{"id":273469,"date":"2019-02-13T05:11:08","date_gmt":"2019-02-13T08:11:08","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=273469"},"modified":"2019-02-13T05:11:08","modified_gmt":"2019-02-13T08:11:08","slug":"o-que-acontece-com-seu-cerebro-se-voce-largar-o-facebook","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-que-acontece-com-seu-cerebro-se-voce-largar-o-facebook\/","title":{"rendered":"O que acontece com seu c\u00e9rebro se voc\u00ea largar o Facebook?"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>N\u00e3o h\u00e1 consenso sobre o impacto das redes sociais em nossas rotinas e comportamento. Mas dois estudos publicados recentemente concluem que \u2018desaparecer\u2019 do Facebook reduz os sentimentos depressivos e melhora nosso bem-estar<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"foto superior foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/02\/12\/tecnologia\/1549990082_118422_1549990228_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/02\/12\/tecnologia\/1549990082_118422_1549990228_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/02\/12\/tecnologia\/1549990082_118422_1549990228_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/02\/12\/tecnologia\/1549990082_118422_1549990228_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Bye, Mark?\" width=\"980\" height=\"532\" \/><\/p>\n<div class=\"seedtag-gohan seedtag-adunit st-in-image\">\n<div class=\"st-container\"><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Bye, Mark?<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">GETTY IMAGES<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Rebeca Gimeno\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/rebeca_gimeno_castello\/a\/\">REBECA GIMENO<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O\u00a0<em>Homo sapiens<\/em>\u00a0de 300.000 anos atr\u00e1s teria adorado o Facebook. Sua sobreviv\u00eancia e reprodu\u00e7\u00e3o dependiam de poderem contar uns aos outros onde ca\u00e7ar bis\u00f5es e que \u00e1reas eram perigosas, conta\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/yuval_noah_harari\">Yuval Noah Harari<\/a>\u00a0em\u00a0<em>Sapiens<\/em>, mas tamb\u00e9m de \u201csaber quem da sua turma odeia quem, quem dorme com quem, quem \u00e9 honesto e quem \u00e9 trapaceiro\u201d. A fofoca \u00e9 uma das teorias que explicam a origem da linguagem entre os humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/facebook\">Facebook<\/a>, com 2,3 bilh\u00f5es de contas ativas, ajuda a nos conectarmos e compartilharmos nossa vida com nossos amigos\/conhecidos. Somos animais sociais, e nos relacionar com os outros \u00e9 uma das fontes de felicidade do ser humano. Mas qual \u00e9 o impacto das redes sociais sobre nossas atitudes, nossas rotinas, nossos comportamentos, nosso humor&#8230;? Dois estudos buscaram responder a estas perguntas fazendo alguns usu\u00e1rios desaparecerem temporariamente.<\/p>\n<div class=\"teads-adCall\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/11\/23\/tecnologia\/1479897698_896068.html\">Um m\u00eas fora do Facebook aumenta o bem-estar geral<\/a>, reduz a ansiedade, a depress\u00e3o e o tempo dedicado posteriormente a esta rede social\u201d, segundo a pesquisa das universidades NYU e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/universidad_standford\">Stanford<\/a>. Trata-se da maior an\u00e1lise j\u00e1 feita sobre os efeitos do Facebook em nossos cotidianos e h\u00e1bitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como conclu\u00edram isso? Com o mesmo m\u00e9todo que os laborat\u00f3rios farmac\u00eauticos usam para saber se um rem\u00e9dio funciona: escolheram um grupo de 2.844 usu\u00e1rios que cumpriam os requisitos e os dividiram aleatoriamente. A uns deram o tratamento, um m\u00eas de abstin\u00eancia do Facebook, e ao outro, o grupo de controle, permitiram que continuassem conectados. O experimento consistiu em monitorar as diferen\u00e7as entre os dois grupos.