{"id":267773,"date":"2018-12-21T16:20:03","date_gmt":"2018-12-21T19:20:03","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=267773"},"modified":"2018-12-21T16:20:03","modified_gmt":"2018-12-21T19:20:03","slug":"psicopatas-de-colarinho-branco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/psicopatas-de-colarinho-branco\/","title":{"rendered":"Psicopatas de colarinho branco"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<\/div>\n<div class=\"firma firma--vertical\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Lola Mor\u00f3n\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/lola_moron\/a\/\">Lola Mor\u00f3n<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<figure class=\"foto superior foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/10\/16\/eps\/1539706509_158488_1539706696_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/10\/16\/eps\/1539706509_158488_1539706696_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/10\/16\/eps\/1539706509_158488_1539706696_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/10\/16\/eps\/1539706509_158488_1539706696_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"psicopatas\" width=\"980\" height=\"544\" \/><\/p>\n<div class=\"seedtag-gohan seedtag-adunit st-in-image\">\n<div class=\"st-container\"><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">MIKEL JASO<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<div id=\"articulo-introduccion\" class=\"articulo-introduccion\">\n<p>1% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 classificada como psicopata: n\u00e3o sente empatia nem culpa. Esse percentual sobe para 4% entre executivos, pol\u00edticos e pessoas que ocupam cargos de alta responsabilidade<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Se pensarmos em um\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/psicopatas\"><strong>psicopata<\/strong><\/a>, a imagem de um assassino em s\u00e9rie nos vem \u00e0 cabe\u00e7a. No entanto, h\u00e1 muito mais psicopatas do que assassinos em s\u00e9rie. Sujeitos maquiav\u00e9licos no sentido estrito. A frase \u201cOs fins justificam os meios\u201d \u00e9 atribu\u00edda a\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Nicolau_Maquiavel\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Maquiave<\/a><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Nicolau_Maquiavel\">l<\/a>. Al\u00e9m de escritor, o autor de\u00a0<em>O Pr\u00edncipe<\/em>\u00a0foi fil\u00f3sofo e diplomata. Estava situado na primeira linha das altas esferas, onde se travavam batalhas pol\u00edticas sem quartel, nas quais se decidia quem ocuparia o trono ou quem usaria o Anel do Pescador. Maquiavel foi um grande observador daqueles que moviam as cordas do mundo, mas que raramente manchavam as m\u00e3os de sangue.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 f\u00e1cil falar de maldade e psicopatia quando nos referimos a personagens situados no limite da sociedade: o assassino de crian\u00e7as indefesas, o alto executivo que enche os bolsos \u00e0 custa de pessoas que trabalham em condi\u00e7\u00f5es subumanas em f\u00e1bricas a 10.000 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia ou o pol\u00edtico que encontra armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa onde basicamente h\u00e1 petr\u00f3leo. Esses psicopatas s\u00e3o muito evidentes, embora apenas o primeiro suje as m\u00e3os. Os outros dois s\u00e3o frequentemente admirados, pertencem a esferas socioecon\u00f4micas de dif\u00edcil acesso e s\u00f3 ocasionalmente o opr\u00f3brio os persegue.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|html\" class=\"sumario_html izquierda\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">Existem in\u00fameros contextos em que todos \u2013 e digo todos \u2013 n\u00f3s podemos ser malvados. Que n\u00e3o nos ponham \u00e0 prova<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fora desse limite social, ningu\u00e9m \u00e9 mau em termos absolutos. 1% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 classificada como psicopata. S\u00e3o sujeitos insens\u00edveis, ego\u00edstas, despreocupados com o bem-estar dos outros, que n\u00e3o sentem empatia nem culpa. Essa porcentagem parece subir a 4% em executivos, pol\u00edticos ou pessoas que ocupam cargos de alta responsabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se todas as coisas ruins que acontecem no mundo todos os dias se devessem a esses poucos psicopatas que s\u00e3o capazes de cometer as piores tropelias, a vida seria mais f\u00e1cil. O problema \u00e9 que a grande maioria de n\u00f3s \u00e9 capaz de mostrar essa\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/05\/06\/cultura\/1494092512_694331.html\">falta de empatia<\/a>\u00a0e essa maldade, talvez em menor grau ou com menos frequ\u00eancia do que eles. A realidade \u00e9 que nem todas as coisas ruins s\u00e3o feitas por psicopatas e nem tudo que os psicopatas fazem \u00e9 ruim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando se fala de maldade n\u00e3o se fala de pessoas nem de grupos de indiv\u00edduos, de profiss\u00f5es, de posi\u00e7\u00f5es sociais, de doentes mentais; assim como n\u00e3o se fala de ra\u00e7a, sexo ou orienta\u00e7\u00e3o sexual. A maldade \u00e9 a consequ\u00eancia de um ato. \u00c9 derivada de um comportamento ou um pensamento compartilhado \u2013 e, portanto, um comportamento. Um pensamento \u00edntimo n\u00e3o se torna malvado se n\u00e3o for executado. A maldade \u00e9 uma decis\u00e3o tomada em um momento e em uma circunst\u00e2ncia. N\u00e3o podemos saber o que cada um de n\u00f3s faria em uma situa\u00e7\u00e3o te\u00f3rica. Podemos\u00a0<em>suspeitar<\/em>\u00a0do que far\u00edamos com base na situa\u00e7\u00e3o em que estamos no momento em que nos fazem a pergunta, mas ser\u00e1 apenas uma aproxima\u00e7\u00e3o. Somente a pessoa que fez o que fez sabe por que o fez e sob quais circunst\u00e2ncias. N\u00e3o h\u00e1 determinismo. Custa menos ao psicopata do que ao resto das pessoas fazer o mal, mas a personalidade \u00e9 apenas mais um fator no contexto.