{"id":26743,"date":"2013-11-04T06:25:48","date_gmt":"2013-11-04T09:25:48","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=26743"},"modified":"2013-11-04T06:25:48","modified_gmt":"2013-11-04T09:25:48","slug":"os-cacadores-dos-ultimos-criminosos-nazistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/os-cacadores-dos-ultimos-criminosos-nazistas\/","title":{"rendered":"Os ca\u00e7adores dos \u00faltimos criminosos nazistas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s quase 70 anos do fim da Segunda Guerra, os \u00faltimos criminosos nazistas est\u00e3o muito velhos. Ao persegui-los, as autoridades lutam contra o tempo<\/p>\n<div id=\"viewlet-below-content-title\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"plone-document-byline\"><a href=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/autores\/deutsche-welle\">Deutsche Welle<\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-26744\" alt=\"pris\u00e3o nazista\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/pris\u00e3o-nazista-300x199.jpg\" width=\"300\" height=\"199\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"content-core\" style=\"text-align: justify;\">\n<div>\n<div>\n<p>O campo de concentra\u00e7\u00e3o de Auschwitz, na Pol\u00f4nia<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"columnone\"><\/div>\n<\/div>\n<div>\n<p>Quando se pergunta a Andreas Brendel se \u00e9 leg\u00edtimo levar uma pessoa de 92 anos \u00e0s barras do tribunal, a resposta \u00e9 sucinta: &#8220;Crime de morte n\u00e3o prescreve&#8221;, e, na qualidade de promotor, ele \u00e9 obrigado a investigar acusa\u00e7\u00f5es de assassinato. A m\u00eddia costuma lhe fazer perguntas como essa \u2013 afinal, nos \u00faltimos dez anos ele tem levado \u00e0 Justi\u00e7a um nazista atr\u00e1s do outro.<\/p>\n<p>Brendel, que \u00e9 diretor da Central para a Elucida\u00e7\u00e3o de Crimes Nazistas, em Dortmund, sempre responde com dois argumentos. Primeiro, do ponto de vista puramente jur\u00eddico. Depois vem o adendo: &#8220;Temos ainda as v\u00edtimas e as fam\u00edlias das v\u00edtimas. Para elas, \u00e9 muito importante que haja um processo penal na Alemanha e que a culpa dos criminosos seja constatada. Independente de se o veredicto vir\u00e1 a ser executado, mais tarde. \u00c9 importante que os investigadores alem\u00e3es levem em considera\u00e7\u00e3o o destino dessas pessoas.&#8221;<\/p>\n<p>Confian\u00e7a nos investigadores<\/p>\n<p>J\u00e1 Stefan Willms \u00e9 chefe de comissariado em D\u00fcsseldorf. Ele dirige a equipe de investiga\u00e7\u00e3o de crimes nazistas no Departamento Estadual de Investiga\u00e7\u00f5es, \u00fanico \u00f3rg\u00e3o da Alemanha voltado exclusivamente para esse tipo de delito. Assim, Willms \u00e9 o colega mais pr\u00f3ximo de Brendel na luta contra esses crimes praticados, na maioria das vezes, h\u00e1 70 anos ou mais.<\/p>\n<p>Willms lembra-se de um caso na It\u00e1lia, o assassinato de 60 homens. Um a um, foram levados para um por\u00e3o e executados. Seus \u00faltimos minutos foram passados diante de uma montanha de corpos. Somente um jovem sobreviveu.<\/p>\n<p>Depois de relatar o curso dos acontecimentos ao comiss\u00e1rio-chefe alem\u00e3o, esse sobrevivente o abra\u00e7ou e lhe agradeceu. &#8220;Ele disse que havia esperado por mim quase 60 anos, e que estava muito grato por eu ter vindo&#8221;, lembra-se o comiss\u00e1rio. &#8220;A\u00ed se percebe como isso \u00e9 importante para as pessoas.&#8221;<\/p>\n<p>Sentado em seu escrit\u00f3rio em D\u00fcsseldorf, usando cal\u00e7a jeans e camisa quadriculada, o cabelo castanho encaracolado, Willms tem algo de jovem rebelde, apesar de algumas mechas grisalhas. Atr\u00e1s dele, v\u00ea-se um grande cartaz de exposi\u00e7\u00e3o:\u00a0<em>A pol\u00edcia no Estado nazista<\/em>.