{"id":268616,"date":"2018-12-30T07:09:58","date_gmt":"2018-12-30T10:09:58","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=268616"},"modified":"2018-12-30T07:09:58","modified_gmt":"2018-12-30T10:09:58","slug":"criada-por-uma-familia-branca-demorei-anos-para-aprender-a-amar-ser-negra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/criada-por-uma-familia-branca-demorei-anos-para-aprender-a-amar-ser-negra\/","title":{"rendered":"&#8216;Criada por uma fam\u00edlia branca, demorei anos para aprender a amar ser negra&#8217;"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share-row\">\n<div class=\"share-tools--no-event-tag\">\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-twite\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/13D5E\/production\/_104864218_ginatoday.jpg\" alt=\"Gina Atinuke Knight\" width=\"976\" height=\"749\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Gina Atinuke Knight conta que levou anos para ter orgulho de sua negritude<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\" style=\"text-align: justify;\">A m\u00e3e de Gina Atinuke Knight a amava, mas a inf\u00e2ncia em uma fam\u00edlia branca fez com que ela levasse anos para ter orgulho de sua negritude. O cabelo foi uma das primeiras coisas que ela veio a amar, e \u00e9 por isso que ela se tornou blogueira e cabeleireira. Veja abaixo seu depoimento \u00e0 BBC.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Quando eu tinha 8 ou 9 anos, minha fam\u00edlia come\u00e7ou a fazer viagens de f\u00e9rias de trailer. N\u00f3s fomos a lugares bonitos como Clacton-on-Sea e Whitstable, no Reino Unido, mas a verdade \u00e9 que eu achava essas viagens deprimentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu chamava muita aten\u00e7\u00e3o. Sentia com frequ\u00eancia o olhar dos outros, porque n\u00e3o apenas eu geralmente era a \u00fanica pessoa negra no estacionamento de trailers, mas tamb\u00e9m porque era uma garotinha negra andando por a\u00ed com pais brancos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nasci em uma cl\u00ednica particular de Londres em 1983. Minha m\u00e3e biol\u00f3gica era uma mulher nigeriana de classe m\u00e9dia de 22 anos e solteira que decidiu me deixar sob os cuidados de uma &#8220;bab\u00e1&#8221; branca.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1646E\/production\/_104864219_gina.jpg\" alt=\"Gina Atinuke Knight quando era beb\u00ea\" width=\"976\" height=\"976\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Gina Atinuke tinha 11 meses quando sua m\u00e3e biol\u00f3gica colocou um an\u00fancio no jornal procurando uma &#8216;bab\u00e1&#8217; branca<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o era particularmente incomum que os pais nigerianos dos anos 1970 e 1980 deixassem os filhos sob os cuidados de bab\u00e1s brancas no Reino Unido enquanto voltavam para morar na Nig\u00e9ria.<\/p>\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-parrot\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso mostrava um certo status. Passava a imagem de que a crian\u00e7a estava morando na Inglaterra, sendo cuidada por uma bab\u00e1 branca e aprendendo ingl\u00eas brit\u00e2nico. Mas a realidade era muito menos glamourosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mor\u00e1vamos na casa das cuidadoras brancas com suas fam\u00edlias e, na melhor das hip\u00f3teses, ser\u00edamos tratados como um de seus pr\u00f3prios filhos. Mas essa pr\u00e1tica, conhecida como ado\u00e7\u00e3o privada, era completamente desregulamentada. H\u00e1, inclusive, algumas hist\u00f3rias de horror associadas a essa pr\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Minha m\u00e3e biol\u00f3gica colocou um an\u00fancio no jornal local procurando uma bab\u00e1 quando eu ainda era beb\u00ea &#8211; 11 meses, para ser precisa &#8211; e s\u00f3 fui v\u00ea-la de novo aos 6 anos.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/08C6\/production\/_104864220_womanandgina.jpg\" alt=\"Gina Atinuke Knight e sua m\u00e3e biol\u00f3gica\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"off-screen\">Image caption<\/span><span class=\"media-caption__text\">Gina Atinuke s\u00f3 voltou a ver a m\u00e3e biol\u00f3gica de novo aos seis anos<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um casal respondeu ao an\u00fancio. Eram pessoas comuns da classe trabalhadora do sul de Londres, os quais eu passaria a ver como pais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu era uma crian\u00e7a negra vivendo em South Norwood, \u00e1rea predominantemente negra, com meus pais brancos e seus dois filhos biol\u00f3gicos. Sempre tive consci\u00eancia de que nosso tom de pele era diferente, ent\u00e3o, nunca tive aquele clique: &#8220;Oh, eu sou negra e voc\u00eas s\u00e3o brancos!&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 claro que meus colegas da escola tinham d\u00favidas. &#8220;Aquele \u00e9 seu av\u00f4? Essa \u00e9 sua tia?