{"id":272826,"date":"2019-02-07T10:10:45","date_gmt":"2019-02-07T13:10:45","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=272826"},"modified":"2019-02-07T10:10:45","modified_gmt":"2019-02-07T13:10:45","slug":"josef-mengele-os-40-anos-da-morte-do-medico-nazista-que-viveu-17-anos-em-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/josef-mengele-os-40-anos-da-morte-do-medico-nazista-que-viveu-17-anos-em-sp\/","title":{"rendered":"Josef Mengele: os 40 anos da morte do m\u00e9dico nazista que viveu 17 anos em SP"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"byline\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"byline__name\">Andr\u00e9 Bernardo<\/span><\/div>\n<div class=\"with-extracted-share-icons\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share\">\n<div class=\"story-body__mini-info-list-and-share-row\">\n<div class=\"share-tools--no-event-tag\">\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-twite\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width lead\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/660\/cpsprodpb\/928A\/production\/_105541573_bbcbrasil_romeutumaanalisandoaossadadejosefmengele_associacaonacionaldosdelegadosdepoliciafederal.jpg\" alt=\"Romeu Tuma analisa ossada de Mengele\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"660\" \/><\/span>Ent\u00e3o superintendente da Pol\u00edcia Federal em S\u00e3o Paulo, Romeu Tuma analisa a ossada de Josef Mengele<\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\" style=\"text-align: justify;\">Bertioga, 7 de fevereiro de 1979. O cabo da PM Espedito Dias Rom\u00e3o j\u00e1 se preparava para passar o plant\u00e3o e ir para casa quando atendeu a uma chamada de emerg\u00eancia. Do outro lado da linha, algu\u00e9m avisava de um corpo na Praia da Enseada. Ao chegar ao local, por volta das quatro da tarde, encontrou a praia deserta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na areia, apenas o banhista morto e um casal de austr\u00edacos, Wolfram e Liselotte Bossert. &#8220;N\u00e3o havia mais nada que pudesse fazer. Ele j\u00e1 fora resgatado da \u00e1gua sem vida&#8221;, recorda Rom\u00e3o, hoje aposentado, aos 72 anos. &#8220;Por se tratar de um mal s\u00fabito, acredito que tenha sido fulminante. Mas, n\u00e3o posso garantir.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A documenta\u00e7\u00e3o apresentada por Wolfram identificava o defunto como Wolfgang Gerhard, um austr\u00edaco de 54 anos. S\u00f3 em 1985, Rom\u00e3o veio a descobrir que Gerhard era um dos muitos pseud\u00f4nimos que Josef Mengele &#8211; acusado de ter enviado milhares de prisioneiros para a morte em campos de concentra\u00e7\u00e3o e de ter realizado experimentos crueis em mais de tr\u00eas mil g\u00eameos &#8211; usou para viver inc\u00f3gnito depois da Segunda Guerra. O verdadeiro Gerhard morreu em 16 de dezembro de 1978 e foi sepultado em Graz, na \u00c1ustria, sua terra natal.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/7D57\/production\/_105478023_bbcbrasil_espeditodiasromao_arquivopessoal.png\" alt=\"Espedito Dias Rom\u00e3o\" width=\"549\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\">Cabo da PM s\u00f3 descobriu seis anos depois que homem que se afogou em praia onde trabalhava era Josef Mengele<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">A lista de nomes falsos adotados por Mengele \u00e9 extensa e inclui, entre outros, Fritz Ullmann, Helmut Gregor e Fausto Rind\u00f3n. S\u00f3 no Brasil, foram dois: Peter Hochbichler e Wolfgang Gerhard. &#8220;Nosso pa\u00eds nunca foi uma op\u00e7\u00e3o para Mengele por causa da presen\u00e7a de \u00edndios e negros. Na Am\u00e9rica do Sul, ele preferia a Argentina. Por ter muitos alem\u00e3es e simpatizantes do nazismo, se sentia em casa&#8221;, explica o jornalista e historiador Marcos Guterman, autor de\u00a0<i>Nazistas Entre N\u00f3s &#8211; A Trajet\u00f3ria dos Oficiais de Hitler Depois da Guerra<\/i>\u00a0(2016).