{"id":270674,"date":"2019-01-19T12:54:16","date_gmt":"2019-01-19T15:54:16","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=270674"},"modified":"2019-01-19T12:54:16","modified_gmt":"2019-01-19T15:54:16","slug":"lucas-terra-o-adolescente-que-foi-abusado-e-morto-por-bispos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/lucas-terra-o-adolescente-que-foi-abusado-e-morto-por-bispos\/","title":{"rendered":"Lucas Terra, o adolescente que foi abusado e morto por bispos"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"noticias-single__title  visible visible-lg\" style=\"text-align: justify;\">Os crimes que marcaram os \u00faltimos 40 anos na Bahia<\/h1>\n<div class=\"noticias-single__description visible-lg\" style=\"text-align: justify;\">Viol\u00eancia cresceu nos \u00faltimos anos e fez v\u00edtimas an\u00f4nimas e famosas<\/div>\n<div class=\"noticias-single__content\">\n<div class=\"noticias-single__content__text js-mediator-article\">\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">O mestre de obras Frutuoso Bispo Pereira foi atingido dentro de casa. Ferido no lado esquerdo do peito pelo homem que havia invadido a casa dele durante a madrugada, o mestre de obras ainda teve for\u00e7as para procurar no quarto a pr\u00f3pria arma. N\u00e3o teve tempo. Tombou na sala para desespero da mulher. O criminoso fugiu e n\u00e3o deixou pistas, segundo informava a Pol\u00edcia Civil, dando \u00e0 imprensa uma informa\u00e7\u00e3o que se repetiria em tantos outros crimes.\u00a0No ano em que Frutuoso, o primeiro homic\u00eddio registrado nas p\u00e1ginas do CORREIO, morreu, a Bahia era um dos estados com menor taxa de crimes violentos no pa\u00eds. Eram 3,3 mortos para cada 100 mil habitantes. Quarenta anos depois, a taxa de homic\u00eddios bateu 46,9 no estado, um aumento de 1.421%. A popula\u00e7\u00e3o cresceu, a mortalidade de jovens negros explodiu e os casos de feminic\u00eddios foram tantos que, s\u00f3 nos \u00faltimos 10 anos, o n\u00famero aumentou \u00a081,5%.\u00a0Muitos desses crimes foram contados nessas p\u00e1ginas. Pessoas comuns que ficaram conhecidas a partir de hist\u00f3rias tr\u00e1gicas. Foram tantos os crimes que o CORREIO criou o Mil Vidas, projeto que desde 2011 mapeia os homic\u00eddios em Salvador e Regi\u00e3o Metropolitana. O n\u00famero s\u00f3 cresce&#8230;<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/correio-cdn2.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/f\/0\/csm_claytonleao_correio40anos_eada6a68cb.jpg\" width=\"999\" height=\"616\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"bodytext\">O delegado Clayton Le\u00e3o foi assassinado na Estrada da Cascalheira, em Cama\u00e7ari, durante entrevista para r\u00e1dio (Foto: Almiro Lopes\/Arquivo CORREIO)<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8216;Meu Deus do c\u00e9u&#8217;<\/strong><\/h2>\n<div id=\"minhabahia_300x250_01\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CJGez76Z-t8CFcp3wQod_dcNcQ\">\n<div id=\"sas_relDiv_5573264\">\n<div id=\"sas_absDiv_5573264\">\n<div id=\"sas_relDivPlayer_5573264\" class=\"\">\n<div class=\"sas-resize-triggers\">\n<div class=\"sas-expand-trigger\">\n<div><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"sas-contract-trigger\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><span id=\"sas_advDiv_5573264\">Advertisment<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Clayton Le\u00e3o Chaves<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">No 26 de maio de 2010, a morte ouvia r\u00e1dio. O titular da Delegacia de Cama\u00e7ari, Clayton Le\u00e3o Chaves, 35 anos, havia parado o carro no acostamento da Estrada das Cascalheiras para dar uma entrevista ao vivo aos radialistas Raimundo Rui e Marco Antonio Ribeiro, da L\u00edder