{"id":269634,"date":"2019-01-09T08:37:04","date_gmt":"2019-01-09T11:37:04","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=269634"},"modified":"2019-01-09T08:37:04","modified_gmt":"2019-01-09T11:37:04","slug":"e-possivel-provocar-ou-evitar-a-chuva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/e-possivel-provocar-ou-evitar-a-chuva\/","title":{"rendered":"\u00c9 poss\u00edvel provocar ou evitar a chuva?"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\">Este \u00e9 um antigo sonho de agricultores e da popula\u00e7\u00e3o das grandes cidades sufocadas pelo calor<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \">\n<figure class=\"foto superior foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/12\/28\/eps\/1545994374_994381_1545994705_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/12\/28\/eps\/1545994374_994381_1545994705_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/12\/28\/eps\/1545994374_994381_1545994705_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/elpais\/imagenes\/2018\/12\/28\/eps\/1545994374_994381_1545994705_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"lluvia\" width=\"980\" height=\"544\" \/><\/p>\n<div class=\"seedtag-gohan seedtag-adunit st-in-image\">\n<div class=\"st-container\"><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">ILUSTRACI\u00d3N DE SE\u00d1OR SALME<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p>Uma das lendas mais consolidadas no nosso meio rural (e no urbano tamb\u00e9m!) \u00e9 que quando h\u00e1 nuvens v\u00eam uns avi\u00f5ezinhos e as roubam para que n\u00e3o chova. Na verdade, chegamos a ver manifesta\u00e7\u00f5es e Prefeituras organizando abaixo-assinados para parar com isso na Espanha. Quem quer roubar a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/lluvia\">chuva<\/a>? Aqui h\u00e1 diferentes teorias, cada uma mais peculiar que a outra. O mais t\u00edpico \u00e9 culpar o povoado vizinho, que quer a chuva para si, ou os produtores de outros cultivos\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/agricultura\">agr\u00edcolas<\/a>, cujas safras seriam prejudicadas pelas chuvas na \u00e9poca da colheita. H\u00e1 teorias mais elaboradas que culpam as companhias de seguros, que tentariam evitar precipita\u00e7\u00f5es de granizo para n\u00e3o precisar pagar indeniza\u00e7\u00f5es. Alguma destas afirma\u00e7\u00f5es tem base?<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"CI_d0rrN4N8CFaZuwQodT68HjA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/ciencia\/intext_0__container__\"><iframe id=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/ciencia\/intext_0\" title=\"3rd party ad content\" name=\"google_ads_iframe_\/7811748\/elpais_web\/brasil\/ciencia\/intext_0\" width=\"1\" height=\"1\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" data-google-container-id=\"9\" data-load-complete=\"true\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p>Devemos ao meteorologista Lorenz a afirma\u00e7\u00e3o de que o bater de asas de uma borboleta na\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/costa_rica\">Costa Rica<\/a>\u00a0pode ocasionar um tornado no Texas. O que ele queria expressar nesta frase \u00e9 que a atmosfera \u00e9 um sistema t\u00e3o complexo que seu comportamento \u00e9 ca\u00f3tico, e por isso as previs\u00f5es falham tanto. Se \u00e9 complicado saber que tempo vai fazer, manipul\u00e1-lo \u00e9 muito dif\u00edcil, mas n\u00e3o imposs\u00edvel. Tratar de controlar o tempo atmosf\u00e9rico tem sido uma constante da civiliza\u00e7\u00e3o, embora durante mil\u00eanios tudo o que se podia fazer eram oferendas ou preces a diferentes deuses e santos. No come\u00e7o do s\u00e9culo XIX, o norte-americano James Espy foi o primeiro em observar que as nuvens se formam quando o ar quente sobe para camadas altas da atmosfera e, ao encontrar ar frio, o vapor de \u00e1gua ali contido se condensa e forma as nuvens.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|html\" class=\"sumario_html izquierda\"><a name=\"sumario_2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\"><i>Em 1946, o pr\u00eamio Nobel Langmuir polvilhou gelo seco numa nuvem e conseguiu faz\u00ea-la chover, mas a \u00e1gua n\u00e3o chegou ao ch\u00e3o<\/i><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Anos depois, o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/premios_nobel\">pr\u00eamio Nobel<\/a>\u00a0Irving Langmuir descobriu poderia produzir chuva pulverizando gelo seco entre as nuvens. Em 13 de novembro de 1946 conseguiu que, ao aspergir gelo seco numa nuvem, esta se condensasse e chovesse, embora a \u00e1gua n\u00e3o tenha chegado ao ch\u00e3o. Evaporou pelo caminho, mas sem d\u00favida foi a primeira chuva artificial. O segundo teste, em 20 de dezembro do mesmo ano, teve mais sucesso. Pouco depois de\u00a0<em>semear<\/em>\u00a0as nuvens, caiu uma nevada de 20 cent\u00edmetros que causou inumer\u00e1veis problemas no Estado de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/nueva_york\">Nova York<\/a>. Apesar de ele ter reivindicado o feito, a General Electric, companhia para a qual trabalhava, obrigou-o a assinar uma declara\u00e7\u00e3o negando qualquer responsabilidade, para evitar uma avalanche de a\u00e7\u00f5es judiciais. De todo modo, \u00e9 prov\u00e1vel que o sucesso de Langmuir n\u00e3o tenha sido tamanho, j\u00e1 que a tempestade havia sido prevista pelos meteorologistas.