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Mengele s\u00f3 fugiu para c\u00e1 porque temia ser capturado como Adolf Eichmann&#8221;, completa o historiador, referindo-se a outro criminoso de guerra, capturado em maio de 1960, na Argentina, e enforcado em junho de 1962, em Israel.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">O m\u00e9dico e o monstro de Auschwitz<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a derrota na Segunda Guerra tornou-se uma quest\u00e3o de dias, os oficiais nazistas s\u00f3 tinham tr\u00eas decis\u00f5es a tomar: suic\u00eddio, pris\u00e3o ou tentativa de fuga. Em 17 de janeiro de 1945, quando tropas sovi\u00e9ticas estavam a dez dias de tomar Auschwitz, Mengele optou pela terceira alternativa. Sob o pseud\u00f4nimo de Fritz Ullmann, trabalhou, por quatro anos, numa planta\u00e7\u00e3o de batatas no sul da Alemanha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em junho de 1949, seguiu para a Argentina, onde trocou novamente de identidade e virou Helmut Gregor. Quando a Alemanha pediu sua extradi\u00e7\u00e3o, fugiu para o Uruguai. Em 1959, migrou para o Paraguai e, dois anos depois, para o Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Mengele era de fam\u00edlia rica. Na Argentina e no Paraguai, contou com a ajuda de outros ex-oficiais nazistas. Chegou a ser dono de uma farmac\u00eautica na Argentina, de onde tirava um bom dinheiro&#8221;, relata Guterman.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/CB77\/production\/_105478025_bbcbrasil_josefmengele1_museumemorialdoholocaustodoseua.jpg\" alt=\"Josef Mengele\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Sob o pseud\u00f4nimo de Fritz Ullmann, Mengele (segundo da esquerda para a direita) trabalhou, por quatro anos, numa planta\u00e7\u00e3o de batatas no sul da Alemanha antes de fugir para a Argentina<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Josef Mengele nasceu em G\u00fcnzburg, na Alemanha, no dia 16 de mar\u00e7o de 1911. Seu pai, Karl, era um rico industrial do ramo de equipamentos agr\u00edcolas. Mas, em vez de assumir os neg\u00f3cios da fam\u00edlia, preferiu estudar medicina em Frankfurt.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Formado em 1938, foi admitido em Auschwitz cinco anos depois, como coronel-m\u00e9dico da SS, a tropa de elite do regime nazista. Logo, ganhou o t\u00edtulo de O Anjo da Morte. &#8220;Mengele foi o mais s\u00e1dico e cruel de todos. Como se estivesse brincando de Deus, selava o destino dos prisioneiros que chegavam a Auschwitz. Enquanto uns seguiam para o campo de trabalhos for\u00e7ados, outros eram jogados nas c\u00e2maras de g\u00e1s&#8221;, explica o jornalista americano Gerald Posner, autor de\u00a0<i>Mengele &#8211; The Complete Story<\/i>\u00a0(2000).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um terceiro grupo, formado por g\u00eameos, an\u00f5es e deficientes f\u00edsicos, era usado como cobaia de experimentos macabros no pavilh\u00e3o batizado de &#8220;zool\u00f3gico&#8221;. Suas pesquisas, que nada contribu\u00edram para a ci\u00eancia, consistiam, entre outras atrocidades, em testar os limites do ser humano em temperaturas alt\u00edssimas &#8211; como caldeir\u00f5es de \u00e1gua fervente &#8211; ou injetar cimento l\u00edquido nos \u00fateros das prisioneiras para avaliar os efeitos da esteriliza\u00e7\u00e3o em massa.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Recluso, gostava de ler poesia e ouvir m\u00fasica cl\u00e1ssica<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim que chegou ao Brasil, em 1961, Mengele passou a se chamar Peter Hochbichler e foi morar em Nova Europa, a 318 km de S\u00e3o Paulo. Por interm\u00e9dio de Wolfgang Gerhard, um simpatizante de Hitler que morava no pa\u00eds desde 1948, foi apresentado ao casal Geza e Gitta Stammer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como estavam \u00e0 procura de algu\u00e9m para administrar sua fazenda de caf\u00e9, resolveram contrat\u00e1-lo. Um ano depois, se mudaram para Serra Negra. &#8220;De t\u00e3o campesino, nosso munic\u00edpio n\u00e3o tinha sequer asfalto. Era o lugar ideal para algu\u00e9m