FM. Acompanhado da mulher, Clayton falava sobre o trabalho da pol\u00edcia no combate ao tr\u00e1fico de drogas na cidade, l\u00edder de mortes violentas na Bahia naquele ano. Falou por 18 minutos. Era pouco depois das 8h da manh\u00e3 quando tr\u00eas homens em um ve\u00edculo se aproximaram do carro do delegado. Um deles sacou a arma e apontou: &#8216;Pera\u00ed, pera\u00ed&#8217;, gritou Clayton, ao tentar abrir a porta. Os tiros invadiram o carro e atingiram a cabe\u00e7a do delegado, matando-o na hora. Os gritos da mulher dele, em choque, interromperam a transmiss\u00e3o. &#8220;Meu Deus do C\u00e9u!&#8221;. A frase foi a manchete da capa do CORREIO no dia seguinte ao crime. A imagem do fot\u00f3grafo Almiro Lopes mostra os p\u00e9s cal\u00e7ados do delegado para fora do carro, que mal tocam o ch\u00e3o, e revelam a surpresa e a rapidez do ataque. Cerca de 300 policiais militares, civis e federais participaram das buscas aos suspeitos logo ap\u00f3s o crime. No mesmo dia, dois suspeitos foram presos. A arma utilizada por Rinaldo Valen\u00e7a de Lima para matar o delegado foi encontrada enterrada no quintal da casa de Edson dos Santos. A investiga\u00e7\u00e3o da morte de Clayton interrompeu at\u00e9 mesmo a greve de policiais que havia come\u00e7ado uma semana antes, no dia 19. O terceiro suspeito Magno de Menezes foi preso na manh\u00e3 seguinte. Antes mesmo do enterro do delegado no Cemit\u00e9rio do Campo Santo, em Salvador, todos os suspeitos j\u00e1 haviam sido capturados. A rapidez no desfecho das investiga\u00e7\u00f5es ganhou novo destaque do jornal. \u201cCaso resolvido em 21 horas\u201d, dizia a manchete. O ent\u00e3o secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica da Bahia, C\u00e9sar Nunes, ponderou sobre a agilidade na investiga\u00e7\u00e3o: \u201cVoc\u00ea h\u00e1 de entender que nesse caso o esp\u00edrito de corpo fala mais alto\u201d. Naquele ano, outras 106 pessoas seriam assassinadas s\u00f3 em Cama\u00e7ari.<\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">\n<a href=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/noticias\/tag\/correio%2040%20anos\/pagina\/1\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>CLIQUE AQUI E VEJA ESPECIAL COMPLETO CORREIO 40 ANOS+<\/strong><\/a><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>Morte no motel<\/strong><\/h2>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Zigomar, o Zorro<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">O h\u00e1bito de escrever a letra Z, inicial do seu nome, nas paredes dos locais por onde passava, fez do funcion\u00e1rio da Companhia Petroqu\u00edmica de Cama\u00e7ari Zigomar Jos\u00e9 Albuquerque do Sacramento um cabra marcado para morrer. No dia 30 de setembro de 1984, ele deixava o Motel Vip&#8217;s, na Estrada do Coco, acompanhado da mulher, quando foi impedido de sair. Os dois comemoravam naquele dia 20 anos de casados, mas Zigomar j\u00e1 era conhecido dos funcion\u00e1rios do motel por deixar sua marca registrada durante os encontros espor\u00e1dicos com uma amante. Dessa vez, a picha\u00e7\u00e3o na parede do apartamento 315, foi descoberta por um funcion\u00e1rio antes que ele deixasse o lugar, e despertou a ira dos administradores do motel, os espanh\u00f3is Isauro Pazos Gerpe, 37, e Francisco Ramiro Ferreiro Espasandin, 26. Zigomar foi submetido a uma longa sess\u00e3o de tortura e espancamento diante de v\u00e1rios funcion\u00e1rios do motel, que n\u00e3o impediram as agress\u00f5es. Ele n\u00e3o resistiu e morreu no local. As imagens publicadas no CORREIO, mesmo em preto e branco, mostram as in\u00fameras les\u00f5es provocadas pelo espancamento. As reportagens chamam aten\u00e7\u00e3o para as falhas na investiga\u00e7\u00e3o e na realiza\u00e7\u00e3o da