{"id":271613,"date":"2019-01-27T10:53:30","date_gmt":"2019-01-27T13:53:30","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=271613"},"modified":"2019-01-27T10:53:30","modified_gmt":"2019-01-27T13:53:30","slug":"cidade-escondida-dentro-do-recife","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/cidade-escondida-dentro-do-recife\/","title":{"rendered":"Cidade escondida dentro do Recife"},"content":{"rendered":"<div class=\"top-banner\">\n<section class=\"parallax-window\" data-parallax=\"scroll\" data-image-src=\"http:\/\/especiais.folhape.com.br\/image\/view\/TemplateNews\/image\/248\">\n<div class=\"heading wow fadeIn\">\n<h4 class=\"flag\" style=\"text-align: justify;\">S\u00cdTIO DOS MACACOS<\/h4>\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\">O S\u00edtio dos Macacos passa despercebido pelo resto do Recife. A comunidade \u00e9 de dif\u00edcil acesso, dentro de uma reserva ambiental. Toda a infraestrutura b\u00e1sica foi alcan\u00e7ada atrav\u00e9s de mobiliza\u00e7\u00f5es dos moradores. A \u00fanica escola do local, foi criada por eles.<\/p>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<div id=\"content\">\n<article class=\"wow fadeIn\">\n<div class=\"wrapper\">\n<p>A comunidade\u00a0<strong>S\u00edtio dos Macacos<\/strong>, que integra o territ\u00f3rio da\u00a0<strong>Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (UCN) Beberibe<\/strong>, n\u00e3o foge das problem\u00e1ticas comuns a outras comunidades inseridas na Regi\u00e3o Metropolitana. Transporte, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o tiveram suas conquistas alcan\u00e7adas atrav\u00e9s de v\u00e1rias hist\u00f3rias de\u00a0<strong>luta<\/strong>\u00a0e ainda assim n\u00e3o funcionam plenamente de acordo com os anseios da popula\u00e7\u00e3o. No entanto, quem mora no\u00a0<strong>S\u00edtio dos Macacos<\/strong>\u00a0tem uma peculiaridade: a\u00a0<strong>invisibilidade<\/strong>. O dif\u00edcil acesso \u00e0 \u00e1rea contribui para que eles n\u00e3o sejam vistos. Moradores mais antigos costumam dizer que a comunidade se trata, na verdade, de uma \u201ccidade do interior dentro de uma capital\u201d e prezam por essa tranquilidade.<\/p>\n<p>Milhares de carros passam diariamente pela BR-101, mas certamente muitas pessoas desconhecem o\u00a0<strong>S\u00edtio dos Macacos<\/strong>. A entrada que d\u00e1 acesso \u00e0 \u00e1rea abaixo do pontilh\u00e3o da via federal, passa quase que despercebida. A impress\u00e3o de estar em uma cidade pequena do interior do Estado, n\u00e3o se d\u00e1 apenas por ainda podermos ouvir o canto dos p\u00e1ssaros e ter como principal vista a extensa\u00a0<strong>Mata Atl\u00e2ntica de Dois Irm\u00e3os<\/strong>. N\u00e3o por acaso, a maioria dos moradores antigos que vieram construir suas vidas na capital, por volta da d\u00e9cada de 1940, s\u00e3o de munic\u00edpios do Sert\u00e3o ao Agreste. Os mais velhos, que ainda se reunem nas cal\u00e7adas, se acostumaram com o fato de n\u00e3o serem vistos, acreditam que por mais que os benef\u00edcios de uma metropole n\u00e3o cheguem at\u00e9 eles, os problemas tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam acesso f\u00e1cil por l\u00e1. Apesar disso, a viol\u00eancia em decorr\u00eancia ao\u00a0<strong>tr\u00e1fico de drogas<\/strong>\u00a0tem assustado a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 os mais novos sempre est\u00e3o em busca de melhorias. Estes, segundo o m\u00fasico\u00a0<strong>Marcelo Tompson<\/strong>, de 54 anos se tornam at\u00e9 mais invis\u00edveis que os adultos. \u201cAs crian\u00e7as saem muito pouco daqui, por causa da dificuldade de acesso. Arrisco a dizer que tem crian\u00e7as aqui que nunca foram \u00e0 praia. Uso a m\u00fasica como um ato pol\u00edtico para que a partir dela, as crian\u00e7as possam ser visto l\u00e1 foram tamb\u00e9m\u201d, comenta.