&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/2FD6\/production\/_104864221_womanandgina.jpg\" alt=\"Gina Atinuke Knight e sua m\u00e3e adotiva\" width=\"976\" height=\"976\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">&#8216;Quando penso na minha m\u00e3e, sei que ela me amou&#8217;, diz Gina Atinuke sobre a m\u00e3e adotiva<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas as pessoas perguntavam mais por que meus pais eram muito velhos &#8211; e n\u00e3o sobre a quest\u00e3o racial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Minha melhor amiga da escola prim\u00e1ria era mesti\u00e7a, e sua m\u00e3e era uma mulher negra de pele escura. Eu amava passar o dia brincando com ela, mas acho que o que eu adorava mesmo era estar perto da m\u00e3e dela, que trabalhava na cidade e dirigia um jipe \u200b\u200brosa. Ent\u00e3o, ainda jovem, me agarrei a algu\u00e9m que era bem-sucedido e se parecia comigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se eu fosse uma crian\u00e7a hoje, morando com meus pais, as pessoas me perguntariam se eles se preocupavam com racismo. A resposta? N\u00e3o. Se eu estava bem vestida, alimentada e parecia feliz, eles achavam que estavam fazendo um bom trabalho em termos de cria\u00e7\u00e3o. Para ser honesta, n\u00e3o acho que foram capazes de olhar al\u00e9m das apar\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Minha m\u00e3e me deu de presente algumas bonecas negras e tentou incentivar amizades com outras garotas negras da minha rua durante toda a minha inf\u00e2ncia, mas nunca deu certo, porque eu queria escolher meus pr\u00f3prios amigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando penso na minha m\u00e3e, sei que ela me amou. Nunca vou me esquecer de quando ela foi at\u00e9 a minha escola depois que um professor sup\u00f4s que eu n\u00e3o sabia ler. Eu era t\u00edmida e introvertida no col\u00e9gio, mas ela ficou furiosa com a alega\u00e7\u00e3o injusta e falsa do meu professor. Nunca vou me esquecer disso, porque era o jeito dela de me proteger.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/4EC6\/production\/_104866102_ginabluedress.jpg\" alt=\"Gina Atinuke Knight quando era crian\u00e7a\" width=\"976\" height=\"976\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Diferentemente da m\u00e3e, Gina Atinuke conta que o pai adotivo &#8216;apenas tolerava sua presen\u00e7a&#8217;<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">&#8216;Teria sido mais barato sem algu\u00e9m&#8217;<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se ela ainda estivesse viva, tenho certeza de que teria sido uma av\u00f3 presente para minhas filhas e, como consequ\u00eancia, eu ainda teria contato com meu pai e irm\u00e3os mais velhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, meu pai apenas tolerava minha presen\u00e7a. Nas viagens de trailer, eram meus pais, minha irm\u00e3 e eu &#8211; meu irm\u00e3o era 18 anos mais velho. N\u00f3s quatro sa\u00edamos para comer fora, e meu pai fazia coment\u00e1rios como: &#8220;Teria sido mais barato sem algu\u00e9m&#8221;. O &#8220;algu\u00e9m&#8221; era eu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu estava sob os cuidados dele desde os 11 meses, e, a esta altura, ele e minha m\u00e3e eram meus guardi\u00f5es legais, logo, dizer isso era algo cruel. Eu tinha 21 anos quando minha m\u00e3e morreu e, desde ent\u00e3o, meu pai n\u00e3o fez nenhum esfor\u00e7o para entrar em contato ou mostrar que se importava comigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meu irm\u00e3o tamb\u00e9m deixou claro que n\u00e3o me via como parte da fam\u00edlia. Quando ele se casou, eu seria dama de honra, mas ele vetou, porque n\u00e3o queria que eu chamasse aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure class=\"media-portrait has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/75D6\/production\/_104866103_ginaearly20s.jpg\" alt=\"Gina Atinuke Knight aos 20 anos\" width=\"976\" height=\"1100\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">&#8216;Na idade adulta, comecei uma jornada pessoal para abra\u00e7ar minha identidade nigeriana&#8217;<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se eu pudesse voltar no tempo e escolher que tipo de vida teria, rejeitaria ser criada por pais brancos novamente. N\u00e3o gostaria de chegar em casa e me sentir diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso \u00e9 estranho, porque cresci em uma comunidade predominantemente negra, ent\u00e3o, eu me sentia inserida quando estava na rua. E uma alien\u00edgena da porta de casa para dentro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cheguei at\u00e9 a mudar meu nome para Gina &#8211; meu nome de nascen\u00e7a \u00e9 Atinuke. Queria me sentir parte da minha fam\u00edlia, que tinha nomes ingleses tradicionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando minha m\u00e3e biol\u00f3gica voltou a Londres para me visitar, eu n\u00e3o senti afinidade com ela, tampouco com aquela parte da minha fam\u00edlia. Eu lembro de quando tinha 13 anos, e minha m\u00e3e estava no norte de Londres, com amigos nigerianos por perto. Eles falavam comigo em iorub\u00e1 [idioma falado na Nig\u00e9ria] e, antes que eu pudesse abrir a boca, ela dizia: &#8220;Ela n\u00e3o sabe falar iorub\u00e1&#8221;.