per\u00edcia apontadas pela promotoria. O atraso em realizar a pris\u00e3o dos principais suspeitos, que j\u00e1 haviam sido identificados, permitiu a fuga dos dois espanh\u00f3is. O crime foi destaque na coluna Arquivos do Crime, de 27 de agosto de 2000, 16 anos depois da morte de Zigomar. A delegada Lindai\u00e1 Mustafa, ent\u00e3o titular da 12\u00aa Delegacia de Itapu\u00e3, considerou uma frustra\u00e7\u00e3o n\u00e3o ter conseguido prender os espanh\u00f3is. \u201cO caso era f\u00e1cil, t\u00ednhamos testemunhas, t\u00ednhamos provas, mas de nada adiantou, pois os autores se evadiram. A minha parte eu fiz\u201d, disse \u00e0 rep\u00f3rter Jaciara Santos.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/correio-cdn3.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/5\/a\/csm_moacir_moreno_correio40anos_ed3ab6fffa.jpg\" width=\"1000\" height=\"658\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Moacir Moreno (Foto:Edson Ruiz\/Arquivo CORREIO)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>Triste com\u00e9dia baiana<\/strong><\/h2>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Moacir Moreno<\/strong><\/p>\n<p>Rei do improviso e do humor, o ator Moacir Moreno, 37 anos, era uma das almas da Companhia Baiana de Patifaria. Depois de emplacar sucessos nacionais de bilheteria com as pe\u00e7as Abafa Banca, A Bofetada e Novi\u00e7as Rebeldes, Moacir vivia o auge do sucesso. Era reverenciado em todo o pa\u00eds e lotava os teatros por onde passava, seja na Bahia, Rio ou S\u00e3o Paulo. Volta e meia aparecia em reportagens sobre seus personagens, uma delas destacava que o sucesso de A Bofetada ajudou a popularizar a express\u00e3o baiana oxente no Sul e Sudeste do pa\u00eds. A morte de Moacir por dois garotos de programa no apartamento onde morava, no dia 2 de outubro de 1994, pegou de surpresa f\u00e3s, colegas de trabalho e revoltou familiares, como mostrou o caderno Folha: \u201cTeatro baiano perde parte de sua alegria\u201d. Amigos de elenco, como os atores Lelo Filho e Frank Menezes, lamentaram a morte do int\u00e9rprete da cr\u00edtica V\u00e2nia Le\u00e3o e da adolescente Camila, que arrancavam risos do p\u00fablico. O crime come\u00e7ou a ser desvendado ap\u00f3s o carro dele, que havia sido roubado junto com outros pertences do apartamento, ter sido encontrado, como mostra reportagem do CORREIO no dia 5 de outubro daquele ano. Os garotos de programa Paulo S\u00e9rgio Carvalho Moreira, o Paulo Bomba, e Paulo Moreira Argolo, o Paulo de El\u00f3i, foram presos. Eles confessaram que amorda\u00e7aram e mataram o ator sufocado e com um golpe de faca na traqueia depois de serem chamados pelo ator para um programa na casa dele. Paulo Bomba foi condenado a 23 anos de pris\u00e3o, e Paulo de El\u00f3i, a 21. No dia 24 de julho de 1995, Paulo Bomba fugiu do pres\u00eddio, depois de cumprir apenas 1 ano de pris\u00e3o. Paulo de El\u00f3i tamb\u00e9m fugiu quatro anos depois, mas foi recapturado em 2000 durante uma micareta na cidade de Cura\u00e7a.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/correio-cdn1.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/0\/5\/csm_barrasol_coreio40anos_1064061443.jpg\" width=\"641\" height=\"1000\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Edif\u00edcio Barra Sol, na Rua Miguel Bournier (Foto: Almiro Lopes\/Arquivo CORREIO)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>Feminic\u00eddio anos 80<\/strong><\/h2>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Ritinha<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">No dia que comemorava 18 anos, 7 de abril de 1988, Rita Santana da Silva, a Ritinha, despencou da sacada do 5\u00ba andar do edif\u00edcio Barra do Sol, na Barra. O corpo voou em queda livre e parou entre os