\u00a0<strong>Marcelo<\/strong>\u00a0\u00e9 especializado na constru\u00e7\u00e3o e reparo de instrumentos de percuss\u00e3o, o chamado luthier. Ele d\u00e1 aulas de inicia\u00e7\u00e3o musical na\u00a0<strong>Escola Uni\u00e3o Comunit\u00e1ria<\/strong>, que funciona h\u00e1 mais de 30 anos, justamente porque os moradores n\u00e3o esperaram ser visto pelo poder p\u00fablico, e encontram na Educa\u00e7\u00e3o uma chance de melhorar suas vidas.<\/p>\n<p>Moradora da comunidade desde que tinha seis meses de vida,\u00a0<strong>Eliane Francisca da Silva<\/strong>, 54 anos, \u00e9 pedagoga e foi uma das primeiras pessoas a participar da implanta\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong>escola comunit\u00e1ria<\/strong>\u00a0(eles se mant\u00e9m atrav\u00e9s de recursos vindo de um grupo de volunt\u00e1rios da Su\u00ed\u00e7a e est\u00e3o batalhando pela regulariza\u00e7\u00e3o da unidade). \u201cN\u00f3s d\u00e1vamos aula em uma capelinha feita de taipa. Na \u00e9poca fizemos uma consulta para ver qual era o maior problema da comunidade, e o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o foi a maior queixa\u201d, recorda. O problema \u00e9 que mesmo com a\u00a0<strong>Escola Uni\u00e3o Comunit\u00e1ria<\/strong>, ap\u00f3s a conclus\u00e3o do 4\u00ba ano do ensino fundamental, as crian\u00e7as precisam procurar outra unidade de ensino e para isso andam mais de\u00a0<strong>2 km<\/strong>\u00a0a p\u00e9 &#8211; ou para o bairro da Guabiraba, ou para o Vale das Pedreiras em Camaragibe. H\u00e1 tr\u00eas anos o percurso era ainda pior, pois a\u00a0<strong>Estrada dos Macacos<\/strong>\u00a0(que margeia a comunidade) era totalmente de barro. Nos dias de chuva, o Transporte Complementar de Passageiros\u00a0<strong>S\u00edtio dos Macacos\/Guabiraba<\/strong>, \u00fanico que alimenta essa localidade at\u00e9 as 22h, tinha que driblar os buracos da estrada.<\/p>\n<p>Gr\u00e1vida do seu terceiro filho, a vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o das Mulheres,\u00a0<strong>Magali Maria F\u00e9lix<\/strong>, 31 anos, conta que diante de todas as dificuldades &#8211; para ter uma id\u00e9ia, a unidade de sa\u00fade da fam\u00edlia e a creche s\u00e3o ganhos recentes &#8211; a maioria dos moradores nutrem o sentimento de pertencimento ao seu peda\u00e7\u00e3o de ch\u00e3o. &#8220;Quem mora aqui n\u00e3o quer sair, se voc\u00ea perguntar a minha filha de 12 anos, se ela desejaria morar em outro lugar, ela responde que n\u00e3o&#8221;, declara. Crescer no\u00a0<strong>S\u00edtio do Macacos<\/strong>\u00a0\u00e9 criar consci\u00eancia de que \u00e9 preciso ter uni\u00e3o e for\u00e7a para que avan\u00e7os cheguem. Pelo menos \u00e9 como Magali sempre se viu. Quando adolescente, ela gostava de participar das reuni\u00f5es comunit\u00e1rias em prol das necessidades da popula\u00e7\u00e3o. A\u00a0<strong>Associa\u00e7\u00e3o<\/strong>, inclusive, pretende retomar sua agenda com foco nas mulheres que n\u00e3o possuem renda por estarem desempregadas, atrav\u00e9s de palestras e oficinas de artesanato. &#8220;Estou sempre disposta a ajudar e dar apoio a essas mulheres seja com doa\u00e7\u00f5es ou com atividades que melhorem suas vidas&#8221;, afirma Magali.