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/9CE6\/production\/_104866104_ginaandman.jpg\" alt=\"Gina Atinuke Knight com o tio\" width=\"976\" height=\"976\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>&#8216;Eu n\u00e3o me encaixava na minha fam\u00edlia nigeriana, tampouco na minha fam\u00edlia branca&#8217;<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela respondia rapidamente na esperan\u00e7a de preencher o sil\u00eancio. A verdade \u00e9 que ela sentia vergonha pelo fato de eu ser uma crian\u00e7a nigeriana, mas n\u00e3o entender ou ter conex\u00e3o com a cultura nigeriana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o compreender a l\u00edngua do meu pa\u00eds de origem, usar um penteado diferente do estilo dela e n\u00e3o ter medo de respond\u00ea-la. Estes eram sinais reveladores de que eu era mais brit\u00e2nica do que nigeriana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu n\u00e3o me encaixava na minha fam\u00edlia nigeriana, tampouco na minha fam\u00edlia branca. Olhando para tr\u00e1s, vejo que estava presa a uma crise intrincada de identidade. Isso tudo se deve \u00e0 minha m\u00e3e biol\u00f3gica e sua cren\u00e7a de que pessoas brancas eram mais adequadas para me criar.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Momento decisivo<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ensino m\u00e9dio, houve um momento decisivo para descobrir quem eu era e abra\u00e7ar minha negritude. Assim como na minha inf\u00e2ncia, gostava de estar perto de mulheres negras mais velhas e bem-sucedidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cada novo ano letivo, minha escola indicava mentores aos alunos. Quando tinha 14 anos, fui orientada por uma advogada negra chamada June. Ao crescer sem modelos femininos negros, me sentia limitada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que conseguiria alcan\u00e7ar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o via mulheres negras trabalhando com arte. N\u00e3o acreditava que mulheres negras pudessem ser editoras de revistas, porque n\u00e3o conhecia nenhuma. Mas June mudou meu pensamento. Passar um tempo com ela me deu a sensa\u00e7\u00e3o de que eu poderia fazer qualquer coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi o primeiro passo importante para come\u00e7ar a sentir orgulho de quem eu era e de quem gostaria de ser como uma jovem negra. O outro foi conhecer a pessoa que virou minha melhor amiga no ensino m\u00e9dio &#8211; e at\u00e9 hoje. Ela abriu meus olhos para um mundo diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na casa dela, conheci as belas e tradicionais comidas jamaicanas, como a fruta ackee, em vez de comer o bem-intencionado, mas desastroso, arroz jollof da minha m\u00e3e, feito com ketchup, em vez de piment\u00e3o vermelho e tomate-cereja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando chegou a TV a cabo, comecei a assistir a s\u00e9ries como\u00a0<i>Um Maluco no Peda\u00e7o<\/i>. Ver essa fam\u00edlia negra na televis\u00e3o passar por diferentes obst\u00e1culos na vida, de rela\u00e7\u00f5es amorosas ao racismo, me ofereceu outros modelos inspiradores, uma perspectiva diferente do que significa ser uma pessoa negra.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Conex\u00e3o profunda com meu cabelo crespo<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00e3o foram apenas os personagens que me ajudaram a ter orgulho de ser negra &#8211; logo troquei a revista em quadrinhos<i>\u00a0Bunty<\/i>\u00a0pela\u00a0<i>Black Hair<\/i>\u00a0e descobri uma conex\u00e3o profunda com meu cabelo crespo.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/C3F6\/production\/_104866105_ginayoung.jpg\" alt=\"Gina Atinuke Knight quando era crian\u00e7a\" width=\"976\" height=\"976\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">&#8216;Na inf\u00e2ncia, minha fam\u00edlia tinha dificuldade em lidar com meu cabelo&#8217;<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na inf\u00e2ncia, minha fam\u00edlia tinha dificuldade de lidar com meu cabelo. Minha irm\u00e3 tentava fazer duas tran\u00e7as grandes, mas meus pais cortavam meu cabelo extremamente curto e enchiam de gel. V\u00e1rias mulheres negras da rua chegaram a tentar consertar os erros cometidos pela minha fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na adolesc\u00eancia, comecei a aprender do zero como fazer meu cabelo sozinha. Descobri como fazer tran\u00e7as e penteados com meu cabelo natural e acabei obcecada com isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando falo sobre comidas, l\u00ednguas e outras partes da cultura negra, em particular a nigeriana, tenho consci\u00eancia de que estou recuperando o atraso cultural por n\u00e3o ter crescido com pais nigerianos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao conversar sobre cabelo com outra mulher negra, h\u00e1 sempre uma conex\u00e3o natural, ent\u00e3o, talvez n\u00e3o seja surpreendente que eu agora ganhe a vida como fabricante de perucas e blogueira no Instagram, onde publico fotos dos penteados e perucas que eu fa\u00e7o.