{"id":269499,"date":"2019-01-08T05:49:45","date_gmt":"2019-01-08T08:49:45","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=269499"},"modified":"2019-01-08T05:49:45","modified_gmt":"2019-01-08T08:49:45","slug":"o-gargalo-bilionario-do-setor-portuario-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-gargalo-bilionario-do-setor-portuario-brasileiro\/","title":{"rendered":"O gargalo bilion\u00e1rio do setor portu\u00e1rio brasileiro"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>De acordo com entidade que representa o setor portu\u00e1rio, 15 bilh\u00f5es de reais em investimentos est\u00e3o suspensos devido aos entraves burocr\u00e1ticos<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de M. Rossi\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/marina_rossi_fernandes\/a\/\">M. ROSSI<\/a><\/span><\/p>\n<div class=\"autor-perfiles\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"articulo-datos\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<figure class=\"foto centro foto_w980\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/31\/nordeste_vizinho\/1535725850_372563_1535726021_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/31\/nordeste_vizinho\/1535725850_372563_1535726021_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/31\/nordeste_vizinho\/1535725850_372563_1535726021_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2018\/08\/31\/nordeste_vizinho\/1535725850_372563_1535726021_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Vista de parte do porto do Complexo de Suape. \" width=\"980\" height=\"579\" \/><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Vista de parte do porto do Complexo de Suape.\u00a0<\/span><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">RAFA MEDEIROS \/ DIVULGA\u00c7\u00c3O<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao completar 40 anos, o Complexo Portu\u00e1rio de Suape aproxima-se da maturidade, mas n\u00e3o da independ\u00eancia. Assim como os demais portos p\u00fablicos brasileiros, o porto pernambucano, o 4\u00ba maior do pa\u00eds em movimenta\u00e7\u00e3o de carga, tem enfrentado quest\u00f5es inerentes ao setor portu\u00e1rio, que reclama, principalmente, dos\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2014\/04\/05\/economia\/1396653844_452340.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">entraves criados pela Lei dos Portos (Lei 12.815)<\/a>. Em vigor desde 2013, a legisla\u00e7\u00e3o estabeleceu, dentre outras medias, novos crit\u00e9rios para terminais de movimenta\u00e7\u00e3o de carga em portos p\u00fablicos. Desde ent\u00e3o, ficou nas m\u00e3os do Governo Federal e da Ag\u00eancia Nacional de Transportes Aquavi\u00e1rios (Antaq), e n\u00e3o mais das administradoras portu\u00e1rias, a tarefa de firmar os contratos e arrendamentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9 Di Bella, diretor-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Terminais Portu\u00e1rios (ABTP), explica que essa centraliza\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es \u00e9 o principal entrave para os investimentos no setor. &#8220;Vivemos hoje um paradoxo: existe uma demanda de carga crescente, uma demanda por renova\u00e7\u00e3o dos parques portu\u00e1rios, pois hoje temos navios maiores, e, com isso, uma necessidade de atualiza\u00e7\u00e3o do sistema portu\u00e1rio&#8221;, diz. &#8220;Mas, ao mesmo tempo, h\u00e1 dificuldade em conseguir autoriza\u00e7\u00e3o para fazer esse investimento&#8221;, afirma. De acordo com ele, para a iniciativa privada arrendar um terminal em um porto p\u00fablico, a demora chega a levar quatro anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa realidade tem sido vivida por Suape tamb\u00e9m. Carlos Vilar, presidente da companhia, diz que com a Lei dos Portos em vigor, a empresa perdeu cinco anos com a demora na licita\u00e7\u00e3o do segundo terminal de cont\u00eaineres. \u201cIsso fez com que as companhias buscassem pelos terminais privados\u201d, diz. \u201cA centraliza\u00e7\u00e3o dos processos licitat\u00f3rios prejudica muito todos os portos\u201d. O investimento estimado para esse segundo terminal \u00e9 de cerca de 1 bilh\u00e3o de reais, que est\u00e1 suspenso at\u00e9 que os tr\u00e2mites sejam finalizados. No \u00e2mbito nacional, Di Bella calcula que 15 bilh\u00f5es de reais em investimentos estejam suspensos por causa das burocracias firmadas pela legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a expectativa de que o Governo de Jair Bolsonaro possa mudar esse cen\u00e1rio, ainda durante a elei\u00e7\u00e3o a entidade entregou um documento aos principais\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/elecciones_brasil_2018\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">candidatos \u00e0 presid\u00eancia<\/a>\u00a0pontuando os mais importantes entraves do setor. &#8220;Noventa e cinco por cento das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras passam pelos