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"cta cta-screen\"><\/div>\n<\/article>\n<article class=\"wow fadeIn\">\n<figure class=\"banner\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/especiais.folhape.com.br\/image\/view\/TemplateNews\/image\/249\" alt=\"Os donos do ch\u00e3o\" \/><figcaption>S\u00cdTIO DOS MACACOS<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"wrapper\">\n<div class=\"title\">\n<h1>Os donos do ch\u00e3o<\/h1>\n<p>O sentimento de pertencimento \u00e9 vis\u00edvel entre os moradores, mesmo aqueles que precisaram deixar a comunidade para ter acesso a servi\u00e7os especializados.<\/p>\n<\/div>\n<p>A aus\u00eancia dos\u00a0<strong>servi\u00e7os b\u00e1sicos<\/strong>, pol\u00edticas p\u00fablicas e o isolamento at\u00e9 tecnol\u00f3gico, fizeram a gestora comercial\u00a0<strong>Amanda Tamires da Silva<\/strong>, 29 anos, resolver sair da comunidade e ir morar em outro bairro. &#8220;N\u00e3o havia transporte p\u00fablico quando residia no S\u00edtio e eu precisava fazer faculdade. Ent\u00e3o fui morar no bairro da\u00a0<strong>Guabiraba<\/strong>\u00a0que era mais pr\u00f3ximo. Tudo era muito dificil, chegar ao centro do Recife demorava quase tr\u00eas horas&#8221;, afirma. A fam\u00edlia por parte da m\u00e3e dela ainda mora no\u00a0<strong>S\u00edtio dos Macacos<\/strong>. &#8220;Hoje h\u00e1 mercadinhos, mas antes algumas fam\u00edlias tinham que alugar uma kombi para fazer feira em Casa Amarela&#8221;, relembra. Questionada se sentia\u00a0<strong>invisivel<\/strong>, Amanda \u00e9 direta em dizer que alguns momentos era esse sentimento que prevalecia. A mesma pergunta foi feita aos demais entrevistados. Todos afirmaram que se sentem\u00a0<strong>invis\u00edveis<\/strong>. &#8220;A hist\u00f3ria dos l\u00edderes comunit\u00e1rios \u00e9 muito sofrida. Conseguir o asfalto, o posto de sa\u00fade, a creche, s\u00f3 foi poss\u00edvel atrav\u00e9s de muita\u00a0<strong>luta<\/strong>, mas est\u00e1 muito longe de ser o ambiente ideal para as pessoas terem qualidade de vida. As coisas s\u00f3 melhoraram porque Recife decidiu tomar conta&#8221;, referindo-se ao fato da comunidade estar em uma \u00e1rea de divisa com outra cidade.<\/p>\n<p>L\u00edder comunit\u00e1rio,\u00a0<strong>Severino Pedro Alexandre<\/strong>, 49 anos, cita algo que ocorre com frequ\u00eancia quando os moradores precisam explicar onde residem. &#8220;Algumas pessoas afirmam que moram na\u00a0<strong>Guabiraba<\/strong>, porque as pessoas n\u00e3o conhecem essa \u00e1rea, nunca ouviram falar. Carro aqui nem entrava direito, antes da pavimenta\u00e7\u00e3o&#8221;, explica. Ele, que chegou na comunidade aos 19 anos vindo do munic\u00edpio de\u00a0<strong>Macaparana<\/strong>, aprendeu a ler e escrever na\u00a0<strong>Escola Uni\u00e3o Comunit\u00e1ria<\/strong>. &#8220;Mesmo com tudo que vem chegando aqui, as pessoas se sentem esquecidas, at\u00e9 pela renda prec\u00e1ria.&#8221;<\/p>\n<p>Mas essa\u00a0<strong>invisibilidade<\/strong>\u00a0que cerca o\u00a0<strong>S\u00edtio dos Macacos<\/strong>\u00a0n\u00e3o \u00e9 problema para\u00a0<strong>Dona Maria Josefa de Santana<\/strong>, 68 anos, que foi morar l\u00e1 aos 14 anos. &#8220;N\u00e3o sei se me apaixonei mais pelo local ou pelo meu marido&#8221;, brinca. O\u00a0<strong>isolamento<\/strong>, neste caso, \u00e9 tido como um privil\u00e9gio. &#8220;N\u00e3o sofremos com o barulho, polui\u00e7\u00e3o, temos uma fonte de \u00e1gua nascente pr\u00f3ximo. \u00c9 o melhor lugar para criarmos nossos filhos&#8221;, conta. Maria tem 18 filhos, alguns n\u00e3o moram mais no\u00a0<strong>S\u00edtio<\/strong>, mas pensam em voltar. Ela diz que l\u00e1 \u00e9 o melhor lugar para as crian\u00e7as, que ficam mais protegidas da