{"id":274816,"date":"2019-02-25T06:38:03","date_gmt":"2019-02-25T09:38:03","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=274816"},"modified":"2019-02-25T06:38:03","modified_gmt":"2019-02-25T09:38:03","slug":"o-caldeirao-da-internet-que-agita-fantasmas-do-nazismo-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-caldeirao-da-internet-que-agita-fantasmas-do-nazismo-no-brasil\/","title":{"rendered":"O caldeir\u00e3o da Internet que agita fantasmas do nazismo no Brasil"},"content":{"rendered":"<div class=\"articulo__apertura\">\n<header id=\"articulo-encabezado\" class=\"articulo-encabezado \">\n<div class=\"articulo-encabezado-texto\">\n<div id=\"articulo-titulares\" class=\"articulo-titulares\">\n<h1 id=\"articulo-titulo\" class=\"articulo-titulo \" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"articulo-subtitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<h2 class=\"articulo-subtitulo\"><em>Pegadas hist\u00f3ricas do movimento alem\u00e3o, ainda antes da segunda guerra, est\u00e3o no sul, mas descendentes recha\u00e7am senso comum do segregacionismo como heran\u00e7a cultural<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<div class=\"articulo-apertura \" style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"foto superior foto_w980\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/02\/24\/politica\/1551033982_835587_1551034318_noticia_normal.jpg\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/02\/24\/politica\/1551033982_835587_1551034318_noticia_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/02\/24\/politica\/1551033982_835587_1551034318_noticia_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2019\/02\/24\/politica\/1551033982_835587_1551034318_noticia_normal.jpg 980w\" alt=\"Neonazismo\" width=\"980\" height=\"600\" \/><\/p>\n<div class=\"seedtag-gohan seedtag-adunit st-in-image\">\n<div class=\"st-container\"><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"foto-pie\"><span class=\"foto-texto\">Grupo de oficiais das SS em Auschwitz, na segunda metade de 1944. O segundo a partir da esquerda \u00e9 Josef Mengele<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-autor\">UNIVERSAL HISTORY ARCHIVE GETTY IMAGES<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"firma \">\n<div class=\"autor\">\n<div class=\"autor-texto\"><span class=\"autor-nombre\"><a title=\"Ver todas as not\u00edcias de Naira Hofmeister\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/autor\/el_pais\/a\/\">NAIRA HOFMEISTER<\/a><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"articulo_contenedor\" class=\"articulo__contenedor\">\n<div id=\"cuerpo_noticia\" class=\"articulo-cuerpo\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A recente revela\u00e7\u00e3o de que o pai do chanceler brasileiro,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/ernesto_henrique_fraga_araujo\">Ernesto Ara\u00fajo<\/a>, dificultou a extradi\u00e7\u00e3o do Brasil de um oficial nazista conhecido como \u201ca besta humana\u201d em campos de concentra\u00e7\u00e3o mexeu em um terreno pantanoso que, passados 74 anos do fim da Segunda Guerra Mundial, ainda provoca curiosidade e temor nos brasileiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o foi apenas Gustav Franz Wagner, respons\u00e1vel por mais de 250 mil mortes no campo de Sobibor, na Pol\u00f4nia, que viveu no Brasil. Outro nazista cruel, conhecido como o \u201canjo da morte\u201d tamb\u00e9m passou os \u00faltimos anos de sua vida por aqui: trata-se do temido m\u00e9dico\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/josef_mengele\/a\/\">Joseph Mengele<\/a>, que escolhia entre prisioneiros judeus, cobaias para experimentos eugenistas. Mengele passou quase duas d\u00e9cadas\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/12\/17\/cultura\/1513522332_391009.html\">vivendo sob falsa identidade<\/a>\u00a0no interior de S\u00e3o Paulo e morreu na praia de Bertioga, em 1979.