{"id":269200,"date":"2019-01-05T08:59:14","date_gmt":"2019-01-05T11:59:14","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=269200"},"modified":"2019-01-05T08:59:14","modified_gmt":"2019-01-05T11:59:14","slug":"a-influencia-arabe-nos-predios-pernambucanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-influencia-arabe-nos-predios-pernambucanos\/","title":{"rendered":"A influ\u00eancia \u00e1rabe nos pr\u00e9dios pernambucanos"},"content":{"rendered":"<div class=\"col s12\">\n<section class=\"box-featured full-size header\">\n<h1><\/h1>\n<p><em><strong>Antes de virem \u00e0 Am\u00e9rica, portugueses e espanh\u00f3is foram dominados por mouros, os mu\u00e7ulmanos da pen\u00ednsula Ib\u00e9rica. Aprenderam com eles diversas solu\u00e7\u00f5es arquitet\u00f4nicas, como casas de portas e janela origin\u00e1rias do deserto. Ao colonizar o Brasil, replicaram o aprendizado em diversas cidades pernambucanas<\/strong><\/em><\/p>\n<div class=\"header-information\">\n<p>Por:\u00a0<strong class=\"responsible\">Paulo Trigueiro<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<div class=\"content\">\n<div class=\"col m6 l6 s12 medium-matler\">\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.folhape.com.br\/obj\/1\/309860,475,80,0,0,475,365,0,0,0,0.jpg\" alt=\"Casa de porta e janela \u00e9 arquitetura do deserto do Saara. Treli\u00e7as e telhas tr\u00edplices tamb\u00e9m t\u00eam origem na cultura isl\u00e2mica\" \/><\/p>\n<div class=\"caption\">Casa de porta e janela \u00e9 arquitetura do deserto do Saara. Treli\u00e7as e telhas tr\u00edplices tamb\u00e9m t\u00eam origem na cultura isl\u00e2mica<em>Foto: Rafael Furtado<\/em><\/div>\n<\/figure>\n<\/div>\n<p>Grande parte da\u00a0<strong>arquitetura\u00a0<\/strong>conhecida como portuguesa em\u00a0<strong>Pernambuco\u00a0<\/strong>\u00e9, na verdade, de origem\u00a0<strong>\u00e1rabe<\/strong>. Dos p\u00e1tios de convento at\u00e9 elementos como\u00a0<strong>azulejos\u00a0<\/strong>e\u00a0<strong>venezianas de madeira<\/strong>. Especificamente, a arte \u00e9 dos mouros. Foram os \u00e1rabes de regi\u00f5es diversas que tomaram e dominaram a pen\u00ednsula ib\u00e9rica por cerca de 700 anos.<\/p>\n<p>\u201cFicaram ali por mais tempo do que a idade do Brasil. Al\u00e9m disso, a reconquista total do territ\u00f3rio se deu justamente quando a Am\u00e9rica estava sendo descoberta pelos pa\u00edses ib\u00e9ricos: Portugal e Espanha, por isso a forte influ\u00eancia\u201d, explica o presidente do\u00a0<strong>Instituto de Arquitetura do Brasil em Pernambuco<\/strong>, Roberto Ghione. \u00c9 dos berberes, oriundos do deserto africano do Saara, a ideia de criar as casas estreitas de porta e janela vistas ainda hoje no S\u00edtio Hist\u00f3rico de Olinda, de acordo com o arquiteto Eduardo Pires.<\/p>\n<p>\u201cAquela \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o para evitar o vento do\u00a0<strong>deserto<\/strong>\u201d, conta. Elas s\u00e3o tamb\u00e9m encontradas nos centros de incont\u00e1veis cidades do Interior, como\u00a0<strong>Paudalho<\/strong>, na\u00a0<strong>Mata Norte<\/strong>, e\u00a0<strong>Pesqueira<\/strong>, no\u00a0<strong>Agreste<\/strong>. Solu\u00e7\u00f5es arquitet\u00f4nicas para al\u00e9m das casas conjugadas, contudo, ficaram limitadas \u00e0 elite. \u201cPodem ser vistas em casas senhoriais e nos claustros conventuais ordenados em torno de um p\u00e1tio central. S\u00e3o solu\u00e7\u00f5es om\u00edadas, que estiveram em\u00a0<strong>Portugal<\/strong>\u201d, explica Eduardo. \u201cA limita\u00e7\u00e3o ocorreu porque, apesar de terem dominado por muitos s\u00e9culos a regi\u00e3o onde est\u00e1 hoje a Espanha, o mesmo n\u00e3o ocorreu em\u00a0<strong>Portugal<\/strong>.\u201d Por serem dirigentes, influenciaram pr\u00e9dios de classes altas como a dos eclesi\u00e1sticos. A ordena\u00e7\u00e3o ao redor de um p\u00e1tio \u00e9 vista na casa grande do Engenho Massangana, atualmente abrigando um museu da Funda\u00e7\u00e3o Joaquim Nabuco, no Cabo de Santo Agostinho, RMR.