aparelhos de ar-condicionado da ag\u00eancia do Banco do Brasil, no andar t\u00e9rreo do pr\u00e9dio. Ela havia sido convidada at\u00e9 o apartamento do empres\u00e1rio Jos\u00e9 Guedes Leone, o Zequinha, dono da loja de confec\u00e7\u00f5es Ixagerado, no Shopping Piedade, junto com um grupo de amigos. \u201cDona de um corpo de manequim\u201d, como disse uma irm\u00e3 em entrevista ao CORREIO, Ritinha era chamada com frequ\u00eancia pelo empres\u00e1rio para desfilar roupas da loja, mas sempre recusava. Segundo reportagem na semana do crime, no apartamento onde deveria acontecer uma pequena comemora\u00e7\u00e3o pelo anivers\u00e1rio da jovem, Ritinha foi dominada pelo empres\u00e1rio e por um funcion\u00e1rio dele, Francisco Lima Filho. \u00c0 pol\u00edcia, os dois alegaram que a jovem estava b\u00eabada e havia pulado da sacada do apartamento, na rua Miguel Bournier. Familiares da v\u00edtima negaram a vers\u00e3o do suic\u00eddio. A vers\u00e3o do empres\u00e1rio foi contestada pela perita criminalista Delma Gama, que comprovou que a jovem n\u00e3o havia bebido e havia sido despida \u00e0 for\u00e7a. Apesar do inqu\u00e9rito, Zequinha conseguiu evitar a pris\u00e3o. O caso seria relembrado em reportagens do CORREIO nos anos seguintes como exemplo de feminic\u00eddios \u2013 os crimes contra mulheres s\u00f3 seriam chamados assim em 2015 \u2013 sem puni\u00e7\u00e3o. Jos\u00e9 Guedes Leone aguardou em liberdade o julgamento, que s\u00f3 foi realizado em junho de 1992.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/correio-cdn2.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/e\/a\/csm_jurandhyr_correio40anos_3003756a49.jpg\" width=\"767\" height=\"1000\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"bodytext\">Jurandhy\u00a0Silva de Santana, pai de Geovane (Foto: Evandro Veiga)<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>Morte no quartel<\/strong><\/h2>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8216;Onde est\u00e1 Geovanne?&#8217;<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Dois dias separam a publica\u00e7\u00e3o da reportagem no CORREIO sobre o desaparecimento do mototaxista Geovane Mascarenhas de Santana, 22 anos, at\u00e9 o corpo dele ser encontrado, em 15 de agosto de 2014. \u201cOnde est\u00e1 Geovane?\u201d, perguntava o jornal. Parado em uma blitz da Rondesp na Cal\u00e7ada, ele foi levado para dentro do batalh\u00e3o da Pol\u00edcia Militar, no Lobato, onde foi decapitado, teve as m\u00e3os decepadas e o corpo carbonizado. A busca incans\u00e1vel de Jurandhy pelo corpo do filho em hospitais, delegacias e IML foi tema de reportagens do rep\u00f3rter Bruno Wendel. O v\u00eddeo da abordagem policial, publicado no Correio24horas, mostrava os \u00faltimos minutos de Geovane com vida e teve grande repercuss\u00e3o. A s\u00e9rie concorreu ao Pr\u00eamio ExxonMobil de Jornalismo, o antigo Pr\u00eamio Esso, e venceu o Pr\u00eamio OAB de Jornalismo. A hist\u00f3ria publicada nas p\u00e1ginas do impresso chamou aten\u00e7\u00e3o do cineasta franc\u00eas Bernardo Attal, radicado na Bahia h\u00e1 13 anos. O document\u00e1rio Sem Descanso foi exibido pela primeira vez em 2018, no Panorama Internacional Coisa de Cinema, mais importante festival de cinema da Bahia. O filme foi dedicado ao ex-diretor-executivo do jornal CORREIO, S\u00e9rgio Costa, que morreu em 2016 e era editor-chefe do CORREIO na \u00e9poca do caso. Meses ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o, o Minist\u00e9rio P\u00fablico denunciou 11 policiais por homic\u00eddio, sequestro e oculta\u00e7\u00e3o de cad\u00e1ver. Em mar\u00e7o de 2018, a Justi\u00e7a determinou que sete dos onze policiais envolvidos ir\u00e3o a j\u00fari popular: o subtenente Cl\u00e1udio Bonfim Borges, o sargento Daniel Pereira de Souza Santos, e os soldados Jesimiel da Silva Resende, Roberto Santos de Oliveira, Alan Moraes Galiza dos Santos e Alex Santos Caetano. O soldado Jailson Gomes Oliveira ir\u00e1 ao j\u00fari popular pelos mesmos crimes, com exce\u00e7\u00e3o de oculta\u00e7\u00e3o de cad\u00e1ver. Quatro PMs foram retirados do j\u00fari por n\u00e3o existirem provas contra eles.