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|html\" class=\"sumario_html centro\"><a name=\"sumario_1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/giphy.com\/embed\/dSdvPrKU0w8WGo4c9L\" width=\"480\" height=\"269\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/giphy.com\/gifs\/someone-facebook-data-dSdvPrKU0w8WGo4c9L\">via GIPHY<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cOs aumentos no bem-estar geral s\u00e3o pequenos, mas muito significativos\u201d, dizem os autores, liderados por Hunt Allcott. As pessoas que estavam fora do mundo dos\u00a0<em>likes<\/em>\u00a0respondia aos pesquisadores que se sentiam mais feliz, mais satisfeitos com sua vida e com menos depress\u00e3o e ansiedade. Essa melhora equivalia a 25% &#8211; 40% dos benef\u00edcios oferecidos por uma terapia psicol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O outro estudo publicado dias antes, da Universidade A&amp;M do Texas, n\u00e3o encontrava um efeito relevante na felicidade. Nessa pesquisa, a desativa\u00e7\u00e3o da rede social durou s\u00f3 uma semana, mas mesmo assim se constatou, de forma compat\u00edvel com o estudo mencionado antes, uma redu\u00e7\u00e3o de 17% nos sentimentos depressivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como isso se explica? Uma possibilidade \u00e9 a teoria da compara\u00e7\u00e3o social. O Facebook pode\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/05\/27\/tecnologia\/1464314019_118390.html\">alimentar sentimentos de inveja e frustra\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0se decidirmos que o valor de nossa vida social e pessoal varia em fun\u00e7\u00e3o de como vai o resto. Porque, sejamos sinceros, a maioria tende a compartilhar seu melhor momento ou foto do dia, e isso pode gerar a falsa ideia de que a vida dos nossos amigos \u00e9 maravilhosa, e que a nossa n\u00e3o faz sentido.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Menos polariza\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<section id=\"sumario_2|html\" class=\"sumario_html derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p class=\"texto_grande\"><i>\u201cNo grupo de usu\u00e1rios abst\u00eamios, diminuiu a divis\u00e3o de opini\u00f5es por quest\u00f5es pol\u00edticas\u201d<\/i><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muita gente usa as\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/redes_sociales\/a\/25\">redes sociais<\/a>\u00a0para se informar, por isso n\u00e3o surpreendeu que os usu\u00e1rios que desativaram sua conta do Facebook estavam menos a par das not\u00edcias. Tampouco se deram ao trabalho de se conectar a outros canais tradicionais, como a r\u00e1dio, a televis\u00e3o ou os jornais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas nesse cap\u00edtulo de perguntas do estudo,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/03\/11\/politica\/1426110398_614502.html\">o impacto mais relevante foi na polariza\u00e7\u00e3o<\/a>. No grupo de usu\u00e1rios abst\u00eamios, reduziu-se a divis\u00e3o de opini\u00f5es com rela\u00e7\u00e3o a quest\u00f5es pol\u00edticas \u2013 na verdade, aumentava a capacidade de entender o outro lado. Para se ter uma ideia desse impacto, se o n\u00edvel de polariza\u00e7\u00e3o na sociedade norte-americana aumentou 100 pontos entre 2006 e 2016, um m\u00eas fora do Facebook reduziu esse indicador em 42 pontos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este resultado p\u00f5e em destaque tamb\u00e9m o papel dessa rede social na sociedade, al\u00e9m de seu pol\u00eamico papel na difus\u00e3o das not\u00edcias falsas. As democracias se baseiam numa opini\u00e3o p\u00fablica bem informada, diz Cass Sunstein, ex-assessor de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/barack_obama\">Barack Obama<\/a>, em seu livro\u00a0<em>#Republic<\/em>. Esse especialista em regula\u00e7\u00e3o acredita que as redes sociais deveriam introduzir certa aleatoriedade em seus algoritmos. Se s\u00f3 nos recomendarem not\u00edcias que acham\/sabem que v\u00e3o nos agradar, afinal o que est\u00e3o gerando s\u00e3o c\u00e2maras de eco nas quais a \u00fanica opini\u00e3o que ouvimos \u00e9 a nossa. Com essa vis\u00e3o da realidade \u00e9 muito complicado entender algu\u00e9m que n\u00e3o pense como n\u00f3s, da\u00ed a polariza\u00e7\u00e3o para a qual as redes sociais aparentemente contribuem.