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Identidade nigeriana<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na idade adulta, comecei uma jornada pessoal para abra\u00e7ar minha identidade nigeriana, me conectando com a espiritualidade africana e incorporando Atinuke, meu nome de nascen\u00e7a, como meu nome do meio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu gosto do meu nome agora e, sendo m\u00e3e de duas filhas, Freya e Florence, quero que elas se orgulhem do seu lado nigeriano. Quero que se orgulhem das suas origens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s vivemos em uma \u00e1rea predominantemente branca &#8211; e como elas s\u00e3o mesti\u00e7as, quero que abracem todos os aspectos de sua identidade.<\/p>\n<div class=\"social-embed\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"social-embed-post social-embed-instagram\">\n<div class=\"embed embed-instagram\">\n<div class=\"embed-region embed-core-hidden\" role=\"region\" aria-label=\"Instagram post de ginaatinukeknight\"><a class=\"off-screen jump-link\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-46632462#jump-linkhttps:\/\/www.instagram.com\/p\/BoreNH2jJcK\/\">Pule Instagram post de ginaatinukeknight<\/a><iframe id=\"instagram-embed-0\" class=\"instagram-media instagram-media-rendered\" src=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/BoreNH2jJcK\/embed\/captioned\/?cr=1&amp;v=12&amp;rd=https%3A%2F%2Fwww.bbc.com&amp;rp=%2Fportuguese%2Finternacional-46632462#%7B%22ci%22%3A0%2C%22os%22%3A27125.99999998929%7D\" height=\"976\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-instgrm-payload-id=\"instagram-media-payload-0\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p id=\"jump-linkhttps:\/\/www.instagram.com\/p\/BoreNH2jJcK\/\" class=\"off-screen\" tabindex=\"-1\">Final de Instagram post de ginaatinukeknight<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reconectei-me com minha m\u00e3e biol\u00f3gica na Nig\u00e9ria. N\u00e3o \u00e9 exatamente uma rela\u00e7\u00e3o de m\u00e3e e filha, mas ela disse que est\u00e1 orgulhosa de quem eu sou e da m\u00e3e que me tornei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recentemente, tenho pensado em abrir uma associa\u00e7\u00e3o de adultos negros que foram adotados de forma privada. A primeira vez que ouvi falar de algu\u00e9m que havia tido o mesmo tipo de cria\u00e7\u00e3o que eu foi aos 27 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meu companheiro, John, me deu de presente um livro chamado\u00a0<i>Preciosa\u00a0<\/i>(Record, 2010), sobre uma jovem negra criada por pais brancos. Quero que a gente fale mais sobre essas experi\u00eancias, porque, assim, talvez n\u00e3o me sentisse t\u00e3o isolada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 tantos adultos negros que viveram sua inf\u00e2ncia assim que deveria haver um espa\u00e7o dedicado a conversas interessantes e cat\u00e1rticas &#8211; seria muito positivo.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O depoimento foi dado \u00e0 jornalista Tobi Oredein.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>As fotos s\u00e3o cortesia de Gina Atinuke Knight.<\/i><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Quando eu tinha 8 ou 9 anos, minha fam\u00edlia come\u00e7ou a fazer viagens de f\u00e9rias de trailer. N\u00f3s fomos a lugares bonitos como Clacton-on-Sea e Whitstable, no Reino Unido, mas a verdade \u00e9 que eu achava essas viagens deprimentes.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":268617,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[2,6],"tags":[],"class_list":["post-268616","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/neguinha.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/268616","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=268616"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/268616\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/268617"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=268616"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=268616"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=268616"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}