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/correio-cdn3.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/a\/2\/csm_lucasterra_correio40anos_7e9127a475.jpg\" width=\"1000\" height=\"663\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Carlos Terra, pai de Lucas Terra, morto por ex-bispos da Igreja Universal do Reino de Deus (Foto: Alberto Coutinho\/Arquivo CORREIO)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>Luta por justi\u00e7a<\/strong><\/h2>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Lucas Terra<\/strong><\/p>\n<p>Lucas Vargas Terra tinha 14 anos quando foi abusado sexualmente e queimado ainda vivo por ex-bispos da Igreja Universal do Reino de Deus, no Rio Vermelho, na noite de 21 de mar\u00e7o de 2000. O garoto havia sa\u00eddo de casa para um culto religioso realizado pelo bispo Silvio Roberto Galiza quando desapareceu. Os restos de Lucas foram encontrados dentro de um caixote na Avenida Vasco da Gama e ficaram 43 dias no Instituto M\u00e9dico Legal enquanto aguardavam a realiza\u00e7\u00e3o de exames de DNA. Para a fam\u00edlia, por\u00e9m, n\u00e3o restava d\u00favidas. O corpo havia sido reconhecido por um peda\u00e7o da cal\u00e7a usado pelo jovem ao sair de casa e por uma pequena mecha de cabelo que resistiu intacta \u00e0 brutalidade. O dia do sepultamento, quase dois meses ap\u00f3s o crime, foi a primeira vez que a imagem do adolescente foi publicada no CORREIO. \u201cEste caso me marcou muito. Foi a \u00fanica vez em que n\u00e3o consegui manter a isen\u00e7\u00e3o emocional: chorei junto com o pai de Lucas na primeira vez em que conversamos\u201d, contou Jaciara, que relatou o caso na coluna Arquivo. Os in\u00fameros cartazes e faixas espalhadas por Salvador com a foto de Lucas seriam a marca da luta de Carlos Terra, pai do garoto, pela condena\u00e7\u00e3o dos ex-bispos. Em depoimento ap\u00f3s ser condenado a 18 anos de pris\u00e3o, Silvio Galiza afirmou que Lucas foi morto ap\u00f3s flagrar o pastor Joel Miranda e o bispo Fernando Aparecido fazendo sexo. A vers\u00e3o \u00e9 contestada at\u00e9 hoje por Joel e Fernando. Em novembro de 2018, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF) anulou a decis\u00e3o que indicava o envolvimento dos dois na morte de Lucas. Eles haviam tido o recurso contra a decis\u00e3o de ir a j\u00fari popular negado pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) em 2017. O ex-pastor Silvio Roberto Galiza teve a pena reduzida para 15 anos e, passou a cumprir a pena em regime aberto em 2012.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"bodytext\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/correio-cdn1.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/3\/b\/csm_crime_landirana_correio40anos_8ceaa5cdd3.jpg\" width=\"1000\" height=\"657\" \/><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"bodytext\">Casal de adolescentes foi morto no Litoral Norte (Foto: Marco Aur\u00e9lio Martins\/Arquivo Correio)<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>Fim da viagem<\/strong><\/h2>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Crime da Ladirana<\/strong><\/p>\n<p>Alberto Gon\u00e7alves, 17, e J\u00falia Ferraz, 16, namoravam havia quase um ano. Hospedados em uma casa de praia junto com amigos do Col\u00e9gio Dois de Julho, os dois decidiram caminhar pr\u00f3ximo ao Rio Jacuipe, em Vila de Abrantes. Acabaram rendidos em uma \u00e1rea deserta pr\u00f3ximo ao condom\u00ednio Vale da Landirana. Mantidos ref\u00e9ns, Alberto viu J\u00falia ser estuprada e agredida. Os dois foram mortos a facadas. Tr\u00eas homens foram presos suspeitos do crime. J\u00falia era sobrinha do ex-deputado Cl\u00f3vis Ferraz (PSD). A pedido da fam\u00edlia, os corpos de Alberto e J\u00falia foram enterrados um ao lado do outro.