<\/p>\n<div id=\"content-teadstv\" class=\"\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1530800188537-0\" data-google-query-id=\"CImOhpfL1t8CFQhswQod5MALbw\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1530800188537-0_ad_container\" data-google-container-id=\"f\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Os claustros, em conventos como o de Santo Ant\u00f4nio do Recife, na rua do Imperador. Ou no da Concei\u00e7\u00e3o, em Olinda. S\u00e3o v\u00e1rios. \u201cAssim com os muxarabis, os p\u00e1tios eram destinados especificamente para criar uma ventila\u00e7\u00e3o\u201d, ressaltou o historiador Leonardo Dantas Silva. No Convento de Santo Ant\u00f4nio de Igarassu, na Regi\u00e3o Metropolitana do Recife, al\u00e9m do p\u00e1tio e do coro alto da igreja, a porta do Museu Pinacoteca \u00e9 puramente moura, de acordo com o secret\u00e1rio de patrim\u00f4nio da cidade, Jorge Barreto.<\/p>\n<p>\u201cO convento \u00e9 do s\u00e9culo 17. Nessa \u00e9poca, Portugal estava expandindo o seu estilo barroco mundo afora. E os elementos\u00a0<strong>\u00e1rabes<\/strong>\u00a0ca\u00edam muito bem nesse contexto\u201d, explicou. O complexo padr\u00e3o que adorna a porta cria um jogo de luz e sombras t\u00edpico da arquitetura \u00e1rabe. Segundo Roberto Ghione, elementos como esse, relacionados com o conforto t\u00e9rmico e com a ilumina\u00e7\u00e3o foram os mais aproveitados pelos portugueses.<\/p>\n<p>\u201cO que existe de transpar\u00eancia e ventila\u00e7\u00e3o cruzada aqui, hoje, tem raiz \u00e1rabe.\u201d O arquiteto, argentino, mas morando h\u00e1 20 anos no Brasil, explica que o Nordeste brasileiro aproveitou os elementos vazados de uma forma diferente do resto da Am\u00e9rica colonizada pelos ib\u00e9ricos. \u201cEm lugares frios, a luz solar \u00e9 importante no inverno e os muxarabis, elementos de origem\u00a0<strong>\u00e1rabe<\/strong>, permitem que ela entre no ambiente. Mas aqui, quando se \u00e9 quente sempre, os beirais dos telhados s\u00e3o mais longos, para tentar sombrear as casas\u201d, conta.<\/p>\n<p>Os muxarabis que Ghione cita s\u00e3o treli\u00e7as de madeira, hoje conhecidos principalmente por estarem presentes em duas edifica\u00e7\u00f5es do S\u00edtio Hist\u00f3rico de Olinda. \u201cO Sobrado Mourisco \u00e9 tombado duas vezes em n\u00edvel nacional. Coletivamente, por fazer parte do conjunto arquitet\u00f4nico daquela parte da cidade e individualmente, por causa das evidentes caracter\u00edsticas mouras\u201c, explicou o coordenador do Museu do Homem do Nordeste, Frederico Almeida. No casario, o imperador Dom Pedro II ficou hospedado quando veio a Pernambuco em 1859. A varanda projetada para a rua, vistas tanto no Sobrado Mourisco quanto no n\u00famero 28 da rua do Amparo, tem rela\u00e7\u00e3o com a ideologia do isl\u00e3, de acordo com o especialista em conserva\u00e7\u00e3o Jorge Tinoco.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma forma de a mulher se manter no recato do lar enquanto acompanha o movimento de fora.\u201d As casas conjugadas de porta e janela, que Eduardo Pires explicou ter origem no deserto do Saara e que evitam o vento quente ou frio, tamb\u00e9m apresentam em suas plantas influ\u00eancia da pudic\u00edcia da cultura\u00a0<strong>\u00e1rabe<\/strong>\u00a0absorvida pelos portugueses. \u201cH\u00e1 sempre uma sala do tamanho da fachada. \u00c9 at\u00e9 onde as visitas s\u00e3o permitidas, principalmente homens. E \u00e9 onde as mulheres da casa n\u00e3o iam caso eles estivessem. Um corredor parte dessa sala e leva aos quartos e \u00e0 sala de viver, no fim da casa, onde os moradores realmente convivem, longe da rua. At\u00e9 o s\u00e9culo passado, o comportamento ainda era esse\u201d, comenta Tinoco.<\/p>\n<p>Dessas casas, o arquiteto ainda lembra das tr\u00edplices telhas. Aquelas que levaram \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do ad\u00e1gio popular \u201csem eira nem beira\u201d. \u201cS\u00e3o caracter\u00edsticas mouras e exigem uma t\u00e9cnica complexa. Ent\u00e3o, quem n\u00e3o tinha recursos financeiros n\u00e3o poderia pagar por uma m\u00e3o de obra especializada que constru\u00edsse a eira, a beira e a tribeira.