{"id":270656,"date":"2019-01-19T12:12:27","date_gmt":"2019-01-19T15:12:27","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=270656"},"modified":"2019-01-19T12:12:27","modified_gmt":"2019-01-19T15:12:27","slug":"o-futuro-da-carne-vermelha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-futuro-da-carne-vermelha\/","title":{"rendered":"O futuro da carne vermelha"},"content":{"rendered":"<div class=\"col s12\">\n<section class=\"box-featured full-size header\">\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"header-information\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>Por:\u00a0<strong class=\"responsible\">Paulo Trigueiro<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<div class=\"content\">\n<div class=\"col m6 l6 s12 medium-matler\" style=\"text-align: justify;\">\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.folhape.com.br\/obj\/1\/311727,475,80,0,0,475,365,0,0,0,0.jpg\" alt=\"Para produzir 100 gramas de prote\u00ednas de um bife pode ser necess\u00e1rio mais de 120 m\u00b2 de terra em um ano\" \/><\/p>\n<div class=\"caption\">Para produzir 100 gramas de prote\u00ednas de um bife pode ser necess\u00e1rio mais de 120 m\u00b2 de terra em um ano<em>Foto: Anderson Stevens<\/em><\/div>\n<\/figure>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se n\u00e3o diminuirmos nosso consumo de\u00a0<strong>carne<\/strong>\u00a0<strong>vermelha<\/strong>, n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel alimentar a popula\u00e7\u00e3o mundial de 2050, estimada em 10 bilh\u00f5es. E esta n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica condi\u00e7\u00e3o. Ainda \u00e9 preciso diminuir o<strong>desperd\u00edcio\u00a0<\/strong>e tornar as terras agr\u00edcolas mais eficientes. Tamb\u00e9m a\u00a0<strong>escassez<\/strong>\u00a0n\u00e3o ser\u00e1 a \u00fanica consequ\u00eancia, j\u00e1 que a produ\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong>gado<\/strong>\u00a0de corte lan\u00e7a Gases de Efeito Estufa em excesso e utiliza hectares de terra em demasia. Uma\u00a0<strong>pesquisa<\/strong>\u00a0lan\u00e7ada pelo Instituto Mundial de Recursos (WRI) no \u00faltimo m\u00eas detalha o panorama e seus pesquisadores mostram como \u00e9 poss\u00edvel reverter o quadro.<\/p>\n<p>De acordo com a vice-presidente do WRI, Janet Ranganathan, precisar\u00edamos aumentar em 56% a\u00a0<strong>produ\u00e7\u00e3o de alimentos<\/strong>mundial. \u201cSe n\u00e3o fecharmos essa conta, os pobres s\u00e3o os que mais sofrer\u00e3o. Porque o pre\u00e7o da\u00a0<strong>comida<\/strong>\u00a0vai inflacionar muito\u201d, previu. O problema \u00e9 complexo principalmente porque essa expans\u00e3o precisa acontecer sem aumentar a quantidade de terras reservadas \u00e0\u00a0<strong>produ\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0de\u00a0<strong>comida<\/strong>. \u201cN\u00e3o podemos trocar as savanas e florestas que restaram por terras agr\u00edcolas. Perder\u00edamos a pouca biodiversidade que h\u00e1 hoje e emitir\u00edamos mais g\u00e1s carb\u00f4nico\u201d.<\/p>\n<div id=\"content-teadstv\" class=\"\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1530800188537-0\" data-google-query-id=\"CI-N9bqQ-t8CFQtkwQodr9sPSA\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1530800188537-0_ad_container\" data-google-container-id=\"f\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Os Gases de Efeito Estufa (GEE) precisam ser reduzidos em dois ter\u00e7os para que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica seja menor que dois graus Celsius. \u201cTodos sofreremos, mas os pobres ser\u00e3o especialmente atingidos\u201d, conclui a especialista. Para produzir 100 gramas de prote\u00ednas de um bife de\u00a0<strong>carne<\/strong>\u00a0bovina pode ser necess\u00e1rio mais de 120 metros quadrados de terra em um ano. Os mesmos 100 gramas de\u00a0<strong>prote\u00ednas<\/strong>\u00a0obtidos de ovos ou aves de capoeira, n\u00e3o se precisa nem de 10 metros quadrados, de acordo com pesquisas do mestre em Economia da Terra pela Universidade de Cambridge Joseph Poore.