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"bodytext\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/correio-cdn2.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/4\/f\/csm_carroqueimado_crime40anos_521ca7df74.jpg\" width=\"1000\" height=\"659\" \/><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"bodytext\">Carro de rep\u00f3rter de A Tarde foi incendiado ap\u00f3s crime (Foto: Edmar Melo\/Arquivo Correio)<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>Rapto no Pelourinho<\/strong><\/h2>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Maristela Bouzas<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">A jornalista Maristela Bouzas, 28 anos, ainda estava desaparecida e era procurada por amigos e familiares quando uma foto sua foi publicada na mesma p\u00e1gina do CORREIO que trazia a pris\u00e3o de um suspeito da morte dos adolescentes Julia Ferraz, 16, e Alberto Gon\u00e7alves, 17. Maristela ficou desaparecida por dois dias. Colunista de teatro do jornal A Tarde, ela havia sido vista pela \u00faltima vez no estacionamento do Pelourinho, ao pegar o carro, um Escort Hobby, para ir para casa, na Ribeira, no dia 26 de novembro de 2000. Ali, foi rendida por Robson Rodrigues Soares, 26 anos, e colocada no porta-malas do pr\u00f3prio carro. Maristela foi estuprada e depois morta com um tiro na cabe\u00e7a. Robson foi preso dois dias depois do crime, ao voltar ao local onde havia deixado o corpo, em um matagal pr\u00f3ximo ao supermercado Makro, em Piraj\u00e1, para incendiar o ve\u00edculo da jornalista. O dono da casa onde a jornalista foi estuprada foi preso suspeito do crime. Ele permaneceu preso por quatro anos e, em seguida, foi absolvido por falta de provas. Robson foi condenado a 32 anos de pris\u00e3o.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/correio-cdn3.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/c\/9\/csm_paulocperrone_b4d6bd2f8a.jpg\" width=\"999\" height=\"616\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Paulo C\u00e9sar Perrone foi morto em saidinha banc\u00e1ria (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Facebook)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>Perigo na esquina<\/strong><\/h2>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Paulo C\u00e9sar\u00a0Perrone<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Tantas eram as v\u00edtimas de saidinha banc\u00e1ria em Salvador at\u00e9 que um dia as estat\u00edsticas ganharam um rosto bem conhecido. Paulo C\u00e9sar Perrone, baterista da banda de forr\u00f3 Estakazero, tinha ido a uma ag\u00eancia no Caminho das \u00c1rvores sacar R$ 3 mil para viajar para a Espanha com a namorada. Sem perceber, era observado de perto por assaltantes j\u00e1 dentro da ag\u00eancia. Dentro do carro, voltando para casa, ele acabou rendido e atingido. A bala disparada por um dos criminosos atingiu a linha m\u00e9dia da cabe\u00e7a do m\u00fasico e comprometeu os dois lados do c\u00e9rebro. Come\u00e7ava ali uma batalha pela sobreviv\u00eancia que incluiu 35 dias em coma no HGE, in\u00fameras cirurgias, al\u00e9m de disputas judiciais para garantir o tratamento m\u00e9dico. Tudo foi acompanhado de perto pelo CORREIO. Perrone resistiu com m\u00faltiplas les\u00f5es cerebrais por tr\u00eas anos at\u00e9 morrer tr\u00eas dias antes da chegada de 2014. Os tr\u00eas suspeitos de roubar e atirar no baterista, que j\u00e1 haviam sido presos ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o das imagens do circuito interno de seguran\u00e7a do banco, foram condenados a 20 anos de pris\u00e3o em regime fechado. A pena de 30 anos foi reduzida em um ter\u00e7o.