{"id":267806,"date":"2018-12-22T10:06:08","date_gmt":"2018-12-22T13:06:08","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=267806"},"modified":"2018-12-22T10:06:08","modified_gmt":"2018-12-22T13:06:08","slug":"no-natal-melhor-um-livro-para-as-criancas-do-que-um-brinquedo-de-matar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/no-natal-melhor-um-livro-para-as-criancas-do-que-um-brinquedo-de-matar\/","title":{"rendered":"No Natal, melhor um livro para as crian\u00e7as do que um brinquedo de matar"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo articulo-titulo--cursiva\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>As palavras s\u00e3o o nosso melhor colete \u00e0 prova de balas contra a discrimina\u00e7\u00e3o e a marginalidade<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Juan Arias\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/juan_arias\/a\/\">JUAN ARIAS<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/12\/22\/opinion\/1545479201_602468_1545480022_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/12\/22\/opinion\/1545479201_602468_1545480022_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/12\/22\/opinion\/1545479201_602468_1545480022_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/12\/22\/opinion\/1545479201_602468_1545480022_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Crian\u00e7as recebem presentes de Natal\" width=\"980\" height=\"692\" \/><\/p>\n<div class=\"seedtag-gohan seedtag-adunit st-in-image\">\n<div class=\"st-container\"><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Crian\u00e7as recebem presentes de Natal<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">MARK RALSTON<\/span>\u00a0<span class=\"foto-agencia\">AFP<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<section id=\"sumario_1|apoyos\" class=\"sumario_apoyos derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<div class=\"apoyos\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se deixarmos uma crian\u00e7a pobre\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/12\/20\/opinion\/1513791071_880089.html\">escolher um presente<\/a>entre um livro e uma arma de brinquedo, provavelmente escolheria a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/12\/18\/politica\/1545150409_376316.html\">arma<\/a>. Ainda n\u00e3o sabe que as armas defendem contra a morte f\u00edsica, mas n\u00e3o contra a injusti\u00e7a, a desigualdade social ou a tirania, que \u00e9 do que mais v\u00e3o morrer. Ningu\u00e9m lhes explicou que, escondidas no livro, h\u00e1 hist\u00f3rias reais ou fantasiosas que as ajudar\u00e3o a entender por que a felicidade n\u00e3o \u00e9 alcan\u00e7ada com a viol\u00eancia, mas caminhando na vida de m\u00e3os dadas, sem desistir dos sonhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/12\/05\/album\/1544010154_647534.html\">Natal<\/a>\u00a0significa, em sua etimologia, uma hist\u00f3ria de vida e n\u00e3o de morte, de algu\u00e9m que nasceu h\u00e1 mais de dois mil anos, na Galileia, e em seguida seus pais tiveram de fugir com ele para o ex\u00edlio no Egito, porque o imperador Herodes queria mat\u00e1-lo. Tinha medo dele. Estava certo, porque quando cresceu aquele menino defendeu coisas que faziam tremer os poderosos que desprezavam os pobres e aleijados. N\u00e3o aben\u00e7oou os violentos, mas os semeadores da paz.<\/p>\n<div class=\"teads-adCall\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">As crian\u00e7as pobres ainda n\u00e3o sabem que o que as discrimina na vida \u00e9 carecer de um punhado a menos de palavras que as outras. Na It\u00e1lia, Don Milani, um dos pioneiros da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/agr\/inovacoes_na_educacao\">educa\u00e7\u00e3o alternativa<\/a>, dizia que o que diferencia uma crian\u00e7a rica de uma crian\u00e7a pobre \u00e9 que possui 500 palavras a mais para triunfar e se defender na vida. As palavras s\u00e3o o nosso melhor colete \u00e0 prova de balas contra a discrimina\u00e7\u00e3o e a marginalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma crian\u00e7a pobre de linguagem, que n\u00e3o l\u00ea, que tem sua fantasia atrofiada, est\u00e1 vazia de hist\u00f3rias, \u00e9 f\u00e1cil escraviz\u00e1-la. Nossa melhor defesa na vida \u00e9 saber usar nossas palavras para que n\u00e3o nos enganem. Aqueles que leem, e que a leitura obriga a refletir, o poder tem mais dificuldade de domesticar. O &#8220;sim senhor&#8221; do escravo quem produz \u00e9 o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/analfabetismo\">analfabetismo<\/a>. Os pobres n\u00e3o sabem usar a interroga\u00e7\u00e3o. Eles n\u00e3o perguntam, n\u00e3o discutem com o poder. N\u00e3o v\u00e3o usar o porqu\u00ea. Ficam calados quando s\u00e3o esmagados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aquele\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/jesus_de_nazaret\">menino judeu de quem celebramos o Natal<\/a>, aos 12 anos, dizem as hist\u00f3rias sagradas, j\u00e1 discutia com os doutores do Templo. J\u00e1 questionava os pais. Sabia defender sua liberdade. E quando, inocente, foi crucificado como subversivo, agonizando encarou Deus: &#8220;Por que me abandonaste?