\u201d<\/p>\n<h3>Reinven\u00e7\u00f5es<\/h3>\n<p>Solu\u00e7\u00f5es e elementos arquitet\u00f4nicos \u00e1rabes foram transmutados com o tempo e se apresentam em Pernambuco. \u201cNo fim do s\u00e9culo 19, houve um per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o na arquitetura conhecido como ecl\u00e9tico. Muita coisa se misturou at\u00e9 que o modernismo chegasse. O neo\u00e1rabe foi um dos resultados dessa \u00e9poca. No Recife, temos o que pode ser a forma mais evidente de influ\u00eancia\u00a0<strong>\u00e1rabe<\/strong>, que \u00e9 o casar\u00e3o onde hoje funciona o col\u00e9gio GGE, na rua Benfica. O formato em arco das portas e janelas s\u00e3o caracter\u00edsticas fortes dessa arquitetura\u201d, explica Frederico Almeida, ex-superintendente do Iphan em Pernambuco.<\/p>\n<p>O cobog\u00f3, inven\u00e7\u00e3o pernambucana do modernismo, tamb\u00e9m foi embebido do conhecimento mouro. \u201cFoi criado no s\u00e9culo 20 e \u00e9 muxarabi transformado para o clima tropical. Segue-se tamb\u00e9m a quest\u00e3o da luz e das sombra que elas causam. Venezianas de madeira, de forma an\u00e1loga, tamb\u00e9m est\u00e3o relacionadas com os\u00a0<strong>\u00e1rabes<\/strong>. E n\u00f3s projetamos muito com elas\u201d, conta Roberto Ghione.<\/p>\n<p>Os azulejos, mesmo os que conhecemos como portugueses, s\u00e3o reinven\u00e7\u00f5es dos levados \u00e0 pen\u00ednsula ib\u00e9rica pelos mouros. O nome, inclusive, n\u00e3o vem do comum azul, como se pode imaginar, mas do \u00e1rabe \u201cAl Zuleycha\u201d (pequena pedra polida). Na Bas\u00edlica do Carmo, uma c\u00fapula abobadada repleta de azulejos \u00e9 comparada por Frederico Almeida com um tapete persa. \u201cVoc\u00ea olha e lembra logo dos pa\u00edses \u00e1rabes.\u201d<\/p>\n<div class=\"col m12 l12 s12 container-slider\">\n<div class=\"container-thumbnail\">\n<div id=\"carousel-thumbnails\" class=\"carousel-thumbnails owl-carousel owl-theme owl-loaded\">\n<div class=\"owl-stage-outer\">\n<div class=\"owl-stage\">\n<div class=\"owl-item active cycle-pager-active\">\n<div class=\"item\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"cycle-slideshow\" style=\"margin: 0px; padding: 0px; border: 0px; font-size: 14px; vertical-align: baseline; background: transparent; outline: 0px; position: relative;\" data-cycle-fx=\"fade\" data-cycle-timeout=\"0\" data-cycle-pager=\"#carousel-thumbnails .owl-stage\" data-cycle-pager-template=\"\" data-cycle-slides=\"&gt; div\" data-cycle-prev=\".prev\" data-cycle-next=\".next\">\n<div class=\"item cycle-slide cycle-sentinel\">\n<div class=\"caption\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"item cycle-slide cycle-slide-active\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.folhape.com.br\/obj\/1\/309860,930,80,0,0,930,560,0,0,0,0.jpg\" alt=\"Casa de porta e janela \u00e9 arquitetura do deserto do Saara. Treli\u00e7as e telhas tr\u00edplices tamb\u00e9m t\u00eam origem na cultura isl\u00e2mica\" \/><\/p>\n<div class=\"caption\">Casa de porta e janela \u00e9 arquitetura do deserto do Saara. Treli\u00e7as e telhas tr\u00edplices tamb\u00e9m t\u00eam origem na cultura isl\u00e2mica<em>Foto: Rafael Furtado<\/em><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"item cycle-slide\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.folhape.com.br\/obj\/1\/309861,930,80,0,0,930,560,0,0,0,0.jpg\" alt=\"Os populares cobog\u00f3s s\u00e3o inven\u00e7\u00e3o pernambucana inspirada nos elementos vazados \u00e1rabes\" \/><\/p>\n<div class=\"caption\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"col s12\">\n<div class=\"share-mattler\">\n<div class=\"row mb-none\">\n<div class=\"col l6 m6 s12\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes de virem \u00e0 Am\u00e9rica, portugueses e espanh\u00f3is foram dominados por mouros, os mu\u00e7ulmanos da pen\u00ednsula Ib\u00e9rica. Aprenderam com eles diversas solu\u00e7\u00f5es arquitet\u00f4nicas, como casas de portas e janela origin\u00e1rias do deserto. 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