<\/p>\n<p>Ele afirma que o fato de ter nascido muito depois da guerra, em 1959, talvez o ajude nas investiga\u00e7\u00f5es. As v\u00edtimas sabem que ele \u00e9 jovem demais para que pudesse estar envolvido nas a\u00e7\u00f5es cru\u00e9is dos nazistas. Mesmo assim, &#8220;nota-se que, na condi\u00e7\u00e3o de alem\u00e3o, tem-se certa responsabilidade pelo que aconteceu&#8221;. O fato \u00e9 que ele nunca se sente \u00e0 vontade nas investiga\u00e7\u00f5es nos locais dos crimes.<\/p>\n<p>Justi\u00e7a atrasada?<\/p>\n<p>De terno escuro, camisa e gravata branca, \u00f3culos de tartaruga, Andreas Brendel entra no pr\u00e9dio. O caso Siert Bruins est\u00e1 sendo julgado na sala do j\u00fari do Tribunal Regional de Hagen. Hoje com 92 anos, ele \u00e9 acusado de participar do assassinato de um membro da resist\u00eancia no porto holand\u00eas de Delfzijl, quando atuava no servi\u00e7o de seguran\u00e7a e de fronteiras, em setembro de 1944.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 mais testemunhas vivas do crime. Assim, os participantes de um processo anterior contra Bruins est\u00e3o sendo ouvidos. Brendel olha concentrado, anota, raramente faz uma pergunta adicional \u00e0s testemunhas.<\/p>\n<p>Nascido na Holanda, Bruins j\u00e1 esteve perante um tribunal em Dortmund em 1980. Na ocasi\u00e3o, o fuzilamento do combatente da resist\u00eancia foi considerado homic\u00eddio culposo. Segundo ele, hoje em dia a quest\u00e3o da malevol\u00eancia \u00e9 muito importante, explicou Brendel. &#8220;A v\u00edtima sabia que ia morrer?&#8221;, exemplifica. Segundo o promotor, essa quest\u00e3o \u00e9 avaliada hoje de forma diferente do que na d\u00e9cada de 1980. Por esse motivo, Bruins est\u00e1 novamente diante do tribunal.<\/p>\n<p>A Justi\u00e7a alem\u00e3 foi particularmente branda durante d\u00e9cadas com criminosos de guerra nazistas? Brendel prefere n\u00e3o comentar, afirma ser uma quest\u00e3o que ele n\u00e3o se coloca \u2013 o que soa antes como uma sa\u00edda pela tangente. Brendel tem outras coisas a fazer: ele quer que seja feita justi\u00e7a, em vez de questionar por que isso n\u00e3o aconteceu antes.<\/p>\n<p>Pouco tempo, muito a fazer<\/p>\n<p>Brendel e Willms est\u00e3o em contato durante todas as etapas. &#8220;N\u00e3o passa uma semana sem nos falarmos ao telefone&#8221;, diz Willms. &#8220;N\u00f3s nos encontramos pelo menos uma vez por m\u00eas.&#8221; Eles se ajudam um ao outro, tamb\u00e9m psicologicamente. Afinal de contas, muitas vezes eles n\u00e3o leem nada al\u00e9m que detalhes de assassinatos terr\u00edveis, dias a fio. &#8220;N\u00e3o \u00e9 algo que voc\u00ea simplesmente esque\u00e7a numa gaveta.&#8221;<\/p>\n<div>\n<p>E h\u00e1 tamb\u00e9m cartas iradas de protesto, que Brendel recebe de vez em quando, reclamando do fato de ele perseguir idosos. &#8220;Via de regra, eu as arquivo&#8221;, comenta secamente. Mas uma vez recebeu amea\u00e7as graves, sua fam\u00edlia foi mencionada. &#8220;A\u00ed, para mim, acabou-se a brincadeira.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Havia colegas aqui no escrit\u00f3rio que n\u00e3o conseguiam lidar com isso&#8221;, conta Willms, &#8220;ent\u00e3o trocaram de cargo&#8221;. Para os dois investigadores, por\u00e9m, isso est\u00e1 fora de cogita\u00e7\u00e3o. Eles v\u00e3o continuar, &#8220;provavelmente, at\u00e9 que o \u00faltimo criminoso nazista esteja morto&#8221;, diz Brendel. &#8220;O tempo urge. Quando encontramos um criminoso, damos a maior prioridade&#8221;.<\/p>\n<p>Recentemente anunciou-se que a Alemanha est\u00e1 investigando 30 ex-guardas do campo de concentra\u00e7\u00e3o de Auschwitz. Alguns dos dossi\u00eas foram enviados para Andreas Brendel e Stefan Willms. Eles ainda t\u00eam muito que fazer.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando se pergunta a Andreas Brendel se \u00e9 leg\u00edtimo levar uma pessoa de 92 anos \u00e0s barras do tribunal, a resposta \u00e9 sucinta: &#8220;Crime de morte n\u00e3o prescreve&#8221;, e, na qualidade de promotor, ele \u00e9 obrigado a investigar acusa\u00e7\u00f5es de assassinato. 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