{"id":269095,"date":"2019-01-04T06:06:50","date_gmt":"2019-01-04T09:06:50","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=269095"},"modified":"2019-01-04T06:06:50","modified_gmt":"2019-01-04T09:06:50","slug":"mudanca-de-sexo-em-ratos-para-compreender-por-que-as-mulheres-vivem-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/mudanca-de-sexo-em-ratos-para-compreender-por-que-as-mulheres-vivem-mais\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7a de sexo em ratos para compreender por que as mulheres vivem mais"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Um experimento mostra que o duplo cromossomo X prolonga a vida tanto de ratos com test\u00edculos como dos que t\u00eam ov\u00e1rios<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Daniel Mediavilla\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/daniel_mediavilla_gonzalez\/a\/\">DANIEL MEDIAVILLA<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/12\/19\/ciencia\/1545239193_744272_1546450542_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/12\/19\/ciencia\/1545239193_744272_1546450542_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/12\/19\/ciencia\/1545239193_744272_1546450542_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/12\/19\/ciencia\/1545239193_744272_1546450542_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Um homem e uma mulher sentados no centro de Sevilha.\" width=\"980\" height=\"550\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Um homem e uma mulher sentados no centro de Sevilha.<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">PACO PUENTES<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<section id=\"sumario_2|apoyos\" class=\"sumario_apoyos derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<div class=\"apoyos\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Em todo o mundo as\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/mujeres\">mulheres<\/a>\u00a0vivem mais que os homens, independentemente de sua cultura ou status socioecon\u00f4mico. Em casos extremos, como na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/rusia\">R\u00fassia<\/a>, a diferen\u00e7a chega a 12 anos. Por tr\u00e1s dessas diferen\u00e7as est\u00e1 a maior imprud\u00eancia dos homens a partir de certa idade. Durante os primeiros anos de vida, as causas de morte de meninos e meninas s\u00e3o doen\u00e7as semelhantes, mas, depois dos 10 anos, os acidentes de tr\u00e2nsito, afogamentos e, mais tarde, confrontos violentos provocam a morte de mais meninos. No entanto, mesmo quando se leva em considera\u00e7\u00e3o o maior\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/consumo_alcohol\">consumo de \u00e1lcool<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/tabaquismo\">tabaco<\/a>\u00a0ou a maior tend\u00eancia dos homens de se colocarem em risco, as mulheres s\u00e3o mais longevas.<\/p>\n<p>Essa diferen\u00e7a entre os sexos, compartilhada pela maioria dos animais, ainda \u00e9 um mist\u00e9rio. Segundo explica Manuel Collado, chefe do laborat\u00f3rio de Envelhecimento, C\u00e2ncer e C\u00e9lulas do Instituto de Pesquisa em Sa\u00fade de Santiago de Compostela (Idis), \u201cconsiderava-se que a disparidade estava relacionada aos horm\u00f4nios e g\u00f4nadas [test\u00edculos e ov\u00e1rios] e seus distintos efeitos no organismo&#8221;. De acordo com essa hip\u00f3tese, os horm\u00f4nios sexuais masculinos danificariam o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/sistema_inmunitario\">sistema imunol\u00f3gico<\/a>\u00a0e aumentariam o risco de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/enfermedades_cardiovasculares\">problemas cardiovasculares<\/a>, e os estudos com animais indicam que castrar os machos prolonga sua vida. Em humanos, esse efeito foi observado em indiv\u00edduos internados em institui\u00e7\u00f5es psiqui\u00e1tricas norte-americanas que foram submetidos ao procedimento.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|html\" class=\"sumario_html derecha\"><a name=\"sumario_1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\">Extirpar os test\u00edculos pode prolongar a vida, tanto em humanos como em animais<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Aqueles que foram submetidos a essa cirurgia viveram em m\u00e9dia 14 anos a mais. Foi constatado que quanto mais cedo os test\u00edculos fossem retirados, maior o efeito sobre a expectativa de vida. Em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0960982212007129\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">outro estudo com registros hist\u00f3ricos<\/a>, sobre a vida de eunucos da dinastia Joseon na Coreia, resultados semelhantes foram encontrados.