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Uma hora livre por dia<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez o maior presente pessoal de deixar o Facebook eram 60 minutos liberados por dia. Os usu\u00e1rios desconectados passaram mais tempo com os amigos, a fam\u00edlia, sa\u00edram para jantar fora mais vezes e tamb\u00e9m passaram mais momentos vendo televis\u00e3o sozinhos. Em geral, ocuparam seu novo tempo livre com atividades mais saud\u00e1veis, e isso se refletiu em seu estado de \u00e2nimo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Surpreendentemente, menos Facebook n\u00e3o se traduziu em mais tempo em outras redes sociais ou diante da tela. Al\u00e9m do mais, reduziu-se a aten\u00e7\u00e3o a outros aplicativos, como\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/spotify\">Spotify<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/tinder\">Tinder<\/a>. Sem uma timeline para seguir, voc\u00ea tampouco visita todos aqueles sites que nossos amigos recomendam.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Vida fora da timeline<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre o grupo dos que se desconectaram, 43% se dispuseram a dedicar menos aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sua timeline no futuro (contra 22% do grupo de controle), e de fato conseguiram: 12 minutos a menos em m\u00e9dia. De fato, nove semanas depois do final do projeto, 5% do grupo de tratamento continuava sem reativar sua conta. \u201cQuanto maior o tempo desligado, mais valorizavam os efeitos.\u201d<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Quanto vale o Facebook?<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">E aqui terminam as m\u00e1s not\u00edcias para a empresa de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/mark_zuckerberg\">Mark Zuckerberg<\/a>. Quando se pergunta aos usu\u00e1rios quanto dinheiro eles exigiriam para desativar sua conta do Facebook durante um ano, a resposta varia entre 1.000 e 2.000 d\u00f3lares (3.750 a 7.500 reais, aproximadamente). Multiplique isso pelo n\u00famero de usu\u00e1rios nos\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/estados_unidos\">Estados Unidos<\/a>&#8230; As pessoas valorizam muito a experi\u00eancia de poder estar em contato com seus amigos com tanta facilidade. Tudo bem, isso \u00e9 porque n\u00e3o sabem que sua vida pode ser igualmente maravilhosa se desativarem suas contas, certo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o. Quem aceitou desaparecer durante um m\u00eas pediu apenas 102 d\u00f3lares em troca. Depois desses dias, de maior bem-estar geral, menos depress\u00e3o, h\u00e1bitos mais saud\u00e1veis, voltaram a ser perguntados: quanto exigiria para ficar mais um m\u00eas fora? A cifra caiu para 87 d\u00f3lares. Como \u00e9 poss\u00edvel? Talvez as pessoas apreciem muito saber o que est\u00e3o fazendo seus amigos, o que eles leem, do que falam&#8230; mesmo que isso lhes gere certo estresse, explicam os autores do primeiro estudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso do experimento de desativa\u00e7\u00e3o durante uma semana, a quantia que os usu\u00e1rios pediram para ficar mais sete dias fora da rede social aumentou 15% (de 10,7 para 12,3 d\u00f3lares). Nesse caso, os pesquisadores prop\u00f5em outra explica\u00e7\u00e3o. \u201cA resposta \u00e9 consistente com a retirada dos efeitos de um bem aditivo. Se ficar no Facebook gera depend\u00eancia, ent\u00e3o uma semana fora da rede deveria aumentar o desejo de voltar para ela.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o h\u00e1 consenso sobre o impacto das redes sociais em nossas rotinas e comportamento. 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