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As pegadas hist\u00f3ricas do movimento alem\u00e3o em territ\u00f3rio brasileiro s\u00e3o ainda mais antigas. Foi aqui que nasceu a primeira c\u00e9lula do Partido Nazista fora da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/alemania\">Alemanha<\/a>, em 1928, em Timb\u00f3, Santa Catarina. Antes de Get\u00falio Vargas extinguir todos os partidos brasileiros, em 1938, a sigla chegou a reunir quase 3 mil filiados no Brasil. O maior contingente estava em S\u00e3o Paulo. Na sequ\u00eancia vinham Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paran\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O medo de que essas ra\u00edzes pudessem significar persegui\u00e7\u00f5es em dias atuais apareceu com for\u00e7a em 2018. No ano passado, apenas no m\u00eas de outubro, a su\u00e1stica\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/nazismo\">nazista<\/a>\u00a0apareceu pichada em S\u00e3o Paulo (na USP e em um muro de col\u00e9gio na zona oeste), em uma igreja em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, nas portas de um banheiro da Universidade Federal de Juiz de Fora, no Mato Grosso do Sul e na Para\u00edba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O temor n\u00e3o \u00e9 infundado, j\u00e1 que no passado recente, neonazistas brasileiros protagonizaram ataques b\u00e1rbaros, como o de 2009, ocorrido ao final da Parada Gay de S\u00e3o Paulo. Naquela noite de junho, uma gangue de seguidores de Hitler chamada Impacto Hooligan espancou um jovem negro que morreu no hospital e\u00a0<a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/brasil\/policia-de-sp-confirma-atentado-bomba-durante-parada-gay-prende-sete-de-grupo-neonazista-3186480\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">explodiu uma bomba caseira no Largo do Arouche<\/a>, deixando mais de 40 feridos. Nesse mesmo ano, neonazistas do Paran\u00e1 mataram um casal de namorados, integrantes do movimento, por disputa de poder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar das marcas ainda frescas desses atentados, a pol\u00edcia assegura que os de 2009 foram os \u00faltimos ataques de gangues neonazistas brasileiras. Desde ent\u00e3o, elas est\u00e3o em sil\u00eancio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intoler\u00e2ncia (Decradi) de S\u00e3o Paulo, n\u00e3o foi constatada nenhuma movimenta\u00e7\u00e3o inusual dos bandos neonazis ao longo de 2018. Em Porto Alegre, o delegado Paulo C\u00e9sar Jardim &#8211; especializado em investiga\u00e7\u00f5es policiais sobre o tema &#8211; assevera: \u201cO movimento neonazista n\u00e3o teve nenhuma a\u00e7\u00e3o no sul do Brasil nos \u00faltimos cinco ou seis anos. Se algu\u00e9m disser o contr\u00e1rio, ou est\u00e1 mentindo ou inventando\u201d.<\/p>\n<div class=\"teads-adCall\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora longe das ruas, a amea\u00e7a neonazista est\u00e1 viva na internet. Em um territ\u00f3rio em que n\u00e3o h\u00e1 o rigor de doutrina\u00e7\u00e3o exigido pelas gangues &#8211; cujos integrantes possuem manual de conduta e precisam ser profundos conhecedores da hist\u00f3ria e simbologia nazi &#8211; nas redes a ideologia se espalha, se confunde e refor\u00e7a os preconceitos nacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dados da\u00a0<a href=\"https:\/\/new.safernet.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">SaferNet<\/a>, organiza\u00e7\u00e3o que combate viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos na internet, mostram que o neonazismo, assim como outros crimes virtuais, est\u00e3o em ascens\u00e3o. Entre 2017 e 2018, houve crescimento de 51,70% nas den\u00fancias recebidas pela institui\u00e7\u00e3o a respeito de pr\u00e1ticas neonazis nas redes. Apesar de alarmante, o aumento foi um dos menores entre todos os tipos de den\u00fancias que a SaferNet recolhe. O que mais cresceu foram as imputa\u00e7\u00f5es de usu\u00e1rios por viol\u00eancia contra as mulheres (1639,54% a mais) e xenofobia (567,93% a mais).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas essas viola\u00e7\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o necessariamente desvinculadas. Foi o que aconteceu anos atr\u00e1s com um caso de racismo investigado pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/mp_ministerio_publico_brasil\">Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo<\/a>, no qual um jovem afirmou em uma rede social que \u201cnegros ficam podres\u201d se n\u00e3o tomarem banho. Quando prestou depoimento ao MP, o agressor disse ter \u201cinteresse especial pela hist\u00f3ria de Adolf Hitler e o nazismo\u201d, embora n\u00e3o integrasse uma gangue formalmente constitu\u00edda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O