<\/p>\n<p>Fazendas de\u00a0<strong>crust\u00e1ceos<\/strong>\u00a0tamb\u00e9m ocupam pouqu\u00edssimo espa\u00e7o para produzir 100 gramas de<strong>\u00a0prote\u00ednas<\/strong>, menos at\u00e9 que nozes e legumes. Contudo, s\u00e3o campe\u00e3s, junto com o gado de corte, em emiss\u00e3o de GEE. \u201cO desafio \u00e9 t\u00e3o grande que precisamos de uma abordagem integrada entre consumidores, produtores e os respons\u00e1veis por criar pol\u00edticas p\u00fablicas. Individualmente, a escolha do que voc\u00ea come faz muita diferen\u00e7a. Em geral, quanto menos\u00a0<strong>carne e latic\u00ednios<\/strong>\u00a0voc\u00ea comer, menor a sua \u2018pegada ecol\u00f3gica\u2019, que \u00e9 quanto de \u00e1gua e terra voc\u00ea precisa usar para viver. Comer mais feij\u00e3o, legumes, tofu e nozes reduzem significativamente seu impacto\u201d, analisou Poore.<\/p>\n<p>De acordo com o professor de Nutri\u00e7\u00e3o da Universidade de Oxford, Pete Scarborough, a\u00a0<strong>carne<\/strong>\u00a0nem sempre \u00e9 necess\u00e1ria. \u201cEla pode ser uma fonte \u00fatil de prote\u00ednas e nutrientes para uma pessoa que est\u00e1 desnutrida. Mas quando comparamos alimenta\u00e7\u00e3o balanceada, vegetarianos t\u00eam melhor sa\u00fade cardiovascular que as pessoas que comem carne, o que sugere que n\u00e3o precisamos de carne para sermos saud\u00e1veis\u201d, argumentou. Mesmo assim, nem ele nem qualquer outro especialista sugere que a carne seja exclu\u00edda do card\u00e1pio. Apenas que seja menos consumida<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Alimentos alternativos podem suprir car\u00eancias<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de diminuir a pegada ecol\u00f3gica, quem decide reduzir a quantidade de\u00a0<strong>carne<\/strong>\u00a0bovina ter\u00e1 uma sa\u00fade melhor, caso seja orientado por um nutricionista. \u00c9 poss\u00edvel ingerir os nutrientes essenciais existentes em um\u00a0<strong>bife<\/strong>\u00a0por meio de outros alimentos. A mudan\u00e7a de h\u00e1bito reduz o colesterol, a incid\u00eancia de doen\u00e7as cardiovasculares e de c\u00e2ncer, melhora a absor\u00e7\u00e3o de vitaminas e minerais pelo organismo. Por fim, ainda melhora a imunidade. As vantagens s\u00e3o enumeradas pela coordenadora do n\u00facleo de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Nutri\u00e7\u00e3o do Instituto de Desenvolvimento Educacional (IDE), Joyce Moraes.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s comemos\u00a0<strong>carne bovina<\/strong>\u00a0porque gostamos, n\u00e3o porque \u00e9 imprescind\u00edvel. O brasileiro gosta muito de uma por\u00e7\u00e3o generosa de um\u00a0<strong>bife<\/strong>, de usar muito sal. Mas os amino\u00e1cidos essenciais (os que o organismo humano n\u00e3o sintetiza sozinho) da\u00a0<strong>carne bovina<\/strong>\u00a0est\u00e3o tamb\u00e9m no frango, no peixe, no ovo. Nutricionalmente, tanto faz comer qualquer um deles.\u201d Quem desejar ir al\u00e9m e eliminar todos os alimentos de origem animal, por exemplo, ter\u00e1 ainda mais sa\u00fade. Mas precisa ser orientado por um nutricionista para n\u00e3o deixar nenhuma subst\u00e2ncia essencial de fora da dieta.<\/p>\n<p>\u201cApenas a vitamina B12 \u00e9 encontrada exclusivamente em alimentos animais. Por isso os veganos devem fazer uma suplementa\u00e7\u00e3o dela\u201d, explica Moraes. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 prote\u00edna, a informa\u00e7\u00e3o de que milho, ervilha e banana podem substituir todos os amino\u00e1cidos essenciais de um bife pode causar estranhamento. \u201cNosso corpo n\u00e3o tem necessidade de saber a origem do amino\u00e1cido e nem precisa que seja ingerido de uma vez. Tem apenas que receb\u00ea-lo durante o tempo de um dia. A pessoa pode comer milho no caf\u00e9, ervilha no almo\u00e7o e lanchar banana. S\u00f3 a quantidade \u00e9 que deve ser calculada pelo profissional de nutri\u00e7\u00e3o. Independentemente da pesquisa da WRI, o gastroenterologista da UFPE Gustavo Lima j\u00e1 come\u00a0<strong>carne<\/strong>\u00a0vermelha apenas nos fins de semana. \u00c9 normal ter \u00e0 mesa frango e peixe, principalmente.<\/p>\n<p>\u201cO Instituto Nacional do C\u00e2ncer sugere 300 gramas de\u00a0<strong>carne<\/strong>\u00a0vermelha por semana como ideal. Entidades americanas j\u00e1 falam em 45 g. A incid\u00eancia em c\u00e2ncer de intestino \u00e9 maior em locais com maior consumo de carne. No Rio Grande do Sul, maior consumidor, \u00e9 de 20 casos por 100 mil habitantes. Em Pernambuco, 10. No Par\u00e1, onde se come mais peixe, \u00e9 de 5\u201d, mostrou. Na casa de Gustavo, est\u00e3o tentando instituir o \u201cdia sem carne\u201d, mas ainda sem sucesso. \u201cMinha esposa gosta muito de carne.\u201d A t\u00e1tica de ser vegetariano por um dia na semana foi utilizada pelo estudante de contabilidade Matheus Felipe, 20, quando tentava se tornar vegano, uma guinada mais radical que a do m\u00e9dico.<\/p>\n<p>\u201cFoi gradual e muito tranquilo. Primeiro eu ficava um dia sem comer\u00a0<strong>carne<\/strong>. Depois dois, tr\u00eas e, quando cheguei a ficar quatro dias, percebi que podia ficar sempre sem\u00a0<strong>carne<\/strong>. Estou h\u00e1 um anos sem comer nada de origem animal\u201d, contou. Acompanhado por nutricionista, percebeu queda na vitamina B12, mas ainda n\u00e3o tanto que precise de suplementa\u00e7\u00e3o. \u201cAlgo que mudou com a nova dieta foi a minha disposi\u00e7\u00e3o. Antes eu n\u00e3o tinha, agora fa\u00e7o muscula\u00e7\u00e3o e at\u00e9 meu humor melhorou.\u201d<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Autor prev\u00ea mudan\u00e7a na ordem social<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9pocas de grandes fomes t\u00eam sido uma constante na hist\u00f3ria da humanidade. Muitas delas registradas no livro \u201cO que aconteceu na Terra\u201d, de Christopher Lloyd, lan\u00e7ado em 2008. Na Irlanda do s\u00e9culo 19, por exemplo, ap\u00f3s tr\u00eas sucessivas perdas de colheitas de batata &#8211; a maior fonte de alimento do pa\u00eds &#8211; , cerca de um milh\u00e3o de pessoas morreram. O cen\u00e1rio descrito \u00e9 desolador: \u201cBando de mulheres e crian\u00e7as pequenas eram vistos entre os campos de nabos, m\u00e3es seminuas, na neve e granizo, emitindo exclama\u00e7\u00f5es de desespero, enquanto seus filhos gritavam de fome\u201d.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0\u00a0<strong>Folha<\/strong>, Lloyd cria uma imagem mental da fome que se estabelecer\u00e1 no mundo em 30 anos, caso o panorama atual de produ\u00e7\u00e3o e consumo n\u00e3o seja modificado. \u201cA maioria dos humanos n\u00e3o se comporta racionalmente. A combina\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7a clim\u00e1tica e aumento popula\u00e7\u00e3o criar\u00e1 fome, enquanto o n\u00edvel do mar aumenta e habitats se extinguem. Em vez de prover uma solu\u00e7\u00e3o, a ci\u00eancia vai exacerbar o problema ao crescer a desigualdade entre os que podem se beneficiar dela e os que n\u00e3o podem\u201d, prev\u00ea. \u201cDesculpe se soa um pouco sombrio &#8211; mas acredito que acontecer\u00e1 uma revolu\u00e7\u00e3o global. Nossa esp\u00e9cie sobriver\u00e1, mas com uma organiza\u00e7\u00e3o social diferente.\u201d<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cFoi gradual e muito tranquilo. Primeiro eu ficava um dia sem comer\u00a0carne. Depois dois, tr\u00eas e, quando cheguei a ficar quatro dias, percebi que podia ficar sempre sem\u00a0carne. Estou h\u00e1 um anos sem comer nada de origem animal\u201d, contou. 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