portos&#8221;, diz Di Bella. &#8220;A efici\u00eancia do setor portu\u00e1rio est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 efici\u00eancia econ\u00f4mica do pa\u00eds&#8221;. No documento, foram apontados como t\u00f3picos principais a redu\u00e7\u00e3o do excesso de normas e interveni\u00eancias, e a adequada aplica\u00e7\u00e3o de recursos para a infraestrutura de acesso aos portos \u2013 rodovias, hidrovias e ferrovias e seus canais de navega\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o setor pede &#8220;seguran\u00e7a&#8221; para implementar os avan\u00e7os da Lei dos Portos. &#8220;Se voc\u00ea tem um marco regulat\u00f3rio que est\u00e1 em constante mudan\u00e7a, voc\u00ea sempre tem que dar um passo atr\u00e1s para entender essas mudan\u00e7as antes de fazer qualquer investimento&#8221;, explica Di Bella.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">No trilho do trem<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em maio de 2018, o Complexo de Suape, \u00e0s margens da rodovia PE-60 tornou-se o epicentro da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/c\/ed4208a33fac79e914dacddcd0dd5ac7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">greve dos caminhoneiros<\/a>, que em seu auge deixou postos sem combust\u00edvel e alguns supermercados desabastecidos de determinados produtos. Na \u00e9poca, a paralisa\u00e7\u00e3o suscitou uma velha discuss\u00e3o: o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/07\/30\/politica\/1438262981_380956.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">investimento em ferrovias<\/a>\u00a0para acabar com a depend\u00eancia de um s\u00f3 meio de distribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m da greve e da depend\u00eancia das estradas, o investimento em ferrovias \u00e9, na vis\u00e3o do presidente de Suape, item de primeira necessidade para que os portos consigam se desenvolver. \u201cO Brasil precisa olhar para as ferrovias antes at\u00e9 do que olhar para os portos\u201d, diz Vilar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para ele, a retomada da constru\u00e7\u00e3o da ferrovia Transnordestina, que foi projetada para ligar o Porto de Pec\u00e9m, no Cear\u00e1, a Suape, \u00e9 fundamental para que o complexo possa se expandir. \u201cSem ferrovia, o Porto de Suape n\u00e3o vai conseguir implantar os grandes projetos estruturadores\u201d, diz. Em uma conta de cabe\u00e7a, Vilar afirma que somente em min\u00e9rio e gr\u00e3os, Suape poderia produzir 10 milh\u00f5es de toneladas a mais de cada um, por ano, se houvesse por onde escoar essa produ\u00e7\u00e3o. Hoje, a movimenta\u00e7\u00e3o total do porto \u00e9 de 23 milh\u00f5es de toneladas ao ano. \u201cN\u00e3o produz mais porque n\u00e3o h\u00e1 como transportar\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da espera pelo poder p\u00fablico solucionar entraves, o economista Jorge Jatob\u00e1, s\u00f3cio-diretor da Consultoria Econ\u00f4mica e Planejamento (Ceplan) de Pernambuco, aponta uma quest\u00e3o interna para a retomada de Suape. \u201cSuape tem problemas de custos. Ainda \u00e9 caro\u201d, diz. \u201cEst\u00e1 bem localizado, Pernambuco tem fronteira com cinco Estados, o complexo fica perto do aeroporto do Recife, mas \u00e9 preciso reduzir os custos de opera\u00e7\u00e3o e com pessoal\u201d, afirma. Ele pondera, por\u00e9m, que o alto custo \u00e9 uma caracter\u00edstica dos portos brasileiros de maneira geral. Por isso, o economista acredita que Suape n\u00e3o sofre sozinho, entrando na onda da crise econ\u00f4mica que acomete o pa\u00eds. \u201cSuape est\u00e1 passando por momentos de dificuldade, assim como a economia do pa\u00eds todo, mas continua sendo um polo econ\u00f4mico important\u00edssimo para o Estado\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2017, apesar da crise, o Porto de Suape registrou seu maior movimento de cargas da hist\u00f3ria, crescendo 4,6% e ficando em quatro lugar entre os portos p\u00fablicos brasileiros, atr\u00e1s do Rio Grande, Paranagu\u00e1, Itagua\u00ed e Santos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O crescimento de Suape contribuiu com a retomada da economia do Estado. Depois do tombo de 2016, quando Pernambuco registrou retra\u00e7\u00e3o de 4,2% no PIB, maior que a queda de 3,6% do Brasil, no ano passado o Estado cresceu 2% no ano passado, frente 1% do Brasil. Os n\u00fameros positivos colocam Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho, cidades que abrigam a maior parte do Complexo, entre os maiores PIBs do Estado, atr\u00e1s somente da capital Recife e de Jaboat\u00e3o dos Guararapes.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em maio de 2018, o Complexo de Suape, \u00e0s margens da rodovia PE-60 tornou-se o epicentro da\u00a0greve dos caminhoneiros, que em seu auge deixou postos sem combust\u00edvel e alguns supermercados desabastecidos de determinados produtos. 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