promotor Christiano Jorge Santos, autor do livro Crimes de Preconceito e de Discrimina\u00e7\u00e3o (Belas Letras, 2001) gosta de citar esse exemplo porque o autor da agress\u00e3o, Leonardo Viana da Silva, foi o primeiro condenado em segunda inst\u00e2ncia por um crime de racismo no Brasil \u2013 em 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO fen\u00f4meno do neonazismo vive na maioria dos pa\u00edses nas sombras, mas n\u00e3o est\u00e1 desaparecido. Evidentemente por haver repress\u00e3o legal e social, n\u00e3o soa bem se afirmar nazista. Por\u00e9m, em certos momentos \u00e9 poss\u00edvel que se sintam mais autorizados a agir e a retomar esse espa\u00e7o\u201d, acredita o promotor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 em 2007, antrop\u00f3loga Adriana Dias mapeou uma rede que produzia e distribu\u00eda conte\u00fado para recrutamento neonazista, incluindo \u201cv\u00eddeos, livros para download, cartazes para impress\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o, manuais de procedimento para a guerra racial\u201d e at\u00e9 livros de colorir para crian\u00e7as, segundo um artigo da pesquisadora dispon\u00edvel na internet. Na \u00e9poca, ela contabilizou cerca de 150 mil membros conectados atrav\u00e9s de sites, comunidades, f\u00f3runs e at\u00e9 lojas virtuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA sistem\u00e1tica muda muito e hoje em dia um dos principais focos \u00e9 o aplicativo WhatsApp, muito mais eficiente do que blogs no recrutamento de pessoas, porque \u00e9 poss\u00edvel replicar o conte\u00fado fora da mira da lei\u201d, revela o promotor Christiano Jorge Santos, apontando o vil\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es 2018 no Brasil como o ve\u00edculo central de ideias segregacionistas na atualidade.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">O estere\u00f3tipo da xenofobia<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os estudos da antrop\u00f3loga Adriana Dias sugerem que, do contingente total de simpatizantes dos ideais nazistas no\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/brasil\">Brasil<\/a>, um ter\u00e7o esteja em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/santa_catarina\">Santa Catarina<\/a>. O achado da pesquisadora refor\u00e7a um estere\u00f3tipo atribu\u00eddo sobretudo aos estados do sul, mas \u00e9 refutado por outros pesquisadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCriou-se um senso comum de associar neonazistas \u00e0s col\u00f4nias de alem\u00e3es, mas s\u00e3o acusa\u00e7\u00f5es infundadas\u201d, objeta o historiador Ren\u00e9 Gertz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gertz pesquisou sobrenomes dos envolvidos em casos considerados neonazistas e encontrou poucos alem\u00e3es, fato confirmado pelo delegado Paulo C\u00e9sar Jardim, um dos maiores especialistas no assunto dentro da pol\u00edcia brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, entre os acusados pelo ataque terrorista \u00e0 Parada Gay de S\u00e3o Paulo, em 2009, aparecem sobrenomes como Alc\u00e2ntara, Ferreira, Carvalho, Miranda, Silva, Guimar\u00e3es e Nascimento. O mesmo acontece no caso mais rumoroso de ataque neonazista no Rio Grande do Sul, quando, em 2005, um bando atacou tr\u00eas judeus em frente a um bar &#8211; os culpados come\u00e7aram a ser condenados somente no ano passado, 13 anos depois do crime.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c(Entre os 14 r\u00e9us), somente um tem sobrenome completo alem\u00e3o. Outros quatro tem uma parte do sobrenome alem\u00e3o e os demais, nada\u201d, desmistifica Ren\u00e9 Gertz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A regra vale tamb\u00e9m para o assassinato no Paran\u00e1: Barollo e Corr\u00eaa ao lado de sobrenomes como Fischer e Wendler, esses \u00faltimos, de origem alem\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAlgumas pesquisas sugerem que n\u00e3o existe correla\u00e7\u00e3o direta entre imigra\u00e7\u00e3o alem\u00e3 ou italiana e a forma\u00e7\u00e3o dessas c\u00e9lulas neonazi. O que aparenta ser mais impactante \u00e9 a leitura que esses grupos, muitos deles jovens com baixo n\u00edvel de forma\u00e7\u00e3o intelectual, fazem dessas regi\u00f5es marcadas pela imigra\u00e7\u00e3o alem\u00e3 e italiana, uma leitura que constr\u00f3i essas regi\u00f5es como um local de \u2018pureza\u2019 \u00e9tnica e racial\u201d, confirma o tamb\u00e9m historiador Odilon Caldeira Neto, professor do programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da Universidade Federal de Santa Maria.