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"bodytext\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/correio-cdn1.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/6\/4\/csm_kelly_correio40anos_a22acaf271.jpg\" width=\"661\" height=\"1000\" \/><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Kelly Cyclone, ao ser presa em uma festa do p\u00f3 na Boca do Rio (Foto: Evandro Veiga\/Arquivo CORREIO)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>Breve furac\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Kelly Cyclone<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\">Camisa da sele\u00e7\u00e3o argentina, tatuagens pelo corpo e uma legi\u00e3o de seguidores no Orkut. Kelly Salles Silva j\u00e1 era popular nas redes sociais quando foi presa pela primeira vez em uma \u2018festa do p\u00f3\u2019, na Boca do Rio. O jeito marrento, v1d4 l0k4, deram ainda mais fama \u00e0 jovem de 23 anos. Come\u00e7ava o breve e tr\u00e1gico fen\u00f4meno Kelly Cyclone. Em fotos publicadas no pr\u00f3prio perfil, segurava armas, ostentava c\u00e9dulas de dinheiro e correntes de ouro. Um furac\u00e3o na internet. A proximidade com amigos e namorados envolvidos com o tr\u00e1fico tornou Kelly um alvo f\u00e1cil. Kelly foi morta a tiros ao fim de um show de pagode no festival Salvador Fest, no dia 18 de julho de 2011. Ela usava a infal\u00edvel camisa da Argentina que a acompanharam durante a fama. A imagem do corpo estendido ao ch\u00e3o viralizou, foi parar na capa do CORREIO, uma das mais vendidas entre todas as edi\u00e7\u00f5es recentes. Tamb\u00e9m rapidamente se espalharam os v\u00eddeos da necropsia no Instituto M\u00e9dico Legal. Mais de 600 comunidades foram criadas em sua homenagem. Quem matou Kelly Cyclone? O mist\u00e9rio por tr\u00e1s da morte da jovem tinha in\u00fameros suspeitos: inimigos declarados, ex-namorados, traficantes&#8230; Dois irm\u00e3os apontados como suspeitos no inqu\u00e9rito policial foram absolvidos por falta de provas em um julgamento em 2016.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/correio-cdn2.cworks.cloud\/fileadmin\/_processed_\/5\/9\/csm_CLEUCIO_ae065157f0.jpg\" width=\"999\" height=\"616\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"bodytext\">Gilvan Cleucio de Assis ao ser preso (Foto: Almiro Lopes\/Arquivo CORREIO)<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><strong>Sequestro em shopping<\/strong><\/h2>\n<p class=\"bodytext\" style=\"text-align: justify;\"><strong>M\u00e9dica pediatra<\/strong><\/p>\n<p>A m\u00e9dica Rita de C\u00e1ssia Tavares Martins, 39 anos, fazia compras para o Dia dos Pais, junto com a filha de um ano, no dia 6 de agosto de 2009. N\u00e3o percebia, mas era seguida de perto pelos corredores do Shopping da Bahia por Cl\u00e9ucio de Assis, 35. Ele havia obtido sa\u00edda tempor\u00e1ria dias antes. Rita e a filha foram raptadas e levadas at\u00e9 a BR-324. A m\u00e9dica foi morta atropelada pelo criminoso depois de sofrer uma tentativa de estupro. Preso, acabou se enforcando dentro da Delegacia de Homic\u00eddios horas depois de participar da reconstitui\u00e7\u00e3o do crime, em agosto do mesmo ano.\n<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os crimes que marcaram os \u00faltimos 40 anos na Bahia Viol\u00eancia cresceu nos \u00faltimos anos e fez v\u00edtimas an\u00f4nimas e famosas O mestre de obras Frutuoso Bispo Pereira foi atingido dentro de casa. 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