se esconder&#8221;, afirma o historiador Pedro Burini, autor de\u00a0<i>O Anjo da Morte em Serra Negra<\/i>\u00a0(2013). &#8220;Como os Stammer eram h\u00fangaros, Mengele ficou conhecido na regi\u00e3o como Pedro Hungar\u00eas. Ou, simplesmente, Pedr\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/11997\/production\/_105478027_bbcbrasil_josefmengele2_museumemorialdoholocaustodoseua.jpg\" alt=\"Josef Mengele\" width=\"549\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\">Filho de um rico industrial do ramo de equipamentos agr\u00edcolas, Josef Mengele nasceu em G\u00fcnzburg, na Alemanha, no dia 16 de mar\u00e7o de 1911<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob o pretexto de observar p\u00e1ssaros, Mengele mandou construir uma torre, com cerca de seis metros de altura, no telhado do s\u00edtio. Munido de bin\u00f3culos, passava horas l\u00e1 em cima, vigiando quem entrava e sa\u00eda da propriedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Mengele vivia sob constante tens\u00e3o. Tinha pavor de ser capturado por agentes do Mossad, o servi\u00e7o secreto de Israel&#8221;, relata o jornalista franc\u00eas Olivier Guez, autor de\u00a0<i>O Desaparecimento de Josef Mengele<\/i>, previsto para ser lan\u00e7ado, ainda este ano, pela editora Intr\u00ednseca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O pavor era tanto que deixou o bigode crescer. Acreditava que, por debaixo dele, ningu\u00e9m o reconheceria. O problema \u00e9 que, de tanto mastigar os fios do bigode, formou-se uma bola de pelos em seu est\u00f4mago, que o obrigou a fazer uma cirurgia.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/2F37\/production\/_105478021_bbcbrasil_casademengeleemserranegra_pedroburini.png\" alt=\"Casa de Mengele em Serra Negra\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Ex-m\u00e9dico nazista Josef Mengele viveu 17 anos em cidades paulistas<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paranoico, Mengele raramente sa\u00eda de casa. Passava os dias recluso, lendo Goethe e ouvindo Strauss. Quando precisava ir \u00e0 cidade, vestia capa e chap\u00e9u. N\u00e3o satisfeito, ia escoltado por uma matilha de c\u00e3es que ele mesmo adestrou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A amizade com os Stammer chegou ao fim em 1975, quando Geza descobriu que Mengele e sua mulher tiveram um caso. Foi quando o criminoso de guerra mais procurado de todos os tempos se viu obrigado a mudar de endere\u00e7o. Dali em diante, perambulou por diversas cidades paulistas, como Caieiras, Diadema e Embu.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Procura-se vivo ou morto. Recompensa: US$ 3,4 milh\u00f5es<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seu \u00faltimo esconderijo foi a resid\u00eancia dos Bossert, no bairro do Brooklin, na capital paulistana. \u00c0 \u00e9poca, Gerhard precisou regressar para a \u00c1ustria e deixou toda sua documenta\u00e7\u00e3o com Mengele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De sa\u00fade fr\u00e1gil, o m\u00e9dico de Auschwitz queixava-se de ins\u00f4nia, hipertens\u00e3o e reumatismo. \u00c0 noite, n\u00e3o ia para a cama sem esconder uma velha pistola Mauser, uma semiautom\u00e1tica de origem alem\u00e3, sob o travesseiro. Faz sentido. Sua cabe\u00e7a valia, na ocasi\u00e3o, um pr\u00eamio estimado de US$ 3,4 milh\u00f5es, algo em torno de R$ 12 milh\u00f5es.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/167B7\/production\/_105478029_bbcbrasil_torredacasadomengeleemserranegra_pedroburini.png\" alt=\"Torre da Casa do Mengele em Serra Negra\" width=\"976\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span>Esqueleto de Mengele \u00e9 usado desde 2016 como material did\u00e1tico em aulas de medicina forense da USP; na imagem, torre de sua casa em Serra Negra<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outubro de 1977, quando morava na Estrada do Alvarenga, pr\u00f3ximo \u00e0 represa Billings, Mengele recebeu uma visita inusitada: Rolf, seu filho. Ao longo de duas semanas, quis ouvir do pai sua vers\u00e3o sobre Auschwitz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista ao programa The Phil Donahue Show, de 17 de junho de 1986, Rolf Jenckel, hoje advogado em Munique, na Alemanha, relata que, em nenhum momento o velho demonstrou culpa ou remorso: &#8220;N\u00e3o admitiu que fez nada de errado. Disse apenas que estava cumprindo ordens.