viol\u00eancia &#8220;l\u00e1 fora&#8221;. Mesmo com dificuldades de se locomover com sua cadeira de rodas, devido \u00e0 estrutura prec\u00e1ria das pequenas ruas, a moradora tem orgulho da hist\u00f3ria que construiu na comunidade. &#8220;N\u00e3o penso em sair daqui nunca, tenho muito amor pelo S\u00edtio dos Macacos&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"cta cta-screen\"><\/div>\n<\/article>\n<article class=\"wow fadeIn\">\n<figure class=\"banner\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/especiais.folhape.com.br\/image\/view\/TemplateNews\/image\/250\" alt=\"Urbaniza\u00e7\u00e3o versus identidade\" \/><figcaption>S\u00cdTIO DOS MACACOS<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"wrapper\">\n<div class=\"title\">\n<h1>Urbaniza\u00e7\u00e3o versus identidade<\/h1>\n<p>O acesso aos servi\u00e7os b\u00e1sicos n\u00e3o significa urbanizar a \u00e1rea. Moradores j\u00e1 trabalham com a conscientiza\u00e7\u00e3o ambiental do espa\u00e7o.<\/p>\n<\/div>\n<p>Nem sempre a busca por\u00a0<strong>avan\u00e7os<\/strong>\u00a0\u00e9 vista com confian\u00e7a entre os moradores de\u00a0<strong>S\u00edtio dos Macacos<\/strong>. Em 2016, a Estrada dos Macacos, recebeu obras de infraestrutura para melhorar a mobilidade no local. A via tem extens\u00e3o de 2,5 quil\u00f4metros, segundo a\u00a0<strong>Prefeitura do Recife<\/strong>, e \u00e9 uma rota que passa pela comunidade ligando os bairros da\u00a0<strong>Guabiraba<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Dois Irm\u00e3os<\/strong>, Zona Norte do Recife, ao bairro de\u00a0<strong>Aldeia<\/strong>, j\u00e1 no munic\u00edpio de\u00a0<strong>Camaragibe<\/strong>. Com a via pavimentada, o tr\u00e1fego tamb\u00e9m aumentou e, como consequ\u00eancia, os riscos de acidentes tamb\u00e9m. Essa dualidade \u00e9 explicada pelo professor Jo\u00e3o Gilberto Farias, da\u00a0<strong>Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)<\/strong>, do departamento de\u00a0<strong>Ci\u00eancias Sociais<\/strong>, como algo natural, principalmente por parte da popula\u00e7\u00e3o mais antiga. &#8220;As pessoas mais velhas conheceram aquela \u00e1rea quando os\u00a0<strong>macacos<\/strong>\u00a0entravam em suas casas. Eles tiveram o contato com a terra e sabem que o que pode acontecer n\u00e3o \u00e9 um processo de urbaniza\u00e7\u00e3o, mas de especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria. E isso n\u00e3o \u00e9 dar qualidade de vida, mas dar acesso a mais pessoas em uma \u00e1rea nobre, de certa forma&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Proporcionar esse\u00a0<strong>bem-estar<\/strong>, atrav\u00e9s da presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o, n\u00e3o necessariamente teria rela\u00e7\u00e3o direta com o processo de\u00a0<strong>urbaniza\u00e7\u00e3o<\/strong>, como conhecemos. De acordo com a\u00a0<strong>Associa\u00e7\u00e3o de Moradores do S\u00edtio dos Macacos<\/strong>, h\u00e1 1.200 fam\u00edlias cadastradas, o que que d\u00e1 cerca de quatro mil pessoas morando nessa regi\u00e3o. Os numeros exatos, no entanto, n\u00e3o constam na\u00a0<strong>Prefeitura do Recife<\/strong>\u00a0e nem no censo demogr\u00e1fico de 2010 do\u00a0<strong>IBGE<\/strong>. &#8220;Claro que existe o pulso do outro lado, das pessoas que querem que as coisas cheguem. Mas, por se tratar de uma \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio que se crie mecanismos que amenizem esse estresse de cidade grande&#8221;, destaca o professor. Para a pedagoga<strong>\u00a0Eliane Francisca<\/strong>, a luta pelo desenvolvimento \u00e9 valida, mas h\u00e1 um receio de perda de identidade, da tranquilidade que ainda cerca as casas desfigurando a correria e agita\u00e7\u00e3o que ocorre h\u00e1 poucos quilometros dali, por exemplo.