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|foto\" class=\"sumario_foto izquierda\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<figure class=\"foto foto_w360\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/10\/16\/eps\/1539706509_158488_1539706791_sumario_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/10\/16\/eps\/1539706509_158488_1539706791_sumario_normal_recorte1.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/10\/16\/eps\/1539706509_158488_1539706791_sumario_normal.jpg 360w\" alt=\"Psicopatas de colarinho branco\" width=\"360\" height=\"485\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">MIKEL JASO<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"sumario-texto\"><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">O\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/12\/13\/ciencia\/1544726930_213001.html\">c\u00e9rebro do psicopata funciona de maneira diferente<\/a>\u00a0do da maioria das pessoas, assim como o c\u00e9rebro de um m\u00fasico funciona de maneira diferente. Gen\u00e9tica e c\u00e9rebro estabelecem as bases para o mal; a sociedade coloca o contexto. Nenhum desses elementos \u00e9 suficiente e todos s\u00e3o necess\u00e1rios. Ningu\u00e9m nasce\u00a0<em>condenado<\/em>\u00a0a ser m\u00fasico, assim como ningu\u00e9m nasce condenado a ser mau. Para ser m\u00fasico \u00e9 preciso mais do que talento; para ser mau \u00e9 preciso algo mais do que ter pouca empatia: \u00e9 preciso decidir fazer o mal em vez do bem. O psicopata \u00e9 definido pelo pre\u00e7o que est\u00e1 disposto a pagar e em troca de qual benef\u00edcio. Isto \u00e9, a maldade \u00e9 o resultado de um dilema moral. Todos n\u00f3s resolvemos isso de uma maneira muito semelhante. O que nos diferencia \u00e9 onde colocamos os limites.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contemplando um caso extremo se v\u00ea com claridade: matar em troca de dinheiro. Mas o que acontece quando compartilhamos os valores que levam outra pessoa a fazer o mal? O que aplaina o caminho para o psicopata de colarinho branco \u2013 ou para o nosso chefe, que, mais ou menos mau, geralmente n\u00e3o \u00e9 psicopata \u2013 \u00e9 que compartilhamos os valores que ele defende. Consentimos e toleramos seu abuso porque, de alguma forma, o entendemos. Ele defende um territ\u00f3rio ao qual n\u00f3s aspiramos ou do qual dependemos. Quanto maior for o respeito pelos sentimentos e valores do outro, maior deve ser a recompensa para justificar uma decis\u00e3o que pode ser moral ou normativamente repreens\u00edvel, e quanto menos envolvidos estivermos com os sentimentos de terceiros, menos valor atribuiremos aos seus sentimentos. Por exemplo, se disputamos uma promo\u00e7\u00e3o com um colega que respeitamos e admiramos, tenderemos a jogar limpo. Se considerarmos nosso advers\u00e1rio um ser desprez\u00edvel, tenderemos a ser mais frouxos com as regras. At\u00e9 ser\u00edamos capazes de jogar sujo. Se n\u00e3o for um colega, mas um estranho que vem de um escrit\u00f3rio distante, nossos crit\u00e9rios morais tamb\u00e9m ser\u00e3o mais frouxos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na pr\u00e1tica, todos n\u00f3s servimos algu\u00e9m, mas todos n\u00f3s temos algu\u00e9m que nos serve. Todos os dias. Tendemos a n\u00e3o observar nossa atitude em rela\u00e7\u00e3o \u00e0queles que aspiram ao territ\u00f3rio que ocupamos. Podemos ser muito emp\u00e1ticos, mas se n\u00e3o prestarmos aten\u00e7\u00e3o, nunca saberemos se sofrem. \u00c9 dif\u00edcil pensarmos que, para eles, talvez n\u00f3s tamb\u00e9m sejamos malvados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existem in\u00fameros contextos em que todos \u2013 e digo todos \u2013 n\u00f3s podemos ser malvados. Que n\u00e3o nos ponham \u00e0 prova.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|despiece\" class=\"sumario_despiece centro\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"background-color: #d5d5d5;\">*<\/span>Lola Mor\u00f3n \u00e9 psiquiatra e especialista em neuropsiquiatria.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lola Mor\u00f3n MIKEL JASO 1% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 classificada como psicopata: n\u00e3o sente empatia nem culpa. Esse percentual sobe para 4% entre executivos, pol\u00edticos e pessoas que ocupam cargos de alta responsabilidade Se pensarmos em um\u00a0psicopata, a imagem de um assassino em s\u00e9rie nos vem \u00e0 cabe\u00e7a. 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