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Conservadorismo \u00e9 marca das comunidades<\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o direta comprovada entre imigra\u00e7\u00e3o alem\u00e3 e c\u00e9lulas neonazistas no sul do Brasil, pesquisadores tamb\u00e9m apontam que os h\u00e1bitos mais conservadores dessas comunidades descendentes de imigrantes que, podem, por vezes, refor\u00e7ar os ideais segregacionistas de Hitler.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7ado em 2017, o document\u00e1rio Anau\u00ea, do diretor Zeca Pires, se debru\u00e7a sobre a sociedade de Blumenau, na regi\u00e3o de coloniza\u00e7\u00e3o alem\u00e3 de Santa Catarina para investigar as rela\u00e7\u00f5es entre o passado nazista e a cultura da sociedade contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cH\u00e1 uma liga\u00e7\u00e3o pelo menos educacional e de espa\u00e7o f\u00edsico. Tem muitas pessoas que ainda defendem o nazismo. No filme, h\u00e1 depoimentos que colocam em d\u00favida o n\u00famero de judeus mortos em campos de concentra\u00e7\u00e3o, e de admiradores de Hitler que duvidam que ele tenha sido o comandante do genoc\u00eddio\u201d, revela o cineasta e historiador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m historiadora, integrante do corpo docente da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Marlene F\u00e1varo sustenta que as ideias nazistas \u201cperduraram no imagin\u00e1rio e nas representa\u00e7\u00f5es de pessoas e fam\u00edlias de origem alem\u00e3\u201d, embora saliente o conservadorismo da sociedade como um fator importante, especialmente no atual contexto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela d\u00e1 um exemplo: Santa Catarina lidera o ranking de viol\u00eancia dom\u00e9stica contra mulheres no Brasil, dado que ela atribui tamb\u00e9m \u00e0 heran\u00e7a da cren\u00e7a na eugenia. \u201cDe tempos em tempos h\u00e1 uma explos\u00e3o dessas ideias, que tem crescido nos \u00faltimos anos\u201d, acredita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">F\u00e1varo observa que o atual momento pol\u00edtico brasileiro \u00e9 um ingrediente decisivo nesse caldo cultural. \u201cO ambiente \u00e9 favor\u00e1vel para essas elites que aceitam ideias conservadoras de exclus\u00e3o, preconceito e xenofobia. H\u00e1 ainda o aspecto religioso, que \u00e9 um chamariz para ideias ultraconservadoras\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 o historiador Odilon Caldeira Neto afirma a necessidade de n\u00e3o confundir as manifesta\u00e7\u00f5es recentes com a organiza\u00e7\u00e3o de neonazistas profissionais. Apesar disso, n\u00e3o descarta que haja influ\u00eancia e defende que \u00e9 preciso estudar as rela\u00e7\u00f5es entre ambas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 necess\u00e1rio futuramente entrecruzar os dados de viol\u00eancia e simbologia nazista com a atua\u00e7\u00e3o desses grupos neonazi. Assim, ser\u00e1 poss\u00edvel entender at\u00e9 onde esses atos s\u00e3o formas ligeiramente articuladas ou express\u00f5es mais diversificadas desse momento atual e do \u00f3dio \u00e0 democracia que tem animado setores significativos do pa\u00eds\u201d, conclui.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pegadas hist\u00f3ricas do movimento alem\u00e3o, ainda antes da segunda guerra, est\u00e3o no sul, mas descendentes recha\u00e7am senso comum do segregacionismo como heran\u00e7a cultural<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":274817,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-274816","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/nazistas-mengueli.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/274816","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=274816"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/274816\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/274817"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=274816"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=274816"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=274816"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}