u00e1 falar com os \u00edndios e fazia outra. Como eles n\u00e3o iam ver o que a gente estava fazendo, porque era longe para cacete, tinha mosquito para danar, a gente fez outra coisa e os \u00edndios conseguiram sobreviver ao regime militar &#8211; o que teriam conseguido se n\u00e3o fosse a gente tamb\u00e9m, mas talvez n\u00e3o com a quantidade de terras demarcadas.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meirelles diz ainda que naqueles anos a opini\u00e3o p\u00fablica e os grandes ve\u00edculos jornal\u00edsticos eram favor\u00e1veis aos \u00edndios.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/141A4\/production\/_104804328_yawanawmriovilelafunai-03.jpg\" alt=\"Festival Yawanaw\u00e1\" width=\"1502\" height=\"1028\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Festival do povo Yawanaw\u00e1, um dos grupos ind\u00edgenas acreanos; segundo Meirelles, povos do Estado se organizaram, conquistaram autonomia em tempo recorde e hoje s\u00f3 &#8220;precisam de n\u00f3s como amigos&#8221;<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, por\u00e9m, afirma &#8220;que a grande m\u00eddia n\u00e3o est\u00e1 nem a\u00ed&#8221; para o tema &#8211; e passou at\u00e9 a difundir discursos contr\u00e1rios \u00e0 causa em coro com o presidente eleito, Jair Bolsonaro, que prometeu acabar com as demarca\u00e7\u00f5es de terras ind\u00edgenas e liberar atividades econ\u00f4micas nas \u00e1reas j\u00e1 delimitadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meirelles critica a influ\u00eancia que l\u00edderes religiosos exercer\u00e3o na Funai no pr\u00f3ximo governo. Damares Alves, a futura ministra a quem a Funai responder\u00e1, \u00e9 pastora evang\u00e9lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Estamos entrando num processo muito complicado, porque h\u00e1 dois jeitos de voc\u00ea matar uma cultura: primeiro, \u00e9 deixar o cara sem terra. Depois, mudar a cosmologia, entrar com a religiosidade.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Do jeito que est\u00e3o essas bancadas evang\u00e9licas, da bala, do agroneg\u00f3cio, estou com medo de os \u00edndios come\u00e7arem a perder terras, mesmo \u00e1reas que j\u00e1 foram demarcadas. O (Parque Ind\u00edgena do) Xingu, por exemplo, \u00e9 uma ilha no meio da soja. Quem sabe daqui a uns cinco, seis anos, no Xingu s\u00f3 tenha soja?&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Morte de \u00edndio isolado<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar do cen\u00e1rio sombrio que vislumbra, Meirelles est\u00e1 prestes a deixar o front. Em fevereiro, vai se mudar para uma casa a 50 metros da praia em Arraial d&#8217;Ajuda, na Bahia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Passei a vida toda cuidando dos outros, agora vou cuidar de mim.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00e3o se distanciar\u00e1 totalmente dos \u00edndios. Depois da mudan\u00e7a, Meirelles pretende trabalhar num livro de mem\u00f3rias sobre o tempo que passou nas matas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em algum momento, ele ter\u00e1 de se debru\u00e7ar sobre um dos momentos mais dif\u00edceis que j\u00e1 enfrentou e que o assombra at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pouco depois de se mudar para o Acre, Meirelles participava de uma expedi\u00e7\u00e3o com seu ent\u00e3o sogro quando os dois se viram cercados e atacados por um grupo de \u00edndios isolados, do povo Mashco Piro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sertanista reagiu com um \u00fanico disparo, atingindo um dos agressores. O \u00edndio caiu morto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele afirma que, se n\u00e3o tivesse atirado, teria morrido. O caso n\u00e3o lhe rendeu puni\u00e7\u00f5es porque as autoridades julgaram que ele agiu em leg\u00edtima defesa. &#8220;Eu preferi sobreviver. \u00c9 uma contradi\u00e7\u00e3o desgra\u00e7ada: passei a vida toda defendendo os \u00edndios, e um dia tive que matar um \u00edndio.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O incidente se tornou p\u00fablico ap\u00f3s o pr\u00f3prio Meirelles cit\u00e1-lo num relat\u00f3rio \u00e0 Funai. O sertanista afirma que, embora a morte do \u00edndio o atormente at\u00e9 hoje (&#8220;e muito&#8221;), o epis\u00f3dio o fez aprender &#8220;o que \u00e9 o ser humano&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Na hora do aperto, do vamos ver, nessas situa\u00e7\u00f5es extremas, a gente mostra o bicho que \u00e9. Eu sou humano, igual a um Tsapanawa quando flecha um Mashco piro, ou vice-versa. Eu n\u00e3o sou diferente deles.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pouco depois de se mudar para o Acre, Meirelles participava de uma expedi\u00e7\u00e3o com seu ent\u00e3o sogro quando os dois se viram cercados e atacados por um grupo de \u00edndios isolados, do povo Mashco Piro.<\/p>\n<p>O sertanista reagiu com um \u00fanico disparo, atingindo um d<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":267213,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-267212","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/indios-da-amazonia.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/267212","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=267212"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/267212\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/267213"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=267212"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=267212"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=267212"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}