<\/p>\n<p>Langmuir continuou investigando seu m\u00e9todo e chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que o iodeto de prata funcionava melhor que o gelo seco. Entretanto, sua companhia n\u00e3o quis saber dessas experi\u00eancias. J\u00e1 o Ex\u00e9rcito dos\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/estados_unidos\">Estados Unidos<\/a>\u00a0o acolheu com interesse, e l\u00e1 ele trabalhou at\u00e9 1952. Apesar de Langmuir ter atribu\u00eddo feitos not\u00e1veis a si pr\u00f3prio, como provocar chuvas torrenciais no Novo M\u00e9xico, a maioria desses fen\u00f4menos podiam ser explicados por causas naturais, por isso o projeto foi esquecido\u2026 at\u00e9 a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/guerra_vietnam\">guerra do Vietn\u00e3<\/a>.<\/p>\n<p>O Vietn\u00e3 \u00e9 uma selva chuvosa, e os norte-americanos perceberam que os vietcongs utilizavam uma rede de trilhas florestais para abastecer seu ex\u00e9rcito. Se conseguissem intensificar as chuvas, essas trilhas se tornariam intransit\u00e1veis. Com essa finalidade foi criado o projeto Popeye. Foram realizados 2.602 voos e 47.409 descargas de iodeto de prata para estimular a a\u00e7\u00e3o das mon\u00e7\u00f5es sobre as trilhas dos Vietcongs. O vazamento dos famosos\u00a0<em>Pap\u00e9is do Pent\u00e1gono<\/em>\u00a0levou ao arquivamento do projeto. O custo superou os 20 milh\u00f5es de d\u00f3lares da \u00e9poca, e o resultado foi t\u00e3o p\u00edfio que n\u00e3o ficou claro se os Vietcongs chegaram a notar que chovia um pouco a mais. Essas t\u00e9cnicas continuaram sendo usadas pontualmente, como quando a URSS buscou impedir que nuvens carregadas de radioatividade de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/chernobil\">Chernobil<\/a>\u00a0chegassem a Moscou, ou quando a China semeou nuvens para que a chuva n\u00e3o atrapalhasse a abertura dos Jogos Ol\u00edmpicos de 2008. Entretanto, o custo \u00e9 muito alto, e os resultados, rid\u00edculos. Portanto, quando faltar chuva n\u00e3o culpe os avi\u00f5ezinhos, e sim o clima ou, se voc\u00ea for crente, o santo padroeiro da localidade.,<\/p>\n<p>No Brasil a responsabilidade de fazer chover quando necess\u00e1rio recai sobre a Funda\u00e7\u00e3o Cacique Cobra Coral, que leva o nome da entidade ind\u00edgena da umbanda. Ela j\u00e1 manteve contrato com v\u00e1rios estados e munic\u00edpios para ajudar a encher reservat\u00f3rios em \u00e9poca de seca, ou ent\u00e3o para limpar o c\u00e9u e permitir que eventos ocorram sem contratempos. A prefeitura do Rio de Janeiro, por exemplo, contratou a Funda\u00e7\u00e3o em 2009 para evitar que as chuvas atrapalhassem os fogos de ano novo em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/copacabana\">Copacabana<\/a>.<\/p>\n<h3>Fracasso com furac\u00f5es<\/h3>\n<p>No Ex\u00e9rcito dos Estados Unidos, Langmuir foi respons\u00e1vel pelo projeto Cirrus, que buscava neutralizar os furac\u00f5es que a\u00e7oitam o Caribe e o sul dos Estados Unidos. A ideia era semear as nuvens pr\u00f3ximas ao olho do furac\u00e3o para que se formasse gelo, e que este dispersasse o calor do furac\u00e3o e assim reduzisse a intensidade do vento. Em 13 de outubro de 1947 foi feito um teste com o furac\u00e3o King, que j\u00e1 estava morrendo no Atl\u00e2ntico. Entretanto, ap\u00f3s ser\u00a0<em>semeado<\/em>\u00a0o furac\u00e3o mudou de trajet\u00f3ria, ganhou for\u00e7a e assolou a cidade de Savannah, na Ge\u00f3rgia. \u00c9 pouco prov\u00e1vel que isto se devesse \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que, para a sorte de Langmuir, em 1906 outro furac\u00e3o tinha seguido uma trajet\u00f3ria similar \u00e0 do King.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das lendas mais consolidadas no nosso meio rural (e no urbano tamb\u00e9m!) \u00e9 que quando h\u00e1 nuvens v\u00eam uns avi\u00f5ezinhos e as roubam para que n\u00e3o chova. Na verdade, chegamos a ver manifesta\u00e7\u00f5es e Prefeituras organizando abaixo-assinados para parar com isso na Espanha. Q<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":266226,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[6,11],"tags":[],"class_list":["post-269634","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-municipios","category-regional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/chuva2.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/269634","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=269634"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/269634\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/266226"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=269634"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=269634"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=269634"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}