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob o nome falso de Wolfgang Gerhard, o corpo de Mengele foi sepultado no cemit\u00e9rio de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio, em Embu das Artes. Provavelmente estaria l\u00e1 at\u00e9 hoje se, em maio de 1985, a pol\u00edcia alem\u00e3 n\u00e3o tivesse interceptado cartas dos Bossert endere\u00e7adas a Hans Sedlmeier, um ex-funcion\u00e1rio da fam\u00edlia Mengele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desconfiadas, as autoridades alem\u00e3s acionaram a pol\u00edcia brasileira que, sob a responsabilidade do superintendente da PF em S\u00e3o Paulo, o delegado Romeu Tuma, resolveu fazer buscas na resid\u00eancia do casal e descobriu toda a verdade.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"image-and-copyright-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/3EE1\/production\/_105479061_capture.jpg\" alt=\"Boletim de ocorr\u00eancia do afogamento de Mengele\" width=\"549\" height=\"549\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/span><\/figure>\n<figure class=\"media-landscape has-caption full-width\" style=\"text-align: justify;\">Boletim de ocorr\u00eancia do afogamento de Mengele foi registrado com um de seus nomes falsos<\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">O corpo de Mengele, ent\u00e3o, foi exumado e seus restos mortais examinados pela equipe do legista Daniel Romero Mu\u00f1oz, ent\u00e3o diretor do setor de antropologia do Instituto M\u00e9dico Legal de S\u00e3o Paulo. Seu laudo, de julho de 1985, foi confirmado, sete anos depois, por um exame de DNA feito na Inglaterra: a ossada era mesmo de Mengele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como o filho nunca requisitou o corpo do pai, seu esqueleto \u00e9 usado, desde 2016, como material did\u00e1tico em aulas de medicina forense da USP. Diante disso, Israel deu o caso por encerrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encerrado? N\u00e3o para o historiador polon\u00eas naturalizado brasileiro Henry Nekrycz. Em\u00a0<i>Mengele &#8211; A Verdade Veio \u00e0 Tona<\/i>\u00a0(1994), Ben Abraham, como era mais conhecido, sustenta que tudo n\u00e3o passou de uma farsa. O corpo enterrado no Brasil em 1985 n\u00e3o era do m\u00e9dico nazista e, sim, de um s\u00f3sia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Consigo entender quando um sobrevivente do Holocausto, como Ben Abraham, n\u00e3o se conforma que seu carrasco, Mengele, tenha morrido placidamente numa praia paulista, sem pagar pelos crimes que cometeu. Mas o fato \u00e9 que Mengele morreu e foi enterrado em S\u00e3o Paulo. O resto \u00e9 teoria da conspira\u00e7\u00e3o&#8221;, avisa Guterman.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bertioga, 7 de fevereiro de 1979. O cabo da PM Espedito Dias Rom\u00e3o j\u00e1 se preparava para passar o plant\u00e3o e ir para casa quando atendeu a uma chamada de emerg\u00eancia. Do outro lado da linha, algu\u00e9m avisava de um corpo na Praia da Ensea<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":272827,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-272826","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/mengueli1.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/272826","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=272826"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/272826\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/272827"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=272826"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=272826"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=272826"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}