&#8221; Foi um homem livre, capaz de se interrogar e de interrogar o poder humano e divino porque sabia discernir entre a verdade e a mentira, a virtude e a hipocrisia. A ignor\u00e2ncia nos acorrenta e apequena. Somente o conhecimento, que os livros nos oferecem, nos torna homens livres. O profeta da Galileia, defensor dos fracos, veio dizer &#8220;Eu sou a palavra e a vida&#8221;. Se as armas est\u00e3o associadas com a morte, as palavras geram a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da\u00ed o movimento atual deste Natal no Brasil e em outras partes do mundo para distribuir livros em vez de objetos de consumo. Tal como acontece com as crian\u00e7as, tamb\u00e9m com os idosos os livros produzem o milagre de nos renovarmos, de nos defendermos contra a pobreza espiritual e intelectual que nos rodeia. E ser\u00e1 assim ainda mais no mundo que se aproxima da rob\u00f3tica, da intelig\u00eancia artificial e da bioci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nunca ouvi dizer que o presente de uma joia ou um perfume mudou uma vida, curou uma depress\u00e3o, salvou de um suic\u00eddio ou abriu as portas para uma mudan\u00e7a de vida. Um livro e at\u00e9 mesmo um poema \u00e9 capaz de fazer isso. Um livro pode nos devolver a f\u00e9 perdida ou a esperan\u00e7a destru\u00edda. E eles s\u00e3o o ant\u00eddoto para a solid\u00e3o. Quando voc\u00ea l\u00ea, est\u00e1 cercado de personagens. O objeto de consumo mais cobi\u00e7ado nunca far\u00e1 essa transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando eu era crian\u00e7a, nossos pais, que eram professores de escola em uma pequena cidade montanhosa, n\u00e3o podiam nos comprar brinquedos nem livros. A\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/guerra_civil_espanola\">guerra civil<\/a>\u00a0tinha criado pobreza, escassez e fome. No Natal, por\u00e9m, meu pai, que era agn\u00f3stico, mas de profunda consci\u00eancia social, nos dava um presente que nunca esqueci. Ele nos reunia na pequena cozinha a lenha. \u00c0 luz de uma candeia a \u00f3leo combust\u00edvel, lia para n\u00f3s uma hist\u00f3ria que tinha inventado. N\u00f3s o ouv\u00edamos com a felicidade que a cumplicidade entre pai e filhos cria. Contava hist\u00f3rias de cidades distantes que ele nunca havia visitado. N\u00f3s viaj\u00e1vamos para elas em seu relato. Muitos anos se passaram. Aquelas hist\u00f3rias de meu pai me ensinaram n\u00e3o s\u00f3 palavras para me defender na vida, mas o gosto pelas viagens. Aconteceu que, agu\u00e7ado provavelmente pelas hist\u00f3rias de meu pai, acabei sendo jornalista, o que me permitiu percorrer o mundo v\u00e1rias vezes. Mas h\u00e1 uma cidade, a de um daqueles contos de Natal, que permaneceu tanto em minha mem\u00f3ria que acabou sendo a que mais visitei e continuo visitando na minha vida: Veneza, uma das cidades invis\u00edveis de Italo Calvino. A cobi\u00e7ada por todos os escritores e artistas, a fantasia constru\u00edda de \u00e1gua e arte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os objetos de consumo s\u00e3o como nozes vazias. Voc\u00ea as quebra e n\u00e3o t\u00eam nada dentro. Os\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/libros\">livros<\/a>\u00a0e as palavras s\u00e3o sementes que voc\u00ea planta dentro de si e sempre acabam brotando. No Brasil, a liberta\u00e7\u00e3o dos escravos n\u00e3o existiu porque ao deix\u00e1-los livres lhes foi negado o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Negaram-lhes as palavras. Hoje, os descendentes desses escravos ainda carregam em seus ombros o peso de n\u00e3o terem podido armar-se com a coura\u00e7a do conhecimento. Ningu\u00e9m os ensinou, quando deveriam ter feito isso, a se interrogar e se defender. Foram gera\u00e7\u00f5es sem livros e sem instrumentos para poder dizer &#8220;n\u00e3o!&#8221; aos que os usaram e depois os esqueceram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Fonte: El Pa\u00eds<\/b><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As palavras s\u00e3o o nosso melhor colete \u00e0 prova de balas contra a discrimina\u00e7\u00e3o e a marginalidade<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":267807,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[2,6],"tags":[],"class_list":["post-267806","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/presente-de-natal.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/267806","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=267806"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/267806\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/267807"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=267806"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=267806"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=267806"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}