<\/p>\n<p>Nessa busca para encontrar a fonte da longevidade feminina ou o tra\u00e7o masculino que encurta a vida, uma equipe de cientistas da Universidade da Calif\u00f3rnia em San Francisco desenvolveu um experimento engenhoso que acabou de ser publicado na revista\u00a0<em>Aging Cell<\/em>. Eles usaram ratos geneticamente id\u00eanticos que foram divididos em quatro grupos. De um lado, macho e f\u00eameas convencionais nos quais elas tinham dois cromossomos X e ov\u00e1rios e eles, um par XY e test\u00edculos, e, de outro, h\u00edbridos com o par de cromossomos X e test\u00edculos ou o par XY e ov\u00e1rios. Os ratos com dois cromossomos X e ov\u00e1rios foram os mais longevos, mas essa mesma combina\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m impediu a morte prematura daqueles que tinham test\u00edculos.<\/p>\n<p>A principal autora do artigo, a pesquisadora da UCSF Dena Dubal, reconhece que os cientistas ainda n\u00e3o compreendem o modo como o segundo cromossomo X reduz a mortalidade durante o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/envejecimiento_poblacion\">envelhecimento<\/a>, mas os resultados de sua pesquisa se somam a muitos outros que apontam o efeito protetor de um segundo cromossomo X.<\/p>\n<p>O cromossomo Y cont\u00e9m algumas dezenas de genes, como aqueles que fazem os test\u00edculos se desenvolverem e a barba crescer, mas nada aparentemente fundamental. O X tem centenas e todos os seres humanos precisam de pelo menos um para viver. Ter duas c\u00f3pias de uma ferramenta essencial para a sobreviv\u00eancia pode proteger contra os perigos da exist\u00eancia, incluindo ter uma muta\u00e7\u00e3o perniciosa no cromossomo X. No caso das f\u00eameas, a express\u00e3o do gene avariado se silencia e a c\u00f3pia do segundo cromossomo compensaria o defeito. J\u00e1 os machos sofreriam os efeitos do erro por n\u00e3o terem uma c\u00f3pia de seguran\u00e7a. No entanto, os autores n\u00e3o descartam a hip\u00f3tese oposta: que alguma atividade do cromossomo Y \u00e9 que seja a prejudicial.<\/p>\n<p>Dubal argumenta que a maior relev\u00e2ncia da figura materna na sobreviv\u00eancia da prole tamb\u00e9m pode favorecer o aumento de sua longevidade. &#8220;Quando voc\u00ea vive mais, pode garantir o bem-estar de sua prole e talvez at\u00e9 mesmo da prole de sua prole&#8221;, diz ela. Estudos como o seu podem come\u00e7ar a desvendar os mecanismos que explicam a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Algumas revis\u00f5es, como uma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC4932837\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">publicada por pesquisadores da Universidade do Alabama na revista\u00a0<em>Cell Metabolism<\/em><\/a>, em 2016, apontam para as propriedades antioxidantes e anti-inflamat\u00f3rias do estrog\u00eanio, um horm\u00f4nio feminino. Tanto a inflama\u00e7\u00e3o como o dano oxidativo t\u00eam sido associados ao envelhecimento na idade avan\u00e7ada e tamb\u00e9m se observou a capacidade dos estrog\u00eanios para reduzir o colesterol ruim, uma subst\u00e2ncia que aumenta o risco de problemas cardiovasculares.<\/p>\n<p>Junto com esses benef\u00edcios, a longevidade das mulheres tem uma contrapartida negativa. Embora vivam mais, parecem ter pior sa\u00fade que os homens. Dados de pa\u00edses avan\u00e7ados indicam que elas v\u00e3o mais ao m\u00e9dico, tomam mais medicamentos, perdem mais dias de trabalho por motivos de sa\u00fade e passam mais dias hospitalizadas. Uma possibilidade que poderia explicar esses dados \u00e9 que as mulheres prestam mais aten\u00e7\u00e3o a sua sa\u00fade e s\u00e3o menos relutantes em ir ao m\u00e9dico, mas algumas avalia\u00e7\u00f5es objetivas de bem-estar tamb\u00e9m obtiveram resultados piores para elas em pa\u00edses de todo o mundo, incluindo sociedades ind\u00edgenas como os\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/03\/17\/ciencia\/1489739772_713059.html\">tsimanes<\/a>, da Bol\u00edvia.<\/p>\n<p>Os estudos sobre os processos de envelhecimento, que querem entender a base das diferen\u00e7as de longevidade entre os sexos para aplicar as vantagens a todos, tamb\u00e9m tentar\u00e3o enfrentar esse paradoxo.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Junto com esses benef\u00edcios, a longevidade das mulheres tem uma contrapartida negativa. Embora vivam mais, parecem ter pior sa\u00fade que os homens. 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