<\/p>\n<p>Sobre a quest\u00e3o ambiental dessa \u00e1rea, a\u00a0<strong>Secretaria de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel e Meio Ambiente do Recife<\/strong>\u00a0informou que a\u00a0<strong>UCN Beberibe<\/strong>, ao qual a comunidade\u00a0<strong>S\u00edtio dos Macacos<\/strong>\u00a0integra, ter\u00e1 um plano de manejo municipal (processo de an\u00e1lise, categoriza\u00e7\u00e3o e defini\u00e7\u00e3o de usos e gest\u00e3o). A \u00e1rea tem uma grande import\u00e2ncia ecol\u00f3gica para a conserva\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m de\u00a0<strong>recursos h\u00eddricos<\/strong>.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"cta cta-screen\"><\/div>\n<\/article>\n<article class=\"wow fadeIn\">\n<figure class=\"banner\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/especiais.folhape.com.br\/image\/view\/TemplateNews\/image\/251\" alt=\"Rota de Passagem\" \/><figcaption>S\u00cdTIO DOS MACACOS<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"wrapper\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"title\">\n<h1>Rota de Passagem<\/h1>\n<p>Comunidade fica onde funcionava a Esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria Macacos, por onde paravam os trens que iam desde Beberibe at\u00e9 S\u00e3o Louren\u00e7o da Mata.<\/p>\n<\/div>\n<p>O m\u00fasico\u00a0<strong>Marcelo Tompson<\/strong>\u00a0realizou um estudo sobre a origem das ocupa\u00e7\u00f5es no\u00a0<strong>S\u00edtio dos Macacos<\/strong>. De acordo com suas pesquisas, a \u00e1rea se tratava do\u00a0<strong>Quilombo do Catuc\u00e1<\/strong>, que ocupava as matas desde\u00a0<strong>Beberibe\u00a0<\/strong>em dire\u00e7\u00e3o a\u00a0<strong>S\u00e3o Louren\u00e7o da Mata<\/strong>, passando pelo\u00a0<strong>S\u00edtio dos Macacos<\/strong>. Foi em 1881, que houve a inaugura\u00e7\u00e3o do primeiro trecho da\u00a0<strong>Estrada de Ferro do Recife<\/strong>\u00a0a cidade de\u00a0<strong>Limoeiro<\/strong>. Ela partia da esta\u00e7\u00e3o do Brum, no Recife, e uma dos trechos pasava pela\u00a0<strong>Esta\u00e7\u00e3o Macacos<\/strong>, dando nome \u00e0 comunidade. Os primeiros moradores contam que em 1960, ap\u00f3s um\u00a0<strong>descarrilhamento<\/strong>, a Esta\u00e7\u00e3o passou por problemas e foi desativada.<\/p>\n<p>Foi a partir desse per\u00edodo que as\u00a0<strong>ocupa\u00e7\u00f5es<\/strong>\u00a0se itensificaram e talvez o estigma de ser apenas\u00a0<strong>rota de passagem<\/strong>\u00a0(por conta da malha ferrovi\u00e1ria) e um lugar para ser esquecido (por ser uma \u00e1rea\u00a0<strong>quilombola<\/strong>) tenham permanecido entre os que a hist\u00f3ria no\u00a0<strong>S\u00edtio dos Macacos<\/strong>. &#8220;Aqui era um lugar para se ter um ch\u00e3o e o relevo acidentado trazia essa facilidade. As pessoas que n\u00e3o queria ser incomodadas porque tinham seu lugar guardado. Agora, essas mesmas dificuldades criaram um sentimento nas pessoas de ser um lugar bom, vivem\u00a0<strong>esquecidas<\/strong>, mas\u00a0<strong>gostam<\/strong>\u00a0daqui&#8221;, afirma Tompson.<\/p>\n<p>Fonte: FolhaPE<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"cta cta-screen\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O S\u00edtio dos Macacos passa despercebido pelo resto do Recife. A comunidade \u00e9